Ambiente celular é fator decisivo para desenvolvimento do câncer

Pesquisadora quer mostrar que arquitetura do tecido é tão importante quanto as mutações no DNA

 

Karina Toledo

Durante muito tempo o câncer foi visto como uma doença de origem fundamentalmente genética, ou seja, causada por mutações no DNA – herdadas ou adquiridas – que alteram a expressão dos genes e fazem as células se proliferarem descontroladamente.

Mas, na visão da cientista iraniana radicada nos Estados Unidos Mina Bissell, expoente no estudo do câncer de mama, esta é apenas uma parte da história. Metade dos fatores necessários para o desenvolvimento de um tumor estaria, segundo ela, do lado de fora das células, no chamado microambiente celular.

Se o genoma fosse realmente o fator dominante, uma única mutação herdada seria o suficiente para causar câncer em todo o nosso corpo.

“Se o genoma fosse realmente o fator dominante, uma única mutação herdada seria o suficiente para causar câncer em todo o nosso corpo – uma vez que todas as células compartilham exatamente o mesmo DNA”, afirmou Bissell durante palestra apresentada no dia 2 de setembro no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

A pesquisadora, que atualmente coordena um laboratório com seu nome no Lawrence Berkeley NationalLaboratory, nos Estados Unidos, vem reunindo nos últimos 30 anos evidências para provar sua teoria de que a forma e a função de um determinado tecido se regulam reciprocamente, de forma dinâmica, e qualquer alteração dessa arquitetura e dessa rede de sinalização pode resultar em malignidade.

Suas pesquisas já deram origem a cerca de 380 artigos publicados em revistas de alto impacto. Alguns dos principais resultados foram apresentados ao público brasileiro durante a palestra na USP.

“Escolhemos a glândula mamária como modelo de estudo porque é um dos poucos tecidos que mudam durante a vida adulta. Ela se desenvolve durante a gravidez, durante a lactação e, quando a amamentação é interrompida, a glândula regride”, disse Bissell.

Para investigar como ocorriam essas alterações no tecido, a pesquisadora se concentrou em estruturas conhecidas como ácinos, pequenos sacos existentes na mama cujas paredes são revestidas por células especializadas na secreção de leite.

“Retiramos essas estruturas de camundongos fêmeas prenhes e as colocamos em uma cultura in vitro para ver se ainda se lembrariam de como é ser uma glândula mamária. Mas, em pouco tempo, elas assumiam uma estrutura completamente diferente e esqueciam como fazer leite. Isso mostra que é o microambiente que diz para as células o que elas devem fazer. As células não são autônomas, como alguns biólogos ainda acreditam”, avaliou a pesquisadora.

E o que seria afinal esse microambiente? Segundo Bissell, trata-se da chamada matriz extracelular – uma massa que une as células e é composta por moléculas como colágeno, glicoproteínas, integrinas e laminina.

Ainda nos anos 1980, Bissell formulou a teoria da reciprocidade dinâmica, segundo a qual a matriz extracelular enviaria sinais para o núcleo da célula que resultariam em um remodelamento da cromatina e uma mudança na expressão dos genes. E o núcleo então sinalizaria de volta, causando um remodelamento da matriz extracelular. Forma e função estariam se regulando reciprocamente.

Para testar a hipótese da existência de uma comunicação entre célula e microambiente, Bissell reproduziu o experimento com as células mamárias de camundongos fêmeas, mas desta vez as colocou sobre um gel contendo alguns dos principais componentes da matriz extracelular. Em vez de assumir a estrutura achatada, bidimensional, como no primeiro experimento, as células se organizaram de maneira muito semelhante à observada in vivo e, o mais surpreendente, continuaram a secretar leite.

Esse modelo celular tridimensional da glândula mamária foi adaptado para criar um teste capaz de diferenciar uma célula normal de uma célula maligna. Para isso, Bissell e colaboradores utilizaram uma série de linhagens de células humanas (HMT3522) oriundas de uma paciente sadia submetida a cirurgia para redução da mama.

Quando cultivadas por dez dias em um ambiente tridimensional rico em laminina, essas células são capazes de recapitular as características da glândula mamária normal e apresentam um padrão de proliferação controlada e parada do ciclo celular.

“Colocamos uma dessas linhagens em uma placa e retiramos o fator de crescimento epidérmico (proteína importante para o desenvolvimento normal da glândula mamária). As células transformadas começaram a se proliferar rapidamente e, ao injetá-las em um animal, foi possível formar um tumor”, contou Bissell.

Quando se comparavam as células malignas com as normais em uma cultura bidimensional comum, elas pareciam exatamente iguais. Mas, ao colocá-las no modelo 3D, as células malignas assumiam estruturas desorganizadas características de um tumor.

“A arquitetura e a beleza do tecido aparecem apenas em 3D e a malignidade é regulada no nível da organização do tecido, pela interação entre célula e matriz extracelular. É um sinal de que a arquitetura do tecido governa o genoma e, quando ela é prejudicada, como quando envelhecemos, ficamos mais suscetíveis ao câncer”, disse a cientista.

Se a sua teoria estivesse correta, uma intervenção que corrigisse a arquitetura do tecido poderia fazer com que células cancerígenas voltassem a se comportar como células normais. E, de fato, Bissell conseguiu comprovar essa hipótese.

O grupo havia observado que na superfície das células malignas havia seis vezes mais integrinas e sete vezes mais EGFR do que o normal. Usando um inibidor para apenas uma dessas integrinas, o crescimento desordenado das células foi revertido.

