Advogada Deolane, aliada de Lula é presa por envolvimento e lavagem de dinheiro do PCC

Advogada e influencer Deolane Bezerra é alvo de novo cerco policial à facção criminosa em São Paulo.

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual (MPSP) devolveram à prisão a advogada e influencer digital Deolane Bezerra, aliada do presidente Lula (PT) e suspeita de atuar em uma organização criminosa que opera na lavagem de dinheiro da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Policial Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), é um desdobramento de informações encontradas em celular apreendido na Operação Lado a Lado.

“O conteúdo extraído do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. […] Essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas daquela transportadora”, narrou a Polícia Civil de São Paulo, sobre a origem da Vérnix, terceira etapa da investigação iniciada em 2019, com apreensão de bilhetes que se referiam a uma “mulher da transportadora”.

O novo cerco para estancar o amplo esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras, resultou em 6 prisões preventivas decretadas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados. O objetivo é interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.

“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relata a polícia judiciária paulista.

Não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos à Deolane Bezerra, que participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo do Brasil e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade, antes das operações que levaram a influencer à prisão. Os investigadores apontam que a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial de Deolane eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. Também foram identificadas estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas usadas como mecanismo para dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos do PCC.

“Os afastamentos de sigilos fiscal e financeiro revelaram um fluxo vultoso de dinheiro, com cifras sem lastro econômico compatível, movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores, operações envolvendo empresas sem capacidade financeira aparente e repasses que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, não apresentaram justificativa lícita suficiente”, relata a Polícia Civil.

‘Mulher da transportadora’

Segundo a Polícia Civil comandada pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a investigação de alta complexidade foi iniciada em 2019, revelou uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção criminosa autodenominada

A investigação iniciou em 2019, com Polícia Penal apreendendo bilhetes e manuscritos com dois condenados presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que narravam a dinâmica interna sobre a atuação de líderes da organização criminosa encarcerados e possíveis ataques contra agentes públicos. Com novas diligências e três inquéritos policiais, novas camadas da organização foram expostas.

“A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Ocorre que dentre os trechos analisados, chamou atenção a citação a uma ‘mulher da transportadora’, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa”, relatou a Polícia Civil, sobre o primeiro inquérito.

O segundo inquérito visava identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora com o grupo criminoso. E evidenciou uma empresa de Presidente Venceslau usada pelo crime organizado para lavar dinheiro, que foi alvo da Operação Lado a Lado, contra movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Lula ao receber dezenas de influenciadores em fevereiro de 2023, no Planalto.

Dimensão internacional

A revelação de que três investigados estariam na Itália, na Espanha e na Bolívia levou a Polícia Civil paulista a representar pela inclusão dos suspeitos na Difusão Vermelha da Interpol, que caça foragidos internacionais, com apoio direto do MPSP e da Polícia Federal. O Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) também ajudou no cumprimento das diligências da Polícia Civil e do MPSP, que apontam a Operação Vérnix como mais um avanço no enfrentamento ao crime organizado sob a perspectiva patrimonial, atingindo não apenas operadores periféricos, mas também estruturas financeiras ligadas ao núcleo de comando da facção.

“A ação reforça que o combate ao crime organizado passa, cada vez mais, pela identificação e interrupção dos fluxos de dinheiro ilícito. Ao atingir bens, contas, empresas e patrimônio de alto valor, a investigação busca enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa, impedir a continuidade da lavagem de capitais e assegurar a responsabilização dos envolvidos”, concluiu a Polícia Civil.

Diário do Poder

Esquerda tenta ser guardiã da ética, enquanto acoberta corruptos e criminosos de fraudes bilionárias

*Por Lucia Sweet

O establishment, com seus argumentos elaborados por marqueteiros, especialistas em neurolinguística e consultores políticos, exige que Flávio Bolsonaro seja a vestal do Templo, a virgem do bordel dos fariseus esquerdistas. Sob o manto do falso moralismo, a esquerda ergue-se como guardiã da ética enquanto acoberta os verdadeiros corruptos e criminosos de fraudes bilionárias. Chega a ser ridículo.

Os corruptos e corruptores, em seus esquemas multimilionários, escapam do crivo de uma imprensa que deveria ser isenta, mas é tendenciosa, e que usa vazamentos seletivos e acusações sem crimes para atacar o único candidato que tem chances reais de vencer as eleições sem fraude.

