Viraliza versão de paródia da Turma do Balão Mágico: “Turma do Milhão Mágico”

As sátiras estão proliferando nas redes sociais. De forma criativa fazem a crítica com humor. No YouTube o canal Canta Direita publicou no sábado (9) a paródia da ‘Turma do Milhão Mágico’, inspirada no clássico ‘Amigos do Peito’ da Turma do Balão Mágico, que fez grande sucesso na década de 80. A paródia transforma o universo infantil dos anos 80 em uma sátira política cheia de humor ácido, suspeitas milionárias, resorts luxuosos e amizades “mágicas”.

Jornal da Cidade Online

Quando o provisório vira permanente no STF

*Felipe Vieira

A história recente do STF ensina uma lição perigosa para a democracia brasileira: no Brasil, uma decisão liminar pode durar mais do que uma geração política inteira. O exemplo mais emblemático está no caso da redistribuição dos royalties do petróleo. Em 2012, o Congresso Nacional aprovou uma nova divisão dos recursos entre estados produtores e não produtores. Houve votação, debate federativo, pressão política, negociação e aprovação parlamentar. Pouco tempo depois, uma liminar da ministra Cármen Lúcia suspendeu os efeitos da lei.

O mérito? Está há mais de dez anos sem decisão definitiva.

Na prática, o provisório virou permanente. É exatamente esse fantasma que agora ronda a Lei da Dosimetria. O Congresso derrubou veto presidencial. Câmara e Senado decidiram alterar regras penais relacionadas aos condenados do 8 de janeiro. Concorde-se ou não com o conteúdo da lei, existe um fato político inegável: houve decisão do Parlamento. Houve manifestação do Poder Legislativo. Houve maioria. Então veio a suspensão determinada por Alexandre de Moraes até análise do plenário do STF. E nasce a pergunta inevitável: o Brasil verá novamente uma liminar substituir, na prática, a decisão do Congresso por tempo indeterminado?

Esse é o centro do debate.

Não se trata apenas da dosimetria. Nem apenas dos condenados do 8 de janeiro. O ponto central é outro: qual é o limite entre controle constitucional e substituição prolongada da vontade legislativa? O Supremo obviamente possui a prerrogativa de suspender leis diante de questionamentos constitucionais. Isso faz parte do sistema. O problema começa quando decisões cautelares deixam de ser temporárias e passam a reorganizar a vida política do país durante anos. A liminar é para evitar um dano imediato. Não para se transformar em governo permanente. O caso dos royalties mostrou exatamente isso. Uma decisão individual congela há mais de uma década um tema bilionário, aprovado pelo Congresso e capaz de alterar profundamente o pacto federativo brasileiro. Outro exemplo está na Ferrogrão, ferrovia considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola nacional. Em 2021, Alexandre de Moraes suspendeu trechos da legislação ligados ao projeto até análise definitiva do STF. A expectativa era de uma discussão rápida. Não aconteceu. A ferrovia, considerada fundamental para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade brasileira, deveria estar em fase avançada ou até concluída. O projeto segue travado à espera de uma definição da Corte.

 No caso da dosimetria, o risco institucional reaparece

Se o STF demorar anos para enfrentar o mérito, o efeito concreto será simples: a decisão cautelar terá prevalecido sobre a decisão parlamentar durante todo esse período. Isso amplia um sentimento crescente dentro da sociedade e do meio político: o de que o Brasil passou a conviver com uma espécie de tutela judicial contínua sobre decisões do Legislativo. E existe um detalhe importante. Quanto mais tempo o mérito demora, maior fica o desgaste institucional. Porque o debate deixa de ser apenas jurídico. Passa a ser político, simbólico e democrático.

O STF precisa julgar. E julgar rápido

Não para agradar direita ou esquerda. Não para atender bolsonaristas ou lulistas. Mas para impedir que medidas provisórias da Corte assumam, mais uma vez, caráter definitivo. Democracia não depende apenas de votos e instituições. Depende também do funcionamento equilibrado entre os Poderes e do respeito ao papel de cada um deles. O maior risco não é apenas o abuso do poder, mas a normalização dele. Quando uma liminar atravessa anos sem julgamento definitivo, o provisório deixa de proteger a Constituição e passa, silenciosamente, a substituir a própria democracia representativa.

