Band foi ao Maranhão, checar o caso envolvendo Flavio Dino e jornalista e o resultado é estarrecedor

A Band foi a São Luís (MA), refez os passos do jornalista Luís Pablo e colocou de novo na mesa o que o aparato judicial tentou enterrar: Um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), comprado com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg), usado por familiares do ministro Flávio Dino em deslocamentos particulares. Nove meses depois da denúncia original, o foco da investigação não é o possível uso irregular de bem público. É quem ousou revelar.  

Em novembro de 2025, o Blog do Luís Pablo publicou que a Toyota SW4 preta blindada do TJ-MA circulava com a mulher e o filho de Dino, inclusive quando o ministro não estava no estado. Imagens em locais como a AABB reforçavam o uso privado. O carro faz parte de uma frota restrita adquirida com dinheiro público destinado à segurança institucional de magistrados, não a passeios familiares. Ofício do STF de agosto de 2024 pedia apenas agentes de segurança quando a família estivesse no Maranhão — sem menção a cessão de veículo. O documento detalhando o automóvel só teria sido emitido depois das reportagens.

A resposta do sistema não foi apurar se houve desvio de finalidade. Foi transformar o denunciante em alvo. Em março de 2026, Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão de celular e notebook de Luís Pablo no âmbito do eterno inquérito das fake news. Classificou as publicações como divulgação de informações sensíveis de segurança e “perseguição”.

Depois veio a operação contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como fonte.

Entidades de imprensa criticaram a medida como afronta ao sigilo da fonte e à liberdade de imprensa. O jornalista prestou depoimento em silêncio, como manda a Constituição. O padrão é conhecido. Quando a reportagem incomoda, o problema deixa de ser o fato e passa a ser o jornalista e a fonte. Moraes puxa para o inquérito das fake news, criminaliza a apuração e protege o colega.

 Jornal da Cidade Online

Correios no governo Lula fecham o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,5 bilhões

Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões de igual período de 2025. No segundo trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,39 bilhões, queda de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões, houve redução de 24,4%. A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 4,01 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,41% ante os R$ 4,24 bilhões registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita cresceu 3,8%, segundo o balanço de resultados publicado neste sábado, 29. Em nota, a empresa aponta que os resultados ocorrem em meio à implementação de um plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.

“O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade das medidas de reestruturação, com foco na recuperação sustentável das receitas, o aumento da eficiência operacional, a revisão de despesas e contratos e a modernização do modelo de negócios”, afirma a administração dos Correios em nota que acompanha os resultados. O governo já assumiu compromisso de realizar um aporte de capital no montante de R$ 6 bilhões até o final de 2027 nos Correios. O compromisso de injetar recursos está previsto no contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pela estatal no ano passado com cinco bancos e garantia do Tesouro Nacional. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o aporte estará incluído na proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.

Fonte: UOL NOTÍCIAS

 

Os casos Eduardo Tagliaferro e Filipe Martins: Crimes impossíveis e omissões convenientes

Por Bady Elias Curi

Em princípio, os casos são distintos e não guardam correlação fática direta entre si, a não ser pelo fato de que a ambos os envolvidos, foram imputadas condutas relacionadas a supostos crimes contra o Estado Democrático de Direito. Sem pretender adentrar a totalidade do mérito das acusações formuladas pela Procuradoria-Geral da República — notadamente quanto à tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e ao golpe de Estado, tipos cujas elementares, a meu ver, não se amoldam às condutas efetivamente praticadas —, cumpre fazer alguns esclarecimentos.

Faço-o porque, na esteira do entendimento manifestado por expressivo segmento da doutrina, as teses acusatórias, as prisões preventivas e as condenações impostas sob a rubrica desses tipos penais não encontram respaldo dogmático no ordenamento jurídico pátrio. Para a configuração da tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, são elementares indispensáveis a violência ou a grave ameaça — esta última entendida como ameaça grave e injusta, dotada de idoneidade para constranger. No caso em tela, não se vislumbrou associação estruturada voltada à tomada do poder, tampouco comando ou suporte das Forças Armadas ou de grupos paramilitares. Os atos executórios devem ostentar idoneidade lesiva mínima para produzir o resultado visado. Não se consuma nem se tenta abolir a ordem constitucional por meio de bíblias, batons, manifestações desarmadas, posturas opinativas ou mesmo atos isolados de vandalismo. O que se viu, sob a ótica penal, foi uma atipicidade contornada por malabarismos hermenêuticos, para punir conduta que se aproxima, em essência, da figura do crime impossível por absoluta ineficácia do meio.

