O mercado derrotado da gratuidade

        “Vivemos em uma meritocracia capitalista que encoraja o individualismo e o utilitarismo, a ambição e o orgulho. Mas essa sociedade cairia aos pedaços se não fosse por uma outra economia, onde os dons superam as especativas, onde se reconhecem os limites da autonomia e se exalta a dependência”, escreve David Brooks, colunista do New York Times e analista político da TV pública dos EUA, em artigo publicado por La Repubblica

Eis o artigo.

Às vezes os grandes hotéis me deixam nervoso. Tenho determinadas expectativas sobre o serviço, me irrito se para encontrar algo devo girar os sapatos pelo quarto, se os comandos do chuveiro são inescrutáveis, se a estrutura se reputa muito sofisticada para disponibilizar uma máquina de café em cada quarto. Por vezes me sinto melhor nos hotéis econômicos onde espero menos e o ferro de passar que funciona é um presente e a chapa para o waffel no espaço do café da manhã é uma grande surpresa. Este pequeno exemplo é a prova do forte impacto que as expectativas exercem sobre nosso ânimo e sobre nossas emoções, acima de tudo sobre uma, magnífica, a gratidão.

Se prova gratidão frente a uma gentileza que supera as expectativas, que não é devida. Gratidão é o coração que ri surpreso por um ato inesperado de cortesia. Existe quem seja grato em determinadas ocasiões – porque qualquer um te salva de um erro ou vem ao teu encontro com uma refeição pronta quando estás doente. Mas alguns parecem gratos por natureza, reconhecedores o tempo todo. São pessoas que talvez tenham grandes ambições mas conserva pequenas expectativas. Ou mais, quando progridem na vida, sobre de nível social, seguidamente se habituam a ser mais respeitados, tratados melhor. Os gratos por natureza, pelo contrário, não dão nada por garantia. Experimentam algo novo a cada palavra de elogio, frente aos sucessos dos outros, cada vez que o sol nascer. São pessoas presentes a si mesmas e hiper-reativas.

Essa disposição de animo precisa ser analisado mais a fundo, porque cria uma mentalidade que faz um contraponto às tendências culturais tradicionais do nosso mundo. Vivemos em uma meritocracia capitalista que encoraja a sermos autossuficientes, chefes do próprio destino. Os gratos por natureza, pelo contrário, tem plena consciência de depender constantemente dos outros. Têm muita consideração por aquilo que fizeram pelos seus pais, amigos e pelos antepassados, de certos modo, os seus superiores. São convictos que a autonomia do indivíduo seja uma ilusão, pois se contassem somente consigo mesmos viveriam muito pior.

A lógica da base da meritocracia capitalista é que tudo se paga caro e que se tem aquilo que se mercê. Os gratos por natureza, pelo contrário, pensam sempre que o preço seja aixo e de ter mais do que aquilo que merecem, de receer das famílias, da escola, dos campos de férias muito mais daquilo que retribuem. No seu dia-a-dia existe um superávit de bem que não se explica com a lógica da troca igualitária.

O capitalismo nos encoraja a considerar os seres humanos como criaturas individualistas e orientados para o máximo aproveitamento. Os gratos por natureza são alinhados com a economia da doação, onde as pessoas são movidas por solidariedade, ao invés do individualismo. Na economia da doação a intenção conta.

Somos gratos a quem procurou nos fazer um favor mesmo se esse favor não serviu. Na economia da doação a empatia conta. Somos gratos a quem nos demonstrou que nos quer bem mais do que pensássemos. Somos gratos quando os outros se esforçam para colocar no nosso lugar sem tirar vantagem.

A gratidão é também uma colagem social. Na economia capitalista se paga uma dívida restituindo dinheiro a quem nos emprestou. Mas o débito de gratidão se paga a qualquer um sem ter obrigação de fazer. Assim, os dons transbordam e unem círculos de pessoas com ligações de afeto, relembrando-nos que a sociedade não é somente um contrato baseado na vantagem recíproca, mas um vínculo biológico fundado sobre a sociedade natural – a alimentar as ligações não está o individualismo, estão a lealdade e o serviço.

Se pensam que a natureza humana é boa e forte, se encontrarão frustrados, porque a sociedade perfeita ainda não foi feita. Mas se vivem com a convicção que a nossa razão tem os seus limites, os nossos dons individuais não se sobressaem e que a nossa bondade estala, se espantarão que a vida possa ser tão bonita. Sejam gratos por todas as instituições que nos foram doadas por nossos antecessores, como a Constituição e as tradições, que nos tornam melhores do quanto éramos antes. A primeira virtude política é o reconhecimento e a necessidade de colocar em ação os dons dos outros é o primeiro dever da política.

