Congresso mantém veto ao reajuste de aposentadorias do INSS pela variação do salário mínimo

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   O Plenário do Congresso Nacional manteve nesta quarta-feira (18) o veto presidencial (VET 29/2015) ao reajuste dos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS pelas mesmas regras da política de valorização do salário mínimo. O veto recebeu 160 votos favoráveis e 211 votos pela derrubada, 46 a menos do que o necessário na Câmara dos Deputados. Como o veto foi mantido na Câmara, não houve necessidade de votação pelos senadores.

Na defesa da decisão da presidente da República, o deputado Sílvio Costa (PSC-PE) disse que a derrubada do veto poderia gerar um custo adicional à Previdência Social de R$ 11 bilhões, o que, segundo ele, é inviável. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) rebateu afirmando que, ao mesmo tempo em que o governo alega falta de dinheiro para pagar os benefícios previdenciários, a Petrobras calcula um prejuízo de R$ 40 bilhões apenas com os casos de corrupção.

Com a manutenção do veto a partes da Lei 13.152/2015, que prorroga até 2019 a atual política de valorização do salário mínimo, aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário continuarão contando apenas com a reposição da inflação, sem ganho real. Na justificativa, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a vinculação entre o salário mínimo e os benefícios pagos pelo Regime Geral da Previdência Social violariam a Constituição.

Pela lei, os reajustes do salário mínimo corresponderão à variação, acumulada nos 12 meses anteriores ao mês do reajuste do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado e divulgado pelo IBGE.

Agência Senado

Brasil tem ao menos 16 barragens de mineração inseguras, diz Departamento Nacional de Produção Mineral

O Brasil tem ao menos 16 barragens de mineração que são inseguras, segundo dados oficiais de relatórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). O levantamento atualizado pela última vez em abril de 2014 mostra que essas barragens estão em municípios dos Estados de Minas Gerais, Amazonas e Pará.

A reportagem é de Eduardo Geraque, publicada por Folha de S. Paulo

A tabulação feita pelo órgão federal usa dados divulgados pelos próprios donos das barragens. É um conjunto de informações que acabam resultando em um conceito de segurança. A letra A significa que o estado da barragem é crítico para os quesitos de segurança considerados mais importantes, como a estrutura das construções.

O potencial de dado ambiental e social da barragem também é considerado na avaliação técnica. Apesar de considerar que houve um ganho nessa avaliação, que começou a partir de um plano nacional criado em 2010, especialistas ouvidos pela Folha dizem que muitos avanços precisam ser feitos, ainda mais depois da tragédia ambiental com as duas barragens de Mariana (MG).

“Por utilizar critérios muito simples a análise acaba subestimando ou superestimando o risco”, afirma Marcelo Valerius, engenheiro ambiental especialista em segurança de barragens de rejeitos, e analista ambiental da secretaria estadual de Meio Ambiente de Goiás.

Barragens de mineração inseguras – Segundo DNPM, 16 podem estar em risco

Nome da barragem Empreendedor Principal substância Estado Município
Volta Grande 1 AMG MINERAÇÃO S.A TANTALITA MG NAZARENO
Volta Grande 2 AMG MINERAÇÃO S.A TANTALITA MG NAZARENO
Bocaina GERDAU AÇOMINAS S.A. FERRO MG OURO PRETO
Bacia B2 Imerys Rio Capim Caulim S/A CAULIM PA BARCARENA
Bacia B3 Imerys Rio Capim Caulim S/A CAULIM PA BARCARENA
Bacia Corpo B Imerys Rio Capim Caulim S/A PA IPIXUNA DO PARÁ
0-2 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
189 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
22 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
30-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
42 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
68-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
69 Mineração Taboca S.A. AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
75-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
81-1 Mineração Taboca S.A. AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
Pau D’Arco Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO

O diretor-geral do DNPM, Celso Luiz Garcia, pediu demissão do cargo, que ocupava desde 8 de junho deste ano. O Ministério de Minas e Energia informou que a carta de demissão foi entregue nesta terça-feira (17) junto com um laudo médico, mas não soube informar o que constava no laudo.

Apesar de haver falhas na classificação oficial, o especialista defende a tese de que existe um problema ainda mais grave, que ficou evidente no rompimento das barragens da Samarco.

“O risco pode ser até bem avaliado. Mas o mais importante é o poder público cobrar as medidas cabíveis para que o risco seja minimizado”. No caso da tragédia, por causa da proximidade da barragem em áreas habitadas, deveriam existir, segundo Valerius, vários tipos de alerta a serem dados diretamente para a população. “Como avisos sonoros e visuais e até alertas em rede de televisão e estações de rádio, como é feito em alguns países”, diz o estudioso.

Nos Estados Unidos, estados onde existem tornados usam até mensagens de celular para avisar a população potencialmente atingida. O fato de o Brasil registrar vários incidentes com barragens de mineração na última década também chama a atenção do engenheiro e consultor Jehovah Nogueira Júnior, que já trabalhou em mais de 40 barragens. “É importante que as barragens de rejeito sejam projetadas e monitoradas como se fossem barragens de usinas hidrelétricas”, diz.

Mesmo falando em tese, sem conhecer os detalhes técnicos das duas barragens de Mariana, o consultor afirma que é possível dizer que houve algum problema nas semanas que antecederam a ruptura das estruturas. “Um monitoramento feito de uma forma correta teria detectado o problema”, diz.

Desastre em Mariana

Doze dias após o vazamento de lama que devastou vilarejo de Mariana e que começa a chegar ao Espírito Santo, a mineradora Samarco reconheceu que outras duas barragens próximas ainda podem ruir. A preocupação é com os reservatórios de Santarém e de Germano. Na semana passada, a empresa havia chamado de “boatos” informações sobre o risco de novo rompimento.

