Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprova fim da prisão disciplinar para policiais militares e bombeiros

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Integrantes das polícias militares e dos corpos de bombeiros poderão ficar livres da pena de prisão disciplinar. A alteração é prevista no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 148/2015, aprovado nesta quarta-feira (3) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e encaminhado ao Plenário.

O projeto assegura a essas duas categorias, no julgamento das transgressões disciplinares, direitos como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Também veda medida privativa e restritiva de liberdade. A fim de tornar efetivos esses direitos, a proposta fixa prazo de 12 meses para os estados instituírem novos códigos de ética e disciplina das duas categorias.

Autores do PLC 148/2015, os deputados Subtenente Gonzaga (PDT-MG) e Jorginho Mello (PR-SC) classificam de “flagrantemente inconstitucionais” os decretos estaduais que amparam as prisões disciplinares. Para eles, trata-se de uma herança do regime ditatorial de 1964-1985.

Conforme os parlamentares, basta uma ordem verbal do superior hierárquico para aplicação de punições “extremamente desumanas e humilhantes” a policiais e bombeiros. Muitas vezes, segundo os dois deputados, a falta disciplinar se resume a um uniforme em desalinho, a uma continência malfeita, a um cabelo em desacordo ou a um atraso ao serviço.

Os autores esclarecem que o fim da prisão como punição disciplinar não elimina a aplicação do Código Penal Militar, nem do Código Penal comum. Os deputados não consideram razoável propor um texto único de regulamento, em respeito ao pacto federativo e às particularidades de cada instituição. Entretanto, julgam necessário estabelecer princípios gerais, como os constantes do projeto.

Mesmo reconhecendo que a Constituição permite punições disciplinares privativas de liberdade, o relator, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), afirmou que isso não obriga o legislador a efetivamente adotar essas penalidades, especialmente no caso das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares.

        — Trata-se de opção política que foi adotada no passado, mas que não pode ser mantida. Desse modo, é necessária a extinção dessa modalidade de punição disciplinar administrativa de nosso ordenamento jurídico — acrescentou o senador.

Agência Senado

Povão da Liberdade e outros segmentos sociais foram à convenção do PSD apoiar o líder Cezar Bombeiro

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A convenção do PSD, realizada hoje (04) na sede do SESC Olho D’agua foi bastante concorrida e um dos destaques foi a presença de lideranças do Movimento Desperta Liberdade e de outros segmentos sociais, que foram levar o importante apoio ao líder classista e comunitário Cézar Bombeiro, que teve o seu nome homologado a concorrer a uma vaga no legislativo municipal.

Cézar Bombeiro foi bastante aplaudido quando falou aos convencionais e disse que como dirigente sindical, atualmente está licenciado da presidência do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário, sempre pautou pela seriedade e transparência. Destacou que alguns gestores públicos e pessoas ligadas a instituições tentaram por todos os meios escusos imputar a sua pessoa e a categoria a qual pertence o envolvimento nos conflitos barbáries no Sistema Penitenciário, que marcaram a administração estadual passada, mas a verdade prevaleceu e dentre os seus detratores estavam os corruptos e os responsáveis pelas barbáries, que infelizmente ainda permanecem na impunidade. Cézar Bombeiro afirmou que um dos grandes orgulhos que tem é de morar no bairro da Liberdade, onde vive desde quando veio da Viana para estudar e formou a sua família. Se me tornei simples, pacato e comprometido com as lutas comunitárias, aprendi com os meus amigos e irmãos do bairro da Liberdade.

Se atualmente sou suplente de vereador devo aos amigos da Liberdade e espero que eles me ajudem a chegar ao alto do pódio. Estou satisfeito e feliz pela presença de todas as lideranças que estão comprometidas com o meu projeto politico eleitoral, afirmou Cézar Bombeiro.

Alterações em lista de cirurgias do SUS poderão caracterizar improbidade administrativa

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Simone Tebet, relatora, apresentou emenda para eliminar a exigência de identificação do paciente ou de seu responsável legal pelo número do RG


Irregularidades na lista de cirurgias programadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser enquadradas como ato de improbidade administrativa. A punição está prevista em projeto de lei (
PLS 393/2015) do senador Reguffe (Sem partido–DF), aprovado nesta quarta-feira (3) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O ponto de partida da proposta é tornar obrigatória a divulgação da lista de agendamento de cirurgias pelo SUS na internet, tanto as realizadas por hospitais públicos quanto as pela rede privada conveniada. Está prevista ainda a atualização semanal dessa relação, bem como o enquadramento na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) do serviço de saúde que deixar de elaborá-la ou fraudá-la.