Contudo, é na inércia e na omissão seletiva do poder estatal que reside a principal similitude entre os dois casos. Eduardo Tagliaferro foi alvo de medidas coercitivas e de imputações penais — entre elas as de violação de sigilo funcional e de coação no curso do processo — após a revelação de mensagens dos grupos de trabalho da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, à época em que prestava serviços ao Tribunal Superior Eleitoral, sob a gestão do Ministro Alexandre de Moraes. As mensagens divulgadas pela imprensa apontavam atuação enviesada, de monitoramento e produção oficiosa de relatórios contra jornalistas, influenciadores e cidadãos de oposição — caso que ficou conhecido publicamente como “Vaza Toga”.

Filipe Martins, por sua vez, teve sua prisão preventiva decretada sob o fundamento de que teria viajado aos Estados Unidos, a bordo do avião presidencial, para se furtar à aplicação da lei penal. A medida extrema apoiou-se fundamentalmente em um suposto registro de entrada no sistema de imigração norte-americano. Não obstante a defesa técnica haver comprovado que Martins permaneceu no Brasil — mediante faturas de consumo local e bilhetes de voos domésticos pela Latam —, ele seguiu encarcerado por cerca de seis meses. Em agosto de 2026, apurou-se que o referido registro migratório era inverídico, circunstância confirmada pelas próprias autoridades dos Estados Unidos, o que motivou determinação judicial estrangeira para a apuração da fraude. Considerando que Martins era figura anônima para a burocracia norte-americana, a manipulação de tais dados aponta para o envolvimento de agentes com interesse direto em sua incriminação no Brasil. A que autoridade ou funcionário brasileiro interessava fabricar uma evasão fictícia para lastrear uma prisão cautelar? E a quem aproveitava a fragilização de Filipe Martins? Essas perguntas permanecem sem a devida resposta institucional.

A convergência entre os casos Tagliaferro e Filipe Martins repousa justamente na ausência de persecução penal simétrica. Pelo que se observa, não houve o mesmo ímpeto investigativo para apurar as denúncias de parcialidade no uso do aparato eleitoral contra opositores, tampouco para identificar e responsabilizar quem forneceu ou forjou os dados que lastrearam uma prisão preventiva indevida. O poder dever estatal de investigar, denunciar, processar e julgar não pode ser exercido de forma seletiva, sob pena de reduzir as garantias constitucionais a um regime de justicamento sumário, em direta afronta ao próprio Estado Democrático de Direito.

Tenho Dito!!!

Bady Elias Curi

Advogado fundador do Esc. Bady Curi Advocacia Empresarial, Prof. Mestre de Direito e escritor.

 

Lula e o PT acreditam que a eleição e o recesso podem travar ofensiva contra a ladroagem de Lulinha

Enquanto se multiplicam no noticiário policial e até no Supremo Tribunal Federal as denúncias envolvendo denúncias de falcatruas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Câmara acumula requerimentos da oposição que tentam avançar contra o filho do presidente da República. Tem de tudo; pedidos de informação, solicitação de acesso a dados que ministros de Lula escondem a sete chaves, tentativas de convocação de auxiliares do petista e acesso a informações financeiras de Lulinha.

Rastro da grana

Na Comissão de Finanças e Tributação, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tenta passar o pente fino nas atividades financeiras de Lulinha.

Olho na catraca

Parlamentares do Novo tentam acesso aos registros de acesso à Telebrás. Suspeitam de atuação de Lulinha em negociatas por lá.

