Quem foi Maria Firmina dos Reis, ícone do Movimento Antiescravista que completaria 200 anos

Sexta-feira (11) marca os 200 anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis (1822-1917), considerada a primeira romancista brasileira.

Nascida em São Luís, Maria Firmina quebrou paradigmas à frente do seu tempo. Professora e escritora, ela também publicava em jornais, especialmente sobre a pauta abolicionista. À abolicionista coube a publicação do primeiro romance brasileiro contra a escravidão, Úrsula (1859).

Mulher, pobre e negra, Maria Firmina começou o contato com a literatura quando se mudou para a casa de uma tia com melhores condições de vida na vila de São José de Guimarães, no estado do Maranhão, ainda em 1830, aos 8 anos de idade.

Apesar da sua grande contribuição para a literatura e ao movimento abolicionista, as informações sobre a autora ainda são fragmentos resgatados a partir do trabalho de pesquisadores nas áreas dos estudos de gênero e estudos afro-brasileiros, que vêm resgatando autoras antes desconhecidas ou ignoradas pela história.

Segundo algumas fontes, em São José de Guimarães, Maria Firmina passou a conviver com referências culturais e parentes ligados ao meio cultural, como o primo Sotero dos Reis, jornalista, poeta, professor e escritor da época.

Formou-se professora e em 1847 foi a primeira mulher negra a ser aprovada em concurso público no Maranhão e, logo no momento de posse, deixa claro sua postura antiescravista, se recusando a desfilar em um palanque nas costas de escravizados pelas ruas de São Luís.

Como era considerado impossível uma mulher da sua época, negra e pobre assumir o posto de literária, foi somente graças à docência que Maria Firmina passou a publicar os primeiros escritos, ainda em folhetins e jornais literários locais, lançando então o primeiro livro de romance chamado Úrsula, em 1859, assinado sob o pseudônimo “Uma maranhense”.

Úrsula foi o primeiro romance brasileiro escrito por autor afro-descendente, um dos primeiros livros escritos por uma mulher e o primeiro livro brasileiro a se posicionar contra a escravidão, contando ainda com o diferencial de apresentar como ponto de partida, o ponto de vista dos próprios escravizados, feito este à frente de aclamados escritores como Castro Alves e Bernardo Guimarães.

Maria Firmina escreveu também o romance Gupeva (publicado em folhetins em 1861 e em volume em 1863), e publicou o livro de poemas chamado Cantos à beira-mar (1871), onde dedica poemas à mãe e à irmã, apresenta poemas de amor, abolicionistas e patrióticos sobre a Guerra do Paraguai, além de inúmeras outras contribuições, como a composição do “Hino de Libertação dos Escravos”, em 1888.

Homenagem

Na sua cidade natal, em São Luís (MA), o Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) homenageia a escritora, que dá nome e vida ao Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis, amplo espaço cultural e político dedicado à divulgação, comercialização, formação e troca de experiências de trabalhadores rurais.

Por Mariana Castro / Brasil de Fato / CPT Nacional

 

Reajuste das passagens do transporte urbano é nova bomba-relógio

Prefeitos já avisaram que alta do diesel vai puxar preços das passagens e aumento pode ficar perto de 7%. Cresce temor por protestos

Na semana seguinte ao aumento de quase 25% do diesel, anunciado pela Petrobras, um novo fantasma preocupa gestores públicos: a necessidade de reajuste das passagens do transporte urbano, que, historicamente, tem potencial explosivo entre a população. Protestos motivados por esse tipo de reajuste causaram mobilizações que chegaram a Brasília, pressionando até pela saída do presidente da República, como em 2013 e 2016.

A estimativa da FNP (Frente Nacional de Prefeitos) é que a alta no valor das passagens seja de pelo menos 6,6%, “para viabilizar a operação do sistema de transporte público coletivo no Brasil”, diz nota distribuída pela entidade. Segundo a Frente, a despesa com o diesel corresponde a 26,6% do custo do sistema, em média. A alta acumulada desse combustível em 2021 – isto é, antes do impacto da guerra no Leste Europeu – já era de 65,5%.

A situação reforça argumento dos prefeitos em defesa da aprovação de projeto de lei dos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Giordano (MDB) que prevê repasse federal de R$ 5 bilhões por ano para bancar a passagem gratuita oferecida a idosos com mais de 65 anos, determinada por lei federal.