*@felipevieirajornalista

 

Medo da criminalidade no Brasil é maior dentro do celular do que na rua

*Josias de Souza

Às vésperas do lançamento de um novo programa anticrime do governo Lula, chegou ao noticiário pesquisa feita pelo Datafolha por encomenda do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Revela que 96% dos brasileiros temem ser vitimas de crime. Já nem precisam sair de casa para experimentar a sensação de insegurança. Basta entrar no celular. No topo da lista dos grandes medos nacionais, o temor de perder dinheiro em golpes digitais alcança 83,2% da população — algo como 140 milhões de pessoas. O assaltante clássico, de arma em punho, continua frequentando o imaginário nacional. Mas divide espaço com um criminoso mais sofisticado — do tipo que captura senhas, invade aplicativos e limpa contas bancárias sem precisar usar capuz ou fugir da polícia.

Noutra evidência de que o ambiente doméstico pode ser mais ameaçador do que a rua, o mesmo país que teme o crime tecnológico convive com o aumento dos crimes contra mulheres. Grande parte acontece entre quatro paredes. No período de janeiro a março, o país registrou 399 casos de feminicídio. Foi o primeiro trimestre mais letal em dez anos. O Datafolha mostra que o medo da agressão de companheiros (42,2%) é quase tão grande quanto o medo de andar pela vizinhança depois de anoitecer (47,6%).

Num cenário em que a bandidagem manda mensagem com links maliciosos, faz PIX e dorme ao lado, o anúncio de mais um programa governamental anticrime já não traz esperança. A menos de cinco meses da eleição, pode produzir raiva. O eleitor pode se dar conta de que o medo é a única coisa que não o abandona. Está sempre presente.

*Josias de Sousa é colunista do UOL

 

Advogada em período pós-parto tem direito a adiamento de sessão, diz o TST

A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho anulou um julgamento em que o pedido de uma advogada em período pós-parto para retirar o processo de pauta virtual foi ignorado. Segundo o colegiado, essa medida resultou em prejuízo efetivo ao exercício da defesa.

Ministros destacaram Estatuto da Advocacia e protocolo de gênero do CNJ ao decidir em favor da advogada. A advogada representa uma trabalhadora em ação contra um hospital de Belém. Após decisões desfavoráveis à autora nas instâncias anteriores, o processo chegou ao TST, onde teve sequência por meio de recursos internos.

A causídica relata que, em 21 de novembro de 2022, dois dias antes do julgamento de embargos de divergência pela própria SDI-1, ela pediu a retirada do caso da pauta virtual e a futura inclusão em pauta presencial. Única advogada habilitada no processo, ela não poderia participar da sessão naquele dia em razão de complicações decorrentes de uma cesariana. Contudo, o pedido não foi analisado a tempo, e o processo foi julgado normalmente na sessão virtual, em desfavor de sua cliente. Diante disso, ela pediu a declaração de nulidade do julgado e a possibilidade de sustentar oralmente.

Violação de prerrogativas da advocacia

A SDI-1 tem o entendimento de que não há sustentação oral em agravo interno contra decisão que apenas não admite embargos de divergência, como no caso. Como não se trata de julgamento de mérito do recurso principal, mas um filtro de admissibilidade, não cabe a manifestação do advogado ou da advogada.

Ainda assim, segundo o relator, ministro Evandro Valadão, a não apreciação do pedido de retirada de pauta formulado pela advogada impossibilitada de comparecer por motivo relevante configura cerceamento de defesa, pois a impede de exercer a prerrogativa de usar a palavra no julgamento, prevista no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994).

Segundo o relator, a presença da advogada na sessão não se limita ao ato de sustentar razões de apelação. “Qualquer dúvida ou equívoco referente a fatos, documentos ou afirmações que possam influenciar a convicção do julgador constitui circunstância suficiente para autorizar o uso da palavra, desde que de modo sumário e pontual.”

Para o ministro, a situação exige sensibilidade institucional, com atenção ao Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça. Valadão ressaltou que ela era a única advogada do processo e estava em recuperação de parto com complicações.

Proteger e assegurar o trabalho das mulheres

Na sessão, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, lembrou que o tribunal tem profundo respeito à advocacia em todo o Judiciário trabalhista e adota todas as medidas para proteger e assegurar o trabalho das mulheres advogadas. “Isso, para nós, é uma questão de honra”, afirmou ele. “Precisamos praticar aquilo que exigimos legalmente de todo o país.”