O PLS 393/2015 recebeu parecer favorável da relatora, senadora Simone Tebet (PMDB-MS), que promoveu ajustes no texto – a maioria de redação – com cinco emendas. Uma delas elimina a exigência de identificação do paciente ou de seu responsável legal pelo número da carteira de identidade (RG).

“Entendemos que a publicação dessa informação pode gerar questionamentos quanto à violação da privacidade dos pacientes, razão pela qual optamos por identificá-los exclusivamente pelo número do Cartão Nacional de Saúde”, explicou Simone no parecer.

Para Reguffe, a garantia de acesso público a informações “confiáveis e periodicamente atualizadas” vai permitir um controle efetivo sobre eventuais adulterações ou fraudes no âmbito do SUS. Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e José Maranhão (PMDB-PB) destacaram a importância da proposta para evitar que a fila por cirurgias no SUS seja furada.

Para Aécio, o projeto, quando for convertido em lei, evitará prejuízo ao cidadão que não tem alternativa a não ser recorrer ao serviço público de saúde. Com a decisão da CCJ, o PLS 393/2015 vai a votação final na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Agência Senado

Povos Indigenas fizeram protesto hoje em frente ao Palácio dos Leões cobrando direitos e dignidade humana

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A faixa bem destacada em frente ao Palácio dos Leões, mostra que se foi o tempo em que índio queria apito. Eles lutam por direitos e dignidade humana e sabem se organizar para fazer pressão.

Cerca de 60 indígenas Tenetehar/Guajajara protestaram na manhã desta quarta-feira (03), na frente do Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, exigindo que o estado cumpra com a obrigação de garantir merenda, pagamentos atrasados de professores e professoras, contratações e infraestrutura para a Educação Escolar Indígena diferenciada nas aldeias. O governador Flávio Dino pediu aos indígenas uma comissão para ouvir as reivindicações já apresentadas ao governo em dois abaixo-assinados durante o último mês de julho.

             A manifestação dos povos indígenas foi decorrente deles já terem encaminhado ao próprio governo dois abaixo assinados relatando os graves problemas e como resposta receberam apenas o silêncio e a indiferença, o que infelizmente tem sido a pratica utilizada pela maioria dos gestores públicos, como se os índios não precisem ser levados a sérios, muito embora estejam respaldados por direitos constitucionais assegurados.

              De acordo com as lideranças que vieram a São Luís, eles estão querendo resolver todas as problemáticas através de meios pacíficos, mas se não for possível, eles poderão utilizar outros meios de pressão, deixaram registrados hoje no movimento realizado em frente ao Palácio dos Leões.

Ministério Público Federal participa de inspeção judicial sobre acessibilidade na UFMA

O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) acompanhará, nesta quarta-feira (03), inspeção judicial na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) para avaliar as condições atuais de acessibilidade pedagógica e arquitetônica do Campus do Bacanga. A inspeção foi convocada pelo juiz da 5ª vara da Justiça Federal no Maranhão, José Carlos do Vale Madeira, nos autos da ação civil pública proposta pelo MPF/MA, por meio da procuradora regional dos direitos do cidadão, Talita de Oliveira, que também participará da inspeção.

A decisão foi tomada em reunião realizada em dezembro do ano passado, da qual participaram a Justiça Federal e representantes da UFMA. Durante a reunião, os representantes de diversas áreas da universidade relataram as ações que vem sendo desenvolvidas pelo Núcleo de Acessibilidade, criado recentemente pela instituição.

Diante das ponderações apresentadas, o juiz federal José Carlos Madeira argumentou que, antes do exame do pedido liminar, seria razoável a realização da inspeção com a presença dos diretores dos campus localizados no interior do estado.

A inspeção contará, ainda, com a participação de uma equipe de técnicos da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) composta por servidores e assistente social, além de arquiteto do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Maranhão (CAU/MA), especialista em acessibilidade.