No último dia 5, a barragem do Fundão se rompeu, devastando o subdistrito de Bento Rodrigues, atingindo municípios vizinhos e poluindo orio Doce. Até esta terça (17), o saldo era de 7 mortos e 12 desaparecidos, além de 4 corpos ainda não identificados.

“A maior preocupação, na barragem de Santarém, é a erosão. Um fluxo descontrolado passando novamente por cima da barragem [como ocorreu no dia da tragédia] poderia aumentar essa erosão e poderíamos ter, sim, passagem desse material”, afirmou Germano Lopes, gerente-geral de projetos estruturais da Samarco.

Maiores desastres ambientais no Brasil

> Fev.1984 – Cubatão (SP)

Explosão em duto da Petrobras mata 93 e deixou 2.500 desabrigados na Vila Socó. Foram derramados 1,2 milhão de litros de gasolina

> Set.1987 – Goiânia (GO)

Catadores abrem aparelho hospital achado em ferro velho, liberando material radioativo. Oficialmente, quatro pessoas morreram, mas associação de vítimas fala em mais de 60

> Out.1998 – São José dos Campos (SP)

Oleoduto rompe, e vazamento atinge charcos, brejos e o córrego Lambari

> Jan.2000 – Rio de Janeiro (RJ)

Duto da refinaria Duque de Caxias, da Petrobras, se rompe, e 1,3 milhão de litros de óleo combustível vaza na Baía de Guanabara

> Jul.2000 – Araucária (PR)

Ruptura em junta da tubulação de refinaria da Petrobras causa derramamento de 4 milhões de litros de óleo

Acidentes com Barragens

> Mar.2003 – Cataguases (MG)

– Rompimento de barragem da Indústria Cataguases de Papel
– Resíduos atingiram o rio Paraíba do Sul e córregos a 200 km, deixando 600 mil sem água
– 1,4 bilhão de litros de resíduos da produção de celulose vazaram

> Jan.2007 – Miraí (MG)

– Ruptura de barragem da Mineração Rio Pomba Cataguases
– 4.000 desalojados e cinco municípios atingidos em MG e no RJ
– 2 bilhões de litros de lama de bauxita derramados

Fonte – IHUSINOS

José Joaquim pede envio de legislação urbanística para a Câmara Municipal

             Fazendo reiteração de proposições apresentadas anteriormente, esta semana o vereador José Joaquim Guimarães (PSDB) teve aprovado requerimento de sua autoria pedindo o envio de propostas do Plano Diretor atualizado, Projeto de Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano, Código de Obras, de Posturas e demais instrumentos relacionados ao dia a dia urbano de São Luís para posterior apreciação e votação pela Câmara Municipal.
A solicitação do vereador está sendo dirigida ao prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), ao secretário Municipal de Urbanismo e Habitação e presidente do Instituto da Cidade, Diogo Diniz Lima; secretário Municipal de Planejamento e Desenvolvimento, José Cursino Raposo, e ao presidente do INCID (Instituto da Cidade, Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural), José Marcelo do Espírito Santo.
José Joaquim argumenta que há a necessidade da apreciação e votação da matéria, acrescentando que para serem feitos esses procedimentos legislativos vai exigir a realização de audiências públicas pelo Legislativo, conforme determina a legislação maior do assunto, no caso o Estatuto das Cidades.
Parabenizaram o parlamentar os vereadores Honorato Fernandes (PT), ressaltando ser esse um tema muito importante, que mexe com a vida das pessoas, enquanto a vereadora Rose Sales (PV) enalteceu a experiência e sua militância na condução desse assunto.

PROTEÇÃO A CONDUTORES DE VEÍCULOS

Por meio de uma indicação José Joaquim está solicitando ao governador Flávio Dino (PCdoB), ao secretário de Estado da Segurança, Jefferson Portela, e ao comandante geral da PM, coronel Marco Antonio Alves, a realização de policiamentos ostensivos no horário de pico nos sinais e barreiras eletrônicas como forma de proteger os condutores de veículos, principalmente as mulheres, que estão sendo vítimas de terem seus automóveis tomados de assalto.

 

Marlon Garcia mobiliza CAEMA para resolver problema da falta d´água no Bairro de Fátima

O vereador Marlon Garcia (PT do B) apresentou indicação na Câmara Municipal pedindo que o Governo do Estado – por meio da Companhia de Saneamento Ambiental (CAEMA) – solucione o problema de falta de água da Rua Ademar de Barros, esquina com a Rua deputado José Rios, no Bairro de Fátima.

Na indicação que será encaminhada por meio de ofício pela Mesa Diretora da Câmara Municipal ao governador Flávio Dino e ao diretor-presidente da Caema, Davi Telles, Marlon Garcia pede urgência nos serviços, que estão sendo cobrados pelos moradores do Bairro de Fátima.

Para o vereador, a falta d´água está causando sérios problemas para os moradores do Bairro de Fátima, que diariamente estão sendo obrigados até a comprar água de carros pipa, a preços exorbitantes, para realizar suas necessidades básicas, como tomar banho e lavar roupas, louças e objetos domésticos.

Roberto Rocha Junior usa a tribuna para agradecer voluntários do “Cidade Solidária

Na sessão ordinária da quarta-feira, 18, na Câmara Municipal, o vereador Roberto Rocha Júnior (PSB), usou a tribuna para agradecer a todas as pessoas que contribuíram e participaram do evento “Cidade Solidária-Edição diabetes”, ocorrido no último sábado, 14, no campo Verona do bairro Vila Vicente Fialho. Na ocasião, cerca de mil pessoas receberam atendimentos de saúde gratuitos nas áreas de saúde, em homenagem ao Dia do Diabético.

