“Escudo das Américas” com 14 países anuncia ação conjunta contra o Narcotráfico e Lula deixa o Brasil de fora

Sob o comando de Donald Trump, 14 países latino-americanos e caribenhos que integram o Escudo das Américas anunciaram, nesta terça-feira (22), uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas. A lista inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Fizeram o anúncio os seguintes países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O documento prevê medidas como congelamento de bens, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações. O texto também registra a intenção dos países de atuar de forma individual e coletiva contra as organizações listadas.

O PCC e o CV aparecem, respectivamente, nos itens 16 e 17 da lista de 24 organizações incluídas na primeira ação conjunta anunciada pelos integrantes do Escudo das Américas. A relação também inclui grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clã do Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN) e Sendero Luminoso. Os Estados Unidos darão apoio às nações que atuarem contra os grupos.

“Durante anos, os cartéis travaram uma guerra contra os povos deste hemisfério. Agora, nós estamos travando uma guerra contra eles”, declarou Trump.

Jornal da Cidade Online

Ministro Cristiano Zanin rejeita pedido para instalar CPI do Master no Senado

Ministro afirmou que não foram apresentados elementos suficientes para comprovar uma omissão ilegal na condução dos requerimentos. A tentativa de levar o Banco Master ao centro de uma investigação formal no Senado sofreu um revés no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para que a Corte determinasse a instalação de uma CPI sobre o caso. A decisão é liminar portanto provisória. Para Zanin, não havia elementos suficientes para concluir que o presidente do Senado tenha cometido uma omissão capaz de justificar uma ordem judicial para a criação da comissão.

Na avaliação do ministro, a ação apresentada por Alessandro Vieira não detalhou de forma suficiente o caminho percorrido pelos requerimentos de CPI nem informou qual foi a atuação da Presidência do Senado diante das diferentes solicitações relacionadas ao Banco Master.Parte inferior do formulário

Outro ponto considerado por Zanin foi o reconhecimento, pelo próprio senador, de que já havia um requerimento anterior para a criação da comissão. Por isso, segundo o ministro, seria necessário esclarecer a tramitação dessas iniciativas antes de concluir pela existência de uma omissão ilegal.

A decisão ocorre em meio à disputa política em torno das investigações sobre o banco de Daniel Vorcaro. A criação de uma CPI ou de uma CPMI se tornou um dos instrumentos utilizados por governistas e oposicionistas para pressionar o Congresso a tratar do caso. O assunto ganhou ainda mais repercussão após a crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no STF. O conflito entre os ministros veio à tona depois da divulgação de pelo menos 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

Enquanto os desdobramentos no Supremo permanecem suspensos, parlamentares passaram a disputar espaço político em torno do caso. A cúpula do Congresso liderada pelo senador Davi Alcolumbre é contrária à instalação de uma comissão para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. Ao todo, existem sete iniciativas no Congresso com o objetivo de criar comissões para investigar o banco. Para a instalação de uma CPI na Câmara, são necessárias pelo menos 171 assinaturas de deputados. No Senado, o requerimento precisa ter o apoio de 27 senadores. No caso de uma CPMI, é necessário atingir os dois quóruns simultaneamente: 171 deputados e 27 senadores.

O Antagonista

 

Pesquisa do Estadão, diz que a confiança da população no STF, que não era boa, agora atingiu 27,8%

Um levantamento realizado pela AtlasIntel/Estadão divulgado nesta terça (22), aponta uma queda brusca na confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF). O índice, que era de 48,5% em agosto do ano passado, caiu para 27,8%. Já a desconfiança passou de 51,3% para 61%.

Noutras palavras, a sociedade não confia em sua Suprema Corte. A pesquisa mostra ainda que os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes têm os maiores índices de rejeição entre os integrantes da Corte. Os percentuais são de 79%, 63%, 54%, 59% e 59%, respectivamente.

Isso é preocupante e inimaginável em uma verdadeira democracia. Parece que realmente estamos mesmo vivenciando a ‘ditadura da toga’.

