Governador Flavio Dino precisa intervir nos conflitos agrários e chamar o INCRA à responsabilidade

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Em menos de dois meses do presente exercício, os conflitos agrários já ultrapassam mais de 40, segundo revelações da Comissão Pastoral da Terra e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Maranhão. A maior responsabilidade pelos conflitos, segundo lideranças de comunidades rurais é o INCRA, principalmente as três últimas administrações no Maranhão, que postergaram a tramitação de processos de desapropriações, de regularizações fundiários e titulação. Muitas áreas questionadas, algumas das quais com suspeitas de fraudes em cartórios, sempre merecem o acolhimento da justiça e daí para a expulsão de famílias de descendências seculares sempre ocorrem de maneira violenta, sem falarmos no período que antecedem a determinação judicial com a grileiros e latifundiários utilizando jagunços para destruir roças e muitas vezes atear fogo em casas de trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Para que se tenha uma dimensão dos desvios de ações do INCRA, ele postergou o máximo que pôde para não assentar as 160 familias que tiveram que deixar as terras Awá Guajá, de acordo com determinação da Justiça Federal. Apesar do Ministério de Desenvolvimento Agrário através do INCRA Nacional ter liberado recursos para o INCRA do Maranhão fazer o assentamento das famílias, o ex-superintendente José Inácio Rodrigues Sodré, mesmo garantindo a Justiça e o Ministério Público Federal, que as famílias seriam dignamente colocadas em áreas que poderiam viver e com o suor de cada dia retirar da terra o pão de cada dia, nada foi honrado e os recursos teriam sido desviado para convênios com prefeituras em um ano eleitoral.

As comunidades quilombolas do Maranhão têm sido ao longo dos últimos anos, período em que o INCRA foi controlado por interesses de politicos, latifundiários e empresários do agronegócio, as mais prejudicadas e que estão sempre no contexto  da violência dos conflitos. Há necessidade de ações emergenciais envolvendo o Governo do Estado, o INCRA Nacional, o Ministério Público Estadual e Federal, as Justiças Estadual e Federal e entidades como a CPT, Feteama, Territórios Livres do Baixo Parnaíba, Fórum Carajás, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e todas as que foram criadas pelos quilombolas e povos indigenas em busca de uma solução e um basta na violência no campo, que tem proporcionado um acentuado êxodo, desigualdades, fome, miséria e derramento de sangue. A omissão dos governos estaduais que antecederam ao atual foram muito perversas com a garantia da força policial contra trabalhadores e trabalhadoras e contribuiu para que milhares de familias fossem empurradas para sedes municipais e para a capital, colocando-as como presas fáceis para as drogas e a violência, decorrente de não terem qualificação profissional.

Felizmente, se hoje os problemas não estão em maiores proporções é devido a presença permanente no meio rural da FETAEMA e da CPT e em muitas dioceses como a de Coroatá e Balsas, a presença dos bispos Dom Sebastião Bandeira e Dom Enemézio Lazaris evitam problemas mais sérios, mas mesmo assim muitos padres estão ameaçados de morte, com destaque para o município de Codó.

Arcebispo Dom Belisário concederá coletiva sobre a Campanha da Fraternidade 2015

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O Arcebispo Metropolitano, Dom José Belisário da Silva concederá entrevista coletiva a imprensa amanhã (sexta-feira), para falar sobre a Campanha da Fraternidade de 2015, que tem como tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema Eu Vim para Servir.  As campanhas anteriores foram marcadas por temáticas em que em muitas ocasiões envolveu dimensões eclesiais e em outras sociais. A campanha de 2015 vai englobar as duas dimensões, com o objetivo de aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade, propostos pelo Concílio Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus. A Campanha da Fraternidade de 2015 esta inserida nas comemorações do Jubileu do Concilio do Vaticano II, com base nas reflexões propostas pela Constituição Dogmática Lumen Gentium e pela Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que tratam da missão da Igreja no mundo.

A Campanha da Fraternidade de 2015 também será marcada por uma coleta de assinatura do Povo de Deus com vistas a uma reforma politica no país, com transparência para que seja extirpado das campanhas politicas com financiamentos de empresas. Elas têm proporcionado em todo o país, o sangria aos cofres públicos e o avanço desenfreado da corrupção, com o desvio de bilhões de reais que poderiam ser aplicados na saúde, na educação e no combate a fome e a miséria, melhorando consideravelmente os indicadores sociais de muitas regiões brasileiras, inclusive o maranhense que foi vítima nas últimas décadas da corrupção deslavada.

A abertura oficial será no sábado a partir das 15 horas, no ginásio Castelinho, com a participação do Povo de Deus de todas as paróquias integrantes da Arquidiocese de São Luís. A coletiva de imprensa será às 9 horas no Palácio Episcopal.

Os “novos” bispos de Francisco no Brasil: mudar para que as coisas continuem as mesmas

             Analisando as 41 nomeações episcopais para o Brasil, podem significar “a continuidade do “espírito wojtyliano-ratzingeriano”: pouca preocupação pastoral-missionária de uma “Igreja acidentada” e mais a preocupação com as dimensões administrativa, disciplinar e moral típicas de uma “Igreja autorreferencial”, constata Sérgio Ricardo Coutinho, professor de História da Igreja no Instituto São Boaventura de Brasília e de “Serviço Social, Religião e Movimentos Sociais” no curso de Serviço Social do Centro Universitário IESB de Brasília.

Segundo ele, “se tomarmos as indicações do Papa Francisco aos bispos do CELAM, durante encontro realizado no último dia da Jornada Mundial da Juventude de 2013, parece que, com estas nomeações-remoções, o lugar do Bispo continua o mesmo de sempre: “à frente”, com sua “psicologia de príncipe” e fortalecendo o fenômeno do “bispo-polígamo” (termo usado pelo Papa Francisco), ou seja, vivendo na expectativa de ser esposo de “outra Igreja”. Sem dúvida que já existem alguns destes que se colocaram ou que querem se colocar “no meio” do seu povo “para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas”, mas levará ainda algum tempo para que se coloquem também, e fundamentalmente, “atrás” “porque o próprio rebanho tem seu faro para encontrar novos caminhos”.

Eis o artigo.                                                 

No momento em que o Papa Francisco realiza um novo Consistório com a nomeação de 16 novos cardeais com direito a voto e que procura mudar e universalizar radicalmente a configuração da geopolítica eclesiástica da Cúria Romana, talvez já seria o momento de verificarmos qual é o rosto dos novos bispos nomeados, e também a configuração geopolítica eclesiástica, da Igreja no Brasil nestes quase dois anos de pontificado.