Ainda na tribuna, Roberto Júnior aproveitou para falar sobre a sua parceria com o Instituto Cidade Solidária, que consiste basicamente em oferecer uma assistência diferenciada com remédios e acompanhamento profissional contínuo, às pessoas da região da Vicente Fialho e adjacências diagnosticadas com diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto. Segundo ele, a princípio o projeto pretende alcançar a região que compreende a Avenida Daniel de La Touche até a Avenida São Luís Rei de França, e, posteriormente, toda a cidade de São Luís.

“Iniciamos essa parceria com o Instituto Cidade Solidária e com o Centro de Saúde Amar, com o objetivo de darmos uma assistência diferenciada a essas pessoas que sofrem com diabetes, colesterol alto e pressão arterial. Durante o evento Cidade Solidária, já iniciamos o cadastro dessas pessoas, e elas receberão todos os medicamentos em suas residências, bem como todo o acompanhamento necessário para que elas tenham um tratamento adequado”, ressaltou.

Fonte – Diret – Comunicação – CMSL

O Ministério Público Federal também quer a prisão de Ricardo Murad

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Para o procurador que atua no caso, Ricardo Murad praticou atos de destruição e ocultação de provas e não é absurdo concluir que assim continuará se comportando se permanecer em liberdade. Sendo assim, o MPF concorda com o pedido da PF e também quer que seja decretada a prisão preventiva do ex-secretário.

             O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) se manifesta favoravelmente a pedido de prisão de ex-secretário de saúde do Estado do Maranhão. Para o procurador que atua no caso, Ricardo Murad praticou atos de destruição e ocultação de provas e não é absurdo concluir que assim continuará se comportando se permanecer em liberdade. Sendo assim, o MPF concorda com o pedido da Polícia Federal e também quer que seja decretada a prisão preventiva do ex-secretário.

Contra Ricardo Murad foi expedido mandado de busca e apreensão, com o objetivo de colher provas de sua participação em uma organização criminosa instituída para desviar e posteriormente lavar recursos do Fundo Estadual de Saúde (composto também por recursos do Fundo Nacional de Saúde), mediante a celebração de Contratos de Gestão e Termos de Parceria com a Organização Social Instituto Cidadania e Natureza (ICN), e com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Bem Viver – Associação Tocantina para o Desenvolvimento da Saúde, cujo objetivo era administrar a prestação de serviços do Sistema Único de Saúde no âmbito do Estado do Maranhão.

Na véspera do cumprimento do mandado de busca e apreensão, Ricardo Murad teria incinerado documentos no fundo do quintal de sua residência, levado documentos de sua casa para a casa de sua irmã, e ainda teria removido, do aparelho de circuito de TV de sua casa, o dispositivo onde são armazenadas as imagens registradas (HD), para impedir que a polícia captasse as cenas da retirada dos documentos e da incineração de papéis.

Assessoria de Comunicação

Procuradoria da República no Maranhão

Operação “Sermão dos Peixes” indica que R$ 205 milhões do SUS foram desviados para a compra de mandatos políticos

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As investigações da Policia Federal, Controladoria Geral da União e Ministério Público Federal, que deram origem a Operação “Sermão dos Peixes”, revelaram que dos 2 bilhões de reais repassados pelo SUS para o Governo de Roseana Sarney fazer a politica de atendimento a saúde da população maranhense, mais de 60% foram desviados pela Secretaria de Estado da Saúde  administrada por Ricardo Murad, o conhecido todo poderoso e desafiador de tudo e todos com a certeza absoluta da impunidade. Dos mais de 1,2 bilhão de reais desviados pelo mentor da quadrilha, segundo as investigações é Ricardo Murad, mais de 205 milhões de reais foram canalizados para a compra de mandatos políticos, de acordo com levantamentos feitos pela Policia Federal, Auditores da CGU e procuradores do Ministério Público Federal, envolvendo as últimas eleições municipais e estaduais.

        Ricardo Murad foi conduzido coercitivamente ontem para a sede da Policia Federal e lá por aproximadamente 15 foi interrogado por delegados. Diante das declarações dele, dos demais conduzidos coercitivamente e dos que foram presos, a Policia Federal e o Ministério Público Federal conseguiram mais provas para pedir a prisão de Ricardo Murad, que a qualquer momento poderá ser preso e recolhido a carceragem da Policia Federal em São Luís.

        Andréa e Sousa Neto não foram ao legislativo e os amigos e bajuladores sumiram

        Hoje na Assembleia Legislativa do Estado a expectativa era se a deputada Andréa Murad e o deputado Sousa Neto, respectivamente filha e genro de Ricardo Murad, apareceriam para tentar justificar a corrupção deslavada e vergonhosa praticada com recursos do SUS. Na verdade, o que já era público com a ostentação desafiadora foi plenamente ratificado pelas autoridades federais. Nenhum dos dois compareceu e sabem que os seus mandatos correm risco de serem cassados, uma vez que já existem processos na Justiça Federal.

       Com dinheiro destinado para saúde digna para a população, o desvio criminoso proporcionou milhares de mortes de homens e mulheres e com maior intensidade de crianças e idosos, enquanto os vampiros se locupletavam com os recursos públicos federais. Quantas pessoas foram cooptadas e por necessidade obrigadas a vender os seus votos e receber em troca uma miséria da parte integrante a que tinha direito.