Jornal da Cidade Online

Lobista sócia de Lulinha investigada fez a FAB de Uber, cita ‘avião do Lula’ e acesso ao Planalto

Roberta Luchsinger mencionou viagens com Lulinha e afirmou estar em uma sala do Palácio. Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram a lobista Roberta Luchsinger relatando viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), além de acesso a dependências do Palácio do Planalto. Em áudio enviado em novembro de 2023 a uma assessora do governo da Bahia, Roberta afirmou que estaria com “o filho do presidente” e que os dois viajariam pela FAB. Segundo ela, a utilização da aeronave dificultaria a definição dos horários de embarque.

“Paula. Então, eu acho que se a gente conseguir falar durante o evento, talvez em algum intervalo, é mais fácil, porque eu vou estar com o filho do presidente. Então a gente vai estar… vai ser um pouco diferente, porque nós vamos de FAB. E aí eu não consigo administrar esses horários de voo, porque a gente embarca pela base aérea”, afirmou.

Meses antes, em março de 2023, Roberta havia escrito à própria mãe: “Fomos de aero lula pra Brasília rsrs”. Questionada se seria o avião do presidente, respondeu: “Avião do Lula kkkkk”.

Acesso ao Planalto

Outro registro chama atenção pela referência ao Palácio do Planalto. Em 11 de junho de 2025, Roberta escreveu a uma advogada que estava no local e afirmou estar “na sala do pai do Fábio”, em referência a Lula. “Tô no palácio não consigo escrever mto pq to na sala do pai do Fábio”, escreveu. As mensagens integram o material obtido pela PF e foram revelados pelo Metrópoles.

Investigação

Roberta é investigada na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, a consultoria da empresária prestou serviços para uma empresa associada a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Ela teria recebido R$ 1,5 milhão pelo serviço, de acordo com a investigação. Os investigadores também apuram se Roberta atuou como intermediária em possíveis pagamentos ou negócios envolvendo Lulinha.

O filho de Lula é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a empresas que buscavam acesso e negócios junto ao governo federal. Lulinha nega irregularidades.

O Antagonista

Ministro Zanin será relator de pedido para instalar CPI sobre Moraes e Toffoli, diz o senador Alessandro Vieira

Mandado de segurança pede que STF determine a instalação da comissão no Senado para apurar relação dos ministros com Vorcaro. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta terça-feira, 22, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin foi sorteado como relator do mandado de segurança que pede a instalação de uma CPI no Senado para apurar as relações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Vieira disse ter a expectativa de que Zanin conceda a liminar.

“O mandado de segurança que exige a instalação de CPI no Senado para apurar a relação entre Vorcaro/Master e os ministros Moraes e Toffoli foi finalmente distribuído e terá como relator o ministro Zanin. A jurisprudência do STF é pacífica no sentido da instalação como direito da minoria, então a expectativa é de concessão da liminar e criação imediata da CPI. São fatos graves que precisam ser apurados com total transparência e o Senado é o espaço adequado para isso.”

CPI

O pedido de instalação da CPI foi apresentado após senadores reunirem assinaturas suficientes. Segundo Vieira, o requerimento já conta com 41 assinaturas, mas está há meses aguardando o Senado. Em março, o parlamentar havia recorrido ao STF para tentar destravar a CPI. Na ocasião, o pedido tinha 53 assinaturas e dependia da leitura pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O novo mandado de segurança, porém, tem objeto de obrigar o Senado a instalar a comissão.

O Antagonista

Justiça Federal determina que AGU comprove por qual motivo atua em favor de Janja

A determinação é da juíza Maria Cecilia de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, em decisão assinada em 17 de setembro. A Justiça Federal do Distrito Federal determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente documentos que comprovem a regularidade de sua atuação na defesa da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em uma ação popular que questiona despesas relacionadas a viagens internacionais e outros atos envolvendo sua atuação institucional. A determinação é da juíza Maria Cecilia de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, em decisão assinada em 17 de setembro. O processo foi movido pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) e pelo advogado Jeffrey Chiquini (Novo). Ambos são candidatos a deputados federais.

A magistrada não declarou irregular a representação da primeira-dama pela AGU. Em vez disso, determinou que o órgão apresente os documentos que permitam verificar se os requisitos legais para a atuação foram cumpridos.