Desde maio de 2013, até o mês de janeiro deste ano, Papa Francisco fez 41 novas nomeações episcopais para o Brasil, sendo que 85% delas (36) foram de remoções (seja de uma diocese para outra, seja da condição de bispo-auxiliar ou prelado nullius para a condição de [arce]bispo titular da diocese).

Dos 17 novos bispos ordenados, 9 foram nomeados para as grandes Arquidioceses do Brasil na condição de bispos-auxiliares, atendendo, assim, aos pedidos dos arcebispos de São Paulo, Salvador, Olinda e Recife, Belém do Pará, Brasília e Goiânia. Só para a Arquidiocese de São Paulo foram nomeados 4 novos bispos-auxiliares, revelando bem a influência do cardeal D. Odilo Scherer.

Os 36 remanejados, em sua grande maioria, foram feitos bispos por Bento XVI durante o período de D. Lourenzo Baldissieri como Núncio Apostólico, e agora cardeal e secretário-geral do Sínodo dos Bispos. Talvez esteja aqui um sinal da velha e boa estratégia do mote: “plus ça change, plus c’est la même chose” (“mais que se mude, mais as coisas continuam as mesmas”). Isto pode significar a continuidade do “espírito wojtyliano-ratzingeriano”: pouca preocupação pastoral-missionária de uma “Igreja acidentada” e mais a preocupação com as dimensões administrativa, disciplinar e moral típicas de uma “Igreja autorreferencial”.

Então vejamos. Destes remanejamentos, alguns chamam atenção para uma espécie de “promoção”, ou seja, saindo de dioceses “pouco significantes” para uma (arqui)diocese de maior tradição e valor simbólico-político.

Por exemplo, as nomeações de D. Jaime Spengler, OFM para a Arquidiocese de Porto Alegre (deixando de ser bispo-auxiliar); de D. José Valmor César de Bom Jesus da Lapa (BA) para São José dos Campos (SP), ou seja, do “sertão” da Bahia para a “Via Dutra”; de D. Edmilson Amador Caetano, O. Cist. de Barretos (SP) para Guarulhos (SP), da terra do “pião-boiadeiro” para a terra do “pião-operário”; de D. Fernando José Monteiro Guimarães de Garanhuns (PE) para o Ordinariato Militar (Brasília), da “diocese” de Lula para a “diocese” dos Militares.

Além deles, também D. José Luiz Majella Delgado de Jataí (GO) para a Arquidiocese de Pouso Alegre (MG); de D. Zanoni Demettino Castro de São Mateus (ES) para coadjutor da Arquidiocese de Feira de Santana (BA); de D. João José da Costa de Iguatu (CE) para coadjutor da Arquidiocese de Aracajú (SE) e de D. José Antonio Peruzzo de Palmas-Francisco Beltrão (PR) para a Arquidiocese de Curitiba (PR).

O Regional da CNBB que mais se privilegiou das nomeações (remanejamentos) foi o Sul 1 (que corresponde ao Estado de São Paulo), maior “colégio eleitoral-episcopal” do Brasil e que sempre tem um peso importantíssimo quando das eleições para a Presidência e Comissões Pastorais da CNBB. Só para dentro deste Regional foram conduzidos 13 dos 14 nomeados (somente D. Fernando Brochini saiu de Jaboticabal e foi transferido para Itumbiara-GO).

Geograficamente, continua a concentração Centro-Sul com 26 nomeações, enquanto Norte e Nordeste tiveram 10. Depois do Sul 1, foram os Regionais Centro-Oeste (Brasília e Goiás), com 6 nomeações, e Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), com 4 nomeações, respectivamente, que mais foram contemplados. No NE 3 há um caso de remoção, a partir de informações levantadas, feita por pressão dos fiéis diocesanos devido à suspeitas de mal comportamento moral de seu bispo.

Apesar disso, algumas destas parecem ser interessantes no sentido de fortalecer ou de manter opções pastorais importantes. Este é o caso, a nosso ver, da diocese de Chapecó (SC). A saída de D. Manoel João Francisco (atual presidente do CONIC) para Cornélio Procópio (PR) pode ajudar muito o Regional Sul 2 (Paraná), que irá acolher o 14º Intereclesial das CEBs em Londrina, no fortalecimento de uma caminhada ecumênica e de participação dos leigos nas bases dentro de uma perspectiva bergogliana (“periferias existenciais”). Por outro lado, a chegada à Chapecó de D. Odelir José Magri, vindo de Sobral (CE), pode dar continuidade e fortalecer ainda mais a caminhada já feita nos últimos anos.

O perfil pastoral dos 17 novos bispos é o seguinte:

a)  Clero: diocesano: 8; religioso: 9;

b)  Famílias Religiosas:

Opus Dei (2), Josefinos (2), Franciscanos (1), Missionários do Sagrado Coração (1), Congregação da Missão (1), Oblatos (1) e Congregação da Santa Cruz (1);

c)  Formação Teológica predominante:

Direito Canônico (5), Teologia Espiritual (3) e Dogmática (2);

d)  Atividades Pastorais predominantes antes da nomeação:

Formador/Reitor/Provincial/Diretor Espiritual (11), Párocos (9), Coordenação de Pastoral/Vigário Geral (5), Ação Social [Fazenda Esperança e Cáritas] (2) e Cúria Romana [Conselho para os Textos Legislativos] (1).

e)  Geografia: Centro-Sul: 10; Norte-Nordeste: 7.

Apesar da diversidade das famílias religiosas de cunho missionário, podendo indicar assim um princípio para uma “Igreja em saída”, o que se pode ver é a força de uma “pastoral de conservação” que tanto a Conferência e o Documento de Aparecida alertavam para a sua superação se se queria, de fato, uma “conversão pastoral”. A formação predominantemente em Direito Canônico e Dogmática, mais a experiência burocrático-administrativa em funções diretivas, onde a “virtude da obediência” é a atitude mais praticada, são sinais evidentes de continuísmos.

Além disso, a presença de 3 bispos-auxiliares (São Paulo, Brasília e Goiânia) vinculados efetivamente (e afetivamente) com o Opus Dei (o auxiliar de Brasília, D. José Aparecido Gonçalves de Almeida fez sua Pós-graduação em Direito Canônico na Universidade Santa Cruz de Roma, dirigida pela Opus Dei) seria mais um indício desta tendência.