“Elas continuaram com o mesmo genoma aberrante, mas a desordem de crescimento foi revertida porque a arquitetura estrutural é dominante sobre o genoma. O fenótipo é dominante sobre o genótipo, mesmo em se tratando de câncer”, opinou Bissell.

O papel da actina

Após três décadas de investigação, Bissell acredita estar perto de desvendar os mecanismos pelos quais ocorre a comunicação entre a célula mamária e a matriz extracelular – graças, em parte, à colaboração do pesquisador brasileiro Alexandre Bruni-Cardoso, docente do Instituto de Química da Universidade de São Paulo.

Durante seu pós-doutorado realizado no laboratório de Bissell, Bruni-Cardoso ajudou a esclarecer como ocorre o transporte da proteína actina de dentro para fora do núcleo celular.

“A actina é uma proteína que faz parte do citoesqueleto celular. Ela compõe fibras que ajudam a dar forma e movimento às células. Nos últimos 30 anos estudos começaram a apontar que também existe actina no núcleo e, mais recentemente, mostrou-se que lá dentro ela interage com outras proteínas nucleares e regula a transcrição gênica”, explicou Bruni-Cardoso.

Em um estudo anterior, também no laboratório coordenado por Bissell, a pós-doutoranda Virginia Spencer mostrou em uma linhagem de células mamárias de camundongo que, quanto maior era a quantidade de actina no núcleo, mais as células se proliferavam.

Ao tratar a cultura de células com a proteína laminina – uma das mais importantes proteínas da membrana basal das células –, Spencer observou que a quantidade de actina no núcleo caía drasticamente e isso acontecia bem antes de as células pararem de se proliferar.

Ao repetir o experimento, mas desta vez acrescentando um peptídeo na actina que a impedia de sair do núcleo, Spencer observou que os sinais inibitórios da laminina eram anulados e as células continuavam a se proliferar. O estudo foi publicado no JournalofCell Science em 2011.

Usando como modelo uma cultura de células mamárias humanas, Bruni-Cardoso começou a investigar como os sinais da laminina chegavam até a actina nuclear.

“Nós identificamos a proteína específica que recebe o sinal da laminina, vai até o núcleo e exporta a actina do núcleo. Os resultados devem ser publicados em breve”, contou Bruni-Cardoso.

A descoberta abre caminho para o estudo de drogas que possam corrigir essa sinalização celular.

Em uma linhagem de células tumorais, o pesquisador observou que essa sinalização está desregulada e, mesmo tratando a cultura com laminina, os níveis de actina no núcleo não diminuem.

“Esse pode ser um dos motivos pelos quais as células malignas se proliferam descontroladamente. A descoberta abre caminho para o estudo de drogas que possam corrigir essa sinalização celular”, comentou Bruni-Cardoso.

De acordo com Bissell, a actina parece agir como uma alavanca de acionamento do crescimento celular. “A questão agora é descobrir como exatamente ela funciona. Hoje sabemos que não é apenas a arquitetura, mas também a sinalização que determina o comportamento das células”, concluiu.

Fonte – Jornal no Brasil

Governo de Roseana Sarney carrega as manchas do sangue derramado no Sistema Penitenciário

estatuaNos últimos 18 meses 84 pessoas foram perversamente mortas dentro das unidades prisionais do Maranhão. Mais de 95% dos assassinatos foram registrados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, inclusive com a marca de duas barbáries com decapitações de quase duas dezenas de presos. Foi a partir da iniciativa da governadora Roseana Sarney em colocar na Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária, o delegado Sebastião Uchôa, que o Maranhão, até então bastante conhecido nacionalmente pela corrupção deslavada e os péssimos indicadores sociais responsáveis pela fome, miséria, saúde e educação precárias, ganhou notoriedade internacional com as bárbaras execuções dentro do Carandiru de São Luís, como se tornou conhecido o Complexo Penitenciário de Pedrinhas. A violência dentro do Sistema Carcerário do Maranhão tomou dimensão internacional, proporcionando manifestações da Anistia Internacional e da Organização dos Estados Americanos – OEA, que inclusive deve transformar o Brasil em réu pela exacerbada violação aos direitos humanos. O Brasil poderá ser condenado pela segunda vez por práticas criminosas registradas em nosso Estado, como foi o caso dos meninos emasculados.

     A governadora Roseana Sarney com receio de intervenção federal no Sistema Penitenciário do Maranhão conseguiu armar uma farsa com o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça com a criação de um Comitê de Gestão Integrada, que reuniria várias instituições, inclusive o Tribunal de Justiça do Maranhão, os Ministérios Públicosestadual e federal, o Conselho Nacional de Justiça, dentre outras para fiscalizar, acompanhar e efetivamente monitorar todos os estabelecimentos penais do estado, além de dar celeridade a construção de novas unidades prisionais para acabar com a superpopulação no Sistema Penitenciário. Com o acordo firmado entre as partes, as primeiras unidades deveriam ser entregues a partir de dezembro de 2013. Já estamos em setembro e nenhuma delas está pronta nem mesmo as que serão maquiadas e apresentadas como construções novas.

     A irresponsabilidade com que vem sendo tratado o Sistema Carcerário, só no presente exercício dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas está prestes a atingir a marca de 25% dos assassinatos realizados o ano passado. Os números revelam que a inoperância da administração penitenciária é cada vez mais irresponsável e o governo mais inoperante e as demais instituições integrantes do Comitê de Gestão Integrada totalmente omissas.

