Comissão de Direitos Humanos da Câmara discute papel do Canal da Cidadania e financiamento das rádios e TVs comunitárias

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A audiência debateu os desafios da comunicação pública e dos direitos humanos nas TVs abertas e por assinatura

Fruto do processo de digitalização da TV no Brasil, o Canal da Cidadania poderá ser um passo importante na democratização da comunicação, com a construção de um sistema público plural que inclui TVs não-estatais. O assunto foi discutido nesta segunda-feira (23) pelos participantes de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que debateu os desafios da comunicação pública e dos direitos humanos nas TVs abertas e por assinatura.

O governo prevê a implantação do Canal da Cidadania até 2019 nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Ele vai fazer uso da multiprogramação possibilitada pela TV digital. Serão quatro faixas de conteúdo: a primeira, para municípios; a segunda, para estados; e outras duas para associações comunitárias.

— O Canal da Cidadania é uma revolução. Agora as prefeituras e as comunidades locais vão poder falar na TV aberta. Essa sempre foi a nossa batalha — disse o superintendente-executivo de Relacionamento Institucional da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), André Barbosa.

Além do Canal a Cidadania, também serão criados os Canais do Poder Executivo, da Educação, e da Cultura.

Pola Ribeiro, da Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura, disse que uma maior disseminação dos canais estatais e públicos vai ajudar a diversificar a informação recebida pela população.

— A comunicação privada tem papel importante, mas ela não pode sozinha dar conta da comunicação do país. Não temos que bater altos índices de audiências, mas de referência — disse.

Integrante da Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Bia Barbosa espera que os novos canais incluam a participação de diversos setores da sociedade.

— Se a programação do Canal da Educação for uma programação desenhada e organizada integralmente pelo MEC, a gente está falando de mais um canal estatal e não público — apontou.

De acordo com o representante do Ministério das Comunicações, Otávio Pieranti, o decreto de criação dos canais já prevê mecanismos de participação social na programação. Até hoje, 378 municípios solicitaram a outorga do Canal da Cidadania. Desses, 25 já estão em fase de apresentação de projeto técnico. Após essa etapa, informou, o Ministério encaminhará os pedidos de outorga ao Congresso Nacional, que dará a palavra final.

Financiamento

Outro assunto que mereceu atenção durante a audiência pública foi a sustentabilidade das rádios e TVs comunitárias. O presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários, Paulo Miranda, propôs que o financiamento das TVs estaduais, universitárias, comunitárias e de órgãos públicos deve seguir modelo semelhante ao adotado na lei que criou a EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Além de recursos orçamentários da União, a EBC recebe verbas da publicidade institucional do governo, doações e recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).

Outros representantes de rádios e TVs comunitárias sugeriram que o governo federal destine ao menos 10% da verba gasta com publicidade para veículos de comunicação pública e comunitária. Em 2014, a administração pública federal gastou R$ 2,32 bilhões em publicidade.

— Esse bolo é do nosso imposto, é do nosso recurso e nós temos direito de dizer para onde deve ir — disse Paulo Miranda.

Alessandro Godinho, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, pasta que é responsável pela destinação das verbas de publicidade estatal, afirmou que o governo amentou o número de veículos que recebem verbas nos últimos 10 anos. Segundo ele, a audiência é um critério importante, mas não o único considerado.

— O governo evoluiu de um patamar de cerca de 200 veículos programados para quase 4 mil veículos. Somos sabedores que temos um campo para avançar. O recurso é finito e não conseguimos atender às expectativas de todo mundo — assinalou Godinho.

Agência Senado

Vereador Josué Pinheiro pede poda de árvore e capina para a avenida Beira Mar

O encaminhamento de ofício ao prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT) solicitando providências junto a SEMOSP (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos) quanto a poda de árvores e capina do canteiro central localizado ao longo da Avenida Beira-Mar foi feito pelo vereador Josué Pinheiro por meio de requerimento aprovado pela Câmara Municipal.

“Na referida avenida os galhos das árvores prolongam-se para a via pública ultrapassando a margem do meio fio, podendo representar risco de acidentes ao tráfego de veículos”, argumenta o vereador. Continuando ele complementa que “no canteiro central a grama encontra-se alta dificultando a travessia dos pedestres”.

Para concluir Josué Pinheiro afirma que diante dessa situação os serviços solicitados tornam-se imprescindíveis com vistas a preservar a integridade das pessoas que passam pelo local e proporcionar melhoria de acesso e qualidade de vida à população.

SISTEMA DE NOTIFICAÇÃO – Foi encaminhado para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de São Luís para apreciação dos seus membros, projeto de autoria do vereador Josué Pinheiro que institui o Sistema de Notificação Compulsória de Ocorrências com Crianças e Adolescentes Vítimas do uso de Bebidas Alcoólicas e Outras Drogas Ilícitas na Rede Pública e Privada do Município.

Entre seus objetivos a proposta de Josué Pinheiro, segundo ele  “visa compor um banco de dados estatísticos objetivando a adoção de políticas públicas para o enfrentamento desse problema, bem como tratar da implantação de sistemas de informação que nos permitam acompanhar o real impacto dessas ocorrências sobre a saúde da população de crianças na rede hospitalar do município”.