Por outro lado, podemos também enxergar algumas possibilidades interessantes e inovadoras para um possível “efeito Francisco”: D. Irineu Roman, josefino, nomeado bispo-auxiliar de Belém, um pároco de “periferia” e com “cheiro de ovelhas”; D. Ailton Menegussi, formado em território de CEBs de São Mateus (ES), indo para a Crateús (CE) do saudoso D. Antônio Fragoso; D. Onécimo Alberton, foi Coordenador de Pastoral, presidente da Cáritas de Criciúma (SC) e com forte sensibilidade social nomeado para a diocese de Rio do Sul (SC); e do franciscano D. João Inácio Müller nomeado para Lorena (SP), território da Canção Nova, onde estava o conservador D. Benedito Beni dos Santos.

Se tomarmos as indicações do Papa Francisco aos bispos do CELAM, durante encontro realizado no último dia da Jornada Mundial da Juventude de 2013, parece que, com estas nomeações-remoções, o lugar do Bispo continua o mesmo de sempre: “à frente”, com sua “psicologia de príncipe” e fortalecendo o fenômeno do “bispo-polígamo” (termo usado pelo Papa Francisco), ou seja, vivendo na expectativa de ser esposo de “outra Igreja”. Sem dúvida que já existem alguns destes que se colocaram ou que querem se colocar “no meio” do seu povo “para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas”, mas levará ainda algum tempo para que se coloquem também, e fundamentalmente, “atrás” “porque o próprio rebanho tem seu faro para encontrar novos caminhos”.

Não sabemos se o atual Núncio Apostólico no Brasil, D. Giovanni D’Aniello, está a par deste critério eclesiológico de Francisco.

Fonte – IHUSINOS

Entidades cobrarão a retomada da lista suja do trabalho escravo

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Demora do STF para julgar liminar interposta por empreiteiras irrita fiscais e ativistas, que pedem intervenção do Executivo para a divulgação da lista barrada em dezembro

Por Rede Brasil Atual

Entidades de defesa de Direitos Humanos e de combate ao trabalho escravo no país pretendem cobrar, imediatamente após o feriado de carnaval, providências do Executivo e do Judiciário em relação à retomada da chamada lista suja do trabalho escravo – relação que divulga, semestralmente, as empresas que são flagradas submetendo empregados em situação análoga à de escravidão. A listagem teve divulgação suspensa em dezembro passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por conta do deferimento de uma liminar concedida pelo presidente da Corte, Ricardo Lewandowski.
A decisão do ministro tem caráter provisório até o julgamento da ação que avalia a constitucionalidade da relação pelo tribunal. Mas os trabalhos do Judiciário foram iniciados no último dia 2 e, passadas três semanas, a matéria ainda não foi incluída na pauta de julgamentos pela relatora, a ministra Carmen Lucia, conforme prometido.
Nem sequer uma reunião previamente agendada entre o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e a secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, com ministros do STF sobre o tema foi realizada. Para os militantes, da causa que aguardavam uma novidade sobre a retomada da lista já na semana passada, o cenário é decepcionante.
Desumano

“Se o ritmo de trabalhos continuar assim, não temos como acreditar nem nas declarações de ministros do STF, de que o julgamento desta ação seria uma das prioridades do tribunal para este semestre. Nem nas promessas dos ministros do Executivo, de que iriam se empenhar para retomar a lista”, afirmou a pesquisadora Ana Felícia Teles, do Conselho de Direitos Humanos do Distrito Federal.
Na última vez em que foi atualizada, em junho passado, a Lista Suja do Trabalho Escravo tinha 609 empregadores flagrados pela prática de tal ilegalidade. O Pará era o estado que apresentava maior incidência de empresas – 27% dos casos. Com a suspensão do cadastro, a atualização referente a dezembro de 2014 deixou de ser divulgada.
Recentemente, o procurador-geral do Trabalho, Luís Antônio Camargo de Melo, recebeu o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin Teixeira de Souza – que é também presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc, entidade que impetrou a ação de inconstitucionalidade junto ao STF).
O empresário ponderou que os incorporadores imobiliários não são contrários à divulgação da chamada lista suja, mas querem, segundo ele, que as empresas envolvidas em irregularidades “tenham condições de mostrar que resolveram suas pendências e, dessa forma, sair da lista.”
Por sua vez, o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT) reiterou ser favorável à retomada da divulgação da lista, mas concordou em debater que outras ferramentas querem as empresas para que as incluídas entre as que exploram mão de obra de maneira indigna possam sanar as irregularidades e resolver suas pendências.

Portaria ou Lei?

Na ação que interpôs ao STF, a Abrainc questiona a constitucionalidade da lista pelo fato de ter sido instituída por meio de uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego em vez de por uma legislação própria. A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, discorda deste ponto de vista e acha que o instrumento legal necessário para tal relação deve ser o da portaria ministerial.
Até a decisão da mais alta corte do país, as entidades defensoras dos direitos humanos e da dignidade no trabalho esperam a intermediação do governo federal junto ao tribunal para a liberação do rol com o nome dos empresários flagrados nestas condições. A ideia é, em princípio, conseguir a suspensão da liminar, caso o julgamento continue a ser adiado, e apresentar um pedido formal por meio da Advocacia-Geral da União.
“A presidenta Dilma assumiu compromisso com os movimentos sociais e de defesa de Direitos Humanos. Está na hora de fazer valer este compromisso”, declarou o representante da Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (Conatrae), Leonardo Souza Santos.
“Se os empreiteiros agem desta forma, manifestam claramente que defendem interesses espúrios, que não defendem interesses públicos”, destacou a presidenta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge.

Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/02/entidades-vao-cobrar-retomada-da-lista.html#ixzz3S7V7FTM1

Pobres pagam mais impostos que ricos no Brasil

aldir1Elite brasileira costuma reclamar dos impostos, mas estudo internacional revela que os ricos do Brasil pagam bem menos tributos do que se imagina, enquanto os pobres são os que mais contribuem para custear os serviços públicos do país

Por redação

A carga tributária é alta e quem paga a maior parte da conta é quem tem menos poder aquisitivo. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mais de 79% da população brasileira, que recebe até três salários mínimos por mês, contribui com 53% da arrecadação tributária total no país.

Em entrevista, João Eloi Olenike,presidente executivo do IBPT, diz que o sistema tributário brasileiro prioriza tributos em cima do consumo e muito pouco sobre a renda, o lucro e o patrimônio. Diferente de outros países, onde a tributação parte do ganho.

