Ministro Edson Fachin propõe contracheque único para juízes após decisão do STF

O presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Edson Fachin, apresentou uma proposta de resolução que cria a obrigatoriedade do chamado “contracheque único” para magistrados em todo o país. A resolução será analisada pelo plenário do conselho no dia 26 de maio. O texto, que ainda passa por ajustes, tem o objetivo de cumprir decisões recentes do STF sobre transparência remuneratória e limitação dos chamados “penduricalhos” no Judiciário. A proposta prevê que cada magistrado passe a receber um único contracheque mensal, reunindo de forma detalhada todas as verbas remuneratórias, indenizatórias, descontos obrigatórios e eventuais passivos funcionais. A medida também busca impedir a existência de folhas paralelas, documentos complementares ou classificações diferentes para verbas de mesma natureza, prática que o STF apontou como forma de dificultar a fiscalização dos pagamentos.

A resolução atende a determinações recentes do STF. No início de maio, os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin determinaram que tribunais, Ministérios Públicos, defensorias, advocacias públicas e tribunais de contas adotassem holerites únicos e divulgassem integralmente os pagamentos nos portais de transparência. A proposta do CNJ deve ampliar os mecanismos de fiscalização do conselho sobre as folhas de pagamento dos tribunais. Entre as medidas previstas estão o envio padronizado de dados, integração dos sistemas de pagamento e possibilidade de atuação direta da Corregedoria Nacional de Justiça. A corregedoria poderá requisitar informações, acessar sistemas, suspender pagamentos considerados irregulares e abrir procedimentos de controle administrativo.

Fonte: UOL NOTÍCIAS

 

STF julga Lei da Ficha Limpa no esconderijo do plenário virtual

                                                                                                                                                                              *Felipe Vieira

Mudanças na lei podem ‘reabilitar’ políticos condenados por corrupção. O Supremo Tribunal Federal começou a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem reduzir prazos de inelegibilidade e abrir caminho para o retorno às urnas de políticos condenados por corrupção.

E o julgamento ocorre no plenário virtual.

Sem debate presencial. Sem confronto público de argumentos. Sem ministros defendendo suas posições diante do país.

Entre os possíveis beneficiados aparecem nomes como Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mesmo após confissões públicas e escândalos bilionários, políticos condenados seguem encontrando brechas jurídicas, reduzem punições, deixam a prisão e agora podem voltar ao cenário eleitoral.

A Lei da Ficha Limpa nasceu de uma mobilização popular histórica contra corrupção e impunidade. Por isso, uma discussão dessa dimensão deveria ocorrer às claras, diante da sociedade brasileira.

O plenário virtual pode servir para temas técnicos. Não para uma decisão que interfere diretamente na credibilidade das instituições e na moralidade da política brasileira.

*@felipevieirajornalista

 

Nota das Centrais Sindicais e Entidades Nacionais do Funcionalismo Público em Defesa do PL 1893/2026

As Centrais Sindicais brasileiras vêm a público defender a aprovação imediata do Projeto de Lei nº 1893/2026, encaminhado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, como um passo importante para a reparação e o reconhecimento de uma categoria de trabalhadores e trabalhadoras que vem sendo precarizada ao longo dos anos, sem instrumentos de valorização e capacitação continuada, além da ampliação das diversas formas de terceirizações. Esse avanço no direito à negociação coletiva é um fato histórico para a consolidação da democracia nas relações de trabalho no setor público.

O PL 1893/26 é fruto do compromisso de campanha do Presidente Lula com os trabalhadores e trabalhadoras dos serviços públicos e com as centrais sindicais, reafirmado desde o início do processo de transição do atual governo.

A instituição do Grupo de Trabalho Interministerial, pelo Decreto nº 11.669/2023, publicado no dia 28/08/2023, fruto da reunião ocorrida com as centrais sindicais e o MTE e MGI no dia 20/04/2023, marcou a retomada de um processo interrompido em períodos anteriores e viabilizou a construção de uma proposta baseada no diálogo social e na valorização do serviço público, aguardada há anos, precisamente desde a aprovação da Convenção 151, em 1978, na OIT. Com a coragem de um governo que reconhece a luta dos trabalhadores dos serviços públicos, abre-se agora a possibilidade de o Congresso Nacional cumprir seu papel e defender os serviços públicos, valorizando seus servidores. O PL1893/26 é resultado direto da unidade e da mobilização do movimento sindical, em especial das centrais sindicais e seus sindicatos filiados. Sua apresentação ao Congresso é também expressão da marcha das centrais realizada em 15 de abril de 2026 e da longa luta pelo reconhecimento do direito à negociação coletiva realizada pelos sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais que organizam os trabalhadores e trabalhadoras dos serviços públicos.