Diante do novo cenário, com a defasagem dos preços agravada pela alta nos combustíveis, os gestores já falam em “colapso”. “O que já era emergencial é agora inadiável”, declara Edvaldo Nogueira, prefeito de Aracaju, em Sergipe, e presidente da FNP. “O valor previsto, de R$ 5 bilhões, corresponde a pouco mais de 8% dos custos do transporte, mas é uma saída que vai aliviar a situação dramática dos sistemas de transporte neste momento, que foram especialmente afetados durante a pandemia”, avalia Nogueira, em resposta ao blog, reforçando que “o compromisso de prefeitas e prefeitos é de evitar, a todo custo, o aumento no valor das passagens com a aprovação do projeto”.

“Se antes o PL nos serviria como um respiro para pensarmos em alternativas a médio prazo para o setor, agora é aquilo com que contamos para o Brasil não parar”, comentou.

Folhapress

Guerra na Ucrânia pode elevar o quilo do pão para R$ 20 no Brasil

Preço do trigo disparou após conflito entre Rússia e Ucrânia. Países são responsáveis por 30% das vendas mundiais do cereal. Farinha, pão e massas devem ter alta nos preços

A disparada da cotação do trigo causada pelo conflito na Ucrânia pode fazer o quilo do pão chegar a R$ 20 em algumas cidades brasileiras, alerta a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi).

De acordo com a Abimapi, quando as indústrias comprarem as novas safras do grão a tendência é que a alta seja repassada para o consumidor. A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo e tem sido afetada economicamente pelo conflito com a Ucrânia. Juntos, os dois países respondem por cerca de 30% das exportações mundiais de trigo.

Desde a semana passada o trigo tem registrado fortes altas no mercado internacional, chegando a aumentar 46,25% desde o início do confronto. A demanda que estaria buscando os trigos de origem russa e ucraniana, agora procuram outros países para abastecer os mercados locais.

Assim, os preços não sobem somente nas bolsas norte-americanas, mas em outros pontos do mundo também. No Brasil, o impacto também já começou a ser sentido, com a tonelada do grão atingindo o recorde de R$ 1.900, representando uma alta de 26% em uma semana.

A farinha de trigo já acumula alta de quase 15% em 12 meses até fevereiro, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (11). O pão francês, por sua vez, subiu (7%), enquanto o macarrão (12%) e as massas semipreparadas (10%).

Fonte: Yahoo Notícias

 

Pesquisa: 82% querem reduzir maioridade penal no Brasil

Levantamento exclusivo realizado pelo instituto Orbis para o Diário do Poder revela que mais de oito (82,4%) em cada dez brasileiros apoiam a redução da maioridade penal. Para 36,9%, a idade penal mínima deve ser definida para os 16 anos, idade em que se tem noção do que é certo e errado; 24,3% acreditam que a maioridade penal deve ser fixada aos 14 anos, como ocorre em muitos países desenvolvidos; e outros 21,2% acreditam que não deve haver um limite de idade no Direito Penal.

Fica como está

Apenas 17,6% acreditam que a maioridade penal deve permanecer como está, com menores protegidos até os 18 anos.

Caso único

Entre os brasileiros com mais de 66 anos, a maioria (34,9%) acredita que não deve existir limite de idade para o processo penal.

Defesa própria

Já a maioria (35,5%) dos brasileiros abaixo dos 18 anos acha que a maioridade penal deve existir, mas permanecer como é atualmente.

Pesquisa nacional

O instituto de pesquisa Orbis realizou 2.154 entrevistas por telefone entre os dias 3 e 4 de março deste ano, em todas as regiões do País.

Coluna do Claudio Humberto

Movimento junto a OAB pede paridade de gênero na escolha do quinto constitucional

Nesta segunda-feira (14/3), em frente à sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília, será lançado o movimento nacional “Paridade no Quinto Constitucional”. O encontro reunirá cerca de 60 mulheres, representando 27 instituições.

As advogadas se manifestarão a favor da paridade de gênero nas listas sêxtuplas formuladas pela OAB para escolha de vagas nos tribunais reservadas ao quinto constitucional da advocacia.

As idealizadoras do movimento lembram que a OAB já adota a paridade de gênero nos seus órgãos, mas defendem sua extensão também para o acesso à magistratura. De acordo com elas, trata-se de um importante passo rumo à efetiva inclusão e à democracia paritária.

Também haverá uma mobilização nas redes sociais por meio da hashtag #euapoioparidadenoquintoconstitucional, lives com participações das entidades e personalidades e o lançamento do site www.observatoriobrasileirodegenero.com.