A consequência disso, segundo Olenike, é que o pobre acaba pagando muito imposto. “Como o sistema tributário brasileiro é extremamente concentrado no consumo, o pobre acaba, proporcionalmente, pagando mais. Isso faz com que a população de menor poder aquisitivo tenha um custo tributário muito elevado”.

Mas, por quê?

Porque os ricos pagam muito menos impostos do que deveriam. Motivos?

* Por causa de uma interpretação legal, jatinhos, helicópteros e lanchas não pagam IPVA, o imposto sobre a propriedade de veículos automotores, embora todos sejam dotados de motores — por sinal, muito mais potentes que aqueles que empurram Fuscas e motocicletas pagantes de IPVA;

* O imposto sobre fortunas, previsto na Constituição de 1988, jamais foi regulamentado;

* Por causa das remessas de dinheiro para refúgios fiscais (o Sindifisco tem atuado contra projetos em andamento no Congresso que oferecem benefícios a quem trouxer o dinheiro de volta, premiando a sonegação);

* Por causa do chamado “planejamento tributário”, nome pomposo que se dá à tarefa de batalhões de advogados que procuram brechas nas leis para reduzir o pagamento de imposto — quando simplesmente não escrevem as leis em nome dos legisladores;

* Porque empresários ficaram isentos de pagar imposto sobre lucros e dividendos distribuídos, pela lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sancionada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

* Porque programas como o Refis – Programa de Recuperação Fiscal da própria Receita – acabam funcionando, na opinião do Sindifisco, como incentivo à sonegação.

Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/02/pobres-pagam-mais-impostos-que-ricos-no.html#ixzz3S7X1JNAS

Papa Francisco envia mensagem para Campanha da Fraternidade 2015

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Por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2015, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta Quarta-feira de Cinzas, 18, o papa Francisco enviou mensagem, na qual destaca que o tempo quaresmal é propício para a vivência dos sentimentos de fraternidade e cooperação.

No texto, o papa Francisco fala da importância da contribuição da Igreja no respeito à laicidade do Estado, sem esquecer a autonomia das realidades terrenas, conforme motiva a Doutrina Social, em vista do bem do ser humano. “Cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com que me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados”, disse Francisco.

Ao final da mensagem, o papa cita, ainda, o lema da CF 2015, “Eu vim para servir”, recordando as palavras de Jesus. “Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz ‘Eu vim para servir’, no ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim”, disse.

“A Igreja está a serviço das pessoas”, afirma dom Leonardo sobre a relação entre Igreja e sociedade, tema da CF 2015

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Neste ano, são comemorados os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, um dos eventos mais marcantes da Igreja no século XX. A reunião episcopal foi realizada de outubro de 1962 a outubro de 1965. No Brasil, eventos para celebrar o cinqüentenário vêm sendo realizados no último triênio. Para 2015, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe uma reflexão mais ampla sobre o Concílio, por meio da Campanha da Fraternidade (CF), que será aberta oficialmente, em âmbito nacional, na Quarta-Feira de Cinzas, 18 de fevereiro, às 10h45, com transmissão ao vivo pelas emissoras católicas de rádio e televisão.  O tema “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir” abordam a relação entre a Igreja e a sociedade à luz da fé cristã e dos documentos do Concílio Vaticano II.

De acordo com o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, o tema é bastante aberto e provoca uma “debate sobre a participação e atuação dos cristãos na vida social”.

O objetivo almejado pela CF 2015 é aprofundar, a partir do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.

A Campanha também quer fazer memória ao caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, para identificar e compreender os principais desafios da atualidade; apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja; apontar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas.

Além disso, a Campanha propõe ainda buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de levar a Boa Nova a cada pessoa, cada família; atuar profeticamente, com base na evangélica opção preferencial pelos pobres, para um desenvolvimento integral da pessoa e a construção de uma sociedade justa e solidária.

Documentos que inspiraram a CF
A CF 2015 parte de dois pressupostos fundamentais para a vida cristã, também centrais no Concílio Vaticano II: a auto-compreensão da própria Igreja; e as implicações da fé cristã para o convívio social e para a presença da Igreja no mundo. O papa Paulo VI havia expressado isso em duas perguntas feitas na abertura da segunda sessão do Concílio: Igreja, que dizes de ti mesma? Igreja, dizei qual é a tua missão?

A proposta desta edição é baseada nas reflexões sugeridas pela Constituição DogmáticaLumen Gentium e na Constituição Pastoral GaudiumetSpes, que tratam da missão da Igreja no mundo.

Aldir

Conforme dom Leonardo, os presidentes das comissões pastorais da CNBB acharam muito importante ter uma campanha que abordasse esses dois documentos para estabelecer, portanto, uma reflexão entre a sociedade e a Igreja. “Essa Campanha procura lembrar que a Igreja está a serviço das pessoas, ela não quer privilégios. Até porque a Igreja é mais do que uma estrutura, ela é cada cristão, cada batizado, que está inserido na sociedade por meio do trabalho, das instituições e diversas ações. Queremos refletir essa presença da Igreja na sociedade”, destaca o bispo.

O documento conciliar Lumen Gentium (A luz dos povos) revela a auto-compreensão da Igreja, formada por todos os que aderem a Cristo pela fé no Evangelho e pelo batismo. Assim, mais do que uma instituição juridicamente estruturada, a Igreja é um imenso “povo de Deus”, presente entre os povos e nações de todo o mundo, não se sobrepondo, mas inserindo-se neles.

A partir dessa visão, a Igreja passa a superar uma das grandes questões assumidas pelo Concílio, a visão dicotômica Igreja-mundo. Isto se desdobra no esforço da Igreja para abrir-se ao diálogo com o mundo; de estabelecer uma relação com as realidades humanas; acolher o novo e o bem; partilhar as próprias convicções; contribuindo para o bem comum e colocando-se a serviço do mundo.

Essa nova postura é expressa na Constituição Pastoral GaudiumetSpes (A alegria e a esperança), aprovada e promulgada em 1965, por Paulo VI, às vésperas do encerramento do Concílio. Neste texto aparece a visão cristã sobre o mundo e o homem, sua dignidade, existência e vocação, e ainda reflete sobre a comunidade humana e as relações sociais, o sentido do trabalho e da cultura e sobre a participação da Igreja enquanto povo de Deus inserido na sociedade, na promoção do bem de toda a comunidade humana.

Em seus pronunciamentos, o papa Francisco recorda sobre a importância da Igreja estar a serviço de seu povo. Fala de uma Igreja em saída, comunidade samaritana, e afirma que a Igreja não pode se omitir, nem abster de dar sua contribuição para a reta ordem ética, social, econômica e política da sociedade.