       Se Ricardo Murad esperava por solidariedade dos seus correligionários políticos, a respostas são pequenas, mas o que se ouve é satisfação e alegria de muita gente, esperando o desfecho com a prisão dele que é questão de pouco tempo. A ele se aplica aquele  velho adágio popular, que diz: quem planta vento colhe tempestade. Acostumado a tripudiar de tudo e todos, vai encontrar acusações pesadas e todo o dinheiro que desviou já merece investigações para localização, inclusive com a identificação de imóveis dentro de fora do Maranhão.

Grupo Suzano Papel Celulose que anuncia investimentos em fábrica de Imperatriz prejudicou a região do Baixo Parnaíba

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Foram milhares de famílias da região do Baixo Parnaíba, que foram expulsas de nove municípios em que o eucalipto se tornou a praga que retirou delas posses centenárias, muitas das quais mediante fraudes em cartórios. Inúmeras foram as denúncias de que terras devolutas, que poderiam ser utilizadas para a reforma agrária estão incorporadas ao patrimônio do grupo empresarial.

      O tão decantado desenvolvimento proposto pelo grupo Suzano Papel Celulose para o Baixo Parnaíba, sempre ficou no discurso e na proteção do poder público. O eucalipto que destrói a capoeira e os grandes mananciais de recursos hídricos e atropelou quem tentou continuar vivendo da pequena agricultura.

      Centenas de denúncias foram feitas pela Comissão Pastoral da Terra, Fetaema, Fórum Carajás, Fórum do Baixo Parnaíba, Igreja Católica e outras entidades da sociedade civil organizada, mas mesmo assim a exploração continuou muitas vezes com a violência e a participação de força policial. Muitas fraudes foram vergonhosamente feitas em cartórios para que prepostos expulsassem posseiros e com as terras negociassem com o grupo Suzano Papel Celulose,

       A verdade é que nos nove municípios em que os tentáculos do eucalipto se impôs, ninguém prosperou até mesmo que as promessas de instalações de industrialização deram lugar a exploração do carvão vegetal para abastecer usinas de ferro-gusa, dentre as quais a Margusa, que chegou por muito tempo a ser arrendatária de algumas áreas e aumentar consideravelmente a destruição do meio ambiente.

      Se realmente o governo tem pretensões efetivas de desenvolver uma politica de produção de alimentos a partir da agricultura familiar,   tem o dever de arrecadar as terras devolutas que estão incorporadas ao patrimônio do grupo Suzano Papel Celulose no Baixo Parnaíba.

       Grande parte do cerrado maranhense perdeu criminosamente as suas referências, principalmente no que concerne aos seus frutos naturais como o piqui, o bacuri, variedades de goiaba, fauna e flora e outras riquezas, diante dos avanços do eucalipto e a soja de maneira extensiva. Felizmente a resistência que persiste, são de famílias organizadas com o importante e decisivo apoio do Fórum do Baixo Parnaíba e do Fórum Carajás.

 

Fundo de pensão americano comprou terras griladas no Maranhão e Piauí, diz o The New York Times

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Gigante financeira norte-americana e parceiros brasileiros “despejaram centenas de milhões de dólares em aquisição de terras aráveis no Cerrado”, ressalta matéria, que ainda destaca os conflitos por terra e a relação dessas empresas com grileiros nos estados de Maranhão e Piauí.

(Por Simon Romero, Do The New York Times)

             Gigante norte-americana de investimento, que administra as contas de aposentadoria de milhões de funcionários de universidades, professores de escolas públicas e outros trabalhadores, a TIAA-Cref se orgulha de promover valores socialmente responsáveis, e celebra sua participação no processo de redação dos princípios das Nações Unidas para compra de terras agrícolas, com o objetivo de promover a transparência, sustentabilidade ambiental e respeito pelo direito à terra.

        Mas documentos demonstram que as incursões da TIAA-Cref à fronteira agrícola brasileira podem ter avançado na direção oposta.

A gigante financeira norte-americana e seus parceiros brasileiros despejaram centenas de milhões de dólares em aquisição de terras aráveis no cerrado, uma imensa região à beira da floresta amazônica na qual vem acontecendo desmatamento em larga escala para expansão da agricultura, o que alimenta preocupações ambientais.

Em uma complicadíssima empreitada, o grupo financeiro norte-americano e seus parceiros acumularam vastas propriedades agrícolas novas, a despeito da decisão do governo brasileiro, em 2010, de proibir participação estrangeira em transações dessa escala.

Embora a ação governamental tenha bloqueado as ambições de outros investidores estrangeiros, a TIAA-Cref levou adiante suas intenções em uma parte do Brasil onde grassam os conflitos de terras, o que expõe a empresa e seus parceiros a acusações de que adquiriram terras de um especulador de credenciais suspeitas, acusado de empregar pistoleiros para roubar terras de agricultores pobres.

Os documentos possibilitam vislumbrar como um dos maiores grupos financeiros dos Estados Unidos participou daquilo que muita gente nos países em desenvolvimento define como apropriação indevida de terras. Respondendo à disparada no interesse internacional por terras no país, o ministro da Justiça brasileiro em 2010 limitou significativamente a participação de estrangeiros em aquisições de terras agrícolas em larga escala.

Investidores ocasionalmente encaram esse tipo de transação como maneira de diversificar suas carteiras. Mas alguns funcionários de governos e ativistas afirmam que elas resultam na expulsão de agricultores pobres, na transferência do controle de recursos vitais de produção de alimentos a uma elite mundial, e na destruição de tradições agrícolas em troca de plantações em escala industrial que produzem comida para exportação.

“Já tinha ouvido falar de fundos estrangeiros tentando contornar a legislação brasileira, mas algo nessa escala é espantoso”, disse Gerson Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária e assessor de congressistas brasileiros, se referindo aos documentos sobre as aquisições de terras aráveis brasileiras pela TIAA-Cref.