Projeto do vereador Roberto Rocha Jr. institui o Dia Municipal da Água

A Câmara Municipal de São Luís aprovou em primeira votação, na manhã da segunda-feira, 23, o Projeto de Lei 133/15 que institui o dia 20 de março como o Dia Municipal da Água, em São Luís. O projeto é de autoria do vereador Roberto Rocha Júnior (PSB), presidente da Comissão de meio Ambiente da Câmara.

Segundo o parlamentar, a data é para lembrar a importância de trabalhar e mobilizar os mais diversos segmentos da sociedade, tais como escolas, empresas, entidades assistenciais e públicas, bem como a comunidade de forma geral, no sentido de criar uma mobilização por meio de campanhas que ressaltem a importância da preservação dos recursos hídricos na capital maranhense.

“Pesquisadores afirmam que em 2025 mais da metade da população mundial pode vir a sofrer com a falta de água potável, por isso é de fundamental importância ter um dia no nosso calendário para nos fazer lembrar a importância de nos auto-educarmos para preservar esse bem tão precioso”, ressaltou.

Depois de passar por mais duas votações e ser sancionado pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), a data comemorativa ao Dia Municipal da Água passará a constar oficialmente no calendário do município.

Chico Carvalho solicita reabertura do Posto de Saúde na Zona Rural

Por meio de um requerimento aprovado na última semana, o vereador Chico Carvalho (PSL), solicitou por meio de um ofício ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), a reabertura do posto de saúde da comunidade de Andiroba de Baixo que fica localizada na região da Zona Rural de São Luís.
O pedido do vereador foi formalizado por meio da Câmara Municipal de São Luís e encaminhado ao prefeito, com uma cópia a secretária Municipal de Saúde de São Luís, Helena Duailibe.

Em sua propositura, o parlamentar salienta que “acha um retrocesso fechar unidade de saúde e escola, visto que, tenho acompanhando a população desse bairro e as pessoas que eram assistidas no posto agora precisam se deslocar a outros locais mais distantes, para receber atendimento médica”.

“Acredito que o prefeito Edvaldo Holanda atenda a solicitação, que representa o clamor da comunidade local desta região, sendo que, este posto de saúde proporcionará aos moradores daquela localidade, maior qualidade de vida e assistência à saúde dos que ali residem”, enfatizou Chico Carvalho.

Fonte – Diret – Comunicação – CMSL

 

Concurso Nacional Novos Poetas. Prêmio Poetize 2016

Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poetize 2016.

Podem participar do concurso todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos.

Cada candidato pode inscrever-se com até dois poemas de sua autoria, com texto em língua portuguesa.

O tema é livre, assim como o gênero lírico escolhido. Serão 250 poemas classificados.

A classificação dos poemas resultará no livro, Prêmio Poetize 2016. Antologia Poética.

Concurso Literário e uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural,

alcançando o grande público, escolas e faculdades.

Inscrições gratuitas até 05 de dezembro de 2015, pelo site: www.premiopoetize.com.br

Realização: Vivara Editora Nacional

Apoio Cultural: Revista Universidade

 

SINTSEP tem três ações na Justiça do Maranhão em defesa dos direitos legítimos dos Trabalhadores no Serviço Público do Maranhão

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O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Maranhão, dentre as principais ações que tramitam na Justiça do Maranhão, em busca da reparação de direitos legítimos, tem três que se destacam. Para o presidente Do SINTSEP, o líder classista Cleinaldo Lopes Castro, recentemente reeleito para dirigir por mais um mandato o sindicato da categoria, as ações de interesses coletivos são: URV – Ela trata de perdas salariais d época da conversão da moeda brasileira de cruzeiro para real, no período de novembro e dezembro de 1993 e janeiro e fevereiro de 1994. O dirigente sindical registra que, a ação foi ajuizada em abril de 2005 e seu efeito financeiro, inclusos atrasado, montante e indenização, retroageao ano de abril de 2000. Em 2009, ela foi transitada em julgado e reconheceu os direitos de todos os funcionários do serviço público estadual, afirma o presidente do SINTSEP.

A segunda ação é sobre a perda salarial de 5,14%, do período do governo de Roseana Sarney (1995), que fez uma revisãode salário com índice diferenciado entre a categoria dos administrativos, com um percentual  maior, e aos profissionais de nível superior foi aplicado um percentual  menor, de maneira que a diferença é equivalente de 5,14%. A ação foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2014 e seus efeitos financeiros retroagem ao ano de 2005, com juros e correção monetária. No momento, a ação encontra-se na fase de execução de sentença.

       A terceira ação que está na Justiça é sobre os 21,7%, diz Cleinaldo Castro Lopes. Esta ação corresponde a uma perda salarial do período do governador José Reinaldo Tavares, que dez uma revisão salarial com índice diferenciado entre a categoria de profissionais de nível superior e os demais grupos ocupacionais do serviço público estadual, de maneira de maneira que a diferença é equivalente ao percentual de 21,7%. O presidente diz que o SINTSEP já ganhou a ação por quatro vezes consecutivas e se encontra no Supremo Tribunal Federal e deverá retornar a vara de origem para a implantação nos contracheques dos servidores, que tem os seus efeitos retroagidos a 2006, diz o líder sindical.