Na contestação apresentada no processo, a AGU afirmou que sua atuação em favor de Janja estaria amparada no artigo 22 da Lei nº 9.028/1995, na Portaria AGU nº 428/2019 e no artigo 37, XVII, da Lei nº 13.327/2016. Segundo o órgão, a representação dependeria de requerimento administrativo do interessado, análise jurídica e posterior deferimento — procedimento que, segundo a própria AGU, teria sido realizado no caso.

O problema apontado pela Justiça é que o procedimento administrativo mencionado pela defesa não foi anexado aos autos. Os autores da ação contestaram a regularidade da representação justamente pela ausência dessa documentação. A juíza afirmou que não seria adequado reconhecer imediatamente uma eventual irregularidade.

Por isso, determinou que a AGU apresente o requerimento de representação judicial formulado por Janja, a manifestação ou parecer jurídico que analisou o pedido, o ato que autorizou a atuação da Advocacia da União e os demais documentos necessários para demonstrar o cumprimento das exigências legais e regulamentares.

O Antagonista

Pesquisa do Estadão aponta que maioria dos brasileiros quer impeachment de Moraes e Toffoli

Pesquisa Atlas/Estadão revela que a maior parte da população defende o impeachment dos dois ministros do STF pelas relações com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Pesquisa Atlas/Estadão aponta que 60,5% dos brasileiros defendem o impeachment imediato do ministro Dias Toffoli e 49,8% o de Alexandre de Moraes, ambos do STF, em razão do caso Banco Master. O levantamento, feito entre 17 e 21 de setembro de 2026 com 1.852 pessoas (recrutamento digital aleatório, margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança), foi realizado após a sessão tumultuada em que o plenário do Supremo debateu a abertura de investigação contra Moraes. Os percentuais acima correspondem a quem considera já existirem indícios suficientes para o afastamento imediato. Outros 31,9% (Moraes) e 26,1% (Toffoli) só aprovariam o impeachment se as apurações confirmassem envolvimento. São contrários 15,1% e 6,5%, respectivamente. Os que não souberam responder ficaram em 3,2% e 6,8%.

             O escândalo envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal, revelado pelo Estadão, descreve mensagens em que Vorcaro pede auxílio a Moraes sobre investigações do banco. Há também registros de que o ministro teria editado minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da mulher, Viviane Barci de Moraes, além de outro contrato de R$ 50 milhões pago com cotas de aeronaves. O banco ainda teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.

           Toffoli foi ligado ao caso pelo resort Tayayá, no Paraná, que pertencia formalmente a familiares dele e tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final seria Fabiano Zettel, cunhado e operador de Vorcaro. O ministro chegou a relatar processos da Operação Compliance Zero, mas deixou o caso após a revelação do vínculo econômico. O processo foi redistribuído a André Mendonça.
Em pesquisa AtlasIntel de março, 49,3% já defendiam o impeachment de Toffoli. O percentual subiu 11 pontos. A piora na avaliação ocorre mesmo com novas revelações envolvendo também filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de reuniões de Vorcaro com Mendonça e Gilmar Mendes.
O caso Master tem piorado a percepção pública sobre o STF, segundo o instituto.

Jornal da Cidade Online

André Mendonça pede a Fachin arquivamento de investigação e apuração do relatório da PF

Além do pedido de arquivamento da ação, o ministro pediu uma apuração sobre os relatórios de inteligência da PF que Moraes usou contra ele. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, rebateu as acusações do colega Alexandre de Moraes sobre uma condução seletiva do caso Master, que descobriu uma suposta aliança do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em um ofício enviado ao presidente Edson Fachin na noite desta segunda-feira (21), Mendonça pede o arquivamento da ação proposta por Moraes contra ele por abuso de autoridade. Ele também cita que Moraes seja investigado pela prática da denúncia apresentada na Corte, mediante o uso de relatórios de inteligência feitos pela Polícia Federal (PF), com índices de espionagem ilícita contra Mendonça. O caso chegou a ser citado no plenário da Corte no último dia 15, quando o então relator do caso Master afirmou haver uma espécie de “PF paralela” no caso. O ministro Luiz Fux também defendeu o argumento do colega.

