Cresce o número de jovens que não estudam nem trabalham no Brasil

Há mais de um ano, Rogério de Lucena, de 21 anos, está sem trabalhar. O rapaz, que vive com a mãe e o irmão no Conjunto AE Carvalho, na Zona Leste de São Paulo, também parou de frequentar as salas de aula aos 18, quando só então completou a oitava série, e nunca mais voltou a estudar. “Se soubesse que ficaria tanto tempo parado, poderia ter voltado à escola, mas agora o meu foco é conseguir um emprego”, lamenta. A última oferta que recebeu foi no início do ano passado na área de siderurgia, mas como o salário “não era muito tentador”, preferiu recusar e continuar recebendo as parcelas do seguro-desemprego. Após meses esperando uma nova oportunidade, ele se diz desestimulado. “Nem entrego mais meu currículo nas empresas. Elas nunca chamam para entrevistas. Por enquanto, vou vivendo com a ajuda da minha mãe”.

A reportagem é de Heloísa Mendonça, publicada por El País

  Num Brasil com baixas taxas de desemprego, histórias como a de Lucena são comuns entre pessoas de 15 a 29 anos. De acordo com o IBGE, em 2013, um a cada cinco jovens brasileiros (20,3%) não trabalhava nem estudava. O perfil do chamado “nem-nem” mostra que ele tem geralmente escolaridade menor em relação aos outros jovens e 44,8% deles vivem em famílias com renda de um quarto do salário mínimo por pessoa, na condição de filho. Quanto à localização, a maior parte dos representantes dessa “geração” está concentrada no Nordeste do País.

Apesar de uma parcela desse grupo não estar fora do mercado de trabalho por escolha própria, a maioria deles não procura emprego e agregam um “nem” a mais ao apelido pouco honroso. São os chamados “nem-nem-nem”, que em números absolutos representam 7,334 milhões de jovens brasileiros que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego.

“Nos últimos dez anos, o número de nem-nens que procuravam emprego diminuiu. Em 2004 eles totalizavam 32% e, em 2013, caiu para 26%”, explica a pesquisadora do IBGE Cíntia Agostinho, uma das autoras do informe Síntese de Indicadores Sociais 2014. O estudo conseguiu traçar o perfil desse grupo de jovens, mas não analisou os motivos pelos quais essas pessoas desistem do mercado de trabalho.

Uma das razões para entender esse fenômeno pode ser atribuída ao aumento de renda das famílias chefiadas por trabalhadores menos qualificados. De acordo com o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, entre 2003 e 2013, o salário mensal desses trabalhadores aumentou 50% em termos reais, enquanto o dos profissionais com ensino superior subiu apenas 10%. “O jovem, filho de profissionais menos qualificados, que antes trabalhava ou procurava emprego por necessidade de complementar a renda da família, já não precisa mais fazê-lo agora que o pai ganha mais”, afirma.

O especialista explica ainda que, “livres” da obrigação de ajudarem em casa, esses jovens deveriam estar estudando. “O problema é que eles não têm muito interesse de ir ao ensino médio. Acham que a escola é enfadonha e que não servirá para o mercado de trabalho, não encontram sentido. A base da maioria desses jovens é muito fraca, eles possuem muita dificuldade de concentração. Oferta de escolas públicas e cursos gratuitos no Pronatec não faltam, bastava querer “, afirma.

Marcelo Henrique dos Santos, de 18 anos, por exemplo, desistiu dos estudos há 3 anos, quando chegou ao ensino médio. Decidiu, segundo ele, começar a trabalhar, ao invés de apenas “fazer bagunça na sala de aula”. A escola já não lhe despertava mais interesse. Passou por dois empregos informais e há 5 meses está desempregado. Santos vive com a mãe, que trabalha como empregada doméstica, e às vezes consegue alguns “bicos” consertando computadores. “Quero fazer um curso de manutenção de micro, mas antes preciso de um emprego, em qualquer setor mesmo, para poder pagar”, explica.

Projeções

O grupo dos nem-nem-nens não faz parte da população economicamente ativa do País (PEA), mas é capaz de interferir nas taxas de desemprego. Se deixam de procurar trabalho, não pressionam a taxa de desemprego. Para Naercio, a desaceleração da economia pode reverter esse panorama.

De acordo com o especialista, nos últimos anos, o número absoluto de jovens caiu pela primeira vez na história – principalmente pela queda da fecundidade-, mas projeções do IBGE indicam que o número começará aumentar novamente a partir de 2015, criando um problema para uma economia de crescimento pífio.