Todas as ações beneficiam servidores estaduais da ativa, aposentados, pensionistas, de níveis superior, policiais civis e militares e do sistema penitenciário.

Cleinaldo Castro Lopes e todos os demais integrantes da chapa vencedora do pleito para mais um mandato no SINTSEP, devem tomar posse na primeira semana de Janeiro de 2016, tendo como unidade de luta do grupo o exercício de muito trabalho em busca de que os direitos de todos, que infelizmente tiveram que recorrer à justiça, seja cumprido com o necessário pagamento, afirmou.

Ministério Público propõe Ação Civil Pública contra a CAEMA por interrupção no abastecimento de água em Imperatriz

O Ministério Público do Maranhão, por meio da 2ª Promotoria de Justiça Especializada em Direito do Consumidor de Imperatriz, ajuizou, em 18 de novembro, uma Ação Civil Pública contra a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), requerendo, liminarmente, a condenação da empresa por cobrança indevida e dano moral coletivo, pela interrupção no fornecimento de água em 2013 e 2014.

O MPMA pede que a Justiça obrigue a Caemaa restituir os dias sem abastecimento, em forma de abatimento nas contas de água, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Autor da ação, o promotor de justiça Sandro Bíscaro destaca que o MPMA tentou negociar com a Caema, para reparar os danos causados à população, mas não obteve resposta. “Apesar dos esforços em resolver os impasses, a empresa não quis negociar”, afirmou. “A Caema efetuou o faturamento e a cobrança pelo consumo sem considerar os dias de interrupção”.

A primeira interrupção foi ocasionada pelo defeito de um dosde motobomba, nos meses de setembro e outubro de 2013. A falha resultou em 49 dias de desabastecimento em, pelo menos, 13 bairros de Imperatriz.

No mesmo ano, houve o rompimento da adutora, deixando toda a cidade sem água por cinco dias. Em 2014, foi reduzido o fornecimento de água em toda a área urbana de Imperatriz, durante os meses de setembro e dezembro.

Apesar da paralisação no abastecimento, a companhia confirmou que a cobrança foi efetuada normalmente, sem desconto ou abatimento na fatura.

Redação – (CCOM MPMA)

A volta de Alessandro Martins ao mercado de veículos do Maranhão é motivo de preocupações e alerta geral

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A sua conturbada passagem no mercado de veículos de São Luís com a Euromar e a Volkswagen, e toda a problemática envolvendo a prisão do próprio, sonegação de impostos e inquéritos na Policia e ações do Ministério Público e da Justiça, naturalmente para ele são coisas do passado eleva crer que as pessoas esqueceram tudo, principalmente as vítimas. Como a impunidade gera a audácia dos maus, muitas iscas já estão postas para atrair incautos e não duvidem que sejam muitos.

Alessandro Martins com todas as atrapalhadas criminosas, mesmo assim ainda saiu do contexto muito bem financeiramente, recebendo milhões de reais da Volkswagen pelos direitos de concessão da montadora. Agora é esperar pela sua atuação no mercado local de veículos com uma montadora francesa e em tempo de crise econômica e financeira.

Estudos epidemiológicos apontam relação entre consumo de agrotóxicos e câncer. Entrevista especial com Karen Friedrich

“Dependendo do tipo de intoxicação que ocorre, o tratamento é apenas sintomático, e dificilmente se reverte uma intoxicação, porque são poucos os agrotóxicos que têm ‘antídotos’. Muitas vezes esses danos podem continuar se manifestando de forma silenciosa até o fim da vida, tendo como resultado, por exemplo, o aparecimento de um câncer”, alerta a toxicologista.

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Foto: Fernando Frazão (ABr)

Quando o assunto é agrotóxico e saúde, a discussão tem de ser feita a partir da perspectiva da “prevenção para evitar que um dano à saúde se estabeleça”, diz Karen Friedrich à IHU On-Line. Além da prevenção, frisa, “seria importante incentivar iniciativas como o incentivo às práticas agroecológicas”, já que o Brasil é considerado o campeão de uso de agrotóxicos há sete anos.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Karen explica que alguns fatores contribuem para que agrotóxicos já banidos em outros países continuem sendo utilizados nas lavouras brasileiras. Entre eles, ela menciona a forma como esses produtos são analisados no Brasil, individualmente, sem considerar que durante a aplicação nas lavouras há um uso combinado de vários tipos de agrotóxicos. Além disso, destaca, a estrutura dos órgãos de vigilância e fiscalização é “precária”, o que impede o acompanhamento das populações expostas, para verificar quais são os riscos do contato com essas substâncias. “Outras ações importantes deveriam ser feitas a partir do Estado, para melhorar a capacitação dos médicos e profissionais da saúde, possibilitando o diagnóstico das pessoas contaminadas e, consequentemente, o tratamento, quando possível”, sugere.

Apesar da resistência brasileira em banir esses produtos, Karen informa que instituições nacionais, a exemplo do Instituto Nacional do Câncer – INCA, desenvolvem campanhas e parcerias com o Instituto Internacional de Pesquisa em Câncer – IARC da Organização Mundial da Saúde – OMS, que faz “avaliações e revisões sistemáticas sobre alguns agrotóxicos”. “Os estudos feitos pelo IARC mostram que os agrotóxicos que usamos no Brasil apresentam enorme potencial de desenvolvimento de câncer em seres humanos. Dentre eles, o glifosato foi classificado como carcinógeno humano, assim como o malathion, que é muito usado também em campanhas de saúde pública [pulverizado em campanhas de combate ao mosquito da dengue], e o herbicida 2,4-D, que foi classificado como possível carcinógeno humano”, alerta.