    Muito sangue continua sendo derramado nos presídios e todas as instituições responsáveis pela fiscalização e acompanhamento das unidades, lamentavelmente calam-se covardemente e contribuem decisivamente para a banalização da vida. A governadora Roseana Sarney mancha a sua administração com o sangue dos detentos executados, fazendo muitas viúvas e colocando muitas crianças e adolescentes na orfandade e na miséria. As demais instituições que deveriam zelar pela vida das pessoas custodiadas pelo Estado, não podem jamais se eximir das suas responsabilidades. Uma pergunta se faz necessária. Será que existe direito e dignidade humana para os presos no Maranhão? Gostaria de saber qual a instituição que efetivamente faz a sua parte de acordo com os princípios emanados da Lei das Execuções Penais. Como cristão e católico, acredito que os direitos podem perfeitamente ser manipulados aqui, mas a Justiça Divina não falha e a todos a quem foi dado mais, a eles serão cobrados muito mais, diz o Evangelho.

Secretaria de Justiça silencia sobre corrupção e fuga de três assaltantes de bancos da Casa de Detenção de Pedrinhas

sejapO poderoso secretário Sebastião Uchôa silencia diante da fuga e da corrupção e mantém o diretor da Casa de Detenção. É o secretário da mais alta confiança da governadora Roseana Sarney, segundo comentários dentro da Sejap, apesar dos 85 assassinatos no Sistema Penitenciário.

A Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária está mantendo silêncio sobre a fuga facilitada de três perigosos assaltantes de bancos, que estavam recolhidos à Casa de Detenção do Complexo Penitenciário por determinação judicial. Os criminosos teriam deixado a prisão pela porta da frente do presidio por volta das 04 horas da manhã do último dia 28 de agosto, com autorização do diretor da Casa de Detenção e embarcaram em um veículo que já os esperava. Os bandidos José Wilson Pereira o “Juninho”, Rodrigo Bezerra Nunes o “Nego da Usina” e Paulo Leandro Maciel Silva o “Deputado,” teriam escapado mediantea importância de 350 mil reais pela facilitação. Pelo sistemade videomonitoramentodo Complexo Penitenciário de Pedrinhas pode ser perfeitamente verificada a fuga.

Por falta de atenção das instituições a quem cabe a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar a realidade dos presos custodiados no Sistema Penitenciário, muitas facilidades são criadas para a corrupção, principalmente pelos diretores de unidades indicados pelo secretário Sebastião Uchôa, integradas por pessoas sem capacidade profissional e até sem a mínima noção do que é uma unidade prisional, o que acaba transformando  a função em um balcão de negócios corruptos. Dos três fugitivos, o Paulo Leandro Maciel da Silva, conhecido como “Deputado”, chegou a ser liberado no período de 16 a 23 de julho, através de uma portaria do diretor da Casa de Detenção, Cláudio Barcelos, que criminosamente o qualificou como preso do regime semiaberto e a dispensa de escolta. Há muitas negociatas dentro da Casa de Detenção, inclusive existe uma cantina que seria do diretor, apontada como instrumento para a entrada de armas, celulares, munições, bebidas e todo tipo de droga que é comercializada abertamente dentro das unidades.

Por falta de fiscalização do Comitê de Gestão Integrada, do Ministério Público, do Monitoramento do Sistema Penitenciário, dos juízes das Varas das Execuções Penais e do exigente Conselho Nacional de Justiça,muitas praticas ilícitas predominam dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, bem próximo de todas as instituições.

Há poucos dias tomou uma dimensão bem ampla o vídeo em que o diretor da Penitenciária de Pedrinhas, o empregado terceirizado Salomão Mota Ferreira foi flagrado recebendo o seu aparelho celular de um preso, após ele ter feito inúmeras ligações. A direção da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária, ao invés de instaurar procedimento e afastar o diretor da unidade para apurar o desvio de conduta, veio a público sem o mínimo discernimento manifestar preocupação com o autor da filmagem, considerando natural a atitude do diretor, inclusive relatando que o preso tinha familiares doentes e que estava sendo solidário, como se procedimento de tal forma seja correto. Por decisão expressa do secretário Sebastião Uchôa o terceirizado foi mantido no cargo e coube ao próprio fazer investigações para apurar a autoria das imagens do desvio de comportamento do ato infracional grave.

Quanto a questão do diretor da Casa de Detenção, o bacharel em direito e empregado terceirizado Cláudio Barcelos, responsável pela fuga dos três bandidos assaltantes de bancos, o silêncio predominana Sejap e o secretário Sebastião Uchôa decidiu mantê-lo no cargo, como se o fato fosse bastante relevante, principalmente diante de que teriam sido 350 mil reais para a fuga facilitada, que antes eram precedidas de saídas que chegavam até uma semana. Dentro da unidade prisional, ele não esconde de que é muito forte e se mexerem com ele, muita merda será jogada no ventilador para respingar em muita gente. É bom lembrar que os três bandidos que fugiram, são acusados de terem roubado mais de 12 milhões de reais.

Com o movimento dos monitores que exigem condições dignas de trabalho e salários menos miseráveis, os problemas tomam proporções mais sérias, uma vez que depois de terem baleado um colega, a maioria teme em ser a próxima vítima. Os lideres do movimento que estão ameaçados de serem demitidos pelas empresas terceirizadas, registram que se abrirem a boca do que se passa dentro das unidades prisionais, inclusive com provas, muita gente vai se arrepender, afirmam eles.

Hoje, o GEOP identificou um túnel escavado dentro da Central de Custódia de Presos de Justiça de Pedrinhas. As facilidades para movimentação de presos e várias articulações para a total desestabilização nas unidades prisionais é facilitado em razão de que a maioria dos detentos está fora das celas.

