‘PGR’ da Itália quer anular de vez pedido do STF para extraditar Zambelli

Subprocurador-geral italiano quer que Supremo da Itália impeça o Brasil de renovar pedido por extradição de ex-deputada. O subprocurador-geral do órgão equivalente à Procuradoria-Geral da República (PGR) da Itália, Fabio Picuti pediu que a anulação definitiva do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) seja confirmada pela Suprema Corte de Cassação de Roma. A proposta do integrante do Ministério Público italiano foi feita em audiência nesta quarta-feira (1º). Segundo o UOL Notícias, Picuti propôs que a Justiça da Itália impeça o Brasil de reenviar o pedido para que a ex-deputada federal seja enviada ao Brasil para cumprir penas por condenações em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), consideradas nulas pela Itália.

A Corte italiana pode proclamar sua decisão final ainda hoje, e a aceitação da proposta de Picuti reforçaria o argumento da defesa da ex-deputada, que denuncia suposta influência irregular do ministro do STF Alexandre de Moraes em sua condenação. Para a assessoria jurídica de Zambelli, mesmo sem ser relator, Moraes teria “contaminado” o julgamento por 11 ministros do STF, no caso que a condenou por porte ilegal de arma de fogo, no episódio em que a parlamentar perseguiu e ameaçou um militante de esquerda em São Paulo. O caso é relatado pelo ministro Gilmar Mendes.

A tese de Zambelli foi contestada pelo representante da Advocacia-Geral da União (AGU), Enrico Giarda, ao pedir a extradição da ex-deputada de direita, e ressaltar que o pedido da “PGR” italiana mantém a Corte totalmente livre e não impede que decida pela extradição. Após ficar presa na Itália desde julho de 2024, a ex-deputada foi libertada na noite de 22 de maio, após a Suprema Corte de Cassação italiana negar o pedido do governo brasileiro para extraditá-la, anulando decisão de instâncias inferiores.

A defesa afirma não saber onde Zambelli passou a viver após sua libertação. E teme que, se for extraditada, a deputada sofra ilegalidades no cumprimento de penas cumulativas, no Brasil, além do regime inicialmente previsto como semiaberto.

Diário do Poder

 

Ministro Luiz Fux assumirá presidência da 2ª Turma do STF que julga a roubalheira do Master

O ministro deve trabalhar com André Mendonça (STF) nas investigações de fraudes bilionárias do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, assumirá em agosto o comando da Segunda Turma do Judiciário, a partir de agosto, após o recesso em Brasília. A cadeira atualmente é ocupada pelo ministro decano do STF, Gilmar Mendes. A decisão atende ao rodízio anual obrigatório da Corte pelos critérios de antiguidade. Com decisões e julgamentos em análise, o ministro revelou aos intermediários quais serão suas prioridades de pauta no plenário da turma. Em relatos ao jornal Estado de S. Paulo, Fux deve trabalhar em sintonia com o ministro André Mendonça nas investigações de fraudes derivadas da Operação Compliance Zero, do Banco Master.

Fux seguiu fielmente as decisões de prisão e investigações de Mendonça contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Contudo, os últimos atos na turma tiveram um tom de divergências quanto à manutenção de prisões de familiares de Vorcaro no caso. Recentemente, a Corte julgava as prisões do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, acusados de fazer parte do esquema fraudulento contra o sistema financeiro. Gilmar Mendes divergiu do voto do relator e votou não pela manutenção da prisão preventiva. Os demais ministros (Nunes Marques, Fux e Mendonça) votaram a favor de manter a prisão.

Outro ministro da Corte, Dias Toffoli, declarou-se impedido de ações contra o caso Master e, por isso, não pode declarar seus votos.

Em uma recente entrevista ao programa Roda Viva, Gilmar deferiu críticas a Mendonça sobre sua condução do caso. Segundo ele, as prisões preventivas seriam uma espécie de cárcere para forçar delações. O ministro relator rebateu veementemente as falas, afirmando que “não prende em troca de delação”.