O ministro Fabrício Gonçalves assinalou que a advogada era a única no processo, sem possibilidade de substituição. Ele também mencionou os protocolos do CNJ e do TST voltados à promoção da equidade e à identificação de vulnerabilidades, especialmente em relação às mulheres, e lembrou que esses documentos se aplicam também às advogadas como sujeitos do processo.

O ministro José Roberto Pimenta, corregedor-geral da Justiça do Trabalho, destacou dois pontos centrais: a aplicação do protocolo também em matéria processual e o impacto institucional do caso, que, segundo ele, deverá servir de paradigma para a atuação futura da Corregedoria-Geral. Com o reconhecimento da nulidade, o colegiado determinou o retorno do processo ao estado anterior, assegurando à advogada o direito de participar do novo julgamento nas mesmas condições da época, inclusive com presença física e possibilidade de intervenção. 

Com informações da assessoria de imprensa do TST.

 

‘Tinha aceitado que não ia sair viva’: Disse empregada grávida torturada pela patroa Carolina dos Anjos e um PM

A empregada doméstica Samara Regina Dutra, 19, grávida de 05 meses, diz ter sido torturada pela patroa após o desaparecimento de um anel. Afirmou ao Fantástico, da TV Globo, que a dona da casa, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, sabia que ela estava grávida. Samara afirmou que aceitou a morte durante as agressões. “Antes de encontrar o anel, eu já tinha aceitado que eu não ia sair dali viva”, disse a jovem ao Fantástico. A vítima protegeu a barriga durante o espancamento para tentar salvar o bebê. “[Protegi] abraçando. Porque, como eu estava no chão, eu tinha medo de eles inventarem de me chutar”, explicou Samara, destacando que a patroa sabia da gravidez.

A doméstica relatou que o segundo suspeito, o PM Michael Bruno Lopes Santos, apontou uma arma e a agrediu. “Falava que, se o anel não aparecesse, eu ia levar um tiro. Ele pegou no meu cabelo, me derrubou no chão e me arrastou”, contou Samara. A violência continuou mesmo após o anel ser encontrado nas roupas sujas. “Ela pegou, colocou no dedo e, depois disso, ela me bateu”, disse a doméstica, expulsa da casa no Maranhão após quase uma hora de tortura. O bebê de Samara não sofreu danos físicos durante a sessão de tortura. Após realizar um exame de ultrassom, a jovem celebrou o estado de saúde da criança. “Estava tudo bem, graças a Deus”, comemorou.

Em outra entrevista, Samara disse que tem medo de sair de casa. Ao Domingo Espetacular, da TV Record, a empregada afirmou que o medo é “constante”. “Eu fico olhando para um lado, para o outro, para ver se não tem ninguém. O medo de estar alguém me vigiando, me seguindo. […] Nem mesmo dormir eu consigo mais”, contou. Isso não foi um capítulo virado ainda para mim. Vai ser virado mesmo quando a justiça realmente ser feita. O que eu quero é que ela pague por tudo, por tudo que ela fez […]. Eu vou continuar lembrando, eu vou continuar sentindo… espero que ela pague de verdade. Tanto ela quanto ele: Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, ela rejeitou a imagem construída após o caso. “Eu sou a nova Suzane von Richthofen [na mídia], mas eu não sou. Eu não sou criminosa, eu não sou assassina e eu jamais seria”, declarou. Carolina também disse que está grávida de três meses e afirmou esperar que a Justiça “julgue da maneira certa”.

Ela admitiu que pode ter exagerado. Durante a entrevista, Carolina afirmou que “pode ter exagerado”, mas negou ter cometido os atos descritos pela vítima. “Eu não fiz o que estão dizendo que eu fiz”, declarou. Carolina negou as acusações de tortura e espancamento. “Absolutamente nada. Nada do que ela [Samara] falou é verdade”, afirmou a empresária ao comentar o relato da empregada. Ela disse que Samara “não foi espancada”, “não foi torturada” e “não foi ameaçada” dentro da casa. Ela alegou estar emocionalmente abalada pela gravidez. Carolina afirmou que está enfrentando “explosões” e “confusão mental” durante a gestação. Segundo ela, os episódios de alteração emocional também ocorreriam em discussões com o marido. Carolina tentou minimizar os áudios apresentados no caso e foi presa no Piauí. Nas gravações, ela aparece contando como planejou e executou a tortura da vítima. Ao Domingo Espetacular, Carolina afirmou que tudo não passava de “brincadeira”.