Exploram a falta de discernimento das pessoas que, movidas por apelos emotivos e sensacionalismos inventados, se deixam conduzir como rebanho para o abismo. É assim, com esse tipo de “entretenimento”, que distraem a plateia do circo chamado Brasil.

Flávio Bolsonaro é e continua sendo o único candidato que pode derrotar os atuais donos do poder. Basta observar quem é contra ele para saber, não importa a explicação, quem prefere a esquerda à mudança, quem quer mais do mesmo e quem lucra com a sua ideologia.

*Lucia Sweet

Jornalista

Juiz no Maranhão acusado de assédio é suspeito de gerar sentenças erradas com Inteligência Artificial

                         Juiz Tonny Carvalho Araújo Luz 

 *Coluna UOL – Carlos Madeiro

Parecer da Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão aponta indícios de que o juiz Tonny Carvalho Araujo Luz, da 2ª Vara Cível da Comarca de Balsas, usou IA (inteligência artificial) para proferir decisões em massa. A suspeita veio pelo aumento abrupto de julgamentos em agosto de 2024. A média de 80 sentenças por mês saltou para 968. Mais da metade teria uso de IA, segundo sindicância aberta em abril de 2025. Parte das sentenças analisadas possuía erros graves de informações de súmulas do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e textos contraditórios —um sinal de uso da IA sem revisão humana. O parecer cita “indícios consistentes de mau uso de inteligência artificial generativa pelo magistrado”. O documento de 22 de abril, assinado por Marcelo Silva Moreira, juiz auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça, foi revelado inicialmente pelo site Direito e Ordem e foi confirmado pelo UOL. Em depoimento, o juiz reconheceu o uso das ferramentas de IA, mas disse que o fez de boa-fé e seguindo parâmetros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Também alegou que não houve prejuízos pelos erros em decisões, que diz serem “eventuais”. Como revelou o UOL no último dia 7, o juiz foi alvo de denúncia da assessora jurídica Daniela da Silva Moura, 40. Ela afirma ter sido assediada por Araújo Luz após pedir ajuda por estar sendo perseguida e ameaçada pelo ex-marido. O magistrado nega o assédio e classifica a acusação como absurda.

Erros incluem menção a réus que não existem

O parecer se baseia em um relatório da Diretoria de Informática do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão), que analisou 300 das 968 sentenças dadas em agosto de 2024. Segundo o relatório, havia “elementos relevantes” de uso de IA em pelo menos 169 decisões, ou 56,3% da amostra. Os indícios listados são:

  • Recorrência de fundamentos genéricos e padronizados;
  • Ausência de enfrentamento individualizado de teses e preliminares;
  • Uso de precedentes sem adequada indicação de fonte ou correlação com a controvérsia;
  • Menção a julgados inexistentes ou a enunciados sumulares reproduzidos em desconformidade com sua redação oficial.

O documento diz que é preciso aprofundar as investigações para esclarecer “qual ferramenta foi utilizada, se houve registro, monitoramento e comunicação institucional do seu uso, qual foi o grau efetivo de revisão humana empreendido pelo magistrado e em que medida os produtos gerados influenciaram a redação final dos atos judiciais examinados”.

Entre as decisões com textos contraditórios, está uma análise de transferência de propriedade de um veículo.

súmula 132 do STJ estabelece que a falta de registro da transferência no Detran não torna uma pessoa que vendeu o carro responsável por acidentes causados pelo novo dono. A sentença do juiz, no entanto, determina que o antigo proprietário deveria, sim, responder pelos danos, mesmo já tendo transferido o carro, caso não tivesse formalizado a transferência. Outro caso semelhante ocorreu em um processo de inscrição indevida em um cadastro de inadimplentes. De acordo com a súmula 385 do STJ, se uma pessoa tem o “nome sujo” antes de uma nova anotação irregular, não tem direito a indenização por dano moral, mas apenas ao cancelamento da inscrição indevida. Mas o texto de uma decisão do juiz considerou a jurisprudência do STJ no sentido contrário: de que a inscrição indevida geraria dano moral presumido —ou seja, que o prejuízo é automático.