O caso segue com divergências dos magistrados.

Luiz Fux migrou para a Segunda Turma do STF em outubro de 2025, após sua participação na Primeira Turma, onde julgava a condenação pela suposta tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro. Divergindo do relator, Alexandre de Moraes, ele foi o único que votou pela absolvição de Bolsonaro. A vaga também teria de ser preenchida após a saída de Luís Roberto Barroso. O regimento interno do STF proíbe a reeleição imediata para a chefia da Turma e exige que todos os cinco integrantes exerçam o mandato de um ano antes de o ciclo recomeçar.

Diário do Poder

 

Ligação do PT ao PCC foi denunciada por Marcos Valério, operador do Mensalão

A oposição sempre denuncia as relações do PT de Lula com o PCC para explicar as omissões do governo no combate ao crime organizado, mas a primeira acusação não é recente. O operador do mensalão Marcos Valério, das entranhas do petismo, contou à PF ter ouvido do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira que o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel foi morto em 2002 após seu dossiê sobre financiamento eleitoral ilegal petista via bingos e empresas de ônibus ligados ao PCC.

Senival, a missão

A prisão semana passada do vereador Senival Moura (PT), suspeito de submissão ao PCC desde 2014, pode indicar que a ligação se manteve.

Ligação cabulosa

Em 2019, áudios de presos do PCC mencionaram “diálogo cabuloso” dos integrantes da organização criminosa com governos do PT.

Companheirada protegida

Em 2006, nos ataques do PCC em SP, presos grampeados indicaram em conversas telefônicas que não atacariam alvos do PT.

Sob controle do PCC

Dirigentes do PT já foram acusados de ligação a perueiros e empresas controladas pelo PCC para lavagem de dinheiro e contratos públicos.

Coluna do Claudio Humberto

 

Pesquisa do MEC: 55% dos diretores registram queda em agressões nas escolas após veto ao celular

Mais da metade dos diretores de escolas diz ter notado diminuição em casos de agressão física dentro das unidades de ensino após a implementação da lei que proíbe celulares na sala de aula. Pesquisa divulgada hoje pelo MEC (Ministério da Educação) mostra que 55% dos gestores notou redução nos conflitos físicos. Também houve melhoria, como esperado, nas agressões digitais: 88% dizem que a medida contribuiu para a redução do cyberbullying. “Se diminui aquilo [agressões físicas] naquele momento da escola é porque as coisas são muito imediatas”, explicou a secretária de Educação Básica, Katia Schweickardt. Ela exemplifica: “[O aluno] ficar passando [mensagem por celular] num grupinho rapidamente, aquele cara já recebia uma mensagem com raiva, já ia dar um soco no outro. Claro que fora da escola continua acontecendo, mas o tempo de resposta já diminuiu, eu já controlei. Então, a gente percebe que isso tá sendo bacana.”

Sancionada em junho do ano passado, a Lei nº 15.100 faz um ano nesta semana. Por incentivo do governo, ela veta o uso não didático do celular em sala de aula em escolas públicas e particulares do ensino básico para melhorar a concentração e convivência entre os estudantes. “Eu acho que a principal conquista é a gente ter melhorado a socialização nas escolas”, diz Schweickardt. Segundo a pesquisa, 95% dos diretores afirmam que a restrição estimulou a socialização presencial entre os estudantes. Foram ouvidos gestores de 8.189 escolas particulares e públicas de todos os estados selecionadas por sorteio.