Algumas das constatações são parte de um novo relatório por pesquisadores da Rede Social pela Justiça e Direitos Humanos, uma organização brasileira, e da Grain, uma organização sediada na Espanha que acompanha as aquisições mundiais de terras.

JOINT VENTURE COM A COSAN

As revelações sobre a TIAA-Cref demonstram que suas terras aráveis no Brasil chegaram aos 256.324 hectares em 2015, ante 104.359 em 2012, mais ou menos o momento em que a empresa começou a expandir suas transações, conduzidas por meio de uma joint venture com a Cosan, gigante brasileira do açúcar e biocombustíveis.

Stewart Lewack, porta-voz da TIAA-Cref, concordou em revisar diversos aspectos da complexa estruturação dessas transações, mas se recusou a discutir as aquisições de terras aráveis de forma direta. Ele intermediou outros contatos com executivos da Cosan, controlada por Rubens Ometto, bilionário cuja família opera no setor do açúcar desde os anos 30.

“A Cosan tem 70 anos de história na administração de terras agrícolas no Brasil, e tem compromisso para com elevados padrões de responsabilidade no investimento por meio das entidades que controla”, afirmou uma porta-voz da Cosan em declaração.

As duas empresas começaram a adquirir terras aráveis no Brasil em 2008, depois de formar uma joint venture chamada Radar Propriedades Agrícolas, com 81% de participação de uma subsidiária da TIAA-Cref e 19% da Cosan. Embora a Cosan informe às autoridades brasileiras que controla a joint venture por meio de seu assento no conselho da empresa, a TIAA-Cref mlista a Radar como uma das “afiliadas nas quais temos participação majoritária”.

Então surgiram as medidas brasileiras de repressão a aquisições de terras aráveis por estrangeiros, em 2010, um período de crescente nacionalismo quanto aos recursos naturais do país, exemplificado pelos esforços de impor maior controle ao setor de energia.

Na agricultura, as mudanças envolviam limitar a 5.000 hectares as vendas de terras a estrangeiros, a proibição a que eles controlassem mais de 25% das terras de qualquer município e a imposição de limites às operações de subsidiárias brasileiras de empresas estrangeiras.

“As medidas impuseram um freio ao investimento estrangeiro em terras brasileiras”, diz Kory Melby, norte-americano que oferece consultoria a investidores em agricultura no Brasil.

Mas em lugar de reduzir a escala de suas operações, a TIAA-Cref intensificou as aquisições de terras agrícolas brasileiras, se concentrando especialmente na fronteira agrícola dos Estados nordestinos do Maranhão e Piauí. Em 2012, a empresa criou um fundo mundial cujo foco era a compra de terras agrícolas no Brasil, Austrália e Estados Unidos, atraindo investimentos de fundos de pensão suecos e canadenses.

José Minaya, executivo da TIAA-Cref que responde pelos investimentos do grupo em terras agrícolas, defende esse tipo de transação, afirmando que elas são uma maneira de adquirir “um recurso finito” em um momento de crescente demanda mundial por alimentos.

“O Brasil nos oferece diversificação em termos de safras e climas”, disse Minaya a investidores em um vídeo sobre aquisição de terras agrícolas no maior país da América Latina.

Por conta da limitação ao investimento estrangeiro imposta em 2010, a TIAA-Cref e seus parceiros brasileiros criaram uma joint venture financeira para adquirir terras agrícolas. O grupo norte-americano detém 49% e a Cosan tem 51% de participação na empresa, de acordo com documentação apresentada às autoridades regulatórias brasileiras.

Embora o novo empreendimento no papel pareça ser uma empresa separada, na prática é difícil distingui-lo da parceria precedente. As duas compartilham de muitos dos mesmos funcionários e executivos de primeiro escalão, e funcionam em escritórios na avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, de acordo com pessoas conhecedoras das operações.

Além disso, o financiamento para as aquisições de terras agrícolas provém primariamente de subsidiárias da TIAA-Cref, em uma espécie de empréstimo que pode ser convertido em ações, de acordo com a documentação apresentada às autoridades regulatórias. Os pesquisadores da Grain argumentam que essa estrutura empresarial torna possível à TIAA-Cref ocultar o controle que ela exerce sobre as terras agrícolas adquiridas.

“Eles podem dizer o que quiserem sobre o controle, mas a questão é que” essas estruturas “foram criadas apenas com o propósito de canalizar fundos da TIAA-Cref para terras agrícolas no Brasil”, disse Devlin Kuyek, pesquisador sênior da Grain.

Em declaração, a Cosan contesta essa posição. “Em todas as suas aquisições”, a joint venture “segue rigorosamente a legislação em vigor”, a companhia afirmou.

Os ativistas não acusam a TIAA-Cref e a Cosan de promoverem diretamente o desmatamento do cerrado. Em lugar disso, afirmam que as empresas adquiriram terras que já haviam sido desmatadas e obtidas por especuladores que podem ter usado táticas impiedosas.

RELAÇÕES COM GRILEIRO

O relatório da Grain registra como a TIAA-Cref e a Cosan parecem ter adquirido diversas fazendas controladas por Euclides de Carli, uma figura nebulosa do mundo dos negócios descrito por legisladores, estudiosos, e agricultores espoliados brasileiros como um dos mais poderosos “grileiros” dos Estados do Maranhão e Piauí.

Os grileiros são conhecidos por suas táticas de prestidigitação burocrática, entre as quais a falsificação de títulos de propriedade rural guardados em latões cheios de insetos, o que os faz parecer antigos e explica o apelido. Alguns grileiros também forçam agricultores a abandonar suas terras de diversas maneiras, o que inclui intimidar os ativistas que lutam pelo direito à terra e até assassinar agricultores pobres.