Apesar dos avanços institucionais ocorridos nas últimas décadas, como o reconhecimento do direito à organização sindical no setor público e a ratificação da Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2013, o direito à negociação coletiva no serviço público ainda não foi regulamentado de forma efetiva. Essa lacuna compromete a construção de relações de trabalho democráticas e equilibradas no Estado brasileiro.

A presente proposta estabelece diretrizes fundamentais para regulamentar a negociação das relações de trabalho em todos os níveis da administração pública, instituir mecanismos de solução de conflitos, como mesas de negociação e mediação, bem como garantir o pleno direito à organização sindical nos serviços públicos brasileiros, pelas entidades sindicais representativas e legalmente constituídas: sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais.

Ao fortalecer esse instrumento, o projeto contribui para a melhoria das condições de trabalho e para a qualidade dos serviços públicos prestados à população.

A aprovação do PL 1893/2026 representa não apenas um avanço para o setor público, mas um marco para toda a classe trabalhadora brasileira, ao reafirmar o papel da negociação coletiva como instrumento central de construção de direitos.

As Centrais Sindicais destacam ainda a importância de unificar esta luta com as demais pautas estratégicas da classe trabalhadora, como o enfrentamento da jornada exaustiva, com redução de 44h para 40h sem redução de salários e a luta contra a escala 6×1, reforçando uma agenda comum de redução das desigualdades e ampliação de direitos.

Diante disso, as Centrais Sindicais e as entidades sindicais nacionais conclamam:

  • O Congresso Nacional a aprovar com urgência o PL 1893/26;
  • os trabalhadores e trabalhadoras a se mobilizarem em defesa dessa conquista;
  • a sociedade a reconhecer a importância de um serviço público valorizado e de relações de trabalho democráticas.

A regulamentação da negociação coletiva no setor público é uma dívida histórica. Sua aprovação é um passo decisivo para um Brasil mais justo, igualitário, democrático e desenvolvido.

CONDSEF-Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal
CONFETAM- Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal
CSPB- Confederação dos Servidores Públicos do Brasil
CSPM-Confederação Nacional dos Servidores Públicos Municipais
CESP- Central das Entidades de Servidores Públicos
CSB-Central dos Sindicatos Brasileiros
CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CUT-Central Única dos Trabalhadores
FORÇASINDICAL
INTERSINDICAL- Central da Classe Trabalhadora
NCST-Nova Central Sindical dos Trabalhadores
PÚBLICA
UGT-União Geral dos Trabalhadores

Com informações do SINTSEP-MA

 

Oposição vê Lula protegendo o PCC contra Trump

A oposição está mais convencida do que nunca, de que Lula age para proteger a organização criminosa PCC da classificação de “terrorista”, como deseja o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A prisão da influenciadora lulista Deolane Bezerra, ontem (21), acusada pelo Ministério Público e a Polícia Civil de ser caixa do PCC e lavar dinheiro sujo, reforçou essa suspeita: “Esse desgoverno é omisso por conveniência”, acusa o deputado Messias Donato (União-ES).

Tudo suspeito

“A prisão escancarou o que muitos já sabiam: aliada direta do presidente, envolvida com lavagem de dinheiro do PCC”, destacou Messias.

Coladinhos

“Olha a proximidade do crime organizado com a República”, apontou estarrecido o deputado e ex-promotor de Justiça Alfredo Gaspar (PL-AL).

Coisa estranha

O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) também reagiu à prisão da amiga de Lula: “Deolane virou símbolo da normalização do absurdo”.

Crime toma conta

Para Evair de Melo (Rep-ES), a prisão “escancara a podridão que tomou conta do país”. “E Lula ainda se recusa a tratar facção como terrorismo”.

Coluna do Claudio Humberto

Censura implementada por Lula via decreto é exaltada pelo ministro Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, manifestou apoio público ao pacote de medidas editado pelo petista Lula para regulamentar a atuação das redes sociais e plataformas digitais no país.