Mais de 90% das escolas do país adotaram a medida, segundo o MEC

“Diferentemente de outras leis que são natimortas, essa é uma lei viva, porque ela já está sendo internalizada. Isso é uma coisa bastante importante. Muita lei no Brasil não pega. Se ela pegou, é porque havia um ambiente na sociedade preocupado com esse uso nocivo”, afirmou a secretária. A secretária diz ser mais difícil avaliar a medida de uma maneira mais direta. “O desempenho, resultado é sempre multicausal. Então, por mais que a gente tenha essa angústia para dizer ‘ele melhorou a nota por causa disso’, tem muita coisa, como o ambiente escolar [melhorar], a escola ser mais acolhedora, o professor bem formado, como ele come, a disciplina, tudo isso impacta na aprendizagem. Eu estou convencida —e aí sim as pesquisas dizem isso— de que [o veto] ajuda o ambiente escolar.”

Schweickardt fala em “reumanização do papel da escola

 “Indiretamente, a gente sabe que, se a escola é um lugar mais atrativo, ela tem um reflexo na aprendizagem. Para nós, educadores, é certo que a aprendizagem melhora na atividade colaborativa, na cooperação uns com os outros.” A maioria dos gestores diz observar os efeitos positivos da medida. Segundo a pesquisa, 97% deles dizem perceber a contribuição da lei no aumento da participação dos alunos nas atividades pedagógicas. 71% dos entrevistados dizem não acreditar que a restrição limita o desenvolvimento de habilidades digitais. A medida restringe aparelhos pessoais, não os da escola e/ou autorizados pelos professores. A maioria dos gestores relata que houve ampliação das atividades pedagógicas com tecnologias após a implementação da lei.

UOL NOTÍCIAS

 

Fraude do banco Digimais coloca a Record em risco econômico e de reputação

O que pode acontecer com a Record caso o banco Digimais seja liquidado pelo Banco Central? A quebra do banco controlado pelo bispo Edir Macedo arrastaria para uma profunda crise a segunda maior rede de TV do país? O Notícias da TV fez essas perguntas para advogados especializados em direito empresarial e tributário e a resposta foi: sim, a Record corre riscos, mas não tão “apocalípticos” como se teme nos bastidores da emissora. Por enquanto, de acordo com Pedro Lunardelli, um dos advogados mais respeitados na área tributária no Brasil, a Record corre risco apenas “reputacional e econômico”; ou seja, pode sofrer perdas a depender de como os mercados financeiro e publicitário vão reagir ao vínculo de uma rede de TV com um banco acusado de fraudes.

Na semana passada, o Digimais foi alvo de uma operação da Polícia Federal que resultou na busca e na apreensão de documentos, na quebra de sigilo fiscal e bancário de diretores e no bloqueio judicial de até R$ 670 milhões em bens e dinheiro. O Digimais, de propriedade do bispo Edir Macedo (líder da Igreja Universal), é suspeito de manipular balanços contábeis para ocultar sua real situação financeira e forjar uma falsa aparência de solidez, emitindo títulos sem lastro, em operações semelhantes às do Banco Master (veja mais detalhes abaixo).

Segundo reportagem da revista Piauí, o Digimais acumula um patrimônio líquido negativo de cerca de R$ 8,5 bilhões e opera no vermelho há pelo menos quatro anos. Sem perspectiva de salvar seu banco, Edir Macedo vem tentando vendê-lo. No ano passado, negociou com o investidor Maurício Quadrado (ex-sócio do Master), mas o Banco Central vetou a venda. Em abril, o Digimais assinou um acordo de venda com o BTG Pactual, mas depende da viabilização de empréstimos bilionários junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se não for comprado ou salvo pelo FGC, o Digimais será liquidado. No mercado, uma decisão sobre a salvação ou a liquidação do banco é aguardada para esta semana.

Record pode ser arrastada para crise?