Karen Friedrich possui graduação em Biomedicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é servidora pública do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde – INCQS da Fundação Oswaldo Cruz e professora assistente da UNIRIO.

Hoje, 24-08-2015, às 9h, Karen ministrará a palestra “Uso combinado de Agrotóxicos e o impacto na saúde”, na abertura do Seminário Agrotóxicos: Impactos na Saúde e no Ambiente, que acontece na Sala IgnacioEllacuría e Companheiros – IHU, na Unisinos. A programação completa da atividade está disponível aqui. Na oportunidade também será lançado o Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Confira a entrevista.

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Foto: Fiocruz

IHU On-Line – Que discussão é importante ser feita quando se trata da relação entre agrotóxicos e saúde?

Karen Friedrich – Da ótica da saúde, sempre temos de trabalhar com a prevenção para evitar que um dano à saúde se estabeleça. Só que a estrutura dos órgãos de vigilância e fiscalização das populações expostas é precária, e por isso temos poucas iniciativas bem-sucedidas que trabalham com a prevenção e com a promoção da saúde no que se refere aos agrotóxicos. Então, o ideal é que sempre se evite o uso de agrotóxicos, porque deste modo estamos protegendo a população trabalhadora do campo, aqueles que residem no campo e aqueles que consomem alimentos que foram produzidos com agrotóxicos. Portanto, no caso da prevenção, essa deveria ser a medida principal.

Na questão da promoção da saúde, seria importante incentivar iniciativas como o incentivo às práticas agroecológicas, para buscar a produção de alimentos sem o uso de venenos e visando também uma lógica de justiça ambiental e social nos sistemas produtivos. Nesse sentido, a reforma agrária é uma política importante que deve ser fortalecida no país, pois desse modo restringiremos modelos de produção dependentes do uso de agrotóxicos.

A outra vertente, que diz respeito ao tratamento daqueles que já estão intoxicados e que foram expostos ao agrotóxico, deveria se voltar às ações para fortalecer os centros de notificação de agrotóxicos, para poder mapear os locais onde existem maiores casos ou maior propensão ao aparecimento de casos de intoxicação. Por isso, é importante fortalecer as estruturas de vigilância. Nesse sentido, outras ações importantes deveriam ser feitas a partir do Estado, para melhorar a capacitação dos médicos e profissionais da saúde, possibilitando o diagnóstico das pessoas contaminadas e, consequentemente, o tratamento, quando possível. Sabemos que, independentemente do tipo de intoxicação que ocorre, o tratamento é apenas sintomático, e dificilmente se reverte uma intoxicação, porque são poucos os agrotóxicos que têm “antídotos”. Muitas vezes esses danos podem continuar se manifestando de forma silenciosa até o fim da vida, tendo como resultado, por exemplo, o aparecimento de um câncer ou um dano hepático renal bastante grave.

IHU On-Line – Qual é a relação entre o consumo de agrotóxicos e as causas de câncer?

Karen Friedrich – Estudos experimentais científicos tanto com animais de laboratório como com populações expostas, realizados em outros países, mostram uma relação clara entre o uso de agrotóxicos e o aparecimento de câncer. Instituições que têm conhecimento na área de pesquisa de câncer, como o Instituto Internacional de Pesquisa em Câncer – IARC da Organização Mundial da Saúde – OMS, fizeram avaliações e revisões sistemáticas sobre alguns agrotóxicos, e esses estudos mostram que os agrotóxicos que usamos no Brasil apresentam enorme potencial de desenvolvimento de câncer em seres humanos. Dentre eles, o glifosato foi classificado como carcinógeno humano, assim como omalathion, que é muito usado também em campanhas de saúde pública [pulverizado em campanhas de combate ao mosquito da dengue], e o herbicida 2,4-D, que foi classificado como possível carcinógeno humano. Portanto, temos estudos científicos de organismos internacionais e nacionais, como o Instituto Nacional do Câncer – INCA, que estão se posicionando quanto ao risco do uso dos agrotóxicos desenvolverem câncer.

“No dia a dia o ser humano é exposto a uma mistura de vários agrotóxicos”  

IHU On-Line – Como o agrotóxico ainda é permitido, mesmo depois do resultado dessas pesquisas?

Karen Friedrich – Quando se registra um produto, se coloca a questão de por que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa permite que se use agrotóxicos que causam câncer. Na verdade, quando a Anvisa libera o registro de um agrotóxico, ela faz essa avaliação a partir dos estudos que são apresentados pelas empresas. Então, são estudos experimentais, bem conduzidos, os quais acreditamos serem idôneos, mas que têm suas limitações. A primeira limitação é que eles expõem um único agrotóxico naquele estudo, enquanto no dia a dia o ser humano é exposto a uma mistura de vários agrotóxicos. Por isso os estudos epidemiológicos, que têm sido realizados nos Estado Unidos e Canadá, estão apontando a associação entre agrotóxicos e câncer, porque eles estão estudando o agrotóxico na sua realidade de uso, que considera justamente uma mistura de agrotóxicos.