Mulher estava no Piauí porque foi levar o filho para ficar sob cuidados de pessoas de confiança, explicou advogada dela ao UOL. Parte inferior do formulárioPedido de prisão preventiva de Carolina foi feito pelo delegado Walter Wanderley. Ele foi aceito já na madrugada de quinta pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. O segundo suspeito também já teve mandado de prisão emitido. O policial militar Michael Bruno Lopes Santos também responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar, segundo o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido). A defesa do PM informou que ainda não teve acesso completo aos autos da investigação e aos elementos que motivaram a medida adotada. Segundo os advogados, Michael Bruno Lopes Santos nega qualquer agressão ou ato de violência. A defesa afirmou ainda que ele já prestou depoimento à Corregedoria da Polícia Militar do Maranhão. No entendimento da polícia, a mulher cometeu tentativa de homicídio qualificado — segundo a advogada, a empresária reconhece que cometeu “alguns excessos”. Na quarta-feira (6), a criminalista Nathaly Moraes afirmou que a suspeita não estava foragida e que ambos se colocaram à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Já na quinta-feira, a advogada afirmou que a mulher “não tem interesse em se omitir” da Justiça.

Relembre o caso

Carolina é suspeita de espancar uma trabalhadora doméstica de 19 anos dentro da própria casa. Segundo o boletim de ocorrência, ela desconfiou que a mulher roubou um anel e chamou um amigo armado para ameaçar a vítima. O caso aconteceu em 17 de abril em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. Vítima e testemunha foram ouvidas, informou a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão em nota enviada ao UOL ontem. Após o crime, Carolina enviou áudios contando como planejou e executou a tortura da vítima. A veracidade do áudio foi confirmada à TV Difusora pelo delegado Walter Wanderley, que disse que usou algumas das falas da suspeita como motivação para o pedido de prisão preventiva. Ela [a vítima] disse que foi chamada pela patroa para limpar a cozinha porque a patroa ia receber uma visita. A visita foi um conhecido com um revólver em punho, que deu uma coronhada nela: Walter Wanderley, delegado responsável pelo caso, à TV Record. Exame de corpo de delito da vítima confirmou a agressão, segundo a polícia. A vítima disse que acertou um serviço na casa da suspeita por um mês, para fazer o enxoval do bebê.

Fonte: UOL

 

Associação de Jornalistas publica Nota de Desagravo contra ABI

A AJOIA Brasil divulgou neste domingo (10) uma nota de desagravo em reação a posicionamentos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), criticando duramente setores da chamada “grande imprensa” e acusando veículos tradicionais de atuarem como agentes políticos no país. No texto, a entidade afirma que parte da mídia brasileira teria abandonado o compromisso com a imparcialidade jornalística para defender interesses ideológicos e institucionais, especialmente após os atos de 8 de janeiro e os debates em torno da chamada Lei da Dosimetria.

NOTA DE DESAGRAVO DA AJOIA BRASIL CONTRA ATO DA ABI 

A Imprensa militante que enterrou a democracia é a sócia ostensiva do autoritarismo no Brasil. A chamada “imprensa tradicional” vive hoje uma das maiores crises morais e de credibilidade de sua história, e isso não aconteceu por acidente. O descrédito crescente da população não é fruto de “ataques bolsonaristas”, como gostam de repetir em coro os seus porta-vozes, mas consequência direta de anos de manipulação narrativa, militância ideológica e submissão política e institucional disfarçadas de jornalismo. Boa parte das redações dos grandes veículos brasileiros deixou de exercer a função de informar para assumir o papel de braço político da esquerda. Não se trata mais de viés eventual ou preferência editorial: trata-se de ativismo organizado, travestido de compromisso democrático. Durante os últimos anos, especialmente após os eventos de 8 de janeiro, o país assistiu a um espetáculo vergonhoso de desumanização promovido por setores da mídia. 

Senhoras idosas, trabalhadores, religiosos e cidadãos comuns foram transformados em “terroristas” de ocasião para justificar prisões arbitrárias, excessos judiciais e penas absolutamente desproporcionais, superiores às aplicadas a criminosos violentos, homicidas e corruptos declarados. E o mais grave: tudo aquilo que estas pessoas denunciaram a respeito da Suprema Corte vem à tona com o recente escândalo envolvendo instituição financeira

E onde estava a autoproclamada defensora da democracia? Aplaudindo!