Café de comadres

Gustavo Gayer (PL-GO) cobra de Wellington César Lima e Silva (Justiça) explicações sobre estranha reunião com advogados do filho do petista.

Rolo sem fim

Há ainda dúvidas sobre contratos, de mais de R$53 milhões, envolvendo a 3Structure, que implica Lulinha em suposto tráfico de influência.

Coluna do Claudio Humberto

 

Advogada viraliza com ‘recado’ para Roberta Luchsinger sobre Lula: “Não permita ser tratada como lixo!”

A lobista Roberta Luchsinger ganhou o noticiário nos últimos dias por ter sido ‘traída’ por Lula, até então o seu grande ídolo. Não deve estar sendo fácil para ela ter sido chamada de ‘pilantra’ em rede nacional. A advogada Flavia Ferronato publicou em suas redes sociais um ‘recado’ para Roberta Luchsinger. Ela manifesta perplexidade pelo modo como a lobista foi tratada por Lula e dá alguns conselhos.

Confira:

“Oi Roberta, tudo bem?

Vi que você deletou seu perfil, mas vou tentar mesmo assim…

Sei que você só está utilizando tornozeleira e pode assistir TV tranquilamente.

Infelizmente (pra vc) você não está na Suíça, então, sugiro que você sintonize nos canais de notícia para ver o que o papai Lula falou ao seu respeito.

Menina, ele te chamou de PILANTRA!!

Logo você, quase nora dele…

Disse, inclusive, que nunca te viu na vida.

Ou seja querida, todas aquelas fotos agarradinhas com o Lula, não significou nada pra ele.

Sim, você foi usada e abandonada no momento que mais precisava de apoio, como todo macho tóxico faz.

Não permita ser tratada como lixo! Mostre seu empoderamento!! Mostre que mulheres não podem ser tratadas assim!!

Delate esses misóginos!! Entregue um por um!! Mostre o poder feminino de acabar com a vida de machos escrotos!!

Nós estaremos aqui pra te apoiar!

Jornal da Cidade Online

 

“Golpe” de Lula contra aposentados do INSS é quem ganha acima do mínimo terá reajuste menor em 2027

O governo Lula discute aplicar reajuste diferente ao salário mínimo de trabalhadores da ativa e aos benefícios do INSS, de acordo com o site Valor Econômico. A ideia é manter ganho real de até 2,5% para quem está no mercado de trabalho. Já para aposentados e pensionistas, o aumento acima da inflação seria menor. O objetivo, segundo o governo, é aliviar a pressão sobre as despesas obrigatórias do Orçamento. 

O vereador Carlos Bolsonaro fez duras críticas à iniciativa: 

“Depois de uma vida inteira trabalhando e contribuindo, esse é o caminho que querem discutir para quem vive da aposentadoria? Aposentado não é peso, merece respeito, valorização e poder de compra, coisa que já não existe mais”, ressaltou indignado. 

Jornal da Cidade Online

CNJ reconhece TRE-MA por excelência em transparência e inovação

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão recebeu dois importantes reconhecimentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destacados pela presidente, desembargadora Francisca Galiza, durante a sessão de julgamentos desta quinta-feira, 27 de agosto. As premiações reconhecem o trabalho desenvolvido pelo Tribunal nas áreas de transparência e inovação. 

O primeiro reconhecimento foi obtido durante a 2ª Reunião Preparatória para o 20º Encontro Nacional do Poder Judiciário, realizada no dia 24 de agosto, em Brasília. Pelo terceiro ano consecutivo, o TRE-MA alcançou o cumprimento integral de 100% dos requisitos do Ranking da Transparência do CNJ.

Em sua 9ª edição, o levantamento avaliou 74 itens, distribuídos em 11 temas, com base nas informações disponibilizadas na página da Transparência do Tribunal. Entre os aspectos analisados estão gestão estratégica, audiências públicas, sessões de julgamento, atendimento ao público, orçamento, finanças, contratos, gestão de pessoas, auditoria, sustentabilidade e acessibilidade.