IHU On-Line – Além do câncer, que outros impactos o uso e a exposição aos agrotóxicos causam à saúde?

Karen Friedrich – Existem aqueles efeitos mais imediatos, que podem ocorrer logo após a exposição. Então, em geral o trabalhador do campo, que está mais exposto ao produto, faz relatos frequentes de intoxicações agudas, que causam dor de cabeça, vômitos, diarreia e até o óbito. Além disso, existem os efeitos mais tardios, que são o câncer, alterações hormonais, alterações reprodutivas, que são relacionadas, cientificamente, ao uso de agrotóxicos.

IHU On-Line – Como o Dossiê da Abrasco está repercutindo entre os setores de saúde e vigilância sanitária no país? Como essa discussão acerca da relação entre consumo de agrotóxico e implicações à saúde tem sido discutida no país?

Karen Friedrich – O Dossiê foi lançado no final do mês de abril, e várias instituições, como o Ministério Público e Fóruns Estaduais, têm demandado da Abrasco o lançamento e a divulgação do Dossiê. Para nós, essa tem sido uma surpresa, especialmente quando percebemos que pessoas que trabalham com a área da saúde ou que são representantes do Estado têm poucas informações sobre os danos dos agrotóxicos. Então, o Dossiê traz, de um lado, alguns estudos científicos para contribuir com informações para essas pessoas que trabalham na área da saúde, ressaltando que esses estudos não estão esgotados, porque existem mais estudos apontando os prejuízos dos agrotóxicos. Essas informações podem ser úteis para que os órgãos do Estado tomem ações não só em nível federal, mas também os municípios e os estados possam tomar ações para coibir alguns agrotóxicos em seus territórios.

De outro lado, o Dossiê também traz uma discussão sobre a fragilidade do processo de registro dos agrotóxicos no Brasil e em outros países, apresentando dados de contaminação por agrotóxicos na água, na água da chuva, no leite materno — muitas pessoas não têm conhecimento disso, porque, às vezes, essas informações estão publicadas apenas em artigos científicos. Além disso, o Dossiê também traz uma abordagem muito interessante sobre os territórios que estão suscetíveis aos danos dos agrotóxicos, e aí há depoimentos de pessoas que falam sobre os impactos que elas têm sentido e identificado.

  “Alguns agrotóxicos já foram proibidos em vários países, mas ainda são comercializados no Brasil”

IHU On-Line – Como o debate sobre o uso de agrotóxico na agricultura e os riscos à saúde tem sido feito em outros locais do mundo?

Karen Friedrich – O Brasil é o maior consumidor mundial e tem uma grande fragilidade regulatória em relação aos agrotóxicos. Por isso sabemos que há fragilidade nos laboratórios analíticos, fragilidade em relação ao número de pessoas que trabalham nos órgãos de Estado para darem conta do volume de trabalho. De fato, a situação do Brasil é a pior no cenário internacional em relação ao uso de agrotóxicos. Mas, ainda assim, em outros países existem organizações, até análogas à campanha permanente contra os agrotóxicos, e existem organizações e grupos de pesquisadores que têm se posicionado contra alguns agrotóxicos como, por exemplo, o glifosato, que apresenta riscos à saúde.

Alguns agrotóxicos já foram proibidos em vários países, mas ainda são comercializados no Brasil. Esse é um fato importante, porque mostra que as autoridades regulatórias internacionais já reconheceram os danos à saúde e proibiram o uso dessas substâncias, enquanto nós continuamos usando esses agrotóxicos.

Por Leslie Chaves e Patrícia Fachin

Fonte – IHUSINOS

Ministra da Agricultura Kátia Abreu na Ásia entre mármores, lustres e tapete “feito por mil mulheres”

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Ministra da Agricultura está desde o dia 7 em missão comercial pelo Brasil; confira algumas impressões de viagem da dama de ferro do agronegócio

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), está desde o dia 7 em viagem pela Ásia. Começou na Arábia Saudita, passou pelos Emirados Árabes Unidos, pela Índia e foi – não é a primeira vez – para a China. O perfil dela no Twitter, “Ministra Kátia Abreu” (@KatiaAbreu), é bastante ilustrativo de suas preocupações nestes dez dias. Inúmeras fotos da missão comercial brasileira, das visitas a lugares turísticos (alguns, nababescos), um único comentário sobre o atentado em Paris. Sobre Mariana (MG), silêncio. Segue um resumo.