Roseana Sarney e Edison Lobão com a corrupção da Petrobrás fizeram estelionato eleitoral usando a refinaria de Bacabeira

trioRoseana, Lobão e Paulo Costa enganaram muitas famílias que investiram em cursos para os filhos e estão endividadas

 O depoimento do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, feito à Policia Federal e ao Ministério Público Federal, como parte de um acordo para a delação premiada, respingou muito forte nos meios políticos do Maranhão com as acusações feitas a Roseana Sarney e ao ministro Edison Lobão, que negam as acusações. A governadora Roseana Sarney, argolada recentemente na Operação Lava Jato, quando denunciada pela contadora Meire Poza, como parte integrante de uma negociata de seis milhões de reais em um precatório com a construtora Constran, que teve como operador o doleiro Alberto Youssef, passou a ser parte integrante do esquema de propinas da Petrobrás com o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia.

     O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa foi um dos elementos utilizados pela governadora Roseana Sarney, o ministro Edison Lobão e um considerável número de políticos picaretas para fazer o grande estelionato eleitoral com o povo do Maranhão, através da Refinaria Premium.

O trio Roseana Sarney, Edison Lobão e Paulo Roberto, declarava publicamente que no Maranhão seriam investidos 20 bilhões de dólares, conclamando a população, principalmente os jovens para a qualificação profissional. Garantiam que inúmeras empresas seriam atraídas para investimentos em nosso Estado e que arrancada para o desenvolvimento era iminente, principalmente quando deram uma certa celeridade às obras de terraplanagem da área do município de Bacabeira.

     Até hoje existem muitas famílias endividadas por conta de empréstimos para investimentos em filhos para a capacitação profissional, outras se desfizeram de bens, acreditando nas promessas de governadora e do ministro, que sempre alimentadas pelos discursos mirabolantes de Paulo Roberto Costa, figura muito presente no Palácio dos Leões.

 

Terraplanagem não concluída levou R$1,6 bilhão de reais

 Quando começaram a ficar mais visíveis a fragilidade financeira da Petrobrás, a construção da Refinaria Premium foi uma das primeiras a ter o seu projeto adiado por dois anos e posteriormente sem previsão. Mesmo assim, a governadora, o ministro e o diretor da estatal informavam dentro do Maranhão, que se tratava apenas de uma estratégia de empresarial e que no início de 2015 as obras seriam retomadas, chegando ao ensaio de uma retomada do estelionato eleitoral para as próximas eleições. Foi a partir da descoberta da compra da refinaria de Pasadena, nos estados Unidos é que casa caiu e toda a roubalheira está sendo descoberta.

      O caso da terraplanagem da Refinaria de Bacabeira, muitos problemas se arrastam até hoje Pequenos comerciantes do local das obras e fornecedores de nossa capital amargaram prejuízos, inclusive vários investimentos empresariais foram afetados e causou um forte impacto na construção civil e no mercado imobiliário.

      A roubalheira praticada nas obras realizadas já foi detectada pelo Tribunal de Contas da União e inclusive já foi motivo de informação pública, mas mesmo assim anovo classe politica dominante pretendia aplicar um novo estelionato politico e quase conseguem se tivesse sido descoberto rombo de Pasadena. O cerne das propinas cobradas pelos políticos insaciáveis está nos900 milhões de reais desviados das obras da terraplanagem do desgraçado sonho da refinaria, criado pelos governos federal e estadual, que enriqueceu políticos e endividou milhares de famílias maranhenses.

                E se Youssef abrir a boca sobre as negociatas?

         Osadvogados do doleiro Alberto Youssef já o advertiram que se ele não fizer a delação premiada, poderá correr o risco de vir a ser condenado a mais de 30 anos de prisão e com ela a sua condenação poderá ficar em menos de um ano e meio, bastando que ele entregue todos os bandidos e quadrilheiros que faziam parte das operações criminosas e os que se beneficiavam, inclusive com riqueza de detalhes e fornecimento de documentação. Ele ficou de decidir esta semana, o que tem tirado o sono de muitos políticos no Maranhão.

 

 

Um histórico de infrações ambientais, trabalhistas e aos direitos humanos em Buriti

Mayron Regis

Nem ao resto do almoço os negros de Santa Cruz tinham direito. Se, porventura, o proprietário almoçasse só, a cozinheira melava o arroz e/ou a farinha na gordura da carne que ficara no fundo da panela. Se, porventura, o proprietário almoçasse com sua esposa, esta estragava a gordura, pois jogava água na panela. Nessa época, Vicente de Paula morava com Maria Rita, sua esposa, na Caninana, povoado próximo a Santa Cruz. A moça que cozinhou durante muito tempo para a família do proprietário contou a história para o Vicente e sua esposa. Nesse escorrer do tempo, o Incra desapropriou Santa Cruz, o proprietário faleceu e o Vicente e esposa se mudaram para o povoado Carrancas, lugar onde nasceram e se criaram.  “Nós não somos retirantes!!!”, exclamaria Maria Rita no quintal de sua casa em Carrancas em setembro de 2014. Dessa forma, ela respondia ao André Introvini, proprietário da fazenda São Bernardo em Buriti. O André Introvini prometera terras nas Areias e na Sucupira caso o Vicente e a sua família abdicassem da propriedade onde moravam desde que saíram da Caninana. A dona Maria Rita também respondia ao senhor João Gabriel, pai do André, que denunciara o Vicente por, supostamente, desmatar um trecho da reserva ambiental da fazenda São Bernardo que, no caso, é justamente a propriedade onde residem o Vicente, seu irmão Baltazar e as respectivas famílias. Na verdade, eles limparam o variante como forma de deixarem claros os limites da propriedade com relação aos vizinhos. O senhor João Gabriel viu nessa limpeza uma oportunidade para constranger o Vicente através do aparato estatal e obriga-lo a entregar a propriedade. O delegado de Buriti convocou o Vicente e perguntou-lhe sobre as árvores cortadas. “O senhor sabe que o André Introvini mandou cortar vários pés de bacuri?” soltou o Vicente. Na mesma hora, o delegado comentou que bacurizeiro, pequizeiro e babaçu são espécies imunes ao corte e que gostaria que o Vicente mostrasse os bacurizeiros caídos. Com essa declaração do delegado, ficou difícil para os Introvini desmatarem mais algum hectare nos povoados de Carrancas, Laranjeiras e Fazenda porque, afinal de contas, todas essas áreas estão cobertas de bacurizeiros, pequizeiros e pés de babaçu. Em 2005, a Justiça Federal, a pedido do Ministerio Publico de Buriti, suspendera as licenças concedidas pelo Ibama aos plantadores de soja no final de 2004. Os Introvini desobedeceram a determinação da justiça e começaram um desmatamento de 512 hectares no povoado Matinha. O STTR de Buriti denunciou o desmatamento e o MPE e a PM apreenderam os tratores. As irregularidades com relação a fazenda São Bernardo não param por ai. Em 2013, Antônio Marques, empreiteiro da fazenda, morreu depois que os rins trancaram. Como ele não era funcionário oficial e sim terceirizado, a fazenda não se responsabilizou pelos custos do tratamento. Suspeita-se de contaminação por agrotóxico. Os trabalhadores da fazenda se submetem a rotinas desgastantes por receberem diárias de 30 reais e por trabalharem dez horas ao dia.