Na petição, Mendonça pede que seja indeferida a elaboração de novos relatórios com a mesma finalidade de acusação. Em resposta direta a Moraes, Mendonça afirmou que não deveria ser ele a ser investigado no “interminável inquérito das fake news que se arrasta por sete anos”.

O procedimento contra Mendonça foi aberto depois que Moraes enviou à presidência do STF relatórios de inteligência da Polícia Federal apontando possíveis irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações.

Fachin determinou primeiro a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e, na sequência, concedeu cinco dias úteis para que Mendonça se pronunciasse sobre a forma, o conteúdo e a regularidade do procedimento, incluindo questões processuais.

Com a resposta, os autos retornam à presidência do Supremo. Fachin terá de definir os próximos passos, porém, em meio a um impasse ainda não resolvido pelo plenário sobre se as acusações contra Mendonça devem ser analisadas separadamente do procedimento que envolve Moraes.

Diário do Poder

 

Gilmar Mendes quer dar o golpe em Nunes Marques no TSE?

O decano do STF afirmou por meio de postagem no X, antigo Twitter, que haveria um movimento de ‘politização’ da Justiça Eleitoral. Pessoas próximas aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) viram uma espécie de segunda intenção nos recentes ataques do ministro Gilmar Mendes contra o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques. Como mostramos, durante o final de semana, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou por meio de postagem no X, antigo Twitter, que haveria um movimento de ‘politização’ da Justiça Eleitoral.

“Grave é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer”, disse Gilmar, que complementou.

“E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”.

Para aliados tanto de Nunes Marques quanto de André Mendonça, Gilmar pretende substituir um dos integrantes dessa ala para que ele possa ser o voto condutor da maioria das decisões do tribunal. Hoje, Gilmar é o primeiro ministro substituto do TSE. Na ausência de Nunes Marques, Mendoça ou de Dias Toffoli, ele passa a atuar como titular. Além de Gilmar, Flávio Dino – que fez uma dobradinha com o decano no julgamento da terça-feira da semana passada no STF – também é ministro reserva do TSE e pode ser escalado quando algum integrante titular originário do STF não possa comparecer a algum julgamento.

“Pixuleco eleitoral”

A publicação de Gilmar foi feita poucos dias depois do ministro chamar Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Mendonça foi responsável por retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne conversas envolvendo Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Gilmar Mendes criticou a decisão e afirmou que ela teria envolvido o Supremo de maneira indevida na campanha eleitoral. Mendonça respondeu que o sigilo foi retirado em decisão fundamentada e negou ter transformado o STF em “palanque”.

Em manifestação anterior, Mendonça também acusou Gilmar de tentar constrangê-lo durante o julgamento do caso Master. O relator defendeu a legitimidade das divergências entre ministros e afirmou que a retirada do sigilo ocorreu dentro de suas atribuições.

O Antagonista

 

A magistratura brasileira não pode ser reduzida ao Supremo

                                                              *Leonardo Roesler

O Brasil precisa reaprender a distinguir instituições de seus ocupantes e Poderes de seus órgãos de cúpula. A deterioração da confiança pública no Supremo Tribunal Federal não autoriza a condenação coletiva da magistratura brasileira. Confundir o comportamento político, a exposição pública ou escolhas controvertidas de integrantes do STF com o trabalho de juízes de 1º grau e desembargadores é injusto e institucionalmente perigoso. Há razões legítimas para criticar o Supremo. Quando a Corte amplia excessivamente sua presença na arena política, prolonga investigações sem horizonte claro, permite a personalização de decisões institucionais ou transmite a impressão de que seus integrantes participam do conflito que deveriam arbitrar, produz desgaste institucional. O STF também exerce a função de Corte Constitucional e julga autoridades, o que o coloca no centro das disputas mais sensíveis do país.

Essa crítica, contudo, deve ter endereço certo. O Supremo não representa toda a magistratura. Nas comarcas do interior e nas varas estaduais, federais, trabalhistas e eleitorais, atuam magistrados que decidem sobre liberdade, patrimônio, família, saúde, trabalho e sobrevivência empresarial. Muitos enfrentam acervos elevados e estruturas insuficientes, longe dos holofotes de Brasília.