  • 6 de novembro. Ela chega em Brasília e posta: “Chegamos em BSB agora vindo de Maceió. Amanhã à tarde embarco com comitiva para a Arábia Saudita”. (Com foto de um prato de sopa. No dia anterior a barragem em Mariana já fora rompida, um povoado soterrado. A ministra não comenta.)
  • 6 de novembro. “Vamos conquistar mercados para o Brasil agro”.
  • 6 de novembro. “Nas crises muitos veem oportunidades para crescer. A foto do Brasil hoje pode não estar a mais bonita mas o filme completo é lindo. Vamos à luta”.
  • 7 de novembro. “No aeroporto em Guarulhos lojinha vendendo colares de sementes, com palha de Buriti e Capim Dourado do Tocantins”. (Com foto, abaixo.)
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  • 7 de novembro. Arábia Saudita. “Assinatura do fim do embargo Saudita à carne bovina do Brasil. Desde 2013 não vendíamos carne para aquele país”.
  • 7 de novembro. “Poderemos vender 50.000 toneladas no valor de 170 milhões de dólares”. (Fotos com autoridades árabes.)
  • 9 de novembro. “Família Al Aminaged! Grandes compradores de alimentos do Brasil. Os maiores do mundo Árabe. Empresa familiar”. (Fotos com a família.)
  • 10 de novembro. Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. (Inúmeras fotos dos prédios da cidade.)
  • 11 de novembro. “Não dá pra sair sem a Abaia e o lenço no cabelo. Em eventos oficiais não precisa do lenço masAbaia sim”. (Foto abaixo.)
  • 11 de novembro. “Chegamos agora da visita à fábrica da BRF (indústria de abate e processamento de frangos) em Dubai. Anúncio de ampliação da fábrica”.
  • 11 de novembro. Visita à Grande Mesquita. Vários posts. “Simplesmente espetacular”. “Tem 1.000 colunas!” “O pátio externo tem 17.000 m2 de mármore branco com flores de várias cores e de vários países”. “Nunca vi nada igual”.(Várias fotos. Uma delas é a que abre este texto.)
  • 11 de novembro. “Este mármore azul é o mais raro e veio da Bahia”. (Foto abaixo. Mais muitas fotos. “Flores de mármore de várias cores e países”.).
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  • 14 de novembro. Nova Delhi, Índia. “10% da população da Índia é Muçulmana e come carne bovina. São 120 milhões de indianos. Grande mercado para o Brasil”.
  • 15 de novembro. “Solidariedade aos franceses neste momento de dor. Não podemos aceitar esta violência. Difícil tentar compreender. Não existe justificativa”.
  • 15 de novembro. “A Net está super lenta e não consigo enviar a fotos do Taj Mahal”.
  • 16 de novembro. “A Índia importa 10 milhões de toneladas de lentilhas, grão de bico e outras poucas. Não importam nada do Brasil. Mas agora vão!” (Muitas fotos. É domingo, e ela consegue registrar o Taj Mahal.).

  • 16 de novembro. “Encontro em Nova Delhi com o setor privado hoje”.
  • 16 de novembro. “Ganhei um Sari vermelho do amigo Peter Hassan. Tinha lido no passado um livro sobre Sonia Gandhi (O Sari Vermelho)”.
  • 16 de novembro. Ela sobe fotos que não conseguira subir. Da Índia e do mundo árabe. (Abaixo, a ministra com autoridades de Abu Dahbi, com logo da empresa brasileira ao fundo.)
  • Sem título
  • Mais fotos de Abu Dahbi. A mesquita. “Muito luxo e beleza!”
  • “Lustre central tem 7000 cristais e pesa 18.000 kg”.
  • “Salão interno tem o maior tapete do mundo. Foi feito a mão por 1000 mulheres e levou2 anos para ficar pronto”.
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    .Fonte – Via Campesina

 

Advogados do MA elegem presidente da seccional da OAB

No Maranhão, Thiago Roberto Morais Diaz foi eleito o novo presidente da OAB-MA com 49,03% dos votos válidos. Ele vai suceder o advogado Mário Macieira, que fará parte do Conselheiro Federal da OAB em 2016.

Os gestores que administrarão a entidade com Diaz entre 2016 e 2018 serão Pedro Augusto Souza de Alencar (vice-presidente), Adailton Lima Bezerra (secretário-geral), Alice Maria Salmito Cavalcanti (secretário-geral adjunto), Deborah Porto Cartagenes (tesoureiro).

Os conselheiros federais escolhidos foram José Agenor Dourado, Roberto Charles de Menezes Dias e Luís Augusto de Miranda Guterres Filho.

Com informações da Assessoria de Comunicação da OAB-MA.

Papa Francisco: “Cuidado com os sacerdotes rígidos (mordem!) e na admissão nos seminários”. E aos bispos: “Presentes na diocese, ou então, renunciem!”

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O papa Francisco com o cardeal Raymundo Damasceno, do Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Flores, frutos, fungos e folhas secas. Depois: sacerdotes rígidos que “mordem”; seminaristas quase sádicos, porque, no fundo, “doentes mentais”; mães que dão “palmadas espirituais” e bispos que só viajam e se preocupam pouco dos problemas na diocese e que, talvez, fariam melhor em “se demitirem”.

Essas são as imagens e as metáforas que pontilham o “compêndio” sobre a formação e o ministério dos sacerdotes que Francisco desenhou hoje durante a sua longa audiência aos participantes do Congresso na Pontifícia Universidade Urbaniana, promovido pela Congregação para o Clero por ocasião do 50º aniversário dos Decretos Conciliares Optatamtotius e Presbyterorumordinis.