“Se a geração de empregos estagnar, esse contingente de jovens que chegarem no mercado ficarão desempregados, o que causará pressões para redução dos salários. É um ciclo. Se esse processo atingir o salários e o emprego dos adultos menos qualificados, os filhos que hoje estão fora do mercado, terão que voltar a procurar trabalho, o que pode aumentar ainda mais a taxa de desemprego”, explica. “Para que isso não ocorra, o país precisaria aumentar rapidamente a sua produtividade, mas não há muito indícios que isso aconteça no curto prazo”, conclui.

Respiro e novos caminhos

Os quase 10 milhões de nem-nens no Brasil possuem diferentes perfis. Dentre eles, há quem tenha decidido parar os estudos e o trabalho, para dar um respiro, viver um período sabático e repensar a vida profissional.

O publicitário Mateus Martins, de 29 anos, resolveu parar tudo em novembro do ano passado, após 3 meses “de trabalho exaustivo” na campanha eleitoral de um dos candidatos ao Governo de Minas Gerais. “Pretendo voltar a trabalhar só em março. Já fiz uma viagem de 20 dias para o Sul do Brasil, estou agora 40 dias no Sudeste Asiático e, quando voltar, ainda quero mais duas semanas em Jericoacoara”, conta o publicitário, que está financiando esse momento de descanso com algumas economias e o salário do último emprego.

Mais do que umas férias prolongadas, Martins quer aproveitar o período para repensar a carreira, adquirir “mais repertório” e tentar novos rumos em 2015. “Uma nova agência, uma nova cidade, outra função dentro do mercado de comunicação. Tudo isso junto ou nada disso. Ainda estou pensando”, explica o publicitário que, enquanto se decide, resolveu deixar todos seus pertences na casa do pai.

Fonte – IHUSINOS

Kátia Abreu a ministra que desmata até a razão

De 2011 a 2014, a presidenta Dilma Rousseff incorporou 2,9 milhões de hectares à área de assentamentos e beneficiou 107,4 mil famílias sem-terra, segundo o mais recente balanço do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, divulgado na quarta-feira 7. É a menor média anual de assentamentos desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A petista distribuiu terras a 26,8 mil famílias a cada ano, contra 76,7 mil no período Lula e 67,5 mil nos dois mandatos do tucano.

 

 A reportagem é de Rodrigo Martins

 Apesar do incremento de programas sociais no campo e dos investimentos em assistência técnica, os movimentos rurais queixam-se do baixo ritmo de desapropriações e da manutenção da secular estrutura agrícola, baseada no latifúndio e na monocultura voltada para a exportação. Enquanto isso, 120 mil famílias permanecem acampadas à espera da reforma agrária.

Devem perder a esperança? Sim, se depender da nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, uma escolha pessoal de Dilma. Em seu discurso de posse, a ruralista chegou ao cúmulo de negar a existência de latifúndios no País. Por consequência, defendeu uma desaceleração ainda maior no programa de reforma agrária. “Ele tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais.”

Escalado para fazer o contraponto a Kátia Abreu neste novo governo, Patrus Ananias, agora ministro do Desenvolvimento Agrário, foi obrigado a rebater a colega logo em seu primeiro pronunciamento oficial, durante a posse. “Ignorar ou negar a existência das desigualdades e injustiças é uma forma de perpetuá-las. Não basta derrubar a cerca dos latifúndios, é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social.”

Os números oficiais revelam a dimensão do lapso da ministra. O Brasil possui cerca de 130,3 mil latifúndios ou grandes propriedades rurais, que concentram uma área superior a 244,7 milhões de hectares. O tamanho médio é de 1,8 milhão de hectares (ou 18 mil quilômetros quadrados). Ou seja, 2,3% dos proprietários concentram 47,2% de toda área disponível à agricultura no País. Os números foram atualizados no fim de 2014 e constam na base do Cadastro de Imóveis Rurais do Incra. Referem-se apenas aos imóveis rurais privados, excluídas da soma as terras públicas ou devolutas.

Um estudo da Associação Brasileira da Reforma Agrária estima que ao menos metade dessas grandes propriedades são improdutivas. Além disso, há tempos os movimentos sociais reivindicam a atualização dos índices de produtividade da terra, um dos principais critérios utilizados na desapropriação de áreas para novos assentamentos. “O problema é que esses índices estão baseados no Censo Agropecuário de 1975”, explica o engenheiro agrônomo Gerson Teixeira, presidente da Abra. “Utilizam-se os mesmos parâmetros de 40 anos atrás, sem levar em conta a gigantesca evolução tecnológica ocorrida no campo nesse período.”