Os mesmos veículos que deveriam questionar abusos de poder preferiram funcionar como departamentos de propaganda institucional, legitimando arbitrariedades em nome de uma suposta “defesa democrática” ao arrepio da ordem constitucional. Agora, diante da possibilidade de redução de penas por meio da chamada Lei da Dosimetria, medida que sequer corrige as injustiças cometidas, a militância de redação volta à cena para tentar impedir sua aplicação aos condenados. Inaceitável! A atuação da Associação Brasileira de Imprensa – ABI nesse processo escancara aquilo que muitos brasileiros já perceberam há tempos: parte significativa da imprensa abandonou qualquer compromisso com equilíbrio, pluralidade ou honestidade intelectual. A essência do jornalismo, informar e opinar, foi mandada às favas com uma defesa intransigente dos abusos cometidos. Tornaram-se agentes políticos, empenhados em sustentar uma narrativa única, perseguir adversários ideológicos e blindar determinados grupos de poder.  

É impossível ignorar também o papel central de grandes conglomerados de mídia nesse cenário de deterioração institucional. Nos últimos anos produziram o ambiente político e psicológico necessário para a reabilitação de Lula da Silva, sua volta ao poder e a consolidação de um modelo de censura seletiva contra setores conservadores da sociedade, tudo embalado cinicamente sob o slogan de “proteção da democracia”.

Mas há algo profundamente perverso em chamar de democracia um sistema em que o divergente ê censurado, perseguido e intimidado com processos que lhes privam e suprimem liberdades fundamentais. Não há democracia quando jornalistas se comportam como militantes partidários e redações funcionam como trincheiras ideológicas de grupos políticos e institucionais. A destruição institucional do Brasil possui muitos responsáveis, mas poucos tiveram participação tão decisiva quanto a elite midiática brasileira. A história haverá de ser implacável com os que chutaram a ética jornalística e tornaram-se correias de transmissão dos mandatários do país. 

A “grande mídia” normalizou abusos, ridicularizou vozes dissidentes, manipulou narrativas e ajudou a dividir o país entre “cidadãos aceitáveis” e “inimigos da democracia” – a deles. O Brasil só começará a reconstruir sua vida pública e institucional quando a máscara da “grande imprensa” cair, e quando seus setores mais militantes forem finalmente expostos e moralmente confrontados pela sociedade civil organizada. 

AJOIA Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados.

Belo Horizonte, 10 de maio de 2026. 

 

Submeter gestante a trabalho em pé gera rescisão indireta e indenização

A submissão de trabalhadora gestante a labor extenuante, em pé, sem assentos para descanso, configura falta grave patronal. A conduta ofende a legislação e autoriza a rescisão indireta do contrato, além de gerar o dever de indenizar por danos morais. Com base neste entendimento, a 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região manteve a sentença que reconheceu a rescisão indireta e condenou uma empresa de interiores automotivos a pagar R$ 15 mil em danos morais a uma ex-empregada grávida.

A trabalhadora é uma costureira que foi contratada em agosto de 2023. Durante a gestação, a mulher trabalhava em pé, uma vez que a empregadora deixava apenas uma cadeira por área para que vários empregados revezassem. Diante da ausência de ergonomia, a trabalhadora ajuizou uma ação na Justiça pedindo a ruptura do contrato por culpa da empresa, além do repasse de verbas rescisórias e a devolução de quantias descontadas indevidamente do seu salário. Em primeira instância, o juízo julgou os pedidos parcialmente procedentes. Inconformada com a condenação, a empresa recorreu ao TRT-3 para afastar a rescisão indireta.

A companhia argumentou que não cometeu falta grave e que a autora apenas não tinha a intenção de continuar no emprego. A empregadora também pediu a redução ou a exclusão dos danos morais, além de sustentar a legalidade de cobranças feitas no contracheque. Ao analisar os autos, o relator, desembargador Delane Marcolino Ferreira, rejeitou os argumentos da requerida sobre o mérito trabalhista. O magistrado destacou que é dever da empresa garantir um meio ambiente de trabalho saudável, cumprindo as normas de segurança e medicina.