 

Assessoria de Comunicação

Procuradoria da República no Maranhão

Ministério Público pede servidores e viatura em caráter de urgência para delegacia de policia de São Vicente de Ferrer

O Ministério Público do Maranhão propôs Ação Civil Pública, no dia 27 de julho, para que o Estado seja obrigado, em caráter de urgência, a designar servidores para atuar na delegacia do município de São Vicente Férrer. A ACP foi elaborada pela Promotoria de Justiça de São Vicente Férrer e pede o envio imediato de um investigador, um escrivão e uma viatura.

De acordo com a promotora de justiça autora da ação, Alessandra Darub Alves, o MPMA vem recebendo várias denúncias a respeito do quadro precário da segurança pública no município, que tem como termo judiciário a cidade de Cajapió.

A representante do MPMA diz que o município de São Vicente Férrer possui alto índice de criminalidade e que, por isso, precisa ter a segurança pública reforçada. Alessandra Darub conta que no final de 2015 a delegacia do município abrigou 26 presos, dentre eles, 12 já condenados. Explica ainda que, apesar de os presos terem sido transferidos para o presídio de Pinheiro em fevereiro de 2016, a delegacia recebeu 23 novos presos no mesmo mês.

A promotora de justiça relata que Cajapió está desde o final de 2015 sem qualquer representante da Polícia Civil, tendo apenas um funcionário da prefeitura trabalhando na delegacia. Em São Vicente Férrer, a delegacia conta com apenas um delegado, dois investigadores e um escrivão de carreira.

Na ação, Alessandra Darub afirma que a situação causa a demora na elaboração de inquéritos policiais, boletins de ocorrência, entre outros documentos expedidos pela Polícia Civil, contribuindo para a insegurança e o aumento da impunidade.

“É inadmissível os dois municípios, que juntos têm cerca de 30 mil habitantes, viverem em constante descaso com a segurança pública”, conclui Alessandra Darub. O MPMA pede que a Justiça conceda liminar e que a multa aplicada ao Estado, em caso de descumprimento da decisão, seja de R$10 mil ao dia.

Fonte :CCOM-MPMA

Fernando Morais devolve prêmio a Cristovam Buarque e sofre dura humilhação de volta

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O escritor Fernando Morais, autor de um livro premiado chamado “Chatô, o rei do Brasil”, pelo qual recebeu honrarias, quis se aproveitar do fato de Cristovam Buarque ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff e se deu mal.

Morais disse que iria devolver o Prêmio Manuel Bonfim, que lhe foi dado em virtude de seu livro supracitado. “Já pedi à Marília para localizar a placa de prata. Vou devolver. de golpista não quero nada. Nem prêmio”, disse o escritor. Na época em que recebeu o prêmio, Cristovam Buarque era governador no Distrito Federal. A resposta que Buarque deu a ele, no entanto, foi arrasadora.

“Fernando Morais mostra como para o PT não há diferença entre partido, governo e estado.Não fui eu que dei o prêmio, foi o Governo do DF, selecionado pelo mérito de seu maravilhoso livro. Mas ele acha que foi uma bolsa-escritor. Porque, para ele, não há diferença entre partido-governante-governo-estado.

Que pena que nossos gênios estejam tão obtusos. E tão viciados no aparelhamento. O PT corrompeu mais do que a política, corrompeu a inteligência e o caráter. E aos poucos vão mostrando que a volta da Dilma por mais dois anos, com essa gente, vai embrutecer o País e seguir se apropriando do Estado. Pior que não tem juiz Moro para este tipo de roubo: da inteligência e do caráter. Ele não falou em devolver os dez mil que recebeu do prêmio. Na época eram dez mil dólares. Nem o que ele fazia no governo do Quercia”

Fonte – Jornalivre

Mulheres assumirão o comando das Cortes Superiores no próximo biênio

As ministras Cármen Lúcia, Nancy Andrighi e Laurita Vaz emprestarão seu brilho a importantes cargos de liderança do judiciário.

Há nas carreiras jurídicas cada vez mais pioneiras na luta pela defesa da emancipação feminina. A presença da mulher no meio jurídico é crescente e não teria sido possível sem a atuação de verdadeiras desbravadoras que contribuem para engrandecer a profissão e buscar um patamar mais igualitário com os homens. O ano de 2016 será promissor no sentido de consolidar este reconhecimento, com destacadas mulheres assumindo cargos de liderança.