Dados compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento comprovam o progresso mencionado por Teixeira. A produtividade de algumas culturas mais do que triplicou nas últimas quatro décadas. Na safra de 1976/77, o Brasil produziu 1.501 quilos de arroz ou 1.632 quilos de milho por hectare. Em 2013/14, a colheita rendeu mais de 5 mil quilos dos mesmos produtos por hectare. Segundo um estudo do Ipea, o índice de produtividade agrícola brasileiro multiplicou-se em 3,7 vezes de 1975 a 2010, quase o dobro do crescimento observado nos EUA. Esse incremento corresponde a um avanço médio anual de 3,6% ao longo dos 35 anos considerados na pesquisa.

Patrus promete revisar esses índices e encampar um debate público sobre a função social da terra. Não é a primeira vez que o Executivo estimula a discussão. Em diferentes momentos, o governo Lula propôs a atualização dos indicadores, mas cedeu às pressões da bancada ruralista no Congresso. No primeiro mandato, Dilma evitou a arenga. Agora, os movimentos sociais renovam as esperanças de uma efetiva redistribuição de terras.

“A correlação de forças no Congresso não é das melhores e a presença no governo de uma latifundiária, como Kátia Abreu, desanima. Mas o discurso de Patrus indica uma nova orientação política, que pode acelerar os processos de desapropriação de terras”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST. “É possível assentar ao menos 50 mil famílias a cada ano.”

Embora necessária, a atualização dos defasados índices de produtividade agrícola deve encontrar forte resistência dos representantes do agronegócio. Um levantamento preliminar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar indica a presença de ao menos 139 ruralistas na Câmara dos Deputados a partir de 2015. A Frente Parlamentar da Agropecuária, por sua vez, garante ter uma base de apoio ainda maior: cerca de 250 deputados e 16 senadores.

Na avaliação do economista Bastiaan Reydon, professor da Unicamp e consultor do Banco Mundial, o maior desafio do governo é conhecer melhor sua situação fundiária e reforçar o combate à especulação com terras. “Enquanto Napoleão fez o cadastramento de todos os imóveis rurais da França no início do século XIX, o Brasil ainda não concluiu o seu mapeamento”, alerta.

“Hoje, mesmo quem não tem lucros expressivos com a agropecuária prefere ficar na terra, pois sabe que ela se valorizará com o tempo. Pela atual legislação, um latifúndio improdutivo deveria pagar cerca de 20% de seu valor em impostos por ano. Em cinco anos, o especulador perderia o imóvel. Mas o governo nem sequer conhece com exatidão os proprietários de todas as terras. Apenas 64% do território nacional está georreferenciado.”

No Brasil a polícia prende e a Justiça solta?

ALDIR

Gilson Vasco, Especial para Opinião Pública

Não raro, muitos comentaristas de programas policiais de televisão ou mesmo aqueles que, não sendo policiais, acabam abordando assuntos voltados para o problema da violência costumam dizer que, no Brasil, a polícia prende a e justiça solta e, por conta disso, chegam a defender a redução da maioridade penal, a prisão perpétua ou até a pena de morte para quem for taxado de bandido.

Verdade é que a história não é bem assim, ora, recentemente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou uma cifra de mais de 711.463 como sendo a nova população carcerária brasileira, entre presos dos regimes fechado, semiaberto, aberto, provisório e domiciliar. O que não é surpresa, uma vez que os números apresentados já eram esperados. Com um agravante, se se cumprisse o número de mandados de prisão em aberto, a população carcerária brasileira saltaria para mais de 1.000,000 de presos!

Com essas estatísticas, o Brasil ultrapassou a Rússia e passou a ser o detentor da terceira maior população carcerário do mundo.

Lamentavelmente, duas coisas esses comentaristas de telejornais não contam: a quantidade exorbitante de presos que é de mais de 700 mil e quem são eles. Mas se você ainda não sabe, passará, a saber, a partir de agora.

Essa história de dizer que, no Brasil, a polícia prende e a justiça solta não é bem assim como tentam fazer descer em nossas gargantas. No Brasil, somente ficam presos pessoas que não conhecem as brechas da lei, negros e pobres. Como assim, ricos, brancos e magistrados não podem ser bandidos? Bem, se analisarmos de um ângulo voltado para indivíduos ricos, brancos e magistrados quando momentaneamente recolhidos para os presídios brasileiros, chegaremos à conclusão, num passo acelerado de que realmente não, haja vista que a prisão por si só não deve, de modo algum, ser tomada como uma referência segura para se saber quem comete crime no Brasil, ora, quem de fato está preso no Brasil por desvio de verbas do metrô de São Paulo, da Petrobras, pelas muitas lavagens de dinheiro e pelas muitas outras animações criminais e corruptivas?