Para a Corregedoria, as situações vão além de uma simples imprecisão.

“Tais ocorrências, consideradas em conjunto, não traduzem mero desacerto hermenêutico (de interpretação) isolado, mas sinalizam possível emprego de conteúdo gerado automaticamente sem a indispensável filtragem crítica, verificação da fonte e cotejo com a realidade processual do feito”, diz o parecer.

Juiz se defende

A coluna entrou ontem em contato com a assessoria do TJ-MA em busca de ajuda para obter um posicionamento do juiz, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.Em depoimento na sindicância, Araújo Luz confirmou o uso de ferramentas de IA como meio auxiliar de produtividade, “especialmente diante da suposta imposição correcional de julgamento de processos conclusos há mais de 100 dias”. Ele afirmou ainda que o uso “é normatizado por resoluções do CNJ e que eventuais equívocos identificados teriam sido pontuais, sem repercussão negativa às partes, tampouco ensejaram reforma recursal ou prejuízo ao contraditório”.

Por fim, alegou que não fez uso por má-fé ou para obter vantagem indevida e pediu arquivamento da sindicância ou a celebração de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). O parecer, porém, menciona que o juiz não preenche os requisitos para um TAC, que exige de um magistrado que ele não tenha sofrido sanção disciplinar nos últimos três anos. O juiz está afastado das funções públicas desde 2 de abril, com previsão de retorno apenas em 29 de setembro, segundo portaria da Corregedoria-Geral da Justiça do Maranhão. O motivo do afastamento não foi informado.

O UOL também fez contato com a assessoria da Corregedoria Geral de Justiça, para saber os próximos passos a partir da investigação, mas não teve resposta.

*Coluna UOL – Carlos Madeiro

Ministro Flavio Dino intima presidente da Câmara, Hugo Motta, esclarecer viagem de deputado

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apresente em até 48 horas esclarecimentos sobre a viagem internacional do deputado federal Mario Frias. O magistrado quer informações sobre a situação funcional do parlamentar e detalhes do período autorizado para a suposta missão oficial alegada por Frias. Atualmente, o deputado está no Bahrein.. em 4Cancelar

A cobrança ocorre após dificuldades enfrentadas pelo STF para intimar o parlamentar ao longo de quase um mês. O objetivo da Corte é obter esclarecimentos sobre repasses de emendas parlamentares destinados à ONG Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Segundo denúncia apresentada ao Supremo, Mario Frias teria destinado cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A nova tentativa de intimação surgiu no âmbito de uma ação protocolada pela deputada federal Tabata Amaral, do PSB, que solicita investigação sobre repasses destinados ao que classificou como um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”. Além do Instituto Conhecer Brasil, a denúncia também cita recursos enviados para as entidades: Academia Nacional de Cultura e Conhecer Brasil Assessoria

 De acordo com a ação apresentada ao STF, essas organizações estariam sob influência de Karina Ferreira da Gama, ligada à produção do filme “Dark Horse”. Flávio Dino, relator da ação no Supremo, também determinou a intimação dos deputados Bia Kicis e Marcos Pollon. A medida foi tomada em 21 de março no âmbito da ADPF 854.

Segundo a denúncia, a Academia Nacional de Cultura também teria recebido aproximadamente R$ 2,6 milhões em recursos oriundos de emendas parlamentares destinadas por políticos como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.

Diário do Poder

 

Autoritarismo: Lula avança sobre ‘big techs’ e obriga redes sociais a policiar usuários

Com exclusões em até duas horas novas regras sufocam a autonomia das plataformas e centralizam a fiscalização no governo. Em decisão reveladora de clara opção pelo autoritarismo, Lula (PT) assinou decretos presidenciais que alteram a regulamentação do Marco Civil da Internet e ampliam o poder de intervenção estatal sobre o funcionamento das redes sociais e empresas de tecnologia (big techs) que operam no Brasil. A medida repassa às plataformas digitais a responsabilidade direta de monitorar, investigar e remover conteúdos gerados por terceiros sob a justificativa de combate a crimes no ambiente virtual.

Com as novas determinações governamentais, as empresas privadas que administram redes sociais passam a ser obrigadas a implementar canais de denúncia específicos. Elas deverão avaliar as notificações e aplicar sanções administrativas internas e remoções em caráter imediato para uma lista de condutas descritas pelo Executivo. 