Mulheres no Supremo

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A chegada da primeira mulher no STF foi um marco para a afirmação feminina na comunidade jurídica. Foi em 2000 que a prestigiosa ministra Ellen Gracie assumiu uma das 11 cadeiras da Suprema Corte.

Seis anos depois, com o mesmo brilho, a ministra Cármen Lúcia foi a segunda mulher na história a fazer parte do seleto grupo de juízes que guardam a Constituição brasileira.

Atual vice-presidente da Corte, Cármen Lúcia assumirá, em setembro, a presidência do Supremo Tribunal, quando findam os dois anos de mandato do ministro Ricardo Lewandowski.

Desde que chegou ao STF, a ministra se destaca por importantes votos pela defesa das liberdades individuais. Votou pelo direito de casais homossexuais e pela publicação de biografias sem autorização. Na luta contra a discriminação de gênero, defendeu a validade da Lei Maria da Penha mesmo quando a denúncia não for feita pela vítima. Cármen Lúcia foi advogada, procuradora do Estado de MG e professora da PUC/MG, onde se graduou. Tomou posse no STF em junho de 2006.

Corte da Cidadania

O STJ também deverá ser presidido por uma mulher no próximo biênio. Nancy Andrighi, ministra da Corte da Cidadania desde outubro de 1999 e atual Corregedora do CNJ, é o nome de peso a assumir o cargo no tribunal Superior também em setembro.

ALDIR

Pelo regimento interno, a eleição, por voto secreto do plenário, será realizada trinta dias antes do término do biênio, e a posse, no último dia desse.

Nova corregedoraALDIR

A vice-presidência do STJ está hoje nas mãos da ministra Laurita Vaz, que deve assumir o cargo de Corregedora Nacional de Justiça com a saída da ministra Nancy.

A Corregedoria da Justiça Federal tem suas próprias regras de eleição, mas, por tradição, costuma assumir o cargo de Corregedor o terceiro mais antigo do STJ.

A ministra Laurita já atuou no extinto Tribunal Federal de Recursos e na Justiça Federal e do Trabalho. Foi procuradora regional da República e membro do Conselho Penitenciário do Distrito Federal como representante do Ministério Público Federal, onde exerceu a presidência.

Atuação feminina nas OABs


A tendência é que, a cada triênio, a participação feminina nas OABs seja mais expressiva, porque as mulheres já são hoje maioria entre os causídicos.

No fim do ano passado foram realizadas as eleições para os novos dirigentes das seccionais. Embora as chapas devessem ter, no mínimo, 30% de mulheres, as eleitas no CFOAB são apenas dez (12,34 %). O novo triênio, no entanto, tem uma porcentagem mais significativa do que a composição anterior, com apenas quatro conselheiras. Nas vice-presidências das seccionais elas representam número expressivo: são 10 advogadas neste cargo.

Fonte – Migalhas

Lei Maria da Penha completa 10 anos de combate contra altos índices de violência contra a mulher

Fabiana Maranhão Do UOL

Mulheres quebram o silêncio e denunciam a violência sofrida dentro de casa. Homens são presos e mantidos na cadeia por agredirem suas companheiras. Cada vez mais frequentes, situações assim rompem com o que acontecia em décadas passadas. São avanços creditados à Lei Maria da Penha, que completa dez anos continuando a enfrentar desafios. O Brasil ainda registra um alto índice de homicídios nesse gênero, com uma mulher morta a cada duas horas.

Atacada mesmo com proteção

Há um ano e meio, Lúcia de Fátima Falcão Rodrigues da Silva, 29, vive com medo.

Tenho medo, tenho pânico. Tenho pesadelos, acordo assustada. Escuto gente batendo na porta

Em fevereiro de 2015, ela foi baleada e esfaqueada pelo pai de sua filha e por outros dois homens, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

A manicure ficou 40 dias internada, sendo 20 deles em coma. Ela ficou com o rosto desfigurado, perdeu a visão de um dos olhos. Já passou por quatro cirurgias e ainda tem ao menos outras três para fazer.

O acusado, Ivson Thiago do Chile Júnior, foi preso pouco mais de um mês depois do que aconteceu e, segundo a polícia, assumiu o crime.

Ela não sabe ao certo por que ele quis matá-la. Lúcia conta que ele não gostou quando ela entregou a guarda da filha para a mãe dela.