Por meio das redes sociais, o magistrado classificou as novas regras como um “avanço civilizatório fundamental” e afirmou que os decretos ajudam a consolidar entendimentos recentes do STF sobre o Marco Civil da Internet. Na prática, segundo o senador Rogerio Marinho, trata-se de uma “CENSURA IMPLEMENTADA VIA DECRETO POR LULA”.

Algo GRAVISSIMO! Tudo isso, a poucos meses de uma importante eleição. O povo ainda está traumatizado diante de tudo o que aconteceu em 2022.

Jornal da Cidade Online

Quando o judiciário resolve governar, até “receita de pamonha” passa despercebida em petição

Por Jayme Rizolli

Temos assistido rotineiramente processos (em todas as instâncias) em que o respeito às leis tem dado lugar à sua INTERPRETAÇÃO. Não, não a interpretação das leis em si… mas a interpretação dos ATORES que nelas estão envolvidos. Antigamente, as petições eram recheadas de jurisprudências — decisões anteriores que serviam como guia e referência. Hoje, muitos “juristas” sequer se dão ao trabalho de consultá-las.

O que prevalece não é a lei, mas o contexto e os personagens que a manipulam. O episódio da “pamonha na petição” é emblemático. Um advogado inseriu uma receita culinária em meio a um processo para demonstrar que os magistrados não leem com atenção os autos. O resultado? O texto passou despercebido. Se uma receita de pamonha pode ser ignorada, quantas provas relevantes também não o são?

Essa superficialidade se traduz na famosa pergunta protocolar: “As partes não querem entrar em acordo?” — como se a essência do processo fosse apenas encerrar o rito, e não buscar a verdade ou aplicar a justiça. Mas o problema não se restringe às instâncias menores. No alto escalão, o que vemos é ainda mais grave: uma constante interferência na governabilidade do país. Processos decisivos ficam parados por anos, enquanto ministros e magistrados se ocupam em invadir competências de outros poderes, usurpando prerrogativas e moldando o destino político da nação.

O Judiciário, que deveria ser o guardião da Constituição, passa a atuar como protagonista político. E quando juízes se tornam governantes, o equilíbrio entre os poderes se rompe. O resultado é um país onde a lei deixa de ser o norte, e passa a ser apenas um instrumento de conveniência. A pergunta que fica é: quem governa, afinal? O povo, por meio de seus representantes eleitos, ou um seleto grupo de magistrados que, sem voto, muitas vezes nem mesmo juízes de fato, decidem os rumos da nação?

Se o Judiciário insiste em governar, o risco é transformar a democracia em mera formalidade, onde a vontade popular é constantemente submetida ao crivo de poucos. E nesse cenário, a justiça deixa de ser cega — passa a enxergar apenas aquilo que lhe convém. 

Jayme Rizolli

Jornalista.

 

Desigualdade educacional impede repasse maior do Fundeb a 1.914 municípios

         Um em cada três municípios brasileiros não conseguiu cumprir o critério de redução das desigualdades raciais e socioeconômicas na aprendizagem exigido para ampliar o recebimento de recursos federais destinados à educação. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, com base em dados do Ministério da Educação (MEC)1.914 cidades descumpriram a exigênciaO critério é estabelecido pelo Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), mecanismo criado no âmbito do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O VAAR estipula condições para ampliar os repasses da União a estados e municípios. Atualmente, o governo federal dispõe de R$ 7,5 bilhões para distribuição por meio desse instrumento. 

                                                          A lista de critérios inclui:

  • Redução das desigualdades raciais e socioeconômicas de aprendizagem — item com maior índice de descumprimento entre os municípios;
  • Seleção de diretores escolarescom base em critérios técnicos — descumprido por 10% das cidades;
  • Participação superior a 80% no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)— descumprido por 7%;
  • Regulamentaçãodo repasse de parte da arrecadação do ICMS — descumprido por 2%;
  • Adoção dereferenciais curriculares alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — descumprido por 1%.

                                                        Impacto da redução das desigualdades educacionais

               A reportagem também destaca um estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta os impactos da redução das desigualdades educacionais. A pesquisa, utilizada como referência pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, indica que, caso o Brasil eliminasse a desigualdade de aprendizagem entre estudantes brancos e negros no ensino médio, a renda da população dos municípios poderia crescer, em média, 11,1%. No ensino superior, a eliminação dessa diferença resultaria em um aumento estimado de 7% na renda

                Estados também enfrentam dificuldades 

                 Em entrevista ao Estadão, a secretária do MEC, Zara Figueiredo, afirmou que atualmente apenas 11 estados cumprem o critério de redução das desigualdades raciais e socioeconômicas

                 Segundo a secretária, o problema não está concentrado em um perfil específico de município: tanto cidades pequenas quanto grandes não conseguiram atender às exigências.