Em situações específicas de violência digital, os novos termos fixam prazos rígidos de apenas duas horas para que as plataformas promovam a exclusão dos arquivos denunciados, sob pena de responsabilização civil e administrativa. Além do monitoramento de publicações ordinárias, os decretos do Planalto avançam sobre o mercado de anúncios digitais e links patrocinados. 

As plataformas serão obrigadas a realizar um rastreamento rigoroso dos dados cadastrais de todos os anunciantes, mantendo os registros arquivados pelo período obrigatório de um ano. O descumprimento das novas exigências burocráticas e de policiamento interno sujeitará as empresas a sanções que variam desde advertências formais e multas financeiras até a suspensão temporária de suas operações comerciais em território nacional.

A execução prática e a fiscalização desse novo conjunto normativo de vigilância digital ficarão concentradas sob a tutela do próprio governo federal, por meio da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Caberá ao órgão estatal avaliar a eficiência técnica de cada empresa de tecnologia e punir sistemicamente as plataformas que forem consideradas omissas ou ineficazes no cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo poder público.

Diário do Poder

 

Senado tem sessão suspensa para impedir mais uma derrota para Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cancelou nesta quarta-feira (20) a votação da indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao cargo de corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o período de 2026 a 2028. Dos 67 senadores presentes na Casa, apenas 59 registraram voto. Diante desse número de votantes, o presidente do Senado optou por não concluir a votação, que demanda maioria absoluta (41) para aprovação, e submeter a indicação ao Plenário em outra oportunidade. O adiamento foi defendido durante a sessão pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Weverton (PDT-MA).

“A posse do novo corregedor ocorrerá em 3 de setembro. Portanto, como temos muito prazo, eu determino o cancelamento da votação”, anunciou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Durante a discussão da indicação, senadores manifestaram apoio ao nome de Benedito Gonçalves, entre eles Otto Alencar (PSD-BA), enquanto outros, como Marcos do Val (Avante-ES), revelaram que votariam contra a indicação. Senadores da oposição também pediram que Davi levasse a votação até o final com os 59 computados, mas não foram atendidos pelo presidente do Senado. Pela manhã, com 21 votos favoráveis e 5 contrários, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado a indicação de Benedito Gonçalves, que seguiu em regime de urgência para apreciação do Plenário. A indicação (OFS 4/2026), de iniciativa do STJ, foi relatada pelo senador Cid Gomes (PSB-CE).

Jornal da Cidade Online

 

Reunião da Anvisa na sede de multinacional é vista com desconfiança

Encontro em SP, na sede da Eli Lilly, ocorre em meio a análise de regulação que pode prejudicar farmácias de manipulação fabricantes de medicamentos injetáveis emagrecedores. Provocou apreensão e desconfianças a reunião a portas fechadas de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) na sede em São Paulo da multinacional Eli Lilly, principal fabricante de medicamentos injetáveis emagrecedores à base de GLP-1 e GIP, como a tirzepatida. O encontro ocorreu em momento crítico: a Anvisa discute minuta regulatória que pode inviabilizar a atuação das farmácias de manipulação no segmento desses medicamentos. A proposta centraliza obrigatoriamente as análises de controle de qualidade dos insumos no INCQS, excluindo os laboratórios privados da Rede Reblas — rede acreditada e supervisionada pela própria Anvisa.

A medida criaria barreiras operacionais significativas para o setor magistral, segmento farmacêutico popularmente conhecido como farmácia de manipulação, ao mesmo tempo em que concentraria o poder de análise em um único órgão estatal, sem que tenha sido apresentada justificativa técnica para a mudança. A realização de reunião entre agentes públicos responsáveis pela fiscalização e regulação e a empresa que mais se beneficiaria com a restrição da concorrência, levanta questionamentos sobre a imparcialidade do processo regulatório. Em um ambiente democrático, encontros dessa natureza, realizados sem transparência durante a elaboração de normas que afetam diretamente o mercado, demandam explicações públicas imediatas e detalhadas por parte da Anvisa e da direção do INCQS. A Anvisa deu explicações sobre o encontro.