Como sempre, o perfil do preso brasileiro se desenha por jovens pardos e de baixa escolaridade, ou seja, os presos brasileiros são os negros, os pobres, analfabetos, desempregados, desabitados e as pessoas que não possuem sequer o quarto ano escolar ou o ensino fundamental completo. Sendo aqueles entre 18 e 24, a maioria dos presos.

Claro, num País com uma população de 200 milhões de habitantes, no qual, as autoridades públicas não apresentam políticas públicas capazes de inserir a juventude no seio social, os resultados não poderiam tomar outros rumos: menos escolas e mais presídios.

(Gilson Vasco, escritor)

 

Para se entender o terrorismo contra o Charlie Hebdo. Artigo de Leonardo Boff

“Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

 

Eis o artigo.

Uma coisa é se indignar, com toda razão, contra o ato terrorisa que dizimou os melhores chargistas franceses. Trata-se de ato abominável e criminoso, impossível de ser apoiado por quem quer que seja.

Outra coisa é procurar analiticamente entender por que tais eventos terroristas acontecem. Eles não caem do céu azul. Atrás deles há um céu escuro, feito de histórias trágicas, matanças massivas, humilhações e discriminações, quando não de verdadeiras guerras preventivas que sacrificaram vidas de milhares e milhares de pessoas.

Nisso os USA e em geral o Ocidente são os primeiros. Na França vivem cerca de cinco milhões de muçulmanos, a maioria nas periferias em condições precárias. São altamente discriminados a ponto de surgir uma verdadeira islamofobia.

Logo após o atentado aos escritórios do Charlie Hebdo, uma mesquita foi atacada com tiros, um restaurante muçulmano foi incendiado e uma casa de oração islâmica foi atingida também por tiros.

Que significa isso? O mesmo espírito que provocou a tragédia contra os chargistas está igualmente presente nesses franceses que cometeram atos violentos às instituições islâmicas. Se Hannah Arendt estivesse viva, ela que acompanhou todo o julgamento do criminoso nazista Eichmann, faria semelhante comentário, denunciando este espírito vingativo.

Trata-se de superar o espírito de vingança e de renunciar à estratégia de enfrentar a violência com mais violência. Ela cria uma espiral de violência interminável, fazendo vítimas sem conta, a maioria delas inocentes.

Paradigmático foi o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. A reação do Presidente Bush foi declarar a “guerra infinita” contra o terror; instituir o “ato patriótico” que viola direitos fundamentais ao permitir prender, sequestrar e submeter a afogamentos a suspeitos; criar 17 agências de segurança em todo o país e começar a espionar todo mundo no mundo inteiro, além de submeter terroristas e suspeitos em Guantánamo a condições desumanas e a torturas.

O que os USA e aliados ocidentais fizeram no Iraque foi uma guerra preventiva com uma mortandade de civis incontável. Se no Iraque houvesse somente ampla plantação de frutas e cítricos, nada disso ocorreria. Mas lá há muitas reservas de petróleo, sangue do sistema mundial de produção.

Tal violência barbárica, porque destruiu os monumentos de uma das mais antigas civilizações da humanidade, deixou um rastro de raiva, de ódio e de vontade de vingança.

A partir deste transfundo, se entende que o atentado abominável em Paris é resultado desta violência primeira, e não causa originária. O efeito deste atentado é instalar o medo em toda a França e em geral na Europa. Esse efeito é visado pelo terrorismo: ocupar as mentes das pessoas e mantê-las reféns do medo.

O significado principal do terroismo não é ocupar territórios, como o fizeram os ocidentais no Afeganistão e no Iraque, mas ocupar as mentes. Essa é sua vitória sinistra.

A profecia do autor intelectual dos atentados de 11 de setembro, o então ainda não assassinado Osama Bin Laden, feita no dia  8 de outubro de 2001, infelizmente, se realizou: “Os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”.

Ocupar as mentes das pessoas, mantê-las desestabilizadas emocionalmente, obrigá-las a desconfiar de qualquer gesto ou de pessoas estranhas, eis o que o terrorismo almeja e nisso reside sua essência. Para alcançar seu objetivo de dominação das mentes, o terrorismo persegue a seguinte estratégia:

(1) os atos têm de ser espetaculares, caso contrário, não causam comoção generalizada;

(2) os atos, apesar de odiados, devem provocar admiração pela sagacidade empregada;

(3) os atos devem sugerir que foram minuciosamente preparados;

(4) os atos devem ser imprevistos para darem a impressão de serem incontroláveis;

(5) os atos devem ficar no anonimato dos autores (usar máscaras) porque quanto mais suspeitos, maior o medo;

(6) os atos devem provocar permanente medo;

(7) os atos devem distorcer a percepção da realidade: qualquer coisa diferente pode configurar o terror. Basta ver alguns rolezinhos entrando nos shoppings e já se projeta a imagem de um assaltante potencial.

Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor.

O importante não é a violência em si, mas seu caráter espetacular, capaz de dominar as mentes de todos. Um dos efeitos mais lamentáveis do terrorismo foi ter suscitado o Estado terrorista que são hoje os EUA. Noam Chomsky cita um funcionário dos órgãos de segurança norte-americano que confessou: “Os EUA são um Estado terrorista e nos orgulhamos disso”.

Oxalá não predomine no mundo, especialmente no Ocidente, este espírito. Aí sim, iremos ao encontro do pior.

Fonte IHUSINOS

Pasmem: Ex-Diretor do DETRAN afirma que não deixou rombo na instituição e que foi transparente e democrático

ALDIR

DIREITO DE RESPOSTA

 

Caro Aldir

     Gostaria na minha pessoa de homem público e gestor, de informar ao jornalista que não houve rombo no DETRAN-MA na minha gestão.  Suas citações me deixaram um tanto estarrecidos e não condizem com a realidade e sinto a necessidade de fazer alguns esclarecimentos pertinentes:

  1. Não há e nunca houve sucateamento interno do DETRAN-MA. O órgão desde 1992 não passava por melhorias em sua estrutura física, principalmente interna. O que foi feito na nossa gestão como prioridade e isso é notório na sociedade maranhense foi trabalhar a melhoria nas instalações do atendimento ao público. Fizemos um novo hall de atendimento, com novos equipamentos de informática, máquina de senhas, climatização, mobília nova e confortável, além do Complexo da Vistoria. Todos os postos da capital passaram por reformas que não se limitam a apenas a pintura de fachada dos prédios, como mencionado.  Toda a rede lógica foi trocada e nada foi feito com superfaturamento, foram licitações e adesões à ata que atenderam as prerrogativas da lei. Vale ressaltar que a nossa intenção era reformar toda a parte interna do órgão, que de fato precisa urgente de reparos, mas o tempo não foi hábil e o projeto encontra-se no departamento para a apreciação do novo gestor .
  2.  Os contratos firmados pelo DETRAN-MA com a empresa VTI não tratam do mesmo objeto: um dos contratos trata da tão sonhada baixa de plataforma do departamento que vai garantir e já garante a disponibilidade de aplicativos móveis nos smartphones por exemplo e que vai tornar o órgão independente tecnicamente da Secretaria Adjunta de Informática –SEATI, evitando as famosas e intermináveis quedas do sistema. O outro contrato trata da gestão dos processos do DETRAN-MA que é algo que vai agilizar e desburocratizar os serviços prestados pelo órgão. Todos os dois contratos foram adesões à ata do Governo Federal e também estão rigorosamente dentro da lei.
  3. Em relação a MS Informática e Consultoria, a empresa realiza a organização do arquivo central do DETRAN-MA e a digitalização dos processos. Além do mais todo o trabalho foi feito e concluído. No que o nobre jornalista se refere à aquisição de 18 camionetas hilux para as Ciretrans da instituição em todo o Estado, informo que na verdade são 20 carros e não 18. As cinco maiores Ciretrans receberam dois carros para facilitar o trabalho dos chefes das mesmas que têm em média mais de 30 municípios em suas jurisdições de trabalho. Os carros foram locados, não adquiridos e não houve qualquer irregularidade com o processo. As caminhonetas adquiridas pelo DETRAN-MA por meio dos recursos do convênio com a FENASEG são de antes da minha gestão e algumas estão com a vida útil precária e outras totalmente inoperantes.
  4. Quem me conhece caro jornalista Aldir Dantas sabe que sou um gestor democrático. Assusta-me um jornalista de sua estirpe ser usado para praticar tais ofensas a minha pessoa sem que eu possa pelo menos me defender. Mas vamos aos esclarecimentos: nunca usei de agressões, expulsões e assedio moral para com os funcionários (eu sim fui vítima de ameaças e agressões por parte de alguns servidores que foram afastados/demitidos por suspeitas por prática de irregularidades dentro do órgão.
  5. O DETRAN-MA é um órgão de trânsito sério e não um patrimônio particular, se o órgão tem algum dono esse dono é o povo que paga todos os seus impostos, taxas e serviços e foi para esse povo que prestamos serviços à frente do órgão e que tenho a satisfação que em nome da minha equipe de dizer que recebi e recebo ainda diversos elogios pela gestão realizada no departamento nos últimos dois anos.