Dentre as entidades que integram o movimento estão o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim) e a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica Nacional (ABMCJ), bem como diversos coletivos de advogadas.

Fonte: CONJUR

Ministro do STF desmoraliza relatório final da CPI da Covid

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques fez severas críticas ao relatório final da CPI da Covid-19, na análise do indiciamento do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara dos Deputados:

“Em princípio, não me afigura atender os requisitos para manutenção válida do indiciamento realizado pela CPI da Pandemia em relação aos ora requeridos o fornecimento de ‘175.000’ páginas, equivalentes a 350 resmas de papel de documentos, sem indicação específica da relação de cada um com os delitos imputados aos indicados constantes destes autos”, criticou o magistrado.

O ministro disse ainda que só é possível indiciar uma pessoa, se ficar comprovada a autoria do delito praticado por ela.

“Assim, para sua validade é necessário que tais elementos sejam apontados claramente, não podendo ser aceito, pois, um indiciamento genérico com base em mera opinião da autoridade responsável, devendo ela apontar especificamente ao fazer um indiciamento quais os delitos, em tese, praticados e quais as provas que tem para atribuí-lo(s) ao(s) indiciado(s)”, finalizou.

Novamente, a CPI é desmoralizada. As tramas de Aziz, Renan e Randolfe caem por terra.

Jornal da Cidade Online

 

A volta dos que não foram

Carlos Nina*

A amizade que desfrutei do querido amigo Henrique de Araújo Pereira fez-me responsável, juntamente com Mariazinha, sua esposa, pela publicação de dois livros seus, dos quais fiz o prefácio – Pensamentos, Sentimentos e Gozações em Verso (edição do autor, 2010) e Conversas telepáticas e outras histórias (Ponto a Ponto Gráfica Digital, 2018).

O leito do home care, onde Henrique sobreviveu nos últimos quatro anos, não o impediram de sonhar com a publicação do terceiro livro, cujo título – antes mesmo de se ver acometido pelo mal que lhe levou um dos membros inferiores e o reteve acamado – ele já havia escolhido: A volta dos que não foram.

É uma antiga frase conhecida por quem gosta de conversar sobre cinema. Não sei se alguém deu esse nome a algum filme. Ou a livro. Mas, conhecendo Henrique, não tive dúvidas de que era sério. Ele, com certeza, teria uma boa história para explicar o título. Inteligente, ético, decente, movido à solidariedade, tinha no sangue uma boa dose de humor, que nem as reiteradas sessões de hemodiálise conseguiram afetar. Seus textos vão da reflexão séria à expressão de sua verve gozadora.

Estamos trabalhando, Mariazinha e eu, na organização do material de seu último livro, mantendo intacto o título por ele escolhido, como foi de sua vontade até quando pôde, antes de seu falecimento, tratar conosco do livro tão ansiado.

Tenho, entretanto, uma interpretação pessoal para esse título. Ocorreu-me quando pensei em escrever este artigo, para registrar a intensidade das publicações de obras de autores maranhenses nos últimos anos.

Não costumo explicar os títulos de meus artigos. Alguns, sei, parecem agressivos. Outros, não apontam claramente para o tema. Nem sempre é fácil dar título a um texto. Neste caso, porém, decidi explicar, por três razões:  1) Henrique faz parte dos que não foram; 2) a outra opção que me ocorreu era O retorno da Atenas; 3) a explicação faz parte da mensagem que gostaria de dar aos leitores.

Resisto, intimamente, a essas comparações, nas quais as pessoas dão, a fatos novos, nomes de fatos ou pessoas que deixaram características marcantes. É compreensível a comparação, mas, daí a despersonalizar o novo, para o identificar carimbando-o com uma referência anterior, não me parece justo.

Pretendia dizer que, com os recentes lançamentos de livros, São Luís estaria renascendo como Atenas brasileira – como ficou conhecida, para depois ser chamada de Apenas brasileira, porque teriam desaparecido seus intelectuais, escritores, romancistas e poetas.

Não desapareceram. Estavam e estão aí mesmo. Mais ou menos reclusos, com mais ou menos espaços na mídia, mais ou menos bafejados com recursos para tornar públicas e disponíveis suas obras.