Vivemos em uma meritocracia capitalista que encoraja o individualismo e o utilitarismo, a ambição e o orgulho. Mas essa sociedade cairia aos pedaços se não fosse por uma outra economia, onde os dons superam as especativas, onde se reconhecem os limites da autonomia e se exalta a dependência.

A gratidão é a capacidade de individuar a apreciar esta outra economia, quase mágica. G.K. Chesterton escreveu que “os agradecimentos são a máxima forma de pensamento e a gratidão é duplicada pela surpresa”. Os gratos por natureza dão grande importância ao próprio empenho, mas não a si próprios. A vida não supera os seus sonhos, mas vai bem além das suas expectativas.

Fonte – IHUSINOS

Ministério Público Federal recomenda à Ufma cancelamento de matrícula por fraude no sistema de cotas

Estudante do Campus Pinheiro ingressou na universidade pelo sistema de cotas para egressos da rede pública de ensino, quando na verdade cursou o ensino médio em instituição privada

O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) recomendou à Universidade Federal do Maranhão (Ufma) o cancelamento da matrícula de Ivana Santos Vale, estudante no curso de Medicina no Campus Pinheiro. A aluna teve sua matrícula irregular, pois ingressou pelo sistema de cotas de rede pública de ensino, quando na verdade cursou o ensino médio em instituição privada.

A investigação do MPF/MA, conduzida pelo procurador da República Juraci Guimarães, constatou que Ivana Santos Vale apresentou, no momento da matrícula, um certificado de conclusão de curso do Centro de Ensino Rio Amazonas, escola da rede pública estadual de ensino no município João Lisboa (MA). Entretanto, a Secretaria de Estado da Educação – Unidade Regional de Imperatriz informou que não consta nos registros dos certificados da escola pública o nome da estudante e a Direção da escola particular Centro de Ensino Upaon-Açu, em São Luís, declarou que Ivana Santos Vale cursou regularmente nessa unidade as três séries do ensino médio entre 2009 e 2011.

Na recomendação, o Ministério Público Federal no Maranhão requer o imediato cancelamento da matrícula da aluna Ivana Santos Vale devido a comprovação da fraude no ingresso pelo sistema de cotas de egressos de escola pública na Ufma – Campus Pinheiro, no 2º semestre de 2014. Também foi determinada a instauração de procedimento de investigação criminal para apurar eventual prática de ilícito penal.

Para o procurador da República Juraci Guimarães as ações afirmativas por meio do sistema de cotas para pessoas negras ou pardas que cursaram o ensino médio em escola pública visam reparar histórica injustiça nacional e devem ser severamente reprimidas quando utilizadas como subterfúgio para favorecimento de pessoas que não se enquadram em seus requisitos. “O MPF/MA está passando um pente fino no vestibular de 2014 e mais irregularidades poderão aparecer, inclusive, se outras pessoas souberem de irregularidades semelhantes poderão denunciar no site da Procuradoria da República no Maranhão”, disse o procurador.

 Assessoria de Comunicação

Ministério Público Federal

Parceiria entre o IFMA e Associação Comunitária da Liberdade 18 pessoas foram capacitadas como eletricistas residenciais

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Além da qualificação profissional, o treinamento foi bem determinado para a autoestima dos participantes. A presença da diretora Regina Muniz e instrutores de alto nível foram avaliados como importantes para todo o bairro da Liberdade, registrou César Bombeiro.

                   A Associação Desportiva Cultural Recreativa e Social do Bairro da Liberdade – ADECRES firmou uma parceria com Instituto Federal do Maranhão – Campus Monte Castelo para a inserção de pessoas da comunidade no Programa de Extensão “Homens Dez Mil: Aprendendo Sobre o Consumo de Energia Elétrica Residencial, coordenado pelo Grupo de Pesquisa em Ensino de Física do IFMA.

       O treinamento foi realizado na Unidade Escolar Integrada do Estado do Pará, no bairro da Liberdade e a clientela foi do bairro, que assim teve oportunidade de qualificação profissional para a inserção no mercado de trabalho.

        O líder comunitário Cézar Bombeiro, diretor da ADECRES, por ocasião da entrega de certificados, manifestou o reconhecimento e a sensibilidade do IFMA para com a comunidade, principalmente a determinação da professora Regina Muniz, diretora do Campus Monte Castelo do Instituto Federal do Maranhão, que inclusive acompanhou de perto todo o processo de capacitação. Destacou a motivação dos instrutores para os segmentos do processo de aprendizagem, bastante reconhecido pelos participantes.

        A diretora Regina Muniz disponibilizou para a ADECRES, outra parceria para a capacitação profissional das mulheres do bairro da Liberdade, devendo o entendimentos serem acertados, depois dos levantamentos feitos diante das ofertas que receberão do programa do IFMA. Estamos trabalhando em busca de outras oportunidades e mais precisamente para os jovens, registrou o líder comunitário.