Mas a ameaça de morte veio depois que a manicure deu o telefone da mãe dele para um traficante, que tinha ido em sua casa cobrar uma dívida de droga.

Lúcia prestou queixa na delegacia e conseguiu que a Justiça o proibisse de se aproximar dela. A medida protetiva não impediu que ela fosse atacada.

A manicure diz que ainda recebe ameaças dele, por meio de conhecidos. O recado: ele vai matá-la quando sair da prisão.

Com medo, a manicure não tem endereço fixo; muda de casa a cada seis meses. Espera terminar de fazer as cirurgias para sair de Pernambuco.

Quero sair do Estado, ir embora, começar minha vida em outro lugar

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Com a palavra, Maria da Penha

“Qualquer lei estando só no papel é uma lei ineficaz, ou seja, não funciona. O que a Lei Maria da Penha precisa é ser devidamente implementada. Os seus equipamentos (centros de referência, delegacia da mulher, juizado da mulher, casa abrigo) devem ser criados e estruturados, e os profissionais que trabalham nesses locais devem ser constantemente capacitados para que a mulher em situação de violência seja prontamente atendida e amparada pelo Estado. Qualquer mudança na lei agora representaria um caminho ao enfraquecimento de uma norma tão bem estruturada e que, se for devidamente cumprida, beneficia e possibilita à mulher e a seus filhos saírem da violência doméstica e familiar a qual estejam submetidas.Nós precisamos unir forças para que, juntas, possamos garantir um futuro sem violência para as nossas descendentes.”

Alto risco

Dados mais recentes revelam que ao menos uma mulher é assassinada no Brasil a cada duas horas.

Lúcia está viva, mas correu um sério risco de morrer. Quando a manicure pernambucana foi ameaçada pelo pai de sua filha, procurou socorro. Sabia que a Lei Maria da Penha poderia ajudá-la. Denunciou o caso à polícia e conseguiu uma determinação da Justiça para que ele não chegasse perto dela.

Não foi suficiente.

Desobedecer uma medida protetiva não é crime no país, explica Valéria Scarance, promotora de Justiça do MP-SP (Ministério Público Estadual de São Paulo) e coordenadora da Copevid (Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher).

“Se não é crime, a pessoa não pode ser presa em flagrante. Quando a vítima relata que houve desobediência à medida de proteção, alguns delegados entendem que é crime e pedem a prisão preventiva do agressor”, diz Scarance.

O problema, aponta ela, é que entre o pedido ser feito à Justiça e a prisão ser concedida e aplicada, a mulher fica exposta ao perigo.

A criação de um tipo penal específico de “desobediência à medida protetiva”, no âmbito da Lei Maria da Penha, é uma das melhorias que ela sugere que a legislação deva ter para tornar mais rigoroso o combate à violência contra a mulher.

A promotora de Justiça afirma que ampliar e aperfeiçoar as medidas protetivas “seriam um instrumento para salvar vidas”.

Outra mudança na lei sugerida por ela é incluir de forma clara que as medidas de proteção são autônomas, ou seja, “não dependem de inquérito, investigação criminal e processo” para serem concedidas.

“Muitas mulheres não suportam o peso de serem acusadoras de seus parceiros. Condicionar a proteção a uma postura da vítima de processar o agressor faz com que ela desista da proteção para não enfrentar um processo.”

Segundo Scarance, há uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que considera essas medidas como autônomas, mas isso não tem poder de lei. “Há juiz que entende que elas são autônomas e há juízes que não veem assim.”

“Incluir [na Lei Maria da Penha] essa possibilidade expressa de proteção mesmo que a vítima não registre boletim de ocorrência poderia salvar muitas vidas. Quando as mulheres acionam o sistema de Justiça, elas querem sobreviver; muitas vítimas desejam unicamente viver em paz.”

Para a promotora, a Lei Maria da Penha é um “marco histórico na defesa das mulheres”.

Há dez anos não se falava em violência contra a mulher; as mulheres não denunciavam a violência [que sofriam]. Houve uma conscientização nacional, mas ainda temos muito para evoluir. Estamos atravessando uma ponte

Agressões em números

  • 38.019 denúncias

de violência contra a mulher foram recebidas entre janeiro e março de 2016 pelo Ligue 180

  • 46%

foram de violência física; 25% foram de violência psicológica

  • 72% dos casos denunciados

em 2015 foram cometidos por atuais ou ex-companheiros, cônjuges, namorados ou amantes

Fonte – UOL Noticias

 

Papa Francisco em Cracóvia: o que as religiões realmente são.