Dois decretos que – diz o papa – são “uma semente” lançada pelo Concílio “no campo da vida da Igreja” e que durante estas cinco décadas “cresceram, se tornaram uma planta vigorosa, embora com algumas folhas secas, mas, especialmente com muitas flores e frutos que adornam a Igreja de hoje”. Juntos, esses dois são “duas metades de uma realidade única: a formação dos sacerdotes, que dividimos em inicial e permanente, mas que constitui por si só uma única experiência de discipulado”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Zenit

Os padres são homens, não formados em laboratório

“O caminho de santidade de um padre começa no seminário!”, destaca Bergoglio, identificando três fases tópicas: “tomados dentre os homens”, “constituídos em favor dos homens”, presentes “no meio dos outros homens”.

               “Tomados dentre os homens” no sentido de que “o sacerdote é um homem que nasce em um certo contexto humano; ali aprende os primeiros valores, absorve a espiritualidade do povo, se acostuma às relações”. “Até mesmo os sacerdotes têm uma história”. Não são “fungos” que “surgem de repente na Catedral no dia da sua ordenação”, diz Francisco. É importante, por isso, que os formadores e os próprios sacerdotes tenham em conta tal história pessoal ao longo do caminho de formação. “Não se pode ser sacerdote acreditando que se formou em um laboratório”, acrescenta de improviso, “não, começa na família com a tradição da fé e todas as experiências da família”. É necessário, portanto, que toda a formação “seja personalizada, porque é a pessoa concreta que é chamada ao discipulado e ao sacerdócio”.

Família primeiro centro vocacional. “Não se esqueçam mães e avós”

Acima de tudo, devemos lembrar o fundamental “centro de pastoral vocacional” que é a família: “igreja doméstica e primeiro e fundamental lugar de formação humana”, onde pode germinar “o desejo de uma vida concebida como caminho vocacional”. “Não se esqueçam das vossas mães e das vossas avós”, exorta Francisco. Depois, elenca os outros contextos comunitários: “escola, paróquia, associações, grupos de amigos”, onde – diz – “aprendemos a estar em relação com pessoas concretas, nos fazemos modelar da relação com eles, e nos tornamos o que somos também graças a eles”.

“Um bom sacerdote”, portanto, “é antes de tudo um homem com a sua própria humanidade, que conhece a sua própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer as pazes com ela, alcançando a serenidade de fundo, própria de um discípulo do Senhor”, destaca Francisco. Por isso, “a formação humana” é necessária para os sacerdotes, “para que aprendam a não serem dominados pelos seus limites, mas, sim, a construir sobre os seus talentos”.

“Sacerdotes neuróticos? Não pode… Que passem por um médico para tomar remédio”

Além do mais um padre em paz consigo mesmo e com a sua história “saberá difundir serenidade ao seu redor, também nos momentos difíceis, transmitindo a beleza da relação com o Senhor”. Não é normal, de fato, “que um sacerdote seja triste muitas vezes, nervoso ou duro de caráter”, observa o Papa Francisco: “Não está bem e não faz bem, nem ao sacerdote, nem ao seu povo. Mas se você tem uma doença e é neurótico, vá a um médico! A um médico clínico que te dará um comprimido que te fará bem. Também dois! Mas, por favor, que os fieis não falem das neuroses dos padres. E não batam nos fieis”.

Os sacerdotes são, de fato, “apóstolos da alegria” e com a sua atitude podem “favorecer ou obstruir o encontro entre o Evangelho e as pessoas”. “A nossa humanidade é o vaso de barro’ onde guardamos o tesouro de Deus”; é necessário, por isso, cuidar “para transmitir bem o seu precioso conteúdo”. Nunca um sacerdote deve “perder a capacidade de alegria. Se a perde existe algo errado”, recomenda o Santo Padre.

E admite que “honestamente” tem medo dos rígidos: “é melhor ficar longe dos sacerdotes rígidos, eles mordem”, diz com ironia. “Lembro-me daquilo que disse Santo Ambrósio no século IV; onde há a misericórdia está o espírito do Senhor. Onde há a rigidez, estão só os seus ministros. E o ministro sem o Senhor se torna rígido. E isso é um perigo para o povo de Deus”.

“Nunca, jamais, perder as próprias raízes!”

Além disso, um padre – comenta Francisco – “não pode perder as suas raízes, é sempre um homem do povo e da cultura que o gerou”. “As nossas raízes nos ajudam a recordar quem somos e de onde Cristo nos chamou. Nós, sacerdotes, não caímos do céu, mas somos chamados por Deus, que nos tira ‘dentre os homens’, para constituir-nos em ‘favor dos homens’”.

A este respeito, o Papa contou uma anedota: “Na Companhia, alguns anos atrás, havia um bom padre, bom, jovem, dois anos de sacerdócio… entrou em crise, falou com o padre espiritual, com os superiores, os médicos: ‘vou embora, não aguento mais’. Eu conhecia a sua mãe, pessoa humilde, não uma dessas ‘mulherzinhas’… e lhe disse: ‘Por que você não vai até a sua mãe e lhe conta tudo?’. E ele foi, passou um dia com a mãe. Voltou assim. A mãe lhe deu dois tapas espirituais, lhe disse 3 ou 4 verdades, colocou-o no seu lugar, e seguiu adiante. Por quê? Porque voltou à raiz”.

“Ore como você aprendeu a rezar quando criança”

Assim, “no seminário – explicou o Papa – você deve fazer a oração mental. Sim, sim, isso deve ser feito, aprender. Mas, antes de tudo, reze como te ensinou a sua mãe, como aprende a rezar de criança. Até com as mesmas palavras. Comece a rezar assim, depois avançarás na oração”.