“Esse resultado é fruto de um trabalho coletivo e constante: mais de 20 unidades, distribuídas por todas as Secretarias, atuam diretamente para manter esses dados sempre atualizados e à disposição dos cidadãos. A cada um desses servidores deixo o meu reconhecimento, pois é desse empenho diário que se constrói a transparência que hoje nos permite figurar, mais uma vez, entre os tribunais que cumprem plenamente as exigências do Conselho Nacional de Justiça. Uma Justiça Eleitoral transparente é uma Justiça mais próxima da sociedade e mais digna da confiança que dela se espera. Que este resultado nos sirva de estímulo para seguirmos aperfeiçoando nossas práticas”, enfatizou.

Reconhecimento à inovação 

O segundo reconhecimento ocorreu durante o 3º Prêmio de Inovação do Poder Judiciário. Na ocasião, o CNJ concedeu ao TRE-MA o Selo “Judiciário Inovador”, premiação destinada às iniciativas que se destacaram pelo impacto, caráter inovador e contribuição para a modernização da Justiça.

Entre as propostas apresentadas por tribunais de todo o país, duas iniciativas do TRE-MA foram agraciadas com o Selo.

Uma delas foi a iniciativa “Mesário/a, Agente da Democracia”, desenvolvida pela equipe do Laboratório de Inovação TREMALAB. A proposta prevê a celebração de Termo de Cooperação Técnica entre o TRE-MA, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) e a Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA), com o objetivo de estabelecer, em seus processos seletivos de estágio, critério diferenciado de ingresso para estudantes universitários que tenham atuado como mesários da Justiça Eleitoral. 

Também recebeu o Selo a iniciativa “SEMOGuIA — Inteligência que orienta, conhecimento que moderniza”, desenvolvida pela equipe da Seção de Modernização da Gestão. A solução consiste em um assistente virtual apoiado em inteligência artificial, que simula uma pessoa especialista da área para prestar orientações de forma didática, minuciosa e bem fundamentada, cujo projeto está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 da Agenda 2030.

Ao destacar as duas premiações, a presidente, desembargadora Francisca Galiza, ressaltou que os reconhecimentos evidenciam o compromisso do TRE com a inovação, a eficiência da gestão e o aprimoramento contínuo dos serviços prestados à sociedade.  “Deixo, por isso, o meu reconhecimento às equipes do TREMALAB e da Seção de Modernização da Gestão, cujo talento e dedicação levaram o nome do TRE do Maranhão a figurar, mais uma vez, entre os tribunais que inovam e inspiram o Poder Judiciário brasileiro”, encerrou a presidente.

Fonte:  Conselho Nacional de Justiça

Diretor da PF rebate Lula e diz que corporação atua sem ‘proteger ou perseguir’

A declaração foi feita um dia após o presidente Lula (PT) afirmar que agentes da PF estariam vazando e fazendo ilações contra seu filho Lulinha. O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28) que a corporação atua com “autonomia” e “sem interferências” referentes aos últimos casos envolvendo a República. A declaração foi feita um dia após o presidente Lula (PT) afirmar que agentes da PF estariam vazando e fazendo ilações contra seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por tráfico de influência e corrupção.

“Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição Federal e pelas leis, pela responsabilidade institucional e compromisso com a Justiça e a sociedade brasileira”, afirmou Andrei, em uma solenidade de formatura de novos 683 policiais federais.

Andrei é denominado “homem de confiança” do petista, que deferiu críticas sem provas à PF durante sua sabatina no Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite desta quinta-feira (27). Recentemente, Andrei estava tendo atritos com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão das conduções dos inquéritos que investigam o roubo aos aposentados e pensionistas do INSS e a condução do caso Master. Lula chegou a aconselhar que Andrei se encontrasse com Mendonça e chegasse a um acordo para diminuir os atritos. O diretor-geral também destacou que, durante sua gestão, a PF trabalha com transparência e foco na missão constitucional. Segundo ele, a corporação não atua para proteger ou perseguir.

“Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nessa gestão trabalhamos com transparência e foco na missão constitucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado”, finalizou.

Diário do Poder

 

A Mentira sem Vergonha

                                                                                                                   *David Gertner

A mentira venceu sua batalha mais importante quando deixou de precisar parecer verdade.