No caso de Carli, estudiosos brasileiros já descreveram como ele forçou dezenas de famílias a abandonar suas terras, usando táticas como a destruição de safras ou a queima da casa de um líder comunitário. Um proeminente legislador maranhense também acusou Carli de orquestrar o assassinato de um trabalhador rural por conta de uma disputa de terras.

Carli, que já foi alvo de investigações oficiais por suas compras de terras, não respondeu a pedidos de comentário. Em comunicado, a Cosan reconheceu que sua joint venture havia adquirido terras controladas por Carli, mas insistiu em que uma revisão abrangente em nível municipal, estadual e federal não havia identificado “qualquer processo criminal em nome do Sr. Euclides de Carli”.

“A avaliação conduzida”, afirmou a Cosan, “precisa observar documentos oficiais e informações que baseiem a segurança da aquisição”.

Mas promotores públicos que conhecem a atuação de Carli ainda assim expressaram surpresa por investidores proeminentes realizarem esse tipo de transação quando uma simples busca na Internet revela uma longa lista de acusações de apropriação indébita de terras contra Carli.

“Euclides de Carli é um dos principais grileiros da fronteira agrícola brasileira”, disse Lindonjonson Gonçalves de Sousa, promotor público que investigou as transações de terras de Carli. “Não deveria ser segredo para pessoa alguma que ele tem presença proeminente nos conflitos de terra na região”.

Tradução de PAULO MIGLIACCI/Reprodução Folha de S.Paulo

Denúncia do Ministério Público leva a prisão envolvidos em desvio de verbas públicas no município de Bacabal

Investigação conjunta com a Polícia Civil constatou que foram desviados R$ 4,5 milhões do erário municipal

 

                Após denúncia do Ministério Público do Maranhão, foram presos em operação da Polícia Civil do Maranhão, na manhã desta quarta-feira, 18, o ex-prefeito de Bacabal, Raimundo Lisboa, e mais oito acusados, por desvio de verbas públicas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A pedido do MP, a Justiça decretou, ainda as prisões preventivas de Gilberto Ferreira Gomes Rodrigues, Aldo Araújo de Brito, Josival Cavalcanti, o Pacovan, e sua esposa Edna Maria Pereira, Charles da Silva Viegas, Maria José dos Santos Viegas, Eduardo Barros Costa, conhecido como Eduardo DP ou Imperador, e Gláucio Alencar Pontes de Carvalho, que já está preso, aguardando julgamento, pela acusação de ser mandante do assassinato do jornalista Décio Sá, em abril de 2012.

De acordo com a denúncia apresentada pelos promotores Klícia Castro de Menezes, Francisco Teomário Serejo Silva e Michelle Adriane Saraiva Silva, das Promotorias de Bacabal, o ex-prefeito e os integrantes da organização criminosa desviaram R$ 4.450.687,11 dos cofres públicos municipais em favor da empresa El Berite Construções.

Além dos promotores de Bacabal, participaram do trabalho investigatório o Grupo de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPMA e a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) da Polícia Civil.

Pela investigação, foi constatado que a empresa não mantinha nenhum vínculo ou contrato com a Prefeitura de Bacabal que justificasse os depósitos em sua conta. “Mediante a quebra do sigilo bancário, apurou-se que a empresa El Berite, logo após receber as quantias acima relacionadas, efetuou transferências bancárias, pulverizando os valores em diversas outras contas, dentre elas de funcionários e amigos do denunciado e ex-prefeito Raimundo Nonato Lisboa”,relatam os promotores, na ação.

PARTICIPANTES DO ESQUEMA

          Receberam as transferências Aldo Araújo de Brito (funcionário da Prefeitura de Bacabal, que presidiu a Comissão Permanente de Licitação, recebeu R$ 200 mil); Eduardo Daniel de Sousa Neto (exerceu cargo comissionado na Secretaria Municipal de Saúde, recebeu R$ 177.240,00); Maria do Carmo Xavier (ex-secretária municipal de Cultura de Bacabal, recebeu R$ 404.166,48); Manoel Moura Macedo (vulgo “Nenzinho Moura”, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Bacabal, recebeu R$ 430.173,00); Ezequiel de Farias Nou (professor da rede municipal de ensino de Bacabal e prestador de serviços para a Prefeitura Municipal sem licitação ou contrato recebeu R$ 218.000,00); Gláucio Alencar Pontes Carvalho (recebeu R$ 96.208,54); Gustavo Jardim Santos Jacinto Costa (recebeu R$ 80.000,00); Raimundo Lopes de Alencar (prestador de serviços para a Prefeitura Municipal sem licitação e contratos recebeu R$ 155.000,00).

Também foram apontados como beneficiários do esquema criminoso: Josimar Lindoso Aires, que confessou que emprestava dinheiro para a El Berite a juros; Charles Viegas, dono da El Berite, que revelou que pegava dinheiro emprestado a juros com Josimar Aires. Ele e a esposa, Maria José dos Santos Viegas, utilizaram a conta de um filho e da irmã de Maria José para desviar parte do dinheiro da El Berite. “A quebra de sigilo mostrou que, além de pequenas transferências e saques para o filho do casal, foi feita uma transferência de R$1.400.000,00 para a conta da cunhada de Charles Viegas, que ele mesmo confirmou ter usado para fazer uma reserva de fundos”, narra a denúncia do Ministério Público.

O conhecido agiota Josival Cavalcanti da Silva, vulgo Pacovan, e sua esposa Edna Maria Pereira receberam R$ 2.216.328,00, por meio de sua empresa de fato, a A DE J F Moraes, que está em nome de Aurileia de Jesus Froz Moares, utilizada como laranja, uma vez que se trata de pessoa humilde que havia trabalhado como doméstica na residência do casal.