Pastores, e não os funcionários

As raízes, então. “Este é um ponto fundamental da vida e do ministério dos sacerdotes”, diz Francisco. O outro é que “se torna sacerdotes para servir os irmãos e as irmãs”. Porque “não somos sacerdotes para nós mesmos e a nossa santificação é intimamente ligada à do nosso povo, a nossa unção à sua unção”. Saber e recordar que somos “constituídos para o povo”, ajuda o sacerdote “a não pensar em si, a ser crível e não autoritário, firme mas não duro, alegre mas não superficial”. Em suma, “pastores, não funcionários”. Muito menos o sacerdote é “um profissional da pastoral ou da evangelização, que chega e faz o que deve – talvez bem, mas como se fosse um trabalho – e depois vai embora viver uma outra vida”. Não, não, “o que nasceu do povo, com o povo deve permanecer”. O sacerdote está sempre “no meio dos outros homens” e “vira-se sacerdote para estar no meio do povo”, reitera Bergoglio.

Bispos compromissados e viajantes: “Se você não está a fim de permanecer na diocese, peça demissão”

Portanto, a “proximidade” é um requisito básico, que também é necessário para os “irmãos bispos”. “Quantas vezes – diz o Papa – escutamos queixas dos sacerdotes: ‘Mas liguei para o bispo porque eu tenho um problema, a secretária me disse que ele está muito ocupado, que está viajando, que só pode me atender dentro de três meses! Um bispo sempre ocupado, graças a Deus. Mas se você, bispo, recebe o chamado de um padre e não pode encontrá-lo porque tem muito trabalho, pelo menos pegue um telefone e ligue para ele. E pergunte ‘mas é urgente, não é urgente?’, de forma que ele sente que você está próximo”.

Infelizmente, porém “há bispos que parecem afastar-se dos sacerdotes”, onde “proximidade” também pode ser um telefonema”, um simples sinal “de amor paterno, de fraternidade”, mais prioridade do que uma conferência em tal cidade” ou uma viagem à América”.  do que a” conferência na cidade “ou” uma viagem na América. “” Mas escute, eh! “, diz Francisco, “o decreto de residência de Trento ainda está vigente e se você acha que não consegue ficar na diocese, peça demissão! E roda o mundo fazendo outro apostolado muito bom… Mas se você é bispo daquela diocese: residência”

O bem que padres e bispos podem fazer “vem principalmente da proximidade deles e de terno amor pelas pessoas”. Porque não são “filantropos ou funcionários”, na verdade, mas “pais e irmãos” que devem garantir “entranhas de misericórdia, olhar amoroso”. “A paternidade de um sacerdote faz muito bem” no sentido de “fazer experimentar a beleza de uma vida vivida segundo o Evangelho e o amor de Deus que se concretiza através de seus ministros.”

“Se não é possível absolver, pelo menos dê uma benção”

Porque “Deus não rejeita nunca”. E aqui uma outra “palmada” do Papa, tudo no improviso: “Penos nos confessionários – diz -, sempre é possível achar caminhos para dar a absolvição. Algumas vezes não é possível absolver. Mas tem padres que dizem: ‘Não, isso não se pode fazer, vá embora!’. Este não é o caminho… Se você não pode dar a absolvição explique: ‘Deus te ama muito. Para chegar a Deus existem muitos caminhos. Eu não posso te dar a absolvição, então, te dou a benção. Volte, volte sempre aqui que eu, cada vez, te darei a benção como sinal de que Deus te ama. E aquele homem, aquela mulher, sairá cheio de alegria porque encontrou o ícone do Pai que não rejeita nunca”.

Um padre não tem “espaços privados”

Francisco, portanto, convidou a um “bom exame de consciência” útil para orientar a própria vida e os próprio ministério a Deus: “Se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria? O meu coração está aonde? No meio das pessoas, orando com e para as pessoas, envolvido com as suas alegrias e sofrimentos, ou, no meio das coisas do mundo, dos trabalhos terrenos, dos meus ‘espaços’ privados?”. Atenção – diz ele – porque “um padre não pode ter um espaço privado ou está com o Senhor. Acho que os sacerdotes que conheci na minha cidade, quando não havia nenhuma secretária telefônica, dormiam com o telefone debaixo da mesa e quando as pessoas ligavam, se levantavam e iam dar a unção. Ninguém morria sem os sacramentos… Nem mesmo no descanso tinham um espaço privado. Isso é ser apostólico”.

“Olhos abertos nas admissões nos seminários. Atrás dos rígidos existem transtornos mentais”

Um último pensamento, antes de concluir, Francisco o faz também improvisando sobre o tema difícil do discernimento vocacional e a admissão ao seminário. Temos que “procurar a saúde daquele jovem”, recomenda, a “saúde espiritual, material, física, psíquica”.

Outra anedota: “Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano ’72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: “Esse não pode”. “Mas, doutora, é um jovem tão bom!”. “Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defendê-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…”.

“Você não pensou no porquê existem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quando se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta -: quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe”.

Portanto, uma clara advertência: “Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos.”

Fonte – IHUSINOS