Embora pertença ao mesmo dono e grupo do Digimais, a Record não seria afetada diretamente por uma eventual quebra do banco –pelo menos inicialmente. Segundo especialistas, ela não pode ter parte de suas receitas bloqueadas pela Justiça para honrar dívidas do Digimais. “Uma eventual intervenção ou liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central não produz, por si só, efeitos automáticos sobre o patrimônio da Record, ainda que ambas integrem um mesmo grupo econômico ou possuam controlador comum”, diz o advogado Leonardo Canuto, mestre em direito penal empresarial pela Universidade Carlos 3º de Madrid e professor de direito empresarial. Ele complementa:

No Direito brasileiro, vigora o princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas. Assim, a liquidação de uma instituição financeira alcança, em regra, o patrimônio da própria instituição submetida ao regime especial, e não o patrimônio de outras empresas do grupo.

A análise dos balanços da Record e do Digimais e de registros na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) mostra que não há um vínculo societário direto entre as empresas, apenas indireto. Explica Pedro Lunardelli:

O banco é controlado pela Digimais Participações S.A., que, por sua vez é controlada pela B.A. Empreendimentos e Participações, descrita como holding de participação do Grupo Record. Além disso, a ficha da Jucesp da Rádio e Televisão Record S.A. indica que, em 2020, a Record foi autorizada a aumentar sua participação na B.A. Empreendimentos e Participações, com aporte de R$ 32 milhões.

Em outras palavras, apesar de pertencer ao mesmo dono e grupo do Digimais, a Record não pode ser operacionalmente afetada pela eventual quebra do banco. “Não existe responsabilidade direta, são duas pessoas jurídicas distintas”, reforça Rodrigo Camperlingo, especialista em direito tributário.

O quadro muda completamente caso as investigações da Polícia Federal revelem envolvimento da Record nas fraudes do banco. Mas, até o momento, não há nenhuma evidência de que a emissora tenha participação nas operações supostamente fraudulentas do banco de seu grupo econômico. Ela sequer é investigada pela Polícia Federal.

“Do ponto de vista jurídico, é importante separar duas situações. A primeira é a existência de vínculo societário indireto e integração econômica dentro do grupo, o que parece estar documentado. A segunda é a eventual responsabilidade direta da Record pelos fatos investigados na operação da Polícia Federal contra o Banco Digimais. Esta segunda conclusão exige prova específica”, afirma Lunardelli. Rodrigo Camperlingo chama a atenção para os registros de aportes feitos pela Record na holding B.A. Investimentos, como mostram documentos da Junta Comercial de São Paulo. Recentemente, a controladora Digimais Participações realizou um aporte de R$ 2 bilhões no banco, conforme noticiou a Folha de São Paulo. Diz Camperlingo:

O crime supostamente cometido pelo Digimais é o mesmo do Master, o mesmo modus operandi, ou seja, a superavaliação de ativos e a emissão de CDBs (Certificados de Depósito Bancário sem lastros. A Record só pode ser responsabilizada se ficar comprovado que ela se beneficiava ou colaborava de alguma maneira para maquiar os balanços do Digimais, seja por aportes financeiros ou de qualquer outra maneira.

Para Leonardo Canuto, a participação societária da Record na holding controladora do banco Digimais pode gerar impactos econômicos e contábeis, “como perda do valor do investimento ou necessidade de reconhecimento de ‘impairment’ [desvalorização], mas isso é diferente de afirmar que suas receitas seriam ‘confiscadas’ ou que a emissora responderia automaticamente pelas obrigações do banco.” “Para que ativos da Record fossem atingidos, seria necessário demonstrar fundamentos jurídicos específicos, como fraude, confusão patrimonial, desvio de finalidade, abuso da personalidade jurídica ou outras hipóteses excepcionais que autorizassem a desconsideração da personalidade jurídica ou responsabilização patrimonial, o que exige decisão fundamentada e análise do caso concreto”, conclui Canuto.