Durante muito tempo, a mentira precisou de algum disfarce. Quem mentia procurava parecer verdadeiro. Inventava uma explicação plausível, escondia evidências, apagava rastros. Havia, pelo menos, uma homenagem involuntária à verdade: o mentiroso sabia que, se fosse descoberto, teria alguma coisa a explicar.

Talvez uma das mudanças mais perturbadoras de nosso tempo seja justamente esta: a mentira perdeu a vergonha.

Existe um fenômeno conhecido como mentira patológica, expressão usada para descrever padrões persistentes e recorrentes de falsidade, que podem ocorrer mesmo quando não existe uma vantagem evidente a ser obtida. Não se trata da pequena mentira ocasional, tão antiga quanto a humanidade, nem apenas da falsidade calculada para escapar de uma dificuldade. É a repetição da mentira até que ela se torne parte habitual da relação do indivíduo com a realidade.

Seria imprudente transformar essaI descrição em diagnóstico de líderes políticos. Diagnósticos pertencem aos profissionais que examinam pessoas, não aos cidadãos que observam discursos. Mas não é necessário diagnosticar ninguém para reconhecer um fenômeno coletivo: a mentira sistemática tornou-se uma das ferramentas mais poderosas da política contemporânea.

Políticos sempre mentiram. Imperadores, reis, ditadores e candidatos esconderam derrotas, exageraram conquistas, inventaram inimigos e prometeram aquilo que sabiam não poder cumprir. A mentira política não foi inventada pelas redes sociais nem pelas democracias modernas.

O que parece ter mudado é a escala, a velocidade e, principalmente, a ausência de constrangimento.

Antes, uma mentira descoberta podia destruir uma reputação. Hoje, muitas vezes, ela simplesmente produz outra mentira.

Quando uma afirmação é desmentida, surge uma nova versão. Quando aparecem documentos, os documentos são desacreditados. Quando especialistas contestam uma afirmação, passam a fazer parte da conspiração. Quando jornalistas apresentam evidências, o problema deixa de ser a mentira e passa a ser o jornalismo. E, quando a realidade insiste em contrariar a narrativa, resta uma solução surpreendentemente eficaz: atacar a própria realidade.A mentira deixa então de tentar convencer.

Passa a tentar cansar.

Não é necessário fazer com que todos acreditem numa determinada falsidade. Basta produzir tantas versões, acusações, teorias e contradições que uma parcela da sociedade desista de procurar saber o que aconteceu. A dúvida permanente pode ser politicamente tão útil quanto a crença.

Se ninguém sabe mais em quem confiar, fatos tornam-se opiniões, evidências tornam-se versões e instituições tornam-se suspeitas. A verdade, que exige investigação, paciência e frequentemente alguma complexidade, passa a competir em desvantagem com a mentira, que pode ser simples, emocional e instantânea.

As redes sociais apenas multiplicaram uma vulnerabilidade humana muito anterior à tecnologia: não acreditamos necessariamente naquilo que é verdadeiro. Temos uma extraordinária capacidade de acreditar naquilo que gostaríamos que fosse verdade.

É nesse ponto que o problema deixa de pertencer apenas a quem mente.

Uma democracia pode sobreviver a políticos que mentem. É muito mais difícil sobreviver a uma sociedade que deixa de se importar com a diferença entre verdade e mentira.

Porque a democracia depende de uma espécie de acordo silencioso: podemos discordar sobre o que fazer, mas precisamos conservar algum território comum sobre aquilo que aconteceu.

Podemos discutir se uma política foi boa ou ruim, quais foram as causas de uma crise ou quem é responsável por determinado fracasso. Mas, quando cada grupo passa a possuir não apenas suas próprias opiniões, mas também seus próprios fatos, o debate deixa de existir.

Restam torcidas.

Talvez por isso a mentira política mais perigosa não seja aquela em que acreditamos. É aquela que sabemos ser mentira e aceitamos porque beneficia o nosso lado.

Nesse momento, já não estamos sendo enganados. Estamos participando.