Destaquei em artigo recente a importância da livraria da AMEI – Associação Maranhense de Escritores Independentes, iniciativa do português José Viegas, há poucos anos, com a qual propiciou um espaço onde obras de maranhenses não conhecidos amplamente pudessem ter melhor visibilidade. Com isso os tem apresentado a um público interessado maior, estimulando os autores a mais produzir e publicar

Da época da chamada Atenas brasileira até a AMEI houve momentos de incentivo e apoio a escritores, a exemplo do sob a égide do SIOGE (Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado do Maranhão, que imprimia o Diário Oficial do Estado) e da Academia Maranhense de Letras, notadamente com apoio da ALUMAR.

Contudo, a maioria dos beneficiados era de pessoas que se consideravam ou eram consideradas moradoras da Arcádia. Assim, especialmente merecedoras de distinção, pelo seu autoproclamado ou insinuado diferencial de conhecimentos literários. Tinham, portanto, mais direito a holofotes do que Jim Carrey veio a ter com as câmeras voltadas para Truman Burbank.

Autores independentes enfrentaram com altivez essa barreira do poder econômico, político e social e publicaram seus livros. Obras de relevante valor literário e informativo foram, não solene, mas, insolentemente ignoradas por instituições culturais e até pelas que seus autores a elas dedicaram suas vidas. A motivação era explícita:  não faziam parte do chamado “alto clero”, nem tinham padrinhos nessas rodinhas seletivas, discriminatórias e preconceituosas.

O importante é que o casulo foi rompido e nos últimos anos têm-se visto uma intensa e saudável publicação de autores maranhenses e sobre o Maranhão, abordando os mais diversos aspectos da cultura, tecnologia, ciência, filosofia, religião e muito mais, revelando um universo fantástico de conhecimento e criatividade.

Por isso mesmo penso que não se trata de um renascer, de um retorno, mas, como diria Henrique de Araújo Pereira, com a espirituosidade de seu verbo, da volta dos que não foram. Nem ele foi. Continua por aí, inclusive nas prateleiras da Academia Maranhense de Letras e da AMEI (salvo se já vendidos os exemplares que nelas foram disponibilizados).

Devo dizer que a provocação deste texto me ocorreu na última sexta-feira (11/03/2022), no lançamento do livro do magistrado Agenor Gomes, Maria Firmina dos Reis e o cotidiano da escravidão no Brasil, na sede da Associação dos Magistrados do Maranhão, no Calhau, em São Luís. No livro, Agenor trata também de preconceito e discriminação, num patamar extremo, de cuja resistência Maria Firmina dos Reis tem se transformado em referência e símbolo.

Editado pela Academia Maranhense de Letras, o livro de Agenor Gomes aborda a história da autora de “Ursula”, “reconhecida nacional e internacionalmente como a primeira romancista brasileira”, como informa Lourival Serejo, na “orelha” do livro, destacando que o autor “explorou com profundidade o ambiente social e político da vida de Maria Firmina.”

O próprio Lourival Serejo, que está prestes a encerrar seu mandato à frente do Tribunal de Justiça do Maranhão e a assumir a direção da Academia Maranhense de Letras, colunista permanente do Jornal do Maranhão, da Arquidiocese de São Luís, é autor de vários livros sobre direito (constitucional, de família, eleitoral), memórias, ficção, o último dos quais – O tormento de Santiago (Viegas Editora, 2020) – é fruto de sua criatividade, experiência e capacidade de observação. Nele Lourival Serejo traça o perfil de juízes que poderiam julgar o caso de Santiago; que julgaram, estão julgando ou poderão julgar as condutas de qualquer cidadão. A diversidade, a ansiedade e a dúvida causam o tormento. O de Santiago só não foi maior porque o alfabeto só tem 26 letras.

Para continuar no rol de autores que integram o Judiciário do Maranhão, refiro-me a Sônia Maria Amaral Fernandes Ribeiro, que, pela Lumen Juris (2019), publicou De Cabral à Maria da Penha, rica “abordagem constitucional, infraconstitucional e jurisprudencial sobre a mulher e a violência doméstica”. Livro que tive o prazer de citar para fundamentar recente artigo que publiquei sobre a Lei Maria da Penha.

Em 2016, pela 360º Gráfica Editora, o magistrado José Américo Abreu Costa, articulista primoroso, publicou Ensaios Jurídicos, reunindo estudos escritos em trinta anos de carreira jurídica, abordando, com acuidade, temas complexos da atividade jurídica, como hermenêutica, logoterapia e crime, direito natural, responsabilidade penal da pessoa jurídica, paranoia, tema sobre o qual tenho tido a oportunidade de citar o texto de Américo Costa em juízo, pela clareza e precisão com que o autor trata dessa doença que, como assinala o autor, “merece especial consideração pelos seus efeitos e consequências médico-legais”.