Entenda a crise no Banco Digimais

Controlado 100% por Edir Macedo desde 2020, o Banco Digimais (ex-Renner) está sob suspeita das seguintes irregularidades, de acordo com investigações e reportagem da revista Piauí:

  • Rombo bilionário: O Digimais acumula um patrimônio líquido negativo estimado pelo mercado em cerca de R$ 8,5 bilhões.
  • Fraude contra o Fundo EXP1: Em fevereiro de 2025, o fundo EXP1 comprou carteiras de crédito consignado do Digimais por R$ 650 milhões. Uma auditoria internacional posterior revelou que 22 mil dos 55 mil contratos (avaliados em R$ 500 milhões) eram falsos e sem lastro. Descobriu-se que esses créditos fantasmas eram compostos por ativos podres oriundos do Banco Master e da gestora Reag.
  • Maquiagem de balanços e troca de auditores: Para ocultar o colapso, o Digimais trocou de auditoria três vezes a partir de 2024, apagando sistematicamente todas as ressalvas financeiras feitas pelos auditores anteriores.
  • Superfaturamento de ativos podres: O balanço do banco foi inflado artificialmente. Entre as irregularidades encontradas, destacam-se:
    • Títulos antigos da mineradora Vale, datados de 1920, precificados em R$ 650 milhões, mas que não valem nada.
    • Terrenos em Pernambuco avaliados em R$ 150 milhões, cujo valor real é inferior a R$ 10 milhões.
    • Uma carteira antiga de veículos vencidos reavaliada ficticiamente em R$ 3,5 bilhões.

Outro lado: o que diz Edir Macedo?

Em nota na semana passada, o Banco Digimais afirmou que está colaborando com as investigações. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, disse.

A Igreja Universal, por sua vez, emitiu nota isentando Edir Macedo de envolvimento nas supostas fraudes do banco. Eis o comunicado:

“Em relação às investigações envolvendo o nome do Banco Digimais, informamos que o bispo Edir Macedo não integra a administração executiva nem participa da gestão operacional, financeira ou contábil da instituição.”

“A condução das atividades é de responsabilidade exclusiva dos executivos e profissionais legalmente habilitados para responder perante os órgãos reguladores. Reiteramos nossa plena confiança na lisura das apurações conduzidas pelas autoridades competentes. Os advogados acompanham o processo de perto para garantir a rápida elucidação da verdade.”

Fonte: MSN

Corrupção institucionalizada e legalizada: A impunidade virou garantia constitucional

*Por Luiz Holanda

A impunidade da corrupção nada mais é do que a proteção dada pelos nossos tribunais às elites que usam o poder para escapar das leis. Não é de agora; vem desde a antiguidade. No Brasil reflete nossa herança colonial e escravocrata, onde o sistema jurídico tratava desigualmente a população marginalizada, sem qualquer direito ou privilégio. Filósofos como Cícero já apontavam a “esperança de impunidade” como o maior estímulo para a prática de delitos. Naquela época, a justiça era aplicada de acordo com a classe social e com o status do indivíduo perante o Estado. No tempo do absolutismo a nobreza jamais era punida pelos crimes cometidos. No Brasil Colônia e Império a displicência predominava na aplicação das penas. O “perdão” era dado abertamente aos políticos que cometessem crimes, além da complacência para as fugas dos criminosos. A manutenção da Coroa dependia dos ricos, pois a monarquia não tinha como sobreviver sozinha. Daí a complacência com o crime. Durante a escravidão, a violência e o abuso cometidos contra os escravos e vulneráveis raramente resultavam em punição. Essa dinâmica gerou raízes na nossa cultura política, criando a percepção de que os poderosos podiam cometer crimes sem o risco da responsabilização. A persistência da impunidade sempre foi associada a fatores institucionais e estruturais.