A Campanha da Fraternidade retoma então essas reflexões do Concílio, para propô-las novamente, no contexto brasileiro, durante o ano de 2015, especialmente no período quaresmal de preparação para a Páscoa.

Igreja e Sociedade

 

Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo de Mogi das Cruzes (SP)

A Igreja Católica realiza, nessa quaresma, a 52ª edição da Campanha da Fraternidade, com o tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema ‘Eu vim para servir’ (Mc 10,45). O cartaz mostra o significativo gesto do Papa Francisco beijando os pés de uma pessoa, no rito do lava-pés.

Nesses anos, a campanha seguiu três categorias de temas: os ligados à renovação interna da Igreja, os relacionados a questões sociais (família, saúde, educação, trabalho, ecologia) e os referentes a situações existenciais de grupos específicos e excluídos da sociedade (menor, negro, mulher, juventude, indígenas).

Durante a campanha, em todo o País, as comunidades e organismos da Igreja refletem, de forma capilar e popular, o tema proposto. O deste ano oferece como que uma síntese dos anteriores, uma vez que trata da ação social da Igreja, com base em sua Doutrina Social. O ponto de convergência entre Igreja e Sociedade é a busca do bem comum e o esforço de se construir uma sociedade baseada em princípios fundamentais como justiça, direito, paz, liberdade.

O Estado é laico e a Igreja não reivindica para si privilégios, mas as pessoas que compõem a nação têm suas crenças. A Igreja Católica, as outras igrejas cristãs e as religiões não cristãs participam e contribuem na vida da nação, somando forças com outros atores sociais, como os movimentos populares, sindicatos, associações de bairro, partidos políticos, etc.

‘Eu vim para servir’ são palavras de Jesus que embasam o serviço de caridade do cristão e da Igreja, em três dimensões: assistencial, promocional e transformadora. A assistência aos pobres é o socorro imediato a quem está privado do básico, como a alimentação. A promoção humana contempla o aspecto educacional, permitindo aos pobres sentirem-se cidadãos providos de dignidade, direitos e deveres. A transformação social é meta que vislumbra mudanças das estruturas arcaicas e deformadas que servem aos interesses de uma minoria historicamente privilegiada e concentradora da riqueza da nação.

Uma sociedade justa, democrática e sustentável será fruto de uma ação política, no sentido amplo, em que o povo esteja presente por meio de instrumentos legítimos e eficazes, de forma participativa e não só representativa. As pastorais sociais da Igreja têm priorizado esse processo educativo de conscientização.

Assim, o texto base da campanha da fraternidade conclama a um movimento para superação da violência e construção da paz. Incentiva os conselhos paritários de participação social e a participação na reforma política. Alerta para a gravidade da degradação ambiental e a necessidade de políticas públicas de defesa da natureza, especialmente na preservação da água.

‘Agentes externos, internos, mídia e setor financeiro querem abocanhar a Petrobras’

ESCRITO POR VALÉRIA NADER E GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO

Sob ventos recessivos, o Brasil vive sob intensa carnificina capitalista, com grandes empresas nacionais e transnacionais disputando os principais financiamentos e direções dos projetos desenvolvimentistas. Tal como analisado por este Correio já há algum tempo, estamos diante de “disputas intercapitalistas” entre variados e pujantes setores, o que, obviamente, não poderia deixar o petróleo e a Petrobrás de fora. Essa é a discussão que se faz na entrevista com Felipe Coutinho, novo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), para além do viciado noticiário policial em torno da empresa.

“A Petrobrás e o petróleo brasileiro da camada do pré-sal estão no centro desta disputa. Os oportunistas e históricos entreguistas não descansam. Ao mesmo tempo em que a companhia é lesada e vilipendiada por agentes externos e internos, é ainda atacada pela mídia empresarial na sua condição de operadora única do pré-sal. Fomentam a desinformação na busca pelo petróleo brasileiro, em favor das multinacionais que esgotaram suas reservas”.

Evidentemente, Coutinho defende a punição dos agentes corruptores e corrompidos que têm sido identificados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, responsáveis por imenso dano às contas da empresa. No entanto, quando falamos da maior petrolífera do mundo e maior responsável pela exploração das suculentas jazidas do pré-sal, é imperioso levar a discussão aos termos da soberania nacional, das possibilidades de avanço social com a renda auferida e da eterna cobiça do cartel petrolífero, “assessorado” pela mídia corporativa.

“A conjuntural redução do preço do petróleo no mercado internacional, o aumento da produção nacional rumo à reconquista da autossuficiência, uma política de preços que compense a companhia pelas perdas históricas e a revisão do plano estratégico podem facilmente recuperar a situação financeira da companhia. É preciso também registrar a importância de interromper os leilões, que apenas atenderiam ao interesse das multinacionais, dos países dependentes do petróleo e ao sistema financeiro”, ponderou.

Sobre o acidente no navio-plataforma em São Mateus (ES), Coutinho toca num ponto delicado, mas que reforça os interesses em jogo em torno da maior empresa brasileira. “A indústria do petróleo é cada vez mais complexa. O petróleo convencional, de fácil acesso e barato de se produzir, é cada vez mais escasso. Precisamos buscar o petróleo em regiões cada vez mais remotas, em instalações mais complexas, em condições mais intensivas em trabalho e em capital. As contradições entre a apropriação privada da riqueza gerada em relação à preservação da vida e da natureza se agravam”.

A entrevista completa com Felipe Coutinho pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: A Operação Lava Jato traz a cada dia novas e estrondosas revelações sobre as criminosas relações entre empreiteiras privadas e gestores da Petrobras, agora com a revelação dos políticos envolvidos no esquema. Como tem visto o atual estágio desses acontecimentos?

Felipe Coutinho: Até aqui as principais revelações derivam do vazamento seletivo das delações premiadas. São denúncias de réus confessos que, por meio deste mecanismo legal, buscam a redução das penas. É necessário que as denúncias sejam rigorosamente apuradas, os culpados, tanto os corruptos quanto os corruptores e os operadores da fraude, sejam exemplarmente punidos, e que os recursos desviados sejam recuperados.

A Petrobrás é a vítima, mas é evidente a vulnerabilidade institucional da companhia na sua relação com os fornecedores de bens e serviços. Os empresários se organizaram em cartel para obter contratos super-lucrativos e fraudar a Petrobrás que, por sua vez, não teve robustez institucional para resistir à atuação de altos executivos corrompidos.