Diante da dificuldade de implementação das medidas, o MEC decidiu redistribuir 1.533 agentes de governança para apoiar as redes de ensino na promoção da equidade racial e socioeconômica. A iniciativa busca fortalecer a articulação entre as escolas e a gestão do ministério. 

                Além disso, a pasta anunciou o repasse de R$ 115 milhões por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola Equidade (PDDE Equidade), destinado ao financiamento de ações voltadas à redução das desigualdades educacionais. O MEC também pretende disponibilizar guias e protocolos para auxiliar gestores escolares na implementação de políticas de equidade. 

Fonte: BRASIL 61

 

Congresso derruba veto de Lula e libera entrega de trator, cesta básica e dinheiro nas eleições

Veto foi derrubado com facilidade, sem resistências do governo Lula. Sem qualquer resistência de Lula (PT) ou de sua bancada, o Congresso derrubou seu veto que impedia o repasse de doação de bens, valores ou benefícios pela administração pública durante o período eleitoral. Com o resultado da votação na Câmara e no Senado, foi retomado o texto original da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) permitindo que recursos de emendas parlamentares possam ser destinados a cidades para gastos com a compra de tratores, cestas básicas, por exemplo. A derrubada dos vetos resulta de compromisso assumido pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), com representantes dos municípios, para a LDO de 2026, que define as regras do Orçamento da União. Isso acontece na semana em que milhares de prefeitos invadiram Brasília, para seu encontro anual, no qual receberam vaias o vice-presidente Geraldo Alckmin e entoaram o coro: “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.

O Congresso aprovou em dezembro um trecho da LDO permitindo a doação de dinheiro ou de bens no meio da campanha eleitoral deste ano, sob argumentação de que isso não descumpriria o chamado “defeso eleitoral”, o período de três meses anteriores à eleição em que fica proibida a transferência de recursos e doação de bens. Como única exigência, o texto determina que haja uma contrapartida do município ou da entidade que receberá o recurso. O Congresso retomou ainda dois trechos que liberam o envio de recursos pela União para construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais, desde que sejam destinadas à integração de modais de transporte ou ao escoamento produtivo, e relativas à malha hidroviária.

Diário do Poder

 

Operação da PF por desvio de recursos e caixa 2 eleitoral no Maranhão, atinge o então poderoso Rubão Pereira

PF deflagra operação contra esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas no Maranhão. A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Arthros para investigar um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024 no Maranhão. Segundo a PF, a investigação identificou o uso de empresas de fachada, contratos simulados e notas fiscais falsas para esconder a origem do dinheiro usado nos repasses. O grupo também utilizava contas bancárias de terceiros, saques em espécie e transferências fracionadas para dificultar o rastreamento das operações.

Rubens Pereira foi alvo da operação

Entre os alvos da operação está o ex-deputado e ex-secretário de Estado de Articulação Política, Rubens Pereira. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência. Em nota, Rubens Pereira confirmou a operação e afirmou que a investigação tem relação com as eleições de 2024, período em que ocupava a Secretaria de Articulação Política do Governo do Maranhão.

O ex-secretário declarou que, em mais de 40 anos de vida pública, nunca havia sido alvo de uma operação da PF e destacou que nem ele nem familiares participaram das eleições daquele ano como candidatos. Rubens Pereira também afirmou que ainda não teve acesso aos fatos que motivaram a investigação, mas disse confiar na apuração policial e declarou ter “consciência tranquila” de que não cometeu irregularidades. Segundo ele, já se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

PF aponta movimentação milionária antes das eleições

De acordo com a investigação, mais de R$ 1,9 milhão foram movimentados nos 15 dias anteriores ao pleito de 2024. Desse total, mais de R$ 1,2 milhão teriam sido distribuídos a candidatos e intermediários. A PF aponta indícios de que parte dos recursos tenha origem em contratos públicos desviados para abastecer campanhas eleitorais. As investigações também indicam que os suspeitos atuavam de forma coordenada na definição dos valores, escolha dos beneficiários e operacionalização dos repasses. Segundo a PF, o grupo operava como uma espécie de “gabinete paralelo de financiamento eleitoral ilícito”.