No nosso Judiciário, o foco predominante são os crimes patrimoniais e de menor potencial ofensivo, resultando em superencarceramento da população pobre. Já as elites, pela demora na apreciação e na decisão dos seus crimes, sabem como utilizar os inúmeros recursos processuais para dilatar ao máximo qualquer decisão que possa prejudicá-la. A expressão “impunidade garantida pelo STF” reflete a crítica popular de que os crimes dos poderosos jamais serão punidos, garantidos que são pelo que ficou conhecido como princípio constitucional da impunidade devido às decisões dos nossos tribunais, em especial o STF. Para o povo, o que predomina nos julgamentos dos ricos são a morosidade, a anulação das condenações, mudanças na legislação, o foro privilegiado e a blindagem política ou corporativa, impulsionadas por decisões específicas tomadas pela Corte ao longo dos anos. Não é sem razão, pois, o sentimento popular de que a impunidade, atualmente, é uma garantia constitucional.

As principais controvérsias que alimentam esse sentimento -além do foro privilegiado por prerrogativa de função-, são a morosidade nos julgamentos e o foro especial, cuja decisão do STF mantém a competência do mesmo órgão para julgar autoridades mesmo depois de deixar o cargo. Críticos apontam que isso facilita a impunidade, já que a mudança do cargo faz o processo “subir” de instância novamente, zerando prazos ou mudando o juiz natural. O Supremo reconheceu a constitucionalidade das mudanças feitas pelo Congresso Nacional na Lei de Improbidade Administrativa, estabelecendo que os crimes de improbidade só ocorrem na forma dolosa (quando há real intenção de cometer o delito), além de limitar a perda do cargo público apenas ao cargo específico em que a infração foi cometida. Ministros da própria Corte criticaram essas mudanças, afirmando que elas criaram “causas de impunidade” para agentes políticos, mas terminaram aceitando-as.

O STF também firmou o entendimento de que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, quando todos os recursos possíveis se esgotarem. Esse entendimento é definido como uma garantia constitucional da presunção de inocência, alvo de repúdio por parte de movimentos anticorrupção, pois isso permite que os criminosos de colarinho branco fiquem em liberdade indefinidamente, recorrendo de qualquer decisão até a prescrição do feito. O STF se defende argumentando que suas decisões visam seguir rigorosamente a Constituição Federal e garantir o devido processo legal, evitando que prisões cautelares funcionem como antecipação de pena. Enquanto isso, a corrupção no Brasil é estruturada, garantida e institucionalizada. Mesmo possuindo um efeito devastador sobre a organização dos países, a corrupção institucionalizada aumenta os índices de injustiça social. Países desenvolvidos assumem o compromisso supremo de combater incessantemente a corrupção e de criminalizar uma série de condutas referentes ao fenômeno, com o objetivo de melhorar o meio social através de uma série de medidas que passaram a observar. Já no Brasil, os bandidos de colarinho branco dispõem de uma ampla margem de manobras capazes de retardar – e muitas vezes de afastar – a aplicação da lei penal. Realmente, enquanto nossa justiça falhar em responsabilizar os que operam à margem da lei, continuaremos refém de uma corrupção institucionalizada, legalizada e constitucional.

*Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Eleições 2026: governabilidade e luta popular

                  Em um contexto do vale-tudo pela governabilidade, que fortalece a corrupção, as eleições não substituem as lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta. As eleições deste ano no Brasil acontecem num contexto de guerras, ameaças e invasão de países, tarifaços, domínio do capital financeiro e da opinião pública via algoritmos de inteligência artificial, bolsonarismo renitente, democracia em baixa, crise climática. Além desses, temos problemas históricos que o modelo político-econômico insiste em não resolver, como a questão agrária.         Vastas extensões de terra, inclusive de povos originários e comunidades tradicionais, continuam em mãos do agronegócio, da mineração e de empresas de energia. Quase nenhum avanço na demarcação e homologação destas terras. Comunidades quilombolas e outras tradicionais de grande diversidade continuam em luta por seus territórios. 

                 Dados reveladores da CPT: os anos de maior número de conflitos no campo, desde 1985, foram 2023, com 2.250 ocorrências, e 2024, com 2.185 – os dois primeiros anos do atual governo Lula! Famílias camponesas, produtoras de alimentos saudáveis e sustentáveis, seguem relegadas. Recentes entregas de assentamentos não escondem apelos eleitorais.