Mayron Régis

Jornalista e assessor do Fórum Carajás

População se revolta contra mineradora Vale e vai à luta

fogo

Mais uma vez populações atingidas pelos problemas causados pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), na cidade de Marabá, sudeste do Pará, se revoltam contra o descaso da empresa Vale S.A e do poder público local, e o abuso e humilhações que passam as pessoas. São moradores de cinco bairros atingidos diretamente: Araguaia, Alzira Mutran, Km 07, Nossa Senhora Aparecida e São Félix.

No dia 23 moradores do bairro Araguaia ocuparam ferrovia as proximidades da passagem que liga os bairros Alzira Mutran e Araguaia. A ocupação durou cinco horas, o suficiente para os moradores externarem suas insatisfações, esclarecerem os transeuntes sobre a situação e conseguir acertar uma reunião com o secretário de Obras do município.

fogo

Como tática os moradores iniciaram a ocupação com a queima de pneus sobre a ferrovia e depois foram usadas madeiras conseguidas nos arredores. Quem contribui também para a interdição da ferrovia foi um maquinista que na intenção de passar pelo local e acabar com a manifestação, encostou a locomotiva no fogo e este passou para a locomotiva, sem causar danos significativos. Que pena!

Como sempre acontece quando a população se manifesta, rapidamente apareceu o corpo de bombeiros, policiais de todos os tipos e de todas as partes, representantes da Vale e de empresas empreiteiras, e representantes da prefeitura.

Como a pauta de reivindicação dos moradores não passava de cobrança da realização de obras no bairro prometidas pelo poder público, com recursos provenientes de um convênio firmado com a Vale, a partir das condicionantes para duplicação da ferrovia, a manifestação foi encerrada com um acordo feito entre moradores e secretário de Obras, para uma reunião a acontecer no dia 26.

Quem deve ter saído chateado foram aqueles que contavam com uma oportunidade para humilhar, destratar, bater e prender moradores, mostrando serviço para a Vale, o que não aconteceu.

No dia 28 foi a vez de moradores do bairro Alzira Mutran se manifestarem construindo uma cerca impossibilitando que serviços da duplicação da ferrovia fosse dado continuidade, em suas áreas. Exigindo da Vale o atendimento a uma pauta de reivindicação que foi encaminha à empresa no dia 02 de junho e até o momento nenhuma atenção foi dada. Veja a pauta exigida pelo Coletivo de Famílias Moradoras do Bairro Alzira Mutran e Km 07 Atingidas pela Vale:

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1. A Vale impôs que a negociação será residência por residência, ou seja, a empresa avalia o valor da residência da família, e a família procura uma residência para ser comprada pela empresa até o valor de que foi avaliada a sua. Caso a residência encontrada pela família seja de valor inferior ao valor que foi avaliada a sua, a empresa não repassará para a família o valor restante. Nós não aceitamos e queremos o restante, para cobrir outras despesas, como compra de móveis e eletrodomésticos.

2. Nós plantamos verdadeiros sítios com diversas fruteiras em nossos quintais ou na frente de nossas casas e a empresa não reconhece como benfeitorias a serem indenizadas. Nós queremos que sejam reconhecidos como benfeitorias e sermos bem indenizados.

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3. Exigimos indenização pelo custo social: por seis anos sendo monitoradas pela empresa sem poder fazer melhoria em nossos imóveis; o custo por ter que sair de nosso convívio construído durante muitos anos e pelas condições que oferecem a nossa localização, de proximidade ao ponto de várias linhas de ônibus, de hospital, supermercado e escolas; e pelo tempo de moradia sofrendo os transtornos causados pela operação da ferrovia.

4. Exigimos a reparação de todos os prejuízos causados para as famílias durante os anos de operação da ferrovia: o campinho de futebol que foi destruído pela empresa, rachadura das casas, poluição sonora, alagamentos de residências, isolamento e constrangimentos.

5. Exigimos reparação dos danos para as famílias que irão continuar morando no bairro com asfaltamento das ruas e implantação de rede de água e esgoto, pelos transtornos que serão causados com a operação da ferrovia duplicada(mais de onze horas por dia de ruídos e trepidações).