“A ré não cumpriu com a obrigação prevista no art. 389, II da CLT, de dispor de cadeiras ou bancos, em número suficiente, que permitam às mulheres trabalhar sem grande esgotamento físico”, ressaltou o desembargador. O relator indicou que a culpabilidade da companhia foi agravada por ter ciência da condição da trabalhadora, o que exigia cuidados especiais.

“A submissão da trabalhadora gestante a labor extenuante, em pé, sem assentos suficientes, configura falta grave patronal, enquadrando-se na alínea ‘d’ do art. 483 da CLT, autorizando a rescisão indireta”, explicou. Em relação aos abalos psicológicos, o julgador explicou que a situação vivenciada no ambiente profissional ultrapassa o mero dissabor e atinge a dignidade da trabalhadora, justificando a reparação financeira de R$ 15 mil. A turma regional deu parcial provimento ao recurso da empresa apenas para afastar a devolução de um desconto referente ao seguro de vida, pois o item tinha autorização expressa no contrato de trabalho. A decisão foi unânime. 

Com informações da assessoria de imprensa do TRT-3.

 

Os avessos das atitudes: Ypê propaganda dos seus produtos feita pelo governo

Sem apresentar provas consistentes ou elementos comprobatórios robustos de suas acusações, a ANVISA agiu contra os produtos da YPÊ. Em situação reversa, a indústria apresentou laudos e análises técnicas que sustentariam a regularidade sanitária de seus produtos — elementos essenciais que, segundo a empresa, não foram devidamente considerados pela agência governamental.

O que se observou, diante da enorme repercussão das medidas fiscalizatórias, foi um efeito contrário ao esperado: uma verdadeira propaganda nacional gratuita dos produtos alvo da operação. Pelas atitudes da agência, o enfoque político passou a ser inevitavelmente debatido, sobretudo diante do histórico de posicionamentos e relações institucionais envolvendo setores do atual governo e estruturas regulatórias federais.

 FISCALIZAÇÃO OU ESPETÁCULO?

O ponto central da discussão não é a existência da fiscalização. Ela é necessária. Ela é legítima. Ela deve existir. O problema começa quando ações regulatórias passam a carregar sinais de seletividade, excesso de exposição midiática ou ausência de proporcionalidade técnica claramente demonstrada à sociedade. Quando uma agência de Estado age sem transparência absoluta sobre os fundamentos técnicos de suas decisões, abre-se espaço para questionamentos inevitáveis. E no Brasil atual, onde praticamente tudo se tornou disputa ideológica, qualquer medida estatal passa imediatamente a ser analisada também sob o prisma político.

LAUDOS IGNORADOS E DÚVIDAS AMPLIADAS

A empresa sustenta possuir documentação técnica, análises laboratoriais e elementos sanitários capazes de demonstrar a segurança dos produtos. Se isso é verdade — e cabe às autoridades esclarecer com absoluta transparência — surge uma pergunta inevitável:

POR QUE ESSES ELEMENTOS NÃO FORAM DEBATIDOS PUBLICAMENTE COM A MESMA INTENSIDADE DAS ACUSAÇÕES?

A sociedade tem o direito de compreender: – quais as irregularidades foram efetivamente encontradas, – qual o risco concreto apresentado – quais provas sustentam medidas tão severas. Sem isso, cria-se um ambiente perigoso: o da condenação pública antes da comprovação definitiva.

O EFEITO REVERSO: MARKETING INVOLUNTÁRIO

Há ainda um aspecto curioso e até irônico em toda a operação. Ao transformar os produtos da YPÊ em pauta nacional, o próprio aparato estatal acabou promovendo aquilo que pretendia atingir. Milhões de brasileiros que sequer conheciam a marca passaram: a pesquisar, comentar, compartilhar e consumir conteúdos sobre os produtos. Em comunicação, existe uma regra conhecida: “não existe publicidade mais poderosa do que a polêmica”. E foi exatamente isso que aconteceu.

O RISCO DA POLITIZAÇÃO DAS AGÊNCIAS

Agências reguladoras existem para proteger a sociedade — não para alimentar disputas políticas ou ideológicas. Quando decisões técnicas passam a ser percebidas como instrumentos de narrativa governamental, perde-se algo fundamental: a confiança institucional. O Brasil vive um momento delicado, em que parte da população já não consegue separar: Fiscalização legítima – perseguição política, ativismo estatal, e uso estratégico das estruturas públicas. Esse desgaste é perigoso para a própria democracia.