Operação cumpriu mandados no Maranhão e no Piauí

Até o momento, vários candidatos de diferentes municípios maranhenses foram identificados como beneficiários do esquema. Segundo a PF, os repasses eram feitos de forma pulverizada, inclusive por meio de terceiros, em tentativa de ocultar o destino final do dinheiro. Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos investigados, o afastamento de quatro servidores públicos e a indisponibilidade de bens no valor de R$ 2 milhões. As diligências ocorreram em São Luís, Paço do Lumiar, Barreirinhas, Codó, Matões e Teresina, no Piauí.

Medidas buscam ampliar investigação 

Segundo a PF, as medidas têm como objetivo aprofundar a coleta de provas, identificar a dimensão do esquema, recuperar recursos desviados e interromper as práticas investigadas. Os investigados poderão responder por caixa dois eleitoral, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a administração pública, desvio de recursos públicos e outras infrações conexas.

Fonte: G1 Maranhão

 

Advogada Deolane, aliada de Lula é presa por envolvimento e lavagem de dinheiro do PCC

Advogada e influencer Deolane Bezerra é alvo de novo cerco policial à facção criminosa em São Paulo.

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual (MPSP) devolveram à prisão a advogada e influencer digital Deolane Bezerra, aliada do presidente Lula (PT) e suspeita de atuar em uma organização criminosa que opera na lavagem de dinheiro da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Policial Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), é um desdobramento de informações encontradas em celular apreendido na Operação Lado a Lado.

“O conteúdo extraído do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. […] Essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas daquela transportadora”, narrou a Polícia Civil de São Paulo, sobre a origem da Vérnix, terceira etapa da investigação iniciada em 2019, com apreensão de bilhetes que se referiam a uma “mulher da transportadora”.

O novo cerco para estancar o amplo esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras, resultou em 6 prisões preventivas decretadas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados. O objetivo é interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.

“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relata a polícia judiciária paulista.

Não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos à Deolane Bezerra, que participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo do Brasil e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade, antes das operações que levaram a influencer à prisão. Os investigadores apontam que a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial de Deolane eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. Também foram identificadas estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas usadas como mecanismo para dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos do PCC.

“Os afastamentos de sigilos fiscal e financeiro revelaram um fluxo vultoso de dinheiro, com cifras sem lastro econômico compatível, movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores, operações envolvendo empresas sem capacidade financeira aparente e repasses que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, não apresentaram justificativa lícita suficiente”, relata a Polícia Civil.

‘Mulher da transportadora’

Segundo a Polícia Civil comandada pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a investigação de alta complexidade foi iniciada em 2019, revelou uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção criminosa autodenominada

A investigação iniciou em 2019, com Polícia Penal apreendendo bilhetes e manuscritos com dois condenados presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que narravam a dinâmica interna sobre a atuação de líderes da organização criminosa encarcerados e possíveis ataques contra agentes públicos. Com novas diligências e três inquéritos policiais, novas camadas da organização foram expostas.

“A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Ocorre que dentre os trechos analisados, chamou atenção a citação a uma ‘mulher da transportadora’, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa”, relatou a Polícia Civil, sobre o primeiro inquérito.

O segundo inquérito visava identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora com o grupo criminoso. E evidenciou uma empresa de Presidente Venceslau usada pelo crime organizado para lavar dinheiro, que foi alvo da Operação Lado a Lado, contra movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Lula ao receber dezenas de influenciadores em fevereiro de 2023, no Planalto.

Dimensão internacional

A revelação de que três investigados estariam na Itália, na Espanha e na Bolívia levou a Polícia Civil paulista a representar pela inclusão dos suspeitos na Difusão Vermelha da Interpol, que caça foragidos internacionais, com apoio direto do MPSP e da Polícia Federal. O Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) também ajudou no cumprimento das diligências da Polícia Civil e do MPSP, que apontam a Operação Vérnix como mais um avanço no enfrentamento ao crime organizado sob a perspectiva patrimonial, atingindo não apenas operadores periféricos, mas também estruturas financeiras ligadas ao núcleo de comando da facção.

“A ação reforça que o combate ao crime organizado passa, cada vez mais, pela identificação e interrupção dos fluxos de dinheiro ilícito. Ao atingir bens, contas, empresas e patrimônio de alto valor, a investigação busca enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa, impedir a continuidade da lavagem de capitais e assegurar a responsabilização dos envolvidos”, concluiu a Polícia Civil.

Diário do Poder