Outro denunciado, Eduardo DP recebeu em suas contas bancárias transferências da Prefeitura de Bacabal que somam mais de R$ 460 mil, mesmo sem manter nenhum contrato administrativo com o município ou ter ganhado algum processo licitatório.

Consta na denúncia que, após receber as quantias, Eduardo DP transferiu grande parte do dinheiro para Luiz Antônio Meireles Gomes, que trabalha para a empresa dele.

HISTÓRICO DO CASO

          A denúncia do Ministério Público se fundamentou em inquérito policial, instaurado a partir do assassinato do jornalista Décio Sá, em 2012, para apurar diversos crimes relacionados a desvio de verbas públicas e corrupção.

Mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça contra os suspeitos do caso, levaram à descoberta de vários documentos pertencentes a prefeituras maranhenses, como cheques, número de contas bancárias, notas fiscais, comprovantes de depósitos e movimentações financeiras de pessoas físicas.

O material encontrado e as quebras dos sigilos fiscais e bancários revelaram forte ligação entre os operadores do esquema, sobretudo agiotas, e agentes políticos, como prefeitos e ex-prefeitos, servidores públicos e empresários. Investigações indicaram a participação de 42 prefeituras maranhenses.

Fonte: CCOM-MPMA

Procurador: No Brasil, dono da barragem se auto-fiscaliza e vistorias só cobrem 3% das estruturas existentes, O novo Código coloca mineração acima de tudo

       A tragédia de Mariana (MG) tem precedentes nos últimos anos, mas nenhum alcançou a proporção do rompimento das barragens de Fundão e Santarém, que pode ser o maior desastre ambiental do Brasil e um dos mais impactantes causados pela mineração no mundo.

Pode também não ser o último, considerando as perspectivas apontadas pela proposta do Código de Mineração em debate na Câmara Federal.

          Enviado pelo Executivo em 2013, o projeto institucionaliza a já permissiva política de concessão para a exploração de minério no país. Mas, após o desastre das barragens da Samarco, o presidente da Câmara Eduardo Cunha empenha-se em colocar a proposta em votação o mais rapidamente possível. O Código de Mineração vem sendo debatido em comissão especial através dos projetos de lei 5807/13 e 37/11, com a intenção de atualizar as regras estabelecidas em 1967.

A reportagem é de Ana Claudia Araujo, publicada por Viomundo

         Seu conteúdo prioriza a mineração em detrimento de qualquer outra atividade, mesmo as de interesse social — como a preservação das comunidades indígenas.

O texto cria a Agência Nacional de Mineração que teria o poder de autorizar ou não outras atividades que possam “criar impedimento à atividade de mineração”. A partir da proposta, as mineradoras podem atuar mesmo em Unidades de Conservação (UCs) de Uso Sustentável, incompatíveis com o alto impacto da atividade minerária.

O relator é o deputado do PMDB/MG Leonardo Quintão, que teve quase a metade de sua campanha eleitoral financiada por mineradoras. No ano passado, o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que reúne organizações da sociedade civil e movimentos sociais críticos à proposta, distribuiu cartilha em que detalha os investimentos das empresas nas campanhas dos integrantes da Comissão Especial do Novo Código de Mineração.

Código é retrocesso, diz procurador que denunciou 57 barragens mineiras

O Procurador da República, José Adércio Leite Sampaio, alerta há anos sobre a ameaça do rompimento de barragens de rejeitos gerados pela atividade minerária no Estado. Ele é autor de 57 ações civis públicas para obrigar as mineradoras à adequação das barragens e professor de Direito Ambiental na Universidade Dom Helder Câmara, onde o tema é tratado através dos Grupos de Pesquisa.

Nesta entrevista, ele denuncia a fragilidade dos sistemas de registro e fiscalização das estruturas e a possível existência de barragens clandestinas. Olhando além da tragédia de Mariana, o jurista alerta para o retrocesso que representa a proposta do Código Minerário.

Eis a entrevista.

A grande maioria das mais de 700 barragens existentes no Estado é usada para represar rejeitos, como acontece nas de Fundão e Santarém. Como é possível fiscalizar estas estruturas?

Este número de barragens é um levantamento da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Nós imaginamos que ele possa até ser maior. Primeiro, porque quem registra o número de barragens é o próprio empreendedor. Ele entra nos sites do órgão ambiental e do órgão minerário e registra que tem aquela barragem e quais as características pra que os dois órgãos identifiquem os riscos.

Com base nestas declarações é que se define o número de barragens. Todo ano tem um relatório do órgão ambiental e ele vem indicando o crescimento deste número. Mas pode haver barragens que não estão ali contempladas. Segundo: o empreendedor declara as condições da barragem e ele próprio contrata uma agência externa ou equipe pra fazer inspeções periódicas. É uma certificação da própria empresa que é registrada no site do DNPM.

E como funciona a fiscalização das barragens que são declaradas?

Como são muitas barragens, as vistorias dos órgãos ambiental e minerário são feitas por amostragem. Em Minas, houve um caso expressivo de aumento de vistorias, mas mesmo assim só 33% das barragens foram verificadas. No âmbito nacional, houve um crescimento entre 2013 e 2014 de 83% no número de fiscalizações. Sabe quanto isso significa em número de barragens? 3%. Então, 33% foram fiscalizadas em Minas e 3% foram fiscalizadas no Brasil.

O mais trágico disso, que mostra que o sistema é furado, é que o último relatório da Agência Nacional de Águas e do órgão ambiental estadual, em 2014, identifica as barragens de risco e estas duas não estavam incluídas nesta lista. Não se qualificavam como tendo alto risco de rompimento.