Passamos a exigir honestidade apenas dos adversários. A mentira do outro torna-se prova de sua indignidade; a mentira dos nossos transforma-se em exagero, estratégia, provocação ou necessidade política.

E assim, pouco a pouco, aquilo que antes causava escândalo passa a provocar apenas aplausos diferentes em lados diferentes da mesma sala.

A mentira venceu sua batalha mais importante quando deixou de precisar parecer verdade.

Talvez o maior perigo não seja que existam pessoas capazes de mentir sem pudor, sem constrangimento e sem limites. Elas sempre existiram e provavelmente sempre existirão.

O verdadeiro perigo começa quando nós perdemos o pudor de acreditar nelas.

*David Gertner, Ph.D. é escritor, ensaísta e professor aposentado. É autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David, disponível na Amazon.

 

Além de Lula, lobista Roberta Luchsinger se exibe ‘íntima’ de Janja, Alckmin, ministros do STF.

Redes sociais de Roberta Luchsinger ostenta rede de relacionamentos da amiga de Lulinha no centro do poder do Brasil. A ostentação da proximidade, ao menos física, do presidente Lula (PT) nas suas fotos das redes sociais com a lobista Roberta Luchsinger é apenas parte de sua ampla rede de relacionamentos com a cúpula dos Poderes da República. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo petista também ilustram a linha do tempo das postagens com a suspeita de intermediar negócios sob suposto tráfico de influência atribuído o filho de Lula, Fábio Luís, o “Lulinha”. As imagens com Lula desmentiram a lorota do candidato petista à reeleição sobre nunca ter estado próximo da lobista investigada que ostenta tatuagem de “best friend” da esposa de Lulinha, Renata Moreira. Personagens relevantes da República nas outras fotos com a lobista ampliam a dimensão dos contatos da amiga de Lulinha. Maior parte das imagens que Luchsinger ostenta com autoridades mostram encontros amigáveis em eventos sociais.

Colada no Supremo

Aparecem com a lobista os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, e os integrantes já aposentados do Supremo, Luís Roberto Barroso e Carlos Ayres Britto. Porém, é necessário ponderar que a ostentação mostra a lobista integrada ao círculo de poder que decide o destino do Brasil, mas não indicam qualquer ato ilegal ou relativo às investigações e suspeitas que ligam a amiga da família do presidente a escândalos como o roubo bilionário a aposentados e pensionistas do INSS e o caso de Lulinha.

A assessoria de imprensa do STF ressaltou para o Diário do Poder que seus ministros cumprem agenda institucional e participam regularmente de solenidades, cerimônias sociais e eventos públicos abertos a diversos convidados do meio jurídico, político e da sociedade civil.

“Os registros fotográficos foram na posse do ministro Zanin no STF, evento público no qual é costumeiro que os ministros atendam a solicitações de fotos. No caso do ministro Flávio Dino, a foto é de 2022, quando o ministro não exercia função pública. Ele atendeu a um pedido de foto em um aeroporto, como acontece cotidianamente”, esclareceu a assessoria do Supremo.

Ministério da Saúde

No feed de Luchsinger é possível encontrar a lobista com a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade (demitida em contexto de desgaste político) e seu então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, que é o atual chefe de gabinete adjunto de Lula.

Conhecido como Berger, ele é citado na investigação como alvo de uma suposta articulação conjunta da lobista com Lulinha, com objetivo de fechar contrato de R$ 626 milhões com uma empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pelo roubo bilionário a aposentador e pensionistas.

Nesta semana, o senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI do INSS pediu que o Plenário do Senado convoque o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para explicar se o lobby de Luchsinger junto ao Ministério resultou em contratos.

O ministro aparece em fotos com a lobista. E sua pasta não respondeu ao Diário do Poder sobre eventuais reuniões, seus participantes, articuladores, além de empresas, projetos e possíveis processos e recursos envolvidos no lobby atribuído à lobista amiga de LulinhaA reportagem também pediu posicionamento de Luchsinger. E está à disposição para manifestações de qualquer pessoa mostrada na matéria nas postagens da lobista.

Diário do Poder