                                                    André Campos

 

            André Campos faltou com a verdade

 

            Depois de ter me enviado o direito de resposta, o senhor André Campos me encaminhou algumas considerações afirmando que todos os contratos assinados com a empresa Diplomata, foram licitados publicamente, mesmo estando publicados no Diário Oficial do Estado com o registro de aditivos. Foi o que prevaleceu durante os dois anos da sua administração, inclusive o último contrato no valor superior a 10 milhões de reais, assinado no dia 19 de novembro do ano passado e publicado no Diário Oficial do Estado, no dia primeiro de dezembro 2013.

Diante da falta aos princípios da verdade, o senhor André Campos demonstra que não age com seriedade, uma vez que contratos idênticos foram assinados com a VTI e outras empresas.

Quanto a questão do autoritarismo ele deve ter esquecido que mandou  uma empresa terceirizada demitir quatro funcionárias que foram denunciadas por capachos por estarem em um restaurante com roupas vermelhas. Ele atribuiu que elas comemoravam a vitória de Flavio Dino e foram punidas, e teriam sido   filmadas por subservientes do ex-diretor. Se tivessem em comemorações era um direito democrático de manifestação pública, que não pode ser atrelado a vontade de quem procurava interferir no direito da expressão do pessoal do DETRAN.

Como mantenho muitas informações sobre praticas ilícitas registradas no DETRAN, logo voltarei com mais detalhes. A propósito tenho informação de que equipes de auditores já estão trabalhando no DETRAN e que os problemas são mais sérios do que se imagina. Há denuncias de que uma pessoa tinha quatro empresas prestando serviços para a instituição. Quanto ao rombo não há como escapar da realidade e da

 

Corrupção deslavada: Conselho Estadual de Saúde paga aluguel de 30 mil reais por quatro salas em prédio da família de ex-secretário de Saúde

ALDIR

A corrupção que dominou o governo de Roseana Sarney era uma espécie de epidemia arrasadora em todas as instituições públicas estaduais. Em qualquer órgão público as digitais dela podem ser detectadas com relativas facilidades, daí é que o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde, na educação, no combate a extrema pobreza, na produção agrícola, no saneamento básico e no fornecimento de água para a população, acabava indo para os bolsos de verdadeiros bandidos travestidos de gestores públicos.
Se hoje, de acordo com o IBGE, o Maranhão tem quase 1,2 milhões de pessoas na extrema pobreza com renda mensal inferior a 70 reais, com todas passando fome e na miséria, o resultado foi a roubalheira institucionalizada pela ex-governadora Roseana Sarney, enrolada na corrupção da operação Lava Jato.
A foto é de um prédio localizado à rua Silva Jardim esquina com Afogados, pertencente à família da esposa do ex-secretário de Estado da Saúde, José Márcio Leite. No edifício Fábio, quatro salas são alugadas para o Conselho Estadual de Saúde por 30 mil reais. Existem outros prédios dentro do Sistema Estadual de Saúde alugados em circunstâncias mais vergonhosas. O secretário Marcos Pacheco, deve imediatamente dar um basta em todas as roubalheiras que dominaram a pasta nos últimos quatro anos.
A Secretaria de Segurança Pública privilegiou muita gente com o dinheiro que deveria ser utilizado para combater a violência alugando prédios sem as mínimas condições para funcionamento de delegacias, retirando criminosamente o direito de delegados e demais servidores de terem condições dignas de trabalho. Com o apoio dos cofres do Estado e da ex-governadora Roseana Sarney, o agente da Policia Federal, Aluísio Mendes é deputado federal naturalmente, sem a mínima expressão. Acredito que o secretário Jeferson Portela, embora com muitas dificuldades, diante do elevado rombo nos cofres públicos, possa reverter a situação deprimente em que foi encontrado o Sistema de Segurança Pública.

Secretários denunciam rombo bilionário deixado pelo governo Sarney

RoseanaSarney

Na manhã desta sexta-feira (09), o deputado federal eleito Rubens Jr., compareceu na coletiva de imprensa, no Palácio Henrique de La Rocque, onde o chefe da Casal Civil,  Marcelo Tavares, a Secretária de Planejamento, Cinthia Mota Lima e o Secretário de Fazenda, Marcellus Ribeiro Alves expuseram a real situação financeira do estado.