Apenas “reunião técnica”

“Não houve reunião sigilosa”, informou a Anvisa por meio de nota de sua assessoria. “Houve uma reunião técnica, agendada pela Anvisa, sobre controle de qualidade com o objetivo de ampliar a capacidade analítica da rede de laboratórios de saúde pública para análises laboratoriais de produtos com tirzepatida.”

A agência explica também que “a necessidade dessa discussão decorre de demanda apresentada pelas vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), para subsidiar a análise de produtos apreendidos ou sob suspeita de qualidade. Nesse contexto, o desenvolvimento e a harmonização de métodos analíticos são fundamentais para a atuação regulatória e avaliação de produtos.” A nota informa que a visita técnica foi solicitada à Eli Lilly, “pois este é o único laboratório com registro do medicamento tirzepatida no Brasil. Ou seja, é a única empresa que desenvolveu estudos clínicos sobre a substância e que demonstrou para a Anvisa processos de produção que garantem segurança, eficácia e qualidade para o medicamento. A visita tinha como foco o controle de qualidade da empresa.

Métodos para avaliação

A visita contou com quatro técnicos da Anvisa e quatro do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) que é um laboratório público de referência para a vigilância sanitária no Brasil, diz a Anvisa.

“A programação da visita técnica tratava somente de métodos para avaliação laboratorial. Durante a visita, a equipe do laboratório Ely Lilly, propôs uma programação diferente da que havia sido previamente acordada e quis tratar da discussão da proposta de Instrução Normativa de manipulação que está em discussão pela Anvisa.” Os técnicos enviados pela Anvisa não possuem competência ou autorização para discutir o assunto. Assim, a agenda técnica prevista para durar o dia todo foi encurtada e terminou pela manhã. A nota diz ainda ser importante destacar que “visitas técnicas e agenda entre a Anvisa, laboratórios públicos e empresa reguladas são comuns e estão previstas nos canais de interlocução entre empresas e Anvisa.”

Diário do Poder

 

“Construirão casas e nelas habitarão,” mensagem da Campanha da Fraternidade 2026

Ao longo dos séculos, profetas e profetisas lutaram para manter vivo e sempre atual o projeto popular que não pode ser reduzido a um sonho futuro, pois é fruto de todas e todos que lutamos para que todos, a partir dos mais pobres, tenham Terra, Teto e Trabalho.

                                                                               Por Sandro Gallazzi e Anna Maria Rizzante

                                                                               Ai dos que juntam casa a casa e campo a campo ( Isaías 5,8)

O texto base da Campanha FRATERNIDADE E MORADIA, de 2026, a respeito da situação rural, diz que “a realidade dos nômades, indígenas e quilombolas não é menos importante. Trata-se, em relação a estes povos, de uma dívida e de uma reparação histórica, frente à expropriação de que foram vítimas em suas vidas, terras, liberdades e culturas” e acrescenta: “Quanto à população rural, vítima do desenvolvimento excludente nos séculos XX e XXI, trata-se de uma demanda que deve acompanhar e complementar uma reforma agrária efetiva, trazendo dignidade plena a 14% dos brasileiros, atualmente dela privados” (73).

É uma “história” que, de tantas maneiras diferentes, se repete desde o surgimento do estado. Desde os antigos Egípcios, como desde os antigos Aztecas e Incas, na nossa Abya Yala, o aparelho estatal (palácio, tribunal, quartel, templo e escola) sempre esteve a serviço da exígua minoria que mora na “casa grande” e que controla o mercado, explorando a imensa maioria da “senzala” produtiva. Qualquer tentativa de revolta ou de mudança foi e continua sendo reprimida com força e brutalidade.

A nossa referência, porém, continuará sendo a “memória subversiva do Evangelho” de Jesus de Nazaré, crucificado como blasfemador e subversivo, por ter sido fiel ao Deus dos pobres e aos pobres da terra e por acreditar que a terra, com todos os seus bens, é “herança” de Iahweh para todos e todas.

Se, na realidade urbana, basta pouca terra para construir uma casa ou, até coloca-se casa sobre casa, nos edifícios de apartamentos, no mundo rural a casa é parte de um território essencial para a vida como um todo.

Nas denúncias proféticas, casa e território andam sempre juntos: “Ai dos que juntam casa a casa, emendando campo com campo, até não sobrar espaço para mais ninguém!” (Is 5,8). “Ai dos que se desejam um campo, roubam-no, querem uma casa, ficam com ela. Tomam posse da casa e do dono, do campoe do proprietário” (Mq 2,1-2).