6. Exigimos que seja repassados para esta comissão cópias de todos os laudos das famílias dos bairros Alzira Mutran e Km 07.

7. Que a Vale contrate corretores para procurar casas para as famílias porque não temos tempo e nem é nosso papel.

É desde o ano de 2008 que estes moradores, assim como do Km 07 e São Félix, vem sendo incomodados e humilhados pela empresa Vale, com uma conversa de remoção por dizer estarem na área de interesse da empresa para serviços de duplicação da ferrovia.

A empresa não faz a remoção mas causa incômodos permanentes para as famílias, com reuniões frequentes, diagnósticos, relatórios e promessas que não são cumpridas. Agora com os serviços de duplicação da ferrovia são barulhos e poeiras durante as 24 horas do dia, sem que a empresa tome nenhuma providencia para evitar problemas de saúde para a população.

Diante de tanta omissão e opressão as famílias resolveram se manifestar. Os trabalhos continuam paralisados até que aconteça uma reunião entre moradores e a empresa Vale, dia 02 de setembro, para tratar sobre a pauta.

Marabá-PA, 29 de agosto de 2014

CEPASP – CPT – Mov. Debate e Ação – Col. de Famílias do Bairro Alzira Mutran e Km 07 Atingidas pela Vale

Moradores de Piquiá de Baixo firmam mais um passo rumo ao reassentamento

genteA Associação Comunitária dos Moradores do Piquiá firmou no último dia primeiro, mais um passo importante rumo ao reassentamento da comunidade.

Às 10h, na sede das Promotorias de Açailândia, à presença de Ministério Público e Defensoria Pública Estadual, os moradores de Piquiá de Baixo reuniram-se com representantes da Fundação VALE e da própria empresa, com os arquitetos paulistas da assessoria técnica Usina CTAH (Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado), com o Procurador do Município de Açailândia, a coordenação da Caixa Econômica Federal de Açailândia e a rede Justiça nos Trilhos.

Trata-se da segunda reunião com representantes da comunidade de Piquiá para tratar da complementação financeira para a construção do novo bairro. A reunião foi coordenada pela promotora Glauce Malheiros.

Os arquitetos da USINA, KayaLazarini e Wagner Germano, apresentaram o projeto urbanístico-habitacional e destacaram que o mesmo garante uma moradia de qualidade para as famílias de Piquiá de Baixo. “Pelo programa Minha Casa Minha Vida, geralmente, as casas têm um tamanho de 38 m2 de área útil; nosso projeto prevê habitações com 58 m2, sem exceder exageradamente nos custos e garantindo qualidade de vida a uma população que sofreu por décadas a poluição”, explicou KayaLazarini.

Os representantes da Fundação VALE confirmaram que o projeto é de extrema qualidade e está em plena sintonia com as indicações de seu novo programa “Selo de Qualidade Urbana”. Isso significa que o reassentamento de Piquiá de Baixo poderá beneficiar-se do financiamento da Fundação VALE previsto como complementação de custos em projetos urbanos paradigmáticos.

Os moradores de Piquiá de Baixo esperam conseguir o nível máximo de financiamento previsto pelo Selo de Qualidade Urbana, tendo-se comprovado que o projeto da USINA corresponde inteiramente aos quesitos apresentados pela Fundação em reuniões anteriores.

A Fundação pediu prazo até o dia 10 de setembro para informar o Ministério Público sobre a contribuição exata que está disposta a fornecer ao reassentamento.
Uma nova reunião ficou agendada para o dia 22 desse mês, com o objetivo de encaminhar os últimos acordos sobre o repasse financeiro, rumo à assinatura do contrato entre a Associação Comunitária dos Moradores do Pequiá e a Caixa Econômica Federal para a construção do novo bairro.

“Esse projeto pode tornar-se um modelo para muitas outras situações no País onde há problemas de moradia, infraestrutura precária e necessidade de soluções técnicas inovadoras, de qualidade e de custos relativamente baixos”, concluiu Wagner Germano, que desde o começo acompanha o processo participativo de planejamento com os moradores de Piquiá de Baixo.

Fonte – Justiça nos Trilhos

AGORA É A NOSSA VEZ! Atingidos pela Vale se mobilizam para lutar por direitos

genteApós seis anos sendo monitorados pela mineradora Vale, moradores do bairro Alzira Mutran resolveram se reorganizar e reivindicar seus direitos. O Bairro fica no município de Marabá-PA, às margens da Estrada de Ferro Carajás. Em uma reunião articulada pelo Coletivo de Famílias Moradoras do Bairro Alzira Mutran Atingidas pela Vale, realizada último 23 de maio, foi aprovado um documento para ser encaminhado para a mineradora e ao poder público.

A animação estava nos rostos das pessoas, que se agradaram da iniciativa, pois há muito tempo a comunidade não se reunia sem a presença da Vale. Depois da reunião, era possível ouvir frases como: ’AGORA É A NOSSA VEZ!’, ’A HORA É DE LUTAR!’, ’AGORA NÓS VAMOS PRA CIMA E COLOCAR NOSSAS PROPOSTAS!’… Veja abaixo o documento na íntegra.

O IMPACTO DA FERROVIA SOBRE AS POPULAÇÕES

São 25 municípios, 127 cidades, vilas e povoados, dos estados do Pará e Maranhão brutalmente atingidas pela construção e operação da Ferrovia Carajás/Ponta da Madeira. São populações urbanas e rurais, formadas por povos indígenas, não indígenas (agricultores, pescadores, extrativistas, comerciários, autônomos e outras categorias). Dentre os não indígenas também inclui-se os quilombolas.