Havia um debate sobre a necessidade de regrar este sistema de forma mais rígida em Minas antes deste desastre?

A legislação só começou a ser revisada por conta da primeira tragédia que aconteceu em Minas neste século, em 2001. Tanto no Congresso quanto no âmbito estadual. E é claro: havia uma crítica muito séria ao processo sobre como isso era feito. Nós mesmos ajuizamos 57 ações civis públicas para que os órgãos tomassem providências em 2012. Os dados eram muito precários, sequer estatística tínhamos.

Com base num levantamento provisório, foram identificadas 57. Devia haver muitas barragens que eram invisíveis. Mas houve um acordo pelo menos para estas que eram consideradas sérias.

Foram feitos alguns acordos, outros estão tramitando até hoje, e destes acordos houve o estabelecimento de obrigações pra garantir o mínimo que a lei exige. Um acordo que só dizia “a lei deve ser cumprida”. Algo que pode ser sintomático: nenhuma dessas 57 barragens teve problema desde então. Quer dizer, é algo que exige uma reflexão.

Qual o impacto humano dos desastres envolvendo barragens?

Em 2014, houve quatro mortes em barragens pra uso múltiplo, de produção de energia elétrica. Houve três em Minas Gerais. Mas a questão é que quando uma barragem de mineração ou industrial se rompe, aquele rejeito, que é lama misturada com restos de minério de ferro, forma-se uma crosta como um cimento que impermeabiliza.

Essa pasta vai se depositando também no fundo do rio, e assim forma uma barreira que não permite trânsito de água nem fluxo de nutrientes. Portanto, dificulta ou impede a vida. Além do número de vítimas tem as cidades da bacia do Rio Doce. Os rios são lugares em torno dos quais as cidades crescem e hoje ele está morto.

A natureza tem uma capacidade de regeneração muito grande, a depender do nível de contaminação.

Do ponto de vista humano, é trágico. Houve mortes, as pessoas perderam tudo, outras estão sem água. Mas o mais preocupante é que elas podem continuar sem água. 600 pessoas moravam naquele lugar há gerações. São pessoas do interior, que vivem naquele habitat há gerações. Na hora em que vem uma lama, a destruição não é apenas das casas, mas das raízes das pessoas. Afeta a identidade. Não haverá mais Bento Rodrigues. Pode-se até reconstruir as casas, mas não a historia delas.

Quais as perspectivas de mudança neste quadro com o Código Minerário em debate no Congresso?

O projeto praticamente coloca todos os interesses – e quando eu falo “todos”, eu incluo ambientais, antropológicos e sociológicos – subordinados ao interesse minerário. E quando eu falo em interesse social, eu falo de interesse ambiental, antropológico…

Quer dizer, nós avançamos em 2010 com a lei de barragens, e o código vai puxar o tapete. Hoje é preciso ter aprovação do congresso para haver exploração minerária em área indígena e lei complementar para disciplinar essas condições. Com o código minerário, não interessa: depende do presidente da agência. Então o cenário é mais desalentador. Significa maior predomínio do interesse econômico.

Ninguém discute que esta atividade é importante: emprega 170 mil pessoas, responde por uma parte significativa da economia brasileira; todavia, se a lógica é só a de proteger a mineradora, a sociedade brasileira corre o risco de pagar com vidas, com a sua biodiversidade e monetariamente muito mais, porque sabe-se lá quanto o Estado brasileiro terá que despender ao longo do tempo por conta das barragens de uma mineradora do Estado de Minas Gerais.

Eu espero que caia a ficha e o bom senso prevaleça pra que esse projeto de lei não seja aprovado. E caso seja aprovado, espero que o Supremo Tribunal Federal dê uma resposta. Pra mim é de profunda inconstitucionalidade. Desenvolvimento sustentável para o crescimento é economia e sócioambiente: espaço cultural, social e ambiental. Tem que haver um equilíbrio.

Fonte – IHUSINOS

Gutemberg Araújo pleiteia ao Executivo Municipal reforma e urbanização de uma praça no Centro

        Por meio de requerimento de sua autoria, o vereador Gutemberg Araújo (PSDB) solicitou à Prefeitura de São Luís todas as prerrogativas necessárias para a reforma completa e urbanização da Praça ‘Dr. Neto Guterres’, situada em frente ao Hospital Tarquínio Lopes (Hospital Geral), no Centro da capital.

Segundo Gutemberg, a reforma e revitalização da Praça Dr. Neto Guterres configura um anseio da comunidade da área, tendo em vista as condições precárias em que esta se encontra.

“Estamos atendendo ao pedido da comunidade, que quer a disponibilização de um espaço público mais amplo, que beneficiará a todos, principalmente às pessoas que vivem ao redor da praça, além de promover a prática esportiva por meio de caminhadas e o convívio familiar”, justificou Gutemberg.

DOAÇÃO DE IMÓVEL

         O vereador Gutemberg Araújo também propôs à prefeitura e à Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh), a desapropriação do lote de terras desocupado, situado de forma contígua aos limites da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem), no bairro Quintas do Calhau.

“Observa-se que, ao longo de vários anos, o referido imóvel encontra-se desocupado e sem domínio conhecido, ficando a cargo da Ampem a realização da limpeza e manutenção do local, evitando, assim, invasões e transtornos à vizinhança”, ressaltou o vereador.

Devido a isso, Gutemberg pede ainda ao Executivo Municipal que, após a desapropriação, o terreno seja doado à Ampem, “para que esta possa expandir suas atividades perante a comunidade”.

Fonte – Diret – Comunicação – CMSL