José Eulálio Figueiredo de Almeida, compositor de letras musicais, marchinhas, toadas, é poeta e escritor. Autor de livros sobre questões jurídicas, poesia e mundanas. Em Vidas Profanas (2ª ed. Ponto a Ponto Gráfica Digital, 2018), a exemplo da sensibilidade de Lopes Bogéa, que, em Pedras da Rua (1988), escreveu sobre personagens populares que perambulavam pelas ruas da cidade, Eulálio fez uma incursão nas “agruras da vida mundana no ambiente nefasto que a sociedade moralista da época chamava de Zona do Baixo Meretrício”, no dizer de Josemar Lopes Santos, escritor, membro da AML, então juiz de direito (1ª edição, 2015) e hoje desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Pela Editora JusPodivm (2020), o magistrado Paulo Brasil Menezes publicou Fake News. Pela Lumen Juris (2020), Diálogos Judiciais entre Cortes Internacionais. 

Para não mencionar apenas magistrados, trago o casal Cristiane Gomes Coelho Maia Lago e Alexandre Maia Lago. Ela, que já tinha lançado pela SVT Editora (2019) Drogas & Tribunal do Júri – uma análise da prevenção como política pública, estudo comparado Brasil-Portugal”, publicou, pela Viegas Editora (2020), Júri em Poesia, para o qual transportou toda a sensibilidade que tem sabido preservar na dramática atividade de Promotora de Justiça com atuação no Tribunal do Júri. Informa a autora que se questionava sobre “como poderia ver, sentir e escrever poesias a partir de circunstâncias tão tristes e devastadoras.” Passou a anotar as que lhe vinham à mente. Impôs-se o “registro da forma que conhecia desde criança: escrevendo versos.” No Prefácio, disse Osmar Gomes (juiz de direito igualmente autor de várias obras), “A autora faz uma reflexão da dor sentida pela família da vítima, e do criminoso, sobretudo dos pais que choram a perda e a prisão dos filhos”. Afinal, diz a promotora e poeta: “Tem gente do bem! Tem gente do mal! Tem acidente, incidente. Vocação e intenção.”

Alexandre Lago, advogado, publicou pela EDUFMA três livros (Letras de Sempre), reunindo os artigos que já havia divulgado na coluna que mantém no Jornal Pequeno, de São Luís, e que versam sobre obras clássicas da literatura mundial e seus autores. Em seus textos, claros e objetivos, Alexandre Lago resume o enredo da obra, faz observações críticas e informa dados relevantes sobre a obra e o autor. No Jornal do Maranhão, editado pela Arquidiocese de São Luís, Alexandre foi assíduo colaborador, com artigos e entrevistas.

Em 2009 (All Print Editora), um jovem advogado, André Gonzalez Cruz, mostrava como o maranhense não precisa ter nascido em Atenas ou pertencer à Arcádia para escrever com facilidade sobre o que se dispuser. Publicou um estudo intitulado A nulidade absoluta da audiência de instrução criminal realizada sem a presença do Ministério Público, obra apresentada pela então Procuradora-Geral de Justiça do Maranhão, Maria de Fátima Travassos Cordeiro, e pelo jurista Fernando Capez, que disse: “O Autor é um cientista do Direito, com traços singulares, pois tem a ousadia de entrar num tema tão delicado.”

Saindo do universo jurídico, lembro o livro de Silvia Jorge Dino, Unindo os tempos (Viegas Editora, 2019). Nele a autora reuniu memórias de sua família e, inevitavelmente, de parte da história do Maranhão e de São Luís, pois seu pai, Antônio Dino, foi deputado federal e governador do Maranhão, e seu avô, Gonçalo Moreira Lima, deputado estadual.

Por fim, refiro-me ao professor José Cloves Verde Saraiva, que foi o editor, dentre outras obras de sua autoria, de Malba Tahan visita São Luís e outras histórias, já na terceira edição em 2007.