Palavras de extrema atualidade, pois o “agrobusiness”, sobretudo do boi, da soja e da madeira, e a “mineração” continuam concentrando terras, águas e riquezas; e o fazem, muitas vezes, ao arrepio da legislação, com a conivência e/ou a inoperaosidade dos órgãos do estado. À lentidão do INCRA em demarcar os territórios dos posseiros, dos ribeirinhos e dos povos tradicionais, corresponde a rapidez dos cartórios que produzem documentos que têm “fé pública” e a partir dos quais, tribunais sentenciam, muitas vezes preliminarmente, o despejo de inteiras comunidades, legalizando a grilagem e a devastação de imensos territórios.

Parecem ter sido ditas, hoje, as palavras seculares de Amós: “Ai dos que fazem do direito uma amargura e jogam a justiça ao chão (…) Pois eu sei como são numerosos os vossos crimes, sei como são pesados os vossos pecados, exploradores de inocentes, cobradores de suborno, que enganais o pobre no tribunal” (Am 5,7.12). 

A lei (Torah) garantia o direito à terra para todas as casas camponesas, mas os poderosos de turno a desprezavam, como gritava Miqueias: “Ouvi, chefes de Israel: Não é vossa obrigação saber o que é de direito? Mas sois inimigos do bem e apaixonados pelo mal (…) Construís Jerusalém com a injustiça. Seus chefes dão sentença a troco de uma propina, seus sacerdotes instruem em vista do lucro, seus profetas adivinham por dinheiro” (Mq 3,1.10-11). 

Ao longo dos séculos, profetas e profetisas, lutaram para manter vivo e sempre atual o projeto popular: “Quem fizer casas, nelas vai morar, quem plantar vinhedos, dos seus frutos vai comer. Ninguém construirá para outro morar, ninguém plantará para outro comer; meus eleitos vão gozar do fruto do seu trabalho” (Is 65,21-22). Um projeto cantado nos salmos: “os pobres herdarão a terra, vão se alegrar com uma paz imensa” (Sl 37,11). Uma certeza proclamada por Jesus: “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra” (Mt 5,5).

Um projeto, porém, que não pode ser reduzido a um sonho futuro, pois é fruto de todas e todos que lutamos para que todos, a partir dos mais pobres, tenham Terra, Teto e Trabalho. Missão que o Papa Francisco entregou aos movimentos sociais populares, nossos “poetas sociais”.

O jejum que aprecio é este: solta as algemas, desata a canga, liberta os oprimidos e despedaça todo jugo. Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres sem teto” (Is 58,6-7). É o que garante Jesus que não tinha onde deitar a cabeça: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o reino que desde sempre está preparado para vós (…) Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,34-36.40).

É o exemplo luminoso que nos deixam a mártir Ir. Dorothy e nossos e nossas mártires, testemunhas fiéis até à morte ao projeto do Pai e encarnado em Jesus de Nazaré. 

 

Fonte: CPT Nacional

Lula pagou R$ 5,4 bilhões de emendas e tem R$ 28,3 bilhões para negociar com o Congresso

O Portal da Transparência também aponta que o governo reservou R$28,3 bilhões para pagar emendas, em 2026. Afinal de contas estamos em ano eleitoral.

O governo Lula (PT) abriu as comportas das emendas parlamentares e já pagou R$5,4 bilhões aos congressistas, este ano. Há duas semanas, o valor era de ‘apenas’ R$2,7 bilhões, metade do total atual. Emendas parlamentares individuais representam R$4,1 bilhões, enquanto as emendas de bancada custaram R$1,2 bilhão aos pagadores de impostos. As informações são da Transparência do Tesouro Nacional. As informações são do jornalista Cláudio Humberto, colunista do Diário do Poder.

Maio é o mês com o maior número de emendas pagas pelo governo Lula, em 2026, aponta o Tesouro Nacional: R$2,6 bilhões. Já o Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União revela que já foram pagas R$11,34 bilhões em emendas parlamentares, este ano. O Portal da Transparência também aponta que o governo reservou R$28,3 bilhões para pagar emendas, em 2026.

