Lula não esperava o ‘perdeu, mané’ do Congresso

Foram acachapantes e simbólicas as derrotas humilhantes de Lula (PT) no Senado e no Congresso, o primeiro rejeitando Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o outro derrubando o veto presidencial ao projeto da dosimetria, A vaga pretendida por Messias tem significado: era de Luís Roberto Barroso, criador de um bordão do ativismo judicial. Assim, o aliado de ontem tornou-se, involuntariamente, o autor da frase que resume a humilhação histórica imposta a Lula: “Perdeu, mané”.

Conciliação à vista

Única iniciativa de conciliação nacional desde as sentenças raivosas do 8/Jan, a dosimetria faz justiça, mas o rancoroso Lula quer ver “sangue”.

Aparelhamento

Derrotando a dupla Lula/Messias, o Senado decidiu que há limites para o aparelhamento do Judiciário.

Não tinha como

Messias carregava dois pesos mortos rejeitados: um histórico de ativismo radical de esquerda e o currículo considerado insuficiente até por aliados.

Quem perdeu, mané?

Barroso sai de cena deixando a vaga e o bordão. Lula fica com a frase, e a constatação amarga de que, desta vez, quem perdeu, mané, foi ele.

Promessas vazias marcam outra vez o 1º de Maio

Lula (PT) segue discursando como sindicalista dos anos 1980, posando de defensor dos “trabalhadores”, mas este 1º de Maio de 2026 expõe o fosso entre retórica e realidade. O salário mínimo reajustado em risíveis R$103, para R$1.621, que mal repõe a inflação, oferece ganho real de míseros 2,5%. Ele admite, em público, que o valor “é muito baixo”, mas nada faz sobre isso. A política de “valorização” do mínimo, retomada em 2023, era só outra lorota, e virou uma rotina de correções modestas.

Coluna de Cláudio Humberto – Diário do Poder

Flavio Dino pergunta: Como punir a corrupção na Justiça?

*Felipe Vieira

O país quer saber se a regra vale para todos.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino publicou um artigo com um título forte: “Como punir a corrupção na Justiça? “No texto, defende penas mais duras para magistrados, procuradores, advogados públicos e privados envolvidos em esquemas de corrupção. Fala em perda rápida de cargo, responsabilização criminal e necessidade de proteger a credibilidade do sistema judicial.

No papel, o discurso é duro.

Na prática, ele surge em um momento delicado para o próprio Judiciário brasileiro. Nos últimos meses, reportagens e denúncias colocaram sob debate público situações envolvendo pessoas próximas a ministros do Supremo. Alexandre de Moraes virou alvo de questionamentos após reportagens sobre contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia ligado à sua esposa e instituições financeiras. Dias Toffoli também apareceu no noticiário após revelações sobre relações de pessoas próximas e episódios ligados ao resort de luxo em Mangaratiba. Nenhum dos casos resultou em condenação. Os ministros negam irregularidades ou evitam comentar publicamente detalhes das acusações. E é justamente aí que mora o problema central.

O Brasil vive uma crise de confiança institucional. Quando ministros defendem rigor contra corrupção, a sociedade naturalmente passa a exigir o mesmo padrão dentro do topo do próprio sistema. O discurso perde força quando parece mirar apenas juízes de primeira instância, procuradores ou operadores menores enquanto suspeitas envolvendo figuras poderosas seguem cercadas de silêncio.

A pergunta feita por Dino é correta. Talvez falte apenas complementá-la: Como punir a corrupção na Justiça quando as suspeitas alcançam também os andares mais altos do poder? Sem essa resposta, qualquer discurso moralizador corre o risco de parecer seletivo. E seletividade é uma das formas mais rápidas de destruir a credibilidade de qualquer instituição.

 

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Abuso Revogado: PF devolve credenciais a agente dos EUA retaliado a mando de Lula

Recuo atinge um dos dois agentes alvos do ato de reciprocidade exagerado e considerado abusivo

A Polícia Federal devolveu, nesta segunda-feira (28), as credenciais tomadas de um dos dois agentes federais dos Estados Unidos que foram alvos de retaliação determinada pelo presidente Lula (PT) sob alarde e alegação de “reciprocidade e defesa de soberania”. O ato foi considerado exagerado e equivocado, após o governo de Donald Trump expulsar o delegado da PF, Marcelo Ivo, acusado de atuar em campo de forma ilegal nos EUA, para espionar e prender o ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido desde sua condenação por crimes na “trama golpista”.

A retaliação foi evitada pela PF porque o Itamaraty já havia mandado expulsar do Brasil outro agente americano Michael William Myers, do Serviço de Imigração (ICE), que sem demora deixou o território brasileiro na quinta-feira (23). A medida nada tem de reciprocidade porque “puniu” o funcionário americano que, ao contrário do delegado brasileiro, não é acusado de fazer qualquer coisa errada. A medida do Brasil é classificada na diplomacia como Retaliação.

Com isso, a PF considerou que um segundo agente americano não poderia ser punido como forma de reciprocidade efetiva, porque haveria exagero e desproporcionalidade, já que apenas um brasileiro, o delegado Marcelo Ivo, havia sido punido pelo governo de Trump.

Diário do Poder enviou às assessorias de imprensa do Itamaraty e da PF os seguintes questionamentos: “O que motivou a nova decisão? O Itamaraty foi consultado? Qual o posicionamento a respeito desta sequência de decisões envolvendo reciprocidade após a expulsão de um policial federal brasileiro pelo governo estadunidense?”. E publicará eventuais respostas, não enviadas até a última atualização desta matéria.

Ao anunciar cumprir a ordem de Lula contra o agente americano do ICE, na semana passada, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse ter cumprido determinação “com pesar” e “pelo princípio da reciprocidade”. E negou que o delegado brasileiro Marcelo Ivo tenha sido expulso pelos EUA. Bem como negou que iria expulsar o agente do qual cassou credenciais.

“Ele [o delegado brasileiro] voltou por determinação minha, em razão desse episódio, para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE, seja onde for. [] Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém. Não é nosso papel”, disse o chefe da PF, no último dia 22.

‘PF deu as costas para decisão do Lula’

Ainda assim, o advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor presidencial Filipe Martins, afirma que a desproporcionalidade permanece, porque Marcelo Ivo foi punido por atuar fora do que determina o acordo de cooperação internacional, ao atuar como detetive na caça de Ramagem, o que pode ser considerado crime de perseguição e espionagem.

“Na visão do governo americano, como delegado não tinha autorização legal nem judicial para atuar em campo, ele cometeu crime de espionagem contra Ramagem. Então, o delegado violou um acordo de cooperação. Por isso que ele foi expulso”, disse Chiquini.

O advogado ressalta que revidar a medida legal dos Estados Unidos foi ato de vingança e de insegurança jurídica. “Se esse agente americano nada de errado fez no Brasil, não descumpriu acordo e é punido dessa forma, isso inviabiliza esse acordo com os Estados Unidos. Não tem como combater narcotráfico nem proteger nossas fronteiras, nem fazer segurança pública neste País, rompendo com os Estados Unidos. [Lula] teve que colocar o rabinho entre as pernas e voltar atrás”, concluiu o advogado que atuou no mesmo processo em que o ex-deputado Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão como réu na “trama golpista”.

Fonte: Diário do Poder