Poderia citar muitos outros magistrados (Cleones Carvalho Cunha, José de Ribamar Castro), membros do Ministério Público (Maria de Fátima Travassos Cordeiro, Teodoro Peres Neto), advogados (Raimundo Ferreira Marques, Roque Pires Macatrão), militares (Carlos Augusto Furtado Moreira), mas se me entristece não comportar neste texto já longo mais citações, alegra-me que essa lista seja de incontáveis autores cujas obras têm um espaço democrático na livraria AMEI.

Por tudo isso vejo propriedade no título que Henrique de Araújo Pereira quer para seu livro. O Maranhão não precisa da referência de Atenas. É o que é. E que seja como disse o imortal Josemar Lopes Santos, da AML, na orelha de Vidas Profanas: “Os escritores são benfeitores da vida humana.”

Espera-se que assim seja, apesar dos efeitos atribuídos a Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang Von Goethe, Palavras Cínicas, de Albino Forjaz de Sampaio, e O apanhador no campo de centeio, de Jerome David Salinger.

*Advogado e jornalista

 

Acreditem: Lula quer “renacionalizar” a Petrobras

Houve elevação de 18,7% no preço da gasolina e de 24,9% no preço do diesel nas refinarias. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP) subiu 16%. Em conversas com os seus principais aliados, o ex-presidente Lula e o PT pretende aproveitar o mega aumento do preço dos combustíveis para defender a “renacionalização” da Petrobras e impedir a privatização da Eletrobras.

Segundo informações da Veja, os petistas querem aproveitar o episódio para criticar a política de preço da estatal, que vincula o preço do combustível ao dólar, e reforçar a chamada função social da Petrobras para reduzir os impactos das intempéries internacionais ao consumidor final.

Como mostramos, houve aumento de 18,7% no preço da gasolina e de 24,9% no preço do diesel nas refinarias. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP) sofreu reajuste de 16%

Além disso, os petistas têm defendido a interrupção no processo de privatização da Eletrobras, também sob a justificativa que a estatal deve atender aos “interesses do povo”.

O Antagonista

Agiotagem em Capinzal do Norte é comandada por marido de vereadora e envolve políticos

O marido de uma vereadora do município de Capinzal do Norte, está sendo denunciado ao Gaeco do Ministério Público e a Superintendência de Investigações Criminais, pela prática criminosa de agiotagem, em que envolve inúmeros políticos da cidade. Quem faz empréstimos junto ao agiota picareta com a cobrança de juros exorbitantes de 20%, e não efetua o pagamento dentro dos períodos e critérios estabelecidos pelo explorador, sofre ameaças.

Diante das inúmeras ameaças às suas vítimas, decorrente da esposa ser da base aliada do prefeito, garante uma espécie de protecionismo ao criminoso agiota e assim ele impõe regras próprias para quem não acata as suas exigências. Outra denúncia grave é que o agiota com a influência da esposa tem uma vaga num posto de táxi, em que compra veículos de novos, sem nunca fazer serviços para terceiros e usa como particular. Vencido o período estabelecido para o serviço de táxi do veículo, ele vende o carro e compra outro novo.

Algumas vítimas com provas contundentes contra o marido agiota da vereadora estão se organizando para efetuar a denúncia simultaneamente ao Gaeco do Ministério Público e a Superintendência de Investigações Criminais do Sistema Estadual de Segurança Pública.

Fonte: AFD                         

 

 

Pesquisa ideológica: direita bate esquerda, mas centro domina

Levantamento exclusivo do instituto Orbis para o site Diário do Poder revela que 60,4% dos brasileiros não têm posição ideológica definida. Na população mais experiente, esse número beira os 70%. Entretanto, aqueles que se identificam como “de direita”, no Brasil, representam 18,8% do eleitorado, mais que o dobro dos que se acham “de esquerda” (9,7%). O centro-direita tem 6,2% e o centro-esquerda soma 4,9%.

Lavada

Apenas na faixa etária abaixo de 18 anos, a esquerda bate a direita: 29,8% a 0%. Quanto maior a idade, menor a identidade com a esquerda.

Idade da razão

Entre os entrevistados acima dos 66 anos, apenas 3,7% se dizem alinhados à esquerda e 17,7% se identificam como de direita.

Esquerda caviar

Predomina (21,6%) a autodefinição de “centro esquerda” apenas entre os que têm a vida arrumada, recebendo salários acima dos R$15 mil/mês.

Pesquisa nacional

O instituto de pesquisa Orbis realizou 2.154 entrevistas por telefone entre os dias 3 e 4 de março deste ano, em todas as regiões do País.

Coluna do Cláudio Humberto