Para viabilizar o interesse privado na Petrobrás, os empresários se utilizaram dos “serviços ilegais”, ou seja, do tráfico de influência dos políticos corruptos e da atuação de executivos de aluguel no alto da pirâmide do poder corporativo estatal. Para viabilizar a fraude, os corruptos e corruptores também se utilizaram dos serviços dos operadores, os doleiros, para transferência e lavagem dos recursos roubados.

As revelações se acumulam numa escalada de novos delatores, é necessária a precaução, para não assumir como verdade qualquer denúncia sem a devida apuração. A mistura de acusações verdadeiras e falsas pode atrapalhar a apuração das primeiras e propiciar condenações prematuras e irreparáveis.

O fato novo e positivo é a investigação dos corruptores. São os principais agentes ativos e beneficiários da fraude. O papel protagonista destes empresários se revela na comparação entre os valores fraudados, via contratos superfaturados, e os valores pagos a título de propina, que segundo os depoimentos variam de 3% a 5% do valor dos contratos.
Correio da Cidadania: Como você analisa o caso Petrobras à luz do contexto mais geral do capitalismo brasileiro, vez que a empresa está visivelmente no seio de uma disputa intercapitalista predatória e a resultante promiscuidade público-privada, hoje encabeçada pelas grandes e onipresentes empreiteiras?

Felipe Coutinho: São muitos os interesses privados que cercam a Petrobrás. A apropriação privada da renda petroleira pode ocorrer de diversas formas, umas legais e outras ilegais. Isso sempre foi assim, o que difere é a gestão política do Estado Nacional, que arbitra e tenta conciliar os diferentes interesses privados e o contraditório interesse público, de natureza social.

Entre os interesses privados posso citar:

• Empreiteiros e fornecedores de bens e serviços em busca de contratos super-lucrativos;

• Banqueiros e seguradores em busca de juros pelo pagamento de dívidas e contratos para obtenção de lucros;

• Industriais consumidores de combustíveis ou de petroquímicos em busca de subsídios;

• Comerciantes, distribuidores de combustíveis, também por subsídios;

• Industriais produtores de etanol e de biodiesel em busca de subsídios e de vantagens indiretas na correlação entre os preços dos combustíveis líquidos e na questão logística;

• Controladores e executivos de petroleiras de capital privado, nacional e internacional, ou de capital estatal estrangeiro, em busca de oportunidades de acesso ao petróleo brasileiro com baixo risco e acesso às tecnologias da Petrobrás;

• Empresários, prestadores de serviços de consultoria, em busca de contratos lucrativos e de informações que podem conferir lucro ou vantagem geopolítica aos governos e corporações para os quais, secretamente, trabalham;

• Por fim, os empresários de comunicação, em busca de contratos lucrativos de publicidade com a Petrobrás, ou satisfação de interesses inconfessos na sua relação com o capital internacional.

Os interesses na disputa intercapitalista são administrados dentro do Estado Nacional. Eventualmente, pode haver cisões, mas logo se busca construir um novo consenso, em novas bases, normalmente proporcional ao poder econômico que se reflete no poder político.

O interesse social, em busca do atendimento às necessidades da população e garantia de direitos, muitos dos quais constitucionais, mas sistematicamente descumpridos pelo Estado, está em contradição com aqueles de natureza privada, descritos anteriormente.

A conciliação de tantos e contraditórios interesses pode ser feita durante um tempo e em alguns países, mas nunca todo o tempo e em todos os lugares. O acirramento da disputa se agrava nos períodos de crise, nos quais o crescimento econômico não ocorre, quando existe excedente de produção, endividamento e empobrecimento dos assalariados. Existe também a dificuldade de administrar as expectativas de uma população que é levada pela propaganda a associar a felicidade ao consumo, em sociedades cada vez mais desiguais.

A Petrobrás e o petróleo brasileiro da camada do pré-sal estão no centro desta disputa. Os oportunistas e históricos entreguistas não descansam. Ao mesmo tempo em que a companhia é lesada e vilipendiada por agentes externos e internos, é ainda atacada pela mídia empresarial na sua condição de operadora única do pré-sal. Fomentam a desinformação na busca pelo petróleo brasileiro, em favor das multinacionais que esgotaram suas reservas.

O sistema financeiro é ainda mais poderoso e pode se apropriar da renda petroleira, pelo perverso mecanismo da dívida pública, sob diferentes marcos legais da exploração petroleira. É urgente a realização da auditoria cidadã da dívida pública para evitar a evasão da renda petroleira para o rentismo parasitário.

Correio da Cidadania: Nesse sentido, como situa os governos petistas dos últimos anos nesse processo? O que dizer de sua condução da economia e posicionamentos políticos e, especialmente, da sua condução da Petrobras e da exploração das bacias do pré-sal?

Felipe Coutinho: Foram governos de conciliação. Ao mesmo tempo em que promoveram a valorização do salário mínimo e as políticas compensatórias do bolsa família, garantiram a prioridade do pagamento dos juros da dívida e os contratos derivados da “privataria tucana”.

Foi possível conciliar os interesses contraditórios enquanto as mercadorias primárias se valorizavam no mercado internacional e o endividamento das famílias promovia o mercado interno e a percepção de progresso entre os assalariados.

Em relação ao petróleo, houve avanços relevantes: aumento das reservas da Petrobrás; recomposição do corpo técnico da companhia; apoio aos investimentos que resultaram na descoberta do pré-sal; revisão da participação da Petrobrás na geração de energia termoelétrica; retomada dos investimentos em novas refinarias e entrada nas energias potencialmente renováveis; desenvolvimento da produção industrial de biodiesel; e a participação na produção do etanol.

O principal avanço diz respeito à alteração do regime da exploração do petróleo do pré-sal, a adoção do regime de partilha com garantia de participação mínima de 30% e operação única da Petrobrás.

Apesar de avançar em relação ao regime de concessão, adotado no governo do PSDB e mantido para os campos do pós-sal nos governos do PT, o monopólio estatal não foi recuperado. O monopólio estatal, exercido pela Petrobrás, foi o responsável pelo nosso desenvolvimento tecnológico e industrial. É o melhor regime para atender ao interesse da maioria da população brasileira.

Correio da Cidadania: Como está de fato a situação financeira da empresa? E em que medida esta situação é resultado da prática tarifária predominante nos últimos anos?