                  Nas cúpulas, justificam-se acordos entre opostos aparentes, ingrediente principal nesse caldo político-eleitoral. Alianças impensáveis nos tempos pós-ditadura atualmente são tidas como necessárias, em nome da governabilidade, o que revela também uma profunda crise da esquerda, que vem perdendo discurso, atitude e votos, dependente de Lula, refém do medo da volta da extrema direita. O vale-tudo pela governabilidade fortalece a corrupção – via “emendas parlamentares”, “orçamento secreto” etc. – e retira a possibilidade das transformações estruturais outrora almejadas.

                  Sob o controle do “Centrão” no Congresso, será impossível avançar. Nas eleições já não há disputa real de projetos antagônicos. Basta ver quem são os candidatos à vice-presidência da esquerda eleitoral, sempre da centro-direita. Os partidos seguem as pesquisas, os marqueteiros dizem a última palavra. As redes sociais e seus algoritmos influenciam o resultado das eleições. Reivindicações populares são esquecidas, maltratadas ou arquivadas.

                                             Construirão casas e nelas habitarão

                 A participação popular é que fortalece a democracia. A eleição é parte, não o todo. Nossos critérios para votar devem ser a defesa da verdadeira democracia, os compromissos comprovados dos candidatos com nossos direitos e nossas lutas concretas por inclusão e justiça social – outro modelo de sociedade.

As eleições não substituem as nossas lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta. Essas lutas continuam, independentemente do resultado eleitoral.

               As próximas eleições (2026 e 2030) serão decisivas. Em 2026, uma aliança do atual governo com a direita aparece como favorita ante a extrema direita; em 2030, Lula não disputará. A premissa é não votar em quem promove violência contra os empobrecidos e insistir nos programas que busquem fortalecer a participação popular e os bens comuns, essenciais à vida. 

 Fonte: CPT MACIONAL

 

Lula e o PT quebram o Brasil: Dívida rompe a barreira dos R$ 9 trilhões e bate novo recorde

Estoque da dívida federal cresceu 2,66% em maio, impulsionado por novas emissões de títulos e pela incorporação de juros, segundo o Tesouro Nacional. A Dívida Pública Federal ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões. De acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública divulgado pelo Tesouro Nacional, o estoque passou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões em maio, representando um crescimento de 2,66% em apenas um mês. O avanço foi resultado principalmente da emissão líquida de títulos públicos e da incorporação dos juros ao estoque da dívida. Em maio, o governo emitiu mais títulos do que resgatou, elevando o montante em circulação e contribuindo para o novo recorde.

A parcela interna da dívida, composta por títulos negociados no mercado doméstico, subiu 2,72% e alcançou R$ 8,692 trilhões. Já a dívida externa avançou 1,28%, chegando a R$ 340,49 bilhões, influenciada também pela valorização do dólar no período. Entre as emissões realizadas em maio, predominam os títulos indexados à taxa Selic, que passaram a representar 48,99% do estoque da dívida. Os papéis corrigidos pela inflação responderam por 26,26%, enquanto os títulos prefixados corresponderam a 21%. Os títulos vinculados ao câmbio ficaram com participação de 3,75%.

Durante o mês, o Tesouro Nacional emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, o maior volume para um mês desde o início da série histórica. No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, resultando em emissão líquida superior a R$135 bilhões. O relatório também mostra que a reserva de liquidez, conhecida como “colchão da dívida”, aumentou para R$ 1,211 trilhão, maior nível desde novembro de 2025. Segundo o Tesouro, o montante é suficiente para cobrir cerca de 9,14 meses de vencimentos da dívida pública federal. Apesar do novo recorde, o Tesouro informou que o estoque da dívida permanece dentro da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento para 2026, que estima um encerramento entre R$ 9,7 trilhões e R$10,3 trilhões.