Em várias comunidades e cidades, como os casos de Marabá (Pará) e Alto Alegre (Maranhão), a ferrovia atravessa parte dos territórios das populações. Principais transtornos vividos desde o inicio da operação da ferrovia, no ano de 1985, são: atropelamentos freqüentes de animais e pessoas, com mortes; isolamento de comunidades; interrupção de tráfegos; alagamentos de áreas; poluição sonora pelo atrito das rodas, do motor das locomotivas e do apito; trepidação que atinge até 300 m do eixo da ferrovia.

As populações que vivem à margem da ferrovia, quando dos momentos das passagens do trem, sofrem com interferência em seus aparelhos de televisão e telefones. São mais de cinco horas por dia somados os momentos das 24 horas que trafega o trem. A trepidação provoca enormes rachaduras nas casas, e até destruição.

O CASO DO BAIRRO ALZIRA MUTRAN

Desde o ano de 2008 que nós, moradores do bairro Alzira Mutran, temos recebido visitas freqüentes de funcionários da Vale. Na primeira visita, no ano de 2008, nos avisaram que iria ser feita uma duplicação da ferrovia e que a partir daquele momento nós não poderíamos mais efetuar melhorias em nossos imóveis porque em breve seriamos indenizados e removidos da área.

Agindo de forma ingênua e com medo do poder repressivo da empresa, as famílias deixaram de investir em seus imóveis, esperando que a Vale viesse cumprir o que havia dito. Do ano de 2008 até os dias de hoje, muitas visitas foram feitas para verificar se as famílias estariam cumprindo as ordens que lhes foram dadas.

Para disfarçar que estavam tomando algumas providências, e não apenas fiscalizando as famílias, realizaram centenas de reuniões, vários levantamentos e cadastros das famílias.

Em 2008, a empresa anunciou o Programa de Revitalização de Áreas Urbanas – Remoção Involuntária, em 2009 apresentou uma readequação do projeto, em 2010 apresentou uma nova caracterização da área, em 2011 iniciou a construção do muro de proteção, e em 2012, a Vale anunciou a revisão do projeto de construção do muro, apresentou um projeto de reurbanização e ampliação do projeto de remoção das famílias para o entorno da faixa de domínio. Até então a faixa de domínio era de apenas 28 metros do eixo da ferrovia.

No ano de 2013, realizaram reuniões em diversos bairros que seriam atingidos pela duplicação da ferrovia: Araguaia, Coca Cola, Alzira Mutran, Km 07, Folha 19, Folha 05 e São Félix. O objetivo era impor um calendário de atividades para ser desenvolvidas pela Vale, no sentido de fazer a remoção das famílias que estivessem na faixa de até 55 metros do eixo da ferrovia, sendo que primeiro seria as famílias que estivessem até 40 metros e posteriormente até os 55 metros.

No caso do bairro Alzira Mutran foi imposto o seguinte cronograma:

Em reunião realizada no dia 1º de março de 2013, na sede da Associação de Moradores do Bairro Alzira Mutran, ocorreu uma reunião com os moradores convocada pela Vale, representada por Renata e Leandro. Na oportunidade foi apresentada a empresa SYNERGIA, como responsável pelos trabalhos com as famílias.

O ponto de pauta foi a REMOÇÃO DAS FAMILIAS moradoras da área considerada pela empresa como faixa de segurança, considerando 40 metros de cada lado do eixo da ferrovia. Para tanto deveria ser feita, mais uma vez (a terceira), uma pesquisa socioeconômica, que significaria: pesquisa de campo para identificação e avaliação socioeconômica; elaboração de laudos de avaliação; e elaboração de plano de atendimento.

O trabalho seria desenvolvido em duas etapas: a primeira etapa removeria as famílias que estão na faixa de até 40 metros do eixo da ferrovia, na segunda etapa seriam removidas as famílias que estão na faixa entre os 40m e 55 metros.

Cronograma de atividades: Para a primeira etapa seria o seguinte: março/2013, estudo; junho/2013, negociação; e outubro/2013, a remoção. Para a segunda etapa: agosto a outubro/2013, estudo; novembro/2013, negociação; abril/2014, remoção. Até agora uma família foi removida, e esta mesma está muito insatisfeita.

Pontos que nós familias atingidas reclamamos e queremos providências:

1. A Vale impôs que a negociação será residência por residência, ou seja, a empresa avalia o valor da residência da família, e a família procura uma residência para ser comprada pela empresa até o valor de que foi avaliada a sua. Caso a residência encontrada pela família seja de valor inferior ao valor que foi avaliada a sua, a empresa não repassará para a família o valor restante. Nós não aceitamos e queremos o restante, para cobrir outras despesas, como compra de móveis e eletrodomésticos.

2. Nós plantamos verdadeiros sítios com diversas fruteiras nos nossos quintais ou na frente de nossas residências e a empresa não reconhece como benfeitorias a serem indenizadas. Nós queremos que sejam reconhecidos como benfeitorias e sermos bem indenizados.

3. Exigimos indenização pelo custo social: por seis anos sendo monitoradas pela empresa sem poder fazer melhoria em nossos imóveis; o custo por ter que sair de nosso convívio construído durante muitos anos e pelas condições que oferecem a nossa localização, de proximidade ao ponto de várias linhas de ônibus, de hospital, supermercado e escolas; e pelo tempo de moradia sofrendo os transtornos causados pela operação da ferrovia.

4. Exigimos a reparação de todos os prejuízos causados para as famílias durante os anos de operação da ferrovia: o campinho de futebol que foi destruído pela empresa, rachadura das casas, poluição sonora, desmoronamento de poços, alagamento de residências, isolamento e constrangimentos.