         “Francisco vem coerentemente rejeitando a narrativa do jihad e das cruzadas. Ele a negou novamente quando se confrontou com o horrível assassinato do Pe. Jacques Hamel na terça-feira da semana passada. Estamos em guerra, disse ele, mas não é uma guerra de religiões“, diz o editorial publicado pelo jornal The Guardian 

Eis o editorial.

O Pontífice compartilha de alguns traços com João Paulo II, mas possui uma pauta muito diferente.

Um milhão e meio de pessoas se dirigiram à missa de despedida em Cracóvia neste domingo, 31-07-2016. Numa época de ceticismo crescente para com a figura de autoridade, nenhum outro líder mundial conseguiria atrair uma multidão como essa. Nenhuma outra pessoa com 79 anos conseguiria atrair 300 mil jovens para ouvir o que tem a dizer. Portanto é paradoxal que a mensagem do papa, e mesmo a sua pessoa, possa ter sido quase tão desagradável para os seus anfitriões devotamente católicos quanto o foi o seu antecessor o Papa São João Paulo II, quando visitou do governo comunista em 1979.

Da mesma forma como o antecessor, o Papa Francisco tem um domínio teatral pleno ao desempenhar suas funções: os dois líderes empregaram pequenos gestos para comunicar grandes ideias a públicos enormes de um modo, ao mesmo tempo, íntimo e universal.

Mas eles vêm empregando esses talentos a serviço de pautas bem diferentes. Podemos dizer que os dois estão unidos no conteúdo da doutrina, porém, mesmo se isso fosse verdade, aqui o estilo importa quase mais – e no estilo estes dois grandes homens são polos opostos. “Quem sou eu para julgar?”, perguntou-se o Papa Francisco numa frase que ficou famosa. Ninguém teria se atrevido a perguntar a João Paulo II quem lhe deu o direito de julgar alguém. Esse papa fez um juízo a respeito de todo o sistema comunista, e pareceu que a história o justificava.

O Papa João Paulo II jamais recuou de uma luta; o Papa Francisco também não hesita, mas ele vem procurando tentar coerentemente trabalhar junto com os seus opositores desde quando os seus experimentos em autocracia enquanto jovem jesuíta saíram pela culatra de forma muito negativa contra ele. Os dois homens também representam ideias diferentes da identidade cristã. Para o Papa João Paulo II, a nação cristã por excelência era a Polônia; mas o Papa Francisco quer uma igreja sem nações, que acolhe os pobres de todos os países e aqueles ainda mais pobres que não mais possuem um país para si. A primeira visita que fez como papa foi à ilhota mediterrânea de Lampedusa, onderefugiados desesperados chegam toda semana. Ele não perde tempo nem tem simpatia pelos que se preocupam com que esta maré de miséria humana é também uma invasão bárbara.

Essa é exatamente a atitude do atual governo polonês, que combina um catolicismo fervoroso com uma determinação igualmente apaixonada para ignorar as opiniões do atual papa. Assim que chegou, o pontífice censurou o governo por sua recusa em aceitar muçulmanos que buscam asilo, embora ele o tenha dito apenas uma vez. É uma visão muito diferente daquela Europa de João Paulo II. Muito embora esteja bem ciente dos sofrimentos dos cristãos e outros no Oriente Médio, Francisco vem coerentemente rejeitando a narrativa do jihad e das cruzadas. Ele a negou novamente quando se confrontou com o horrível assassinato do Pe. Jacques Hamel na terça-feira da semana passada. Estamos em guerra, disse ele, mas não é uma guerra de religiões.

Quando foi a Auschwitz, o papa mostrou aquilo o que acredita ser realmente as religiões. Ele não teve palavras. O que aí se fez foi além da política: era uma tentativa de aniquilar todo e qualquer significado da humanidade. Em face daquele terror, o papa rezou em silêncio e pediu “o dom das lágrimas” para ele mesmo. Este é às vezes a maior eloquência.

Fonte – IHUSINOS