Felipe Coutinho: A situação financeira merece cuidado e é consequência da política energética nacional e do plano estratégico e de negócios da Petrobrás ainda vigente. Ao mesmo tempo em que o governo utilizou a companhia para controlar a inflação, vendendo derivados mais baratos do que são importados, o plano de investimentos da companhia projetou acentuada aceleração da curva de produção do petróleo. Para atender a aceleração da produção foi necessário concentrar enormes investimentos em muito pouco tempo. Ao mesmo tempo em que o fluxo de caixa era prejudicado pela política de preços no mercado interno.

A conjuntural redução do preço do petróleo no mercado internacional, o aumento da produção nacional rumo à reconquista da autossuficiência, uma política de preços que compense a companhia pelas perdas históricas e a revisão do plano estratégico podem facilmente recuperar a situação financeira da companhia.

É preciso também registrar a importância de interromper os leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). É importante desenvolver os campos já leiloados em prol do atendimento às nossas necessidades. Novos leilões apenas atenderiam ao interesse das multinacionais, dos países dependentes do petróleo importado e do sistema financeiro. O sistema financeiro ganharia pelo acesso a novas oportunidades de renda pelo endividamento da indústria e pela garantia do “superávit primário” oriundo da renda petroleira.

Correio da Cidadania: O que achou da troca da diretoria da empresa, após meses de turbulências?

Felipe Coutinho: A diretoria anterior, apesar de até aqui não ter sido envolvida diretamente por denúncias da Operação Lava Jato, estava em situação política delicada. O desastre relativo ao balanço do 3º trimestre de 2014 foi a gota d’água e tornou insustentável sua manutenção.

Correio da Cidadania: Em meio aos últimos episódios, especialistas e políticos associados a uma visão de mercado, e a mídia que os acompanha, têm feito observações críticas quanto a diversos aspectos ligados à administração da Petrobras: desde o modelo de partilha, que substituiu o modelo de concessões de FHC, passando pela definição da Petrobras como operadora única do pré-sal e pela sua política de conteúdo nacional. Há até mesmo aqueles que criticam o excesso de diversificação da estatal e advogam pela venda dos ativos que dão prejuízo. O que responderia a cada uma dessas críticas?

Felipe Coutinho: São oportunistas, aproveitam-se do sentimento de indignação resultado da natureza das revelações, mas também da forma como são divulgadas, para advogar por interesses privados, apresentando-os como de interesse geral. Fazem isso sempre que podem, são os ideólogos do capitalismo neoliberal que, apesar das evidências do desastre social de suas políticas, repetem diuturnamente os seus dogmas.

Devemos esclarecer a sociedade que não podemos confundir alhos com bugalhos. Devemos sanear a Petrobrás, defendê-la institucionalmente, recuperar os valores fraudados, punir exemplarmente corruptos, corruptores e operadores. Impor restrição à liberdade e expropriação dos empresários, políticos, executivos e doleiros condenados.

Cabe aqui lembrar o papel dos banqueiros na lavagem do dinheiro em nível internacional. Ao que parece, os corruptores foram alcançados, mas e quanto aos banqueiros e seus executivos, quando responderão pela lavanderia global do dinheiro sujo?

Além disso, o principal é garantir que todo o petróleo brasileiro seja utilizado para saldar a dívida social e construir a infraestrutura para produção sustentável das energias renováveis, que serão cada vez mais necessárias. Para isso, é imperativo não somente defender o regime de partilha, mas avançar na retomada do monopólio estatal, exercido pela Petrobrás e sob o controle social.

Correio da Cidadania: O que vislumbra pela frente? Diante da cobiça em torno à Petrobras levantada pela atual crise, acredita na hipótese de a maior empresa nacional ficar fora da exploração do pré-sal, tido como o maior tesouro econômico do país?

Felipe Coutinho: O momento é propício a mudanças, mas mesmo assim o mais provável é que continue tudo como está. Entre as mudanças possíveis, podemos avançar ou retroceder sob o ponto de vista do interesse popular.

Apesar da correlação de forças da política institucional ser desfavorável às causas populares, a política das ruas pode surpreender o poder constituído. Exemplo recente foram as chamadas jornadas de junho de 2013. Foram mobilizações pela conquista de direitos, pelo atendimento de necessidades sociais, primeiro pela mobilidade urbana, depois educação, saúde etc.

Primeiro o poder econômico e político, liderado pelo seu órgão de propaganda, a mídia corporativa, tentou rechaçar e condenar o movimento. Depois, com o fracasso da primeira reação, passaram a disputar a pauta e transformar a natureza original da indignação popular. Tática antiga, usada em muitos países do mundo ao longo da história. A desorganização popular não resistiu à violência policial e à propaganda política massiva dos meios de comunicação, o ímpeto popular arrefeceu, mas a brasa ainda está acesa.

Acredito que a Petrobrás é, acima de tudo, a sua História. Seu nascimento foi fruto da consciência sobre a importância do petróleo e da magnífica mobilização popular, a campanha “O Petróleo é Nosso” está no seu DNA, no seu código genético. Acredito que a população brasileira nunca vai abandonar a sua maior realização. Cabe a nós, petroleiros, escancarar as portas da Petrobrás para a população, promover a transparência, a democracia no local de trabalho e, principalmente, condicionar a direção da companhia ao controle social.

Correio da Cidadania: Dentro de todo este contexto, o que você comenta, ainda que num primeiro momento, sobre o acidente do navio-plataforma no litoral de São Mateus (ES), com mortos e feridos?

Felipe Coutinho: No momento em que concedo esta entrevista, tenho poucas informações sobre o ocorrido. Passo, portanto, a discorrer sobre aspectos gerais da questão da segurança operacional na indústria do petróleo.

Notória é a correlação entre a terceirização e o aumento dos acidentes entre os trabalhadores. Não posso afirmar nada em relação a este caso mas, de forma geral, a indústria do petróleo é cada vez mais complexa. O petróleo convencional, de fácil acesso e barato de se produzir, é cada vez mais escasso. Precisamos buscar o petróleo em regiões cada vez mais remotas, em instalações mais complexas, em condições mais intensivas em trabalho e em capital.

A Petrobrás é a companhia do mundo com maior experiência na produção de petróleo em águas profundas. Sempre esteve na vanguarda desta fronteira exploratória, mas, ainda assim, o aumento da complexidade das suas instalações exige prudência e aprendizado contínuo, em todas as etapas, do desenvolvimento tecnológico à operação. Isso vale para todas as condições severas nas quais se produz o petróleo não convencional, seja o petróleo de águas profundas, o do folhelho (shale em inglês), o de xisto ou o das areias betuminosas.