 O governo possui 1,2 bilhão de dívida, próximo de 10% do orçamento do estado para o ano de 2015. As dívidas para o primeiro mês do ano equivalem a 893 milhões entre empréstimos, custeio, folhas, etc. O caixa do governo dispõe de um saldo de 24 milhões.

 O secretário, Marcelo Tavares esclareceu que o governo anterior recolheu 72 milhões dos consignados, mas não transferiu às instituições, o que também, não apareceu no caixa. O secretário ainda anunciou cortes nos excessos de contratos.“Vamos recompor as finanças e reduzir o custeio até o final do ano, uma economia de 800 milhões”, disse Marcelo Tavares.

  Mesmo faltando 82 milhões nos cofres públicos os secretários do governo garantiram o investimento no desenvolvimento do estado e que todas as metas serão atingidas. “Déficit deixado não altera o compromisso do nosso governo em garantir desenvolvimento para o Maranhão”. Afirmou Marcelo Tavares.

 Para Rubens Jr., independentemente do desfalque bilionário, as medidas anunciadas pelo governador Flávio Dino no início do governo serão asseguradas. “Em qualquer caso os trabalhadores terão seus direitos assegurados. O importante é investir bem o dinheiro do povo maranhense.” concluiu o deputado federal.

 O Secretário de Comunicação, Robson Paz, o adjunto da Casa Civil, Carlos Eduardo Lula e a imprensa através dos mais diversos segmentos estiveram presentes.

O papa que afasta a Igreja do poder

Não resolutos, que – imagino que ele seja perfeitamente consciente disso – também podem produzir discordâncias e divisões. Além disso, o Evangelho também não é “sinal de contradição”, “espada de dois gumes”, “escândalo e loucura”? escondo de ser literalmente um entusiasta do Papa Francisco. Que não é o bonachão representado pelos seus críticos: ele sabe unir a pregação do primado da caridade e da misericórdia com palavras e atos de governo

A opinião é do parlamentar italiano Franco Monaco, ex-presidente da Ação Católica de Milão, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera

Eis o texto.

Caro diretor, como modesto leigo cristão, que teve algumas responsabilidades na Igreja ambrosiana guiada pelo inesquecível cardeal Martini, permito-me uma simples observação de método e de costume sobre a disputa entre Vittorio Messori e Leonardo Boff em torno da reviravolta impressa na Igreja pelo Papa Francisco.

Uma reviravolta, aos meus olhos, salutar e necessária. Na qual é difícil não encontrar muitos dos motivos que marcaram o magistério e a pastoral justamente do padre Martini. Uma reviravolta, dizendo com extrema síntese, que reconduz a Igreja ao Concílio ou, ainda mais na raiz, ao Evangelho e ao espírito genuíno da comunidade apostólica original.

Uma reviravolta em conformidade, pelo que entendemos, com o mandato confiado a Francisco por cardeais eleitores lucidamente conscientes do porte da crise em que a Igreja se encontrava, dramaticamente atestada pelo trauma da renúncia do Papa Bento XVI.

Uma reviravolta, enfim, que marca as distâncias da Igreja em relação ao poder, que a torna livre, corajosa e verdadeiramente universal (menos euro-ocidental) na sua missão evangelizadora e que, em relação ao nosso pequeno universo político-eclesiástico italiano, a liberta de um excesso de promiscuidade com a política. Uma promiscuidade que prejudicou a Igreja e a política italiana.

Portanto, não escondo de ser literalmente um entusiasta do Papa Francisco. Que não é o bonachão representado pelos seus críticos: ele sabe unir a pregação do primado da caridade e da misericórdia com palavras e atos de governo resolutos, que – imagino que ele seja perfeitamente consciente disso – também podem produzir discordâncias e divisões. Além disso, o Evangelho também não é “sinal de contradição”, “espada de dois gumes”, “escândalo e loucura”?

Dito isso, não gostei do teor polêmico da reação de Boff às críticas de Messori, especialmente a pretensão, francamente ousada demais, de interpretar a Igreja do Espírito. Não é conforme ao estilo do Papa Francisco, que, como se viu no Sínodo sobre a família, coloca na conta e, de certo modo, mostra que aprecia o debate crítico conduzido com honestidade intelectual e reta consciência. Mais: julgo equivocada a coleta de assinaturas para um documento divulgado por grupos eclesiais pró-Francisco e contra Messori. Desproporcionada e até mesmo contraproducente: o papa não precisa de apelos em seu sustento.