Atacar genericamente os juízes em razão de atos atribuídos ao STF enfraquece quem assegura ao cidadão o acesso concreto à Justiça. A crítica democrática é indispensável, mas a intimidação, a ofensa pessoal e a tentativa de deslegitimar toda a magistratura são incompatíveis com o Estado de Direito. Respeitar o juiz não significa aceitar toda decisão. Significa impugná-la pelos instrumentos processuais adequados e reconhecer a importância da independência judicial.

Ao mesmo tempo, defender a magistratura exige discutir o sistema de escolha dos ministros do Supremo. A Constituição atribui ao presidente da República a indicação, condicionada à aprovação da maioria absoluta do Senado. O modelo concentra enorme poder em dois atores políticos e admite permanências muito longas na Corte, pois o ministro permanece no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

A legitimidade formal desse procedimento não encerra o debate sobre a qualidade republicana do modelo. A expressão constitucional “notável saber jurídico e reputação ilibada” é aberta e não assegura, por si só, experiência jurisdicional, pluralidade na seleção ou distância suficiente em relação ao poder responsável pela indicação.

O Brasil deveria estabelecer mandato único, sem recondução, com duração máxima de 15 anos para os ministros do STF. A medida preservaria a independência necessária à jurisdição constitucional e evitaria que uma escolha política projetasse seus efeitos por uma geração inteira. A Alemanha, por exemplo, adota mandato de 12 anos, sem reeleição, para os integrantes de sua Corte Constitucional.

A reforma deveria avançar também sobre outro ponto: somente magistrados de carreira, que tenham ingressado na judicatura mediante concurso público de provas e títulos, deveriam ser elegíveis ao STF. Quem recebe a responsabilidade de pronunciar a última palavra sobre a Constituição deve possuir experiência concreta de jurisdição, histórico funcional verificável e compromisso com as limitações próprias da função de julgar.

O requisito também deve excluir integrantes que tenham chegado aos tribunais pela regra do quinto constitucional. Embora advogados e membros do Ministério Público possam prestar contribuições relevantes, essa forma de ingresso não se confunde com a carreira iniciada por concurso para a magistratura. Para ocupar o STF, seria legítimo exigir percurso integralmente construído na judicatura.

A mudança deveria respeitar as situações constituídas, com regras de transição claras, para não se transformar em instrumento casuístico contra a composição atual. Reforma institucional séria deve valer para o futuro, não servir como retaliação dirigida a pessoas.

O processo de escolha também precisa ganhar transparência. O presidente da República deveria justificar publicamente a indicação com base em critérios objetivos, e o Senado deveria realizar escrutínio real, com perguntas técnicas e exame efetivo da independência do indicado.

O ponto central, entretanto, é a independência dos Poderes. O artigo 2º da Constituição determina que Legislativo, Executivo e Judiciário sejam independentes e harmônicos. Harmonia não significa silêncio diante de abusos, assim como independência não significa ausência de limites.

O Legislativo precisa legislar e fiscalizar. O Executivo precisa administrar dentro da lei. O Judiciário precisa julgar com imparcialidade, autocontenção e fundamentação. Quando um Poder ocupa reiteradamente o espaço do outro, enfraquece o sistema de freios e contrapesos.

A resposta à crise de confiança não está na destruição simbólica do Judiciário, mas em seu aperfeiçoamento. É possível defender a magistratura nacional e, ao mesmo tempo, exigir mudanças profundas no Supremo. O Brasil possui uma magistratura muito maior do que os 11 ministros do STF. Preservá-la é preservar a democracia. Reformar o Supremo, com mandato máximo de 15 anos, acesso restrito a magistrados de carreira, seleção mais transparente e respeito à separação dos Poderes, também é.

O país não precisa escolher entre um Judiciário forte e um Judiciário responsável. Precisa dos dois. A autoridade judicial nasce da imparcialidade, da coerência, da fundamentação e da confiança.

*Leonardo Roesler é advogado e sócio do RCA Advogados.