As contradições entre a apropriação privada da riqueza gerada – para arcar com o pagamento dos dividendos, dos juros dos empréstimos tomados, dos seguros, dos impostos e do reinvestimento para compensar a queda natural da produção dos campos maduros – em relação à preservação da vida e da natureza se agravam. Quanto mais próximos das condições extremas de produção do petróleo, maior é a contradição entre o lucro, privadamente apropriado, e a vida.

 

Campanha da Fraternidade de 2015 tem como tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema Eu vim para servir.

Aldir

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB escolheu o tema como objetivo de inserir a campanha nas comemorações do jubileu do Concílio Vaticano II, com base nas reflexões propostas pela Constituição Dogmática Lumen Gentium e pela Constituição Pastoral GaudiumetSpes, que tratam na missão da Igreja no mundo. A CNBB registra que a Campanha da Fraternidade nasceu dos esforços de renovação propostos pelo Vaticano II, lembrando que as primeiras campanhas propuseram temáticas mais eclesiais e depois houve uma série voltadas para temáticas sociais, com a compreensão da Igreja com servidora da sociedade e da humanidade para a promoção da Justiça do Reino de Deus. Outra observação importante feita pela CNBB é que a campanha de 2015 é uma oportunidade para englobar as duas dimensões: Qual Igreja e qual Sociedade que queremos? Uma Igrejaa serviço da Sociedade que almejamos, a sociedade desejada pelo próprio Cristo: Justa, Fraterna, Solidária, com Vida Digna em Abundância para todos.

Igreja e Sociedade

 

“O que mais falta aos homens da Igreja é o Espírito de Cristo, a humanidade, o despojamento de si mesmo, a acolhida desinteressada, a capacidade de ver o melhor do outro. Nós temos medo, queremos manter o que caducou, porque disso temos o hábito, queremos ter razão contra os outros. Dissimulamos, sob o vocabuláriode humildade estereotipada, o espírito do orgulho e de poder. Brincamos de pôr a vida à parte. Da Igreja fizemos uma organização como as outras. Empregamos as nossas forças para organizá-la  e agora as empregamos para fazê-la funcionar. E ela caminha mais ou menos, menos do que mais, mais caminha. O problema é que ela caminha como uma máquina, e não como a vida”

O professor e mestre em Teologia Dogmática, Celso Loraschi destaca a afirmação do patriarca ecumênico, Atenágoras, feita há mais de quatro séculos e que possui caráter exortativo para a Igreja na atualidade. Ele diz que a Constituição Pastoral GaudiumetSpes, formulou princípios orientadores para a missão da Igreja num mundo em acelerada transformação. De lá para cá, foram inúmeras as iniciativas, em todos os âmbitos, para organizar uma Igreja mais humana e solidária, respondendo aos clamores da sociedade, especialmente das pessoas abandonadas. Situa que a Igreja precisa avançar sempre mais, rompendo com a tentação de acomodar-se. E para avançar com liberdade evangélica, há necessidade de abandono de tudo que impede de ser verdadeiramente discípula missionária do Senhor, afirma o professor e mestre em Teologia Dogmática.

Igreja em Serviço à Sociedade

Para o Presbítero da Arquidiocese de São Paulo e doutor em Teologia, AntonioManzatto, o Vaticano II compreende a Igreja presente no mundo como servidora dele na proclamação da boa-nova da salvação em Jesus Cristo. O papa Francisco retoma esse ensinamento, lembrando que o mundo todo precisa ser salvo, e por isso a confissão e ação eclesial têm uma dimensão social que lhes é inerente e precisa ser realizada como contribuição dos cristãos na construção de uma sociedade de paz. Ele também destaca que é convicção de todos que Francisco humanizou o papado. Seus gestos, palavras e preocupações mostram claramente o papa como um ser humano e, mais que isso, como alguém preocupado com as pessoas. Sua postura é intencionale nitidamente pastoral, e seu ensinamento precisa sempre ser entendido nessa direção. Trata-se do pastor que se preocupa com o rebanho, daí sua atenção às periferias existenciais, à pratica da misericórdia, a uma Igreja que precisa sempre estar pronta a acolher, perdoar e curar feridas. Uma Igreja que não pode se satisfazer em si mesma, precisa missionariamenteir ao encontro do mundo, das pessoas e da sociedade, para ali anunciar e testemunhar o evangelho de Jesus, que Aparecida chamava o evangelho da dignidade humana, registra o Presbítero da Arquidiocese de São Paulo.

A Paz é Fruto da Justiça

O doutor em teologia AntonioManzatto registra do contexto de Campanha da Fraternidade, importantes aspectos sociais, quando destaca: A paz é fruto da justiça, já lembrava Paulo VI, e por isso ela não pode ser entendida como simples ausência de violência ou imposição de silêncio dos mais fortes sobre os mais fracos. Não é modelo da Pax Romana que deve ser seguido, porque isso significa verdadeira paz. Esta se baseia no respeito à dignidade das pessoas, aos direitos humanos e aos direitos dos povos. Não devemos escamotear os conflitos, mas enfrenta-los com serenidade para que eles possam ser superados.

Por isso Francisco lembra que o estabelecimento da paz não se faz simplesmente na interioridade das pessoas ou no nível interpessoal. Deve-se atingir um nível mais amplo e profundo, aquele da formação da sociedade e da convivência entre os povos. Uma sociedade ou povo não se constitui por simples aglomeração de pessoas, mas por relações estabelecidasentre elas e governadas por princípios que valorizam o bem comum, segundo os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja.

A verdade é que ao englobar as dimensões eclesial e social para a Campanha da Fraternidade de 2015, a Igreja Católica, chama o Povo de Deus à missão profética de anunciar e denunciar. Não podemos ser meros expectadores da violência que destrói vidas, dignidades humanas, direitos. Ficarmos calados diante da corrupção exacerbada para a garantia de domínio politico e para enriquecimento de políticos é contribuir para o aumento das desigualdades sociais, da fome e da miséria. Durante os últimos dois anos, segmentos da Igreja Católica do Maranhão foram totalmente omissos e até coniventes para os 88 assassinatos com duas barbáries, inclusive com decapitações de seres humanos. Os religiosos da Pastoral Carcerária, que deveriam ser a presença da Igreja dentro dos cárceres, em troca de empregos no sistema penitenciário venderam as suas consciências, se é que tinham. Entendo que diante desse importante processo de retomada dos documentos do Vaticano II, o Povo de Deus deve seguir o caminho da construção coletiva de direitos e da dignidade de todos.