O QUE A SOCIEDADE ESPERA

A população não espera espetáculo. Espera: transparência, critérios claros, imparcialidade e segurança técnica real. Se houve irregularidades, que elas sejam provadas de forma objetiva. Se não houve, que os excessos sejam igualmente expostos, além da responsabilização por eventuais prejuízos. O que não pode existir é um modelo onde a reputação de empresas, profissionais e marcas seja destruída primeiro — para só depois se discutir provas concretas. No fim, o caso IPÊ escancara um problema maior: o crescente desgaste da confiança entre sociedade e instituições regulatórias. Quando decisões técnicas deixam dúvidas políticas no ar, o efeito colateral é inevitável: Cresce a desconfiança, cresce a polarização e cresce a sensação de que estruturas públicas podem estar sendo usadas além de suas funções naturais. E talvez o mais simbólico de tudo seja justamente isso:

Na tentativa de atingir os produtos da IPÊ, o governo pode ter acabado realizando a maior campanha de divulgação que a marca já recebeu em toda a sua história.

Jayme RizolliJornalista.

 

Cartões de Vorcaro usados por ‘parceiros’ corruptos chega a R$104 milhões

A investigação do Banco Master terá o desafio de identificar parceiros ou “amigos de vida” que usavam cartões de crédito ilimitados em nome de Daniel Vorcaro e expedidos pelo seu próprio banco. A suspeita é que entre 2019 e 2025 foram “distribuídos” mais de R$104 milhões a agentes públicos por meio de 80 a 90 cartões de crédito de Vorcaro que recebiam para gastar à vontade. Rastrear compras de investigados, como carrões. pode ser um começo, observa o deputado Evair de Melo (PP-ES).

Cartões ‘na faixa’

Eles usavam cartões e senhas do banqueiro e podiam gastar como quisessem, como no aluguel de jatinhos, jantares e viagens de luxo.

CPMI quis investigar

Os gastos de Vorcaro em cartões chamaram a atenção da CPMI do INSS, lembra Evair, mas a maioria governista barrou a investigação.

Mensagens trocadas

Suspeitos negam que Vorcaro tenha pagado seus cartões. Verdade: ele pagou boletos em seu nome, mas os gastos foram feitos pelos “amigos”.

Vazou, entregou

Conversa vazada de Vorcaro com Léo Serrano, seu operador financeiro, trata do pagamento de cartões com Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo.

Coluna do Claudio Humberto

 

 

Ataque de “fúria” de Lula derruba jornalista da Globo por expressar a verdade sobre Vorcaro

A Globo confirmou nesta sexta-feira (8) a saída do jornalista Carlos Jardim do comando da Redação da Globo News, cargo que ocupava havia 13 anos. A informação foi repassada internamente aos colaboradores da empresa por Ricardo Villela, diretor-geral de Jornalismo da emissora, segundo revelou o site TV Pop. De acordo com o comunicado enviado aos profissionais do grupo, Jardim já havia informado à direção, ainda em março, sua intenção de deixar a emissora. A mudança ocorre em meio à repercussão provocada por um episódio envolvendo o programa Estúdio i, que acabou gerando forte desgaste interno na Globo News.

O caso ocorreu após a exibição de um gráfico em formato semelhante a uma apresentação de PowerPoint, utilizado para ilustrar conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O material mostrava ligações entre Vorcaro e diversas figuras políticas e institucionais, incluindo o petista Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – fator que gerou um ataque de fúria em Lula.

O PT também aparecia citado na representação gráfica. A repercussão do episódio foi intensa nos bastidores da emissora e, segundo relatos divulgados pela imprensa, levou o próprio Lula a solicitar esclarecimentos à cúpula da Globo sobre o conteúdo exibido no canal de notícias.

Carlos Jardim construiu uma longa trajetória dentro do Grupo Globo. Ele ingressou na empresa em 1997 e passou por diferentes funções ao longo dos anos até alcançar um dos cargos mais relevantes da estrutura da GloboNews. Na hierarquia da emissora, ocupava a posição imediatamente abaixo de Miguel Athayde, diretor-geral do canal. A partir de junho, a função será assumida pela jornalista Denise Lacerda, atual coordenadora da Globo News em Brasília. A mudança faz parte da reorganização interna promovida pela empresa após a saída de Jardim.

Jornal da Cidade Online