No máximo, a Messori, eu moveria outros dois destaques. Primeiro: ele defende ter sido “solicitado” para intervir. Por quem? A discussão franca e fraterna dentro da Igreja deve banir o anonimato, deve ser conduzida com o rosto aberto. É o pressuposto para o amadurecimento de uma opinião pública livre na Igreja, que eu acho que agrada a Francisco e, lembro com segurança, agradava a Martini. Também para limpar o campo de bastidores, delações, manobras opacas, que tanto mal fizeram e fazem à Igreja, entendida como comunidade fraterna e, à sua maneira, exemplar para a comunidade civil.

Segundo: no mínimo, Messori deveria ser mais explícito na crítica. Não há necessidade de revesti-la de “diplomatismos” e de homenagens rituais ao papa. Em suma, um bem entendido espírito laico, que se alimenta de liberdade crítica e senso da medida, também faz bem para a discussão interna à Igreja.

Fonte – IHUSINOS

Astro de Ogum consegue adiantamento de repasse e vai pagar prestadores de serviços na Câmara

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O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Astro de Ogum (PMN), conseguiu, nesta sexta-feira (9), junto ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior, o adiantamento de R$ 1 milhão, do repasse constitucional  do Legislativo de São Luis, para pagamento de despesas de água, Internet e para colocar em dia o folha de prestadores de serviços, que não receberam o salário de dezembro.

Astro de Ogum afirmou que dos recursos repassados, R$ 70 mil serão destinados para pagamento da conta de energia e colocar em dia ainda pagamento de despesas de água e Internet. Ele diz que encontrou R$ 29 mil em caixa, sendo que, desse total, R$ 20 mil foram para demandas judiciais.

De acordo com o presidente do parlamento da capital maranhense, gestor que assume comando de órgão público só é obrigado a efetuar pagamento de despesas anteriores, quando encontra recursos em caixa, porque tem que gerenciar é o orçamento de sua administração.

Ele destaca, no entanto, que envidou todos os esforços para conseguir essa adiantamento, principalmente para pagar os prestadores de serviço, que trabalharam e ficaram com o salário de dezembro atrasado.

“Entendo perfeitamente o drama desses prestadores de serviços, que passaram Natal e Ano Novo impedidos de festejarem datas tão significativas, mas agora, a situação está sendo contornada”, afirmou Astro de Ogum.

Crise econômica complica a vida dos municípios maranhenses

Os 217 municípios do Maranhão estão sofrendo os efeitos da crise econômica mundial, uma vez que a sua principal fonte de recursos provém das transferências do Governo Federal (FPM, FP, ITR, CID, FUS, FUNDEB e SIMPLES) e estas sofreram uma diminuição vertiginosa devido à retração da atividade econômica no País.

A crise econômica, por sua vez, chegou em um momento muito complicado para os municípios tendo em vista que o Governo Federal reajustou, recentemente, o salário mínimo para R$ 465,00, o que acarretou em muitas dificuldades para o pagamento do funcionalismo municipal.

Assim, tem-se um quadro de diminuição de arrecadação e a necessidade sempre premente de mais recursos; quer seja para o pagamento do novo mínimo; quer seja para a expansão das políticas públicas tanto almejadas pelos munícipes. Desse modo, urge que os Gestores ajustem os seus municípios para fazer face ao momento vigente.

Veja o comparativo entre a arrecadação de fevereiro de 2008 e 2009 de alguns municípios maranhenses, no quadro acima (Fonte: Banco do Brasil).
Assim, os prefeitos (e prefeitas) devem ter coragem e assumir o seu papel diante da crise instalada. Eis algumas sugestões:

a)reduzir cargos em comissão ou funções comissionadas em até 20%;
b)cortar gastos com despesas de telefonia, veículos, material de expediente, etc;
c)reduzir o horário de expediente da prefeitura, com vistas a reduzir igualmente os seus custos;
d)Suspender temporariamente os investimentos públicos;
e)não nomear servidores concursados;
f)reduzir as terceirizações de mão-de-obra em até 30%;
g)combater o desperdício na Administração Pública;
h)incrementar a arrecadação dos impostos municipais buscando reduzir a inadimplência e a sonegação de IPTU e ISS;
i)combater a corrupção;
j)modificar a Lei de Estrutura Administrativa Municipal com vistas a diminuir o tamanho da máquina pública da prefeitura;
l)informar a população, através da audiências públicas da LRF, sobre a real situação do município e as providências que estão sendo postas em prática.

Boa sorte aos Gestores que querem, realmente, promover mudanças eficazes e encontrar soluções para o enfrentamento desta crise de proporções planetárias.

Welliton Resende Silva

Núcleo de Prevenção à Corrupção e Ouvidoria