Diário do Poder

Quem roubou o futuro do País do Futuro?

                                                                                                             * David Gertner

Poucos países foram tão definidos por um tempo verbal quanto o Brasil. Durante décadas, os brasileiros aprenderam a viver emocionalmente no futuro. O país era apresentado como a grande potência adormecida, o gigante prestes a despertar, a nação inevitavelmente destinada à grandeza. Havia sempre a sensação de que algo extraordinário estava prestes a acontecer — no próximo ciclo econômico, na próxima reforma, no próximo governo, na próxima descoberta, na próxima década.

O problema é que o futuro tinha o hábito inconveniente de continuar no futuro.

E talvez exista algo profundamente melancólico nisso.

Gerações inteiras cresceram ouvindo que viveriam no país que finalmente daria certo. Muitas envelheceram esperando.

Porque poucas nações conviveram tão intensamente com a sensação de potencial quanto o Brasil. Um país continental, rico em recursos naturais, diversidade cultural, capacidade agrícola, energia, água e talento humano. Uma sociedade que, apesar de crises recorrentes, preservou vitalidade democrática, criatividade econômica e extraordinária capacidade de adaptação.

Ainda assim, permanece a sensação de um país permanentemente interrompido.

O Brasil às vezes parece uma obra permanentemente cercada de andaimes — sempre prestes a ficar pronta, sempre anunciando a próxima etapa.

Não porque nada tenha avançado. Avançou. Milhões saíram da pobreza nas últimas décadas. Setores inteiros da economia se modernizaram. O país tornou-se referência mundial em áreas como agricultura tropical, sistemas bancários digitais e aviação regional. Expandiu universidades, produziu ciência de qualidade, criou empresas competitivas e fortaleceu instituições em momentos importantes de sua história recente.

Mas o avanço raramente pareceu contínuo.

O Brasil frequentemente cresce em espasmos.

Constrói, desorganiza, recomeça.
Avança, tropeça, promete novamente.
E vive preso à estranha sensação de estar sempre “quase chegando”.

Talvez porque nenhum país construa um grande futuro apenas com potencial.

Potencial é uma palavra perigosa. Ela conforta. Permite adiar cobranças reais porque sempre sugere que a grandeza continua disponível logo adiante.

Mas futuro exige mais do que promessa.

Exige continuidade. Exige investimento persistente em educação, infraestrutura, produtividade e capacidade de longo prazo. Exige segurança jurídica, responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e a capacidade de pensar além do próximo ciclo eleitoral.

Sobretudo, exige confiança.

E confiança talvez seja uma das coisas mais difíceis de construir em sociedades acostumadas à improvisação.

O problema não é apenas corrupção — embora ela tenha corroído recursos, credibilidade e oportunidades durante décadas. O problema não é apenas impunidade — embora ela alimente a sensação corrosiva de que regras existem de maneira desigual. O problema também está na dificuldade histórica de transformar projetos de país em políticas de Estado capazes de sobreviver a governos, crises e polarizações.

Países que constroem futuros duradouros geralmente acumulam décadas de continuidade institucional, investimento persistente e pactos mínimos sobre prioridades nacionais.

O Brasil frequentemente troca continuidade por recomeço.

E talvez seja exatamente aí que o futuro começa a se perder.

Não de forma dramática ou instantânea.

Mas lentamente.

Na escola pública abandonada.
Na infraestrutura que nunca chega completamente.
Na burocracia que paralisa.
Na violência que limita vidas.
Na desigualdade que desperdiça talentos.
Na fuga silenciosa de cérebros.
Na incapacidade recorrente de planejar além da urgência imediata.

O futuro de um país raramente desaparece de uma vez.

Ele se desgasta aos poucos.

Mesmo assim, talvez a pergunta mais importante não seja “quem roubou o futuro do País do Futuro?”, mas se o país ainda é capaz de reconstruir uma ideia de futuro que dependa menos de slogans e mais de continuidade.

Porque o verdadeiro desenvolvimento não acontece quando uma nação acredita que está destinada à grandeza.

Acontece quando ela decide, pacientemente, construí-la.

Futuros não acontecem.

São construídos.

*David Gertner, Ph.D., é escritor e ensaísta brasileiro radicado nos Estados Unidos. Doutor pela Northwestern University,