5. Exigimos reparação dos danos para as famílias que irão continuar morando no bairro com asfaltamento das ruas e implantação de rede de água e esgoto, pelos transtornos que serão causados com a operação da ferrovia duplicada(mais de onze horas por dia de ruídos e trepidações).

É hora de lutar por nossos direitos!

Coletivo de Famílias Moradoras do Bairro Alzira Mutran Atingidas pela Vale

No exterior, Vale enfrenta protestos por riscos ambientais

deleteRIO – Não bastasse os preços baixos do minério de ferro, a Vale tem se deparado com o ressurgimento da oposição a alguns projetos no exterior, em meio a processos eleitorais locais. Na Nova Caledônia, território francês onde a mineradora tem uma mina de níquel, uma onda de protestos estourou em abril, após mais um vazamento de efluentes ácidos na unidade, no Sul do arquipélago.

O acidente, que matou cerca de mil peixes, deu munição à agitação política. No mês seguinte, foram eleitos novos membros do Congresso, que decidirão sobre o referendo que trata da possível independência em relação à França.

Veículos e edifícios da Vale foram incendiados, interrompendo a produção por três semanas. A empresa atua na Nova Caledônia em parceria com companhias japonesas e um pool de províncias do arquipélago.

No Peru, onde haverá eleições municipais em outubro, a Vale é acusada de não tomar os devidos cuidados no embarque de fosfato (matéria-prima para fertilizantes), em seu terminal na Baía de Sechura, Nordeste do país, o que colocaria em risco o meio ambiente e a atividade pesqueira.

A Vale opera no país por meio da subsidiária MiskiMayo, que tem a americana Mosaic e a japonesa Mitsui como sócias.

IMPACTO EM ÁREA PROTEGIDA

A Vale herdou as operações na Nova Caledônia ao comprar a canadense Inco em 2006, tornando-se a segunda maior produtora de níquel no mundo. As reservas no território francês são 25% das de níquel da Vale e têm vida útil até 2043.

Mas a sustentabilidade do projeto é questionada por ONGs, que temem o impacto sobre um conjunto de lagoas consideradas patrimônio da Humanidade pela Unesco. Desde 2009, elas contabilizam ao menos cinco vazamentos, alguns envolvendo ácido sulfúrico. Segundo o ativista SariminBoengkih, o local de despejo de efluentes está situado a 3,5 quilômetros das lagoas.

— Com a sucessão de acidentes, as pessoas estão cada vez menos confiantes no processo de produção de níquel da Vale — afirma Boengkih.

A mineradora reconhece que houve problemas na implantação do projeto, mas assegura que “a operação é viável e segura”. E informa que uma auditoria externa confirmou que o controle de efluentes é adequado. A Vale já foi multada em US$ 460 mil.

PERU: DENÚNCIAS DESDE 2011

No Peru, a exploração de fosfato tem importância estratégica para a Vale, pois o Brasil é deficitário em fertilizantes. Segundo a comunidade local, porém, no momento do embarque em navios, há dispersão de material particulado no ar e na água, o que pode causar problemas respiratórios e desequilíbrios no ecossistema marinho. A primeira denúncia foi feita em 2011 pelo Sindicato de Trabalhadores da Petroperu, petroleira que tem um terminal a cerca de 300 metros do da Vale.

— Agora, os embarques têm sido à noite, para que ninguém note — diz EvinQuerevalú, presidente do sindicato.

A Vale explica que o carregamento de navios pode gerar pó e assegura que está trabalhando para melhorar o sistema. E ressalta que uma multa ambiental local foi anulada em abril.

Para analistas de mercado, a oposição aos projetos não deve afetar o desempenho financeiro da Vale.

Fonte – Justiça nos Trilhos

Passageiro que perdeu conexão devido a intervalo de poucos minutos entre voos será indenizado

aviaoCompanhia aérea deve zelar pela prestação de serviços eficientes e responder por danos provocados a seus clientes.

A companhia aérea TAM foi condenada a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a um passageiro devido à alteração de horário de voo que causou perda de conexão e o obrigou a permanecer no aeroporto durante cerca de 12h. De acordo com a defesa do autor, o novo horário estabelecido era impossível de ser cumprido, pois havia um intervalo de poucos minutos entre um voo e outro. Decisão é da 19ª câmara de Direito Privado do TJ/SP.

Na ação, o autor conta que adquiriu duas passagens aéreas com destino à cidade de La Paz, na Bolívia, com previsão de três escalas na ida e duas na volta. A empresa aérea, entretanto, teria alterado o horário do voo de retorno, obrigando o passageiro a permanecer no aeroporto por horas a fio. Em decorrência da situação, o autor teve que adquirir passagens de outra companhia para concluir o trajeto.

Em recurso contra condenação imposta em 1º grau, a TAM alegou culpa exclusiva de terceiro, tendo em vista que o autor teria perdido o voo de conexão por força de alteração de horário da empresa Amaszon, responsável pelo trajeto entre as cidades de La Paz e Santa Cruz.

O relator, desembargador Sebastião Junqueira, entretanto, destacou que os bilhetes emitidos demonstram que a TAM era responsável pelo transporte no trajeto entre Santa Cruz e Assunção e, “como bem ponderado pelo magistrado, o contrato de transporte da apelante encontra-se na mesma cadeira de consumo que integra o transporte do autor da cidade de La Paz até São Paulo, com as conexões nele previstas

Fonte – Migalhas

“O autor não obteve êxito na prestação de serviços contratada com a apelada, e não pode ser penalizado por situações a que não deu causa. A companhia aérea deve zelar pela prestação de serviços eficientes e responder por danos provocados a seus clientes.”