Diário do Poder

 

Direita venceu mais uma no continente: Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru

Com 100% dos votos apurados, candidata aguarda proclamação oficial do resultado. Em uma vitória que fortalece a direita peruana e da América Latina, Keiko Fujimori superou seu adversário no segundo turno e se consolida como a virtual presidente eleita do Peru, com 100% das urnas apuradas, segundo a ONPE. De acordo com a apuração oficial, Keiko recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% do total. Seu adversário, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, obteve 9.137.755 votos, ou 49,865%. Com a vitória de Fujimori, o Peru terá seu nono presidente em aproximadamente uma década, evidenciando a profunda instabilidade política que marcou o país nos últimos anos.

Apesar da conclusão da apuração, o resultado ainda precisa ser formalmente proclamado pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país. A oficialização depende da conclusão dos trâmites conduzidos pelos Jurados Especiais Eleitorais (JEE) em algumas regiões e deve ocorrer até a próxima sexta-feira (3).

A votação foi realizada no dia 7 de junho e mobilizou o eleitorado em uma das disputas mais equilibradas da história recente do Peru. A pequena margem entre os candidatos refletiu a divisão política do país ao longo da campanha. Mesmo antes da proclamação oficial, Roberto Sánchez indicou que não pretende reconhecer o resultado divulgado pela ONPE. Na semana passada, o candidato de esquerda afirmou que contestaria o desfecho da eleição e convocou manifestações de seus apoiadores.

Diário do Poder

 

A era dos cartões fáceis acabou: Bancos elevam anuidade em até 185% e limitam acesso a salas VIP

Depois de uma sequência de lançamentos de cartões de crédito voltados para a alta renda, grandes bancos começaram a apertar as regras para ps clientes, seja com aumento da anuidade dos produtos ou com restrições para o acesso a salas VIP em aeroportos. Especialistas do setor apontam que as mudanças não são um movimento pontual e devem se estender nos próximos meses. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP, afirma que, nos últimos anos, o Brasil passou por uma “festa de emissão de cartões premium”, com bancos criando promoções agressivas para atrair clientes. “O resultado foi que as salas VIP’s viraram praças de alimentação superlotadas, com filas e reclamações, o que tirou totalmente o atendimento exclusivo dado ao cartão”, diz.

Além disso, a volatilidade do dólar elevou os custos para manter a oferta das salas VIP, já que esses espaços têm despesas atreladas à moeda americana. Com um número cada vez maior de clientes utilizando os lounges, a conta começou a não fechar para as instituições financeiras.

 

Na onda de revisão de benefícios, o Santander passou a adotar uma nova regra de gastos para o acesso a salas VIP pelos cartões Unique, Unlimited, AAdvantage Black e Smiles Infinite. As novas exigências são:

  • Unique: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses;
  • Unlimited: gastos acumulados de R$ 30 mil nos últimos três meses;
  • AAdvantage Black: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses. As condições se aplicam aos acessos às salas VIP parceiras do programa LoungeKey;
  • Smiles Infinite: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses. A nova regra não se aplica às salas VIP proprietárias da Gol.

Para acessar as salas VIP em julho, o cliente já precisará ter atingido a média com a soma de maio, junho e julho. Em nota, o banco afirmou que a mudança tem como objetivo “preservar a qualidade da experiência oferecida aos clientes e garantir a sustentabilidade do benefício no longo prazo”. O Bradesco foi outro que revisou benefícios. Desde março, o banco limitou o acesso a salas VIP do cartão Aeternum ao programa Visa Airport Companion, deixando de oferecer acessos a lounges por meio do LoungeKey. A instituição não explicou o motivo da alteração, mas disse em nota que os clientes seguem contando com acesso ilimitado aos Bradesco Lounges, que têm 20 espaços em aeroportos do Brasil.

Fonte: MSN