Vereador pede ao governador para criar asilo para Idoso no Itaqui- Bacanga

A Câmara Municipal de São Luís aprovou indicação de autoria do vereador Armando Costa (PSDC), pedindo que o governador do Estado, Flávio Dino (PC do B), viabilize estudos técnicos para verificar a possibilidade de criar um asilo público para idosos na área Itaqui-Bacanga.

Na indicação, que será encaminhada pela Mesa Diretora da Câmara ao governador Flávio Dino, o vereador Armando Costa esclarece que o asilo vai disponibilizar aos idosos carentes um local apropriado para sua permanência na velhice.

Para o vereador, os idosos de baixa renda da referida área da capital não dispõem de condições financeiras para contratação de cuidadores nem também de se manter em um espaço que permaneçam durante toda a fase da terceira idade.

Luciana Mendes solicita ao prefeito a qualificação de taxistas de São Luís

A vereadora Luciana Mendes (PDT) protocolou requerimento na Câmara Municipal pedindo que o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC) determine – por meio das secretarias municipais de Turismo e de Trânsito e Transporte – ação para proporcionar cursos de qualificação aos taxistas da capital.

No requerimento, a vereadora Luciana Mendes esclarece ao prefeito que os cursos de qualificação terão como objetivo melhor a qualidade de atendimento, com abordagens de relações interpessoais, inglês instrumental, noções de locais históricos e pontos turísticos e de segurança no trânsito.

Na avaliação de Luciana Mendes, a partir do momento que as secretarias de Turismo e de Trânsito e Transporte oferecerem os cursos de qualificação, com certeza ocorrerá uma verdadeira mudança de paradigma nos serviços prestados aos munícipes e turistas pela categoria dos taxistas da cidade de São Luís.

Fonte – Diret / Comunicação / CMSL

Relator de Direitos Humanos da ONU terá encontro com a diretoria do Sindicato dos Agentes Penitenciários sobre as barbáries em Pedrinhas

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Está marcada para às 11h30m de amanhã (12), na sede do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Maranhão, reunião do consultor Juan Ernesto Méndez , Relator Especial sobre Tortura e Outros Tratamentos ou Penais Cruéis, Desumanos ou Degradantes do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas – ONU. Ele estará acompanhado por uma equipe técnica integrada por: Máximo Duque, Médico Legista do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos; Petrine Leweson, Assessora do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos; Andréa Furger, Assessora do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e Marco Tulio Cabral, Assessor do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores.
Todos os consultores da ONU falarão em inglês e terão interpretes, com a observação de que gostariam de ter importantes informações sobre os graves problemas relacionados as barbáries registradas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e o desaparecimento de presos, inclusive que mereceram importantes recomendações ao Governo do Estado e ao Ministério Público para que sejam adotadas as providências que se façam necessárias para os esclarecimentos dos fatos e a responsabilização de todos os envolvidos, inclusive os omissos e os que tentaram dar versões diferentes para os fatos.
A diretoria do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão preparou um farto material que será entregue ao Relator Especial da ONU, Juan Ernesto Méndez, além de se colocar à disposição de todos para quaisquer questionamentos dentro de aspectos inerentes a direitos humanos e dignidade dos presos.

SINDIJUS sinaliza greve no judiciário contra a retirada 21,7% dos seus salários e ganha apoio de várias categorias

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      Durante a reunião de ontem do Fórum de Defesa do Serviço Público do Estado do Maranhão, diretores do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Estadual anunciaram que a categoria decidiu aprovar indicativo de greve geral, em defesa dos direitos aos 21,7% incorporados aos seus salários por decisão do Tribunal de Justiça do Estado e referendado pelo Supremo Tribunal Federal.

      O Governo do Estado através de uma Ação Rescisória pretende através do próprio Tribunal de Justiça retirar o direito assegurando, o que na pratica vale dizer que os desembargadores por maioria podem mudar os seus votos, muito embora  24 deles tenham garantido a legitimidade do aumento e no STF a decisão foi mantida.

       A pressão que vem sendo feito pelo Governo do Estado é que anulando o aumento já implantado na folha do Tribunal de Justiça aos seus servidores, terá uma jurisprudência para liquidar com inúmeras ações de segmentos de servidores públicos que questionam no poder judiciário o mesmo percentual de aumento.

         Durante a reunião do Fórum de Defesa do Serviço Público do Estado do Maranhão, os dirigentes de sindicatos de categorias estaduais estiveram apreciando o Projeto de Lei que cria a Mesa de Negociação Específica, que deverá ser posteriormente encaminhada para apreciação pela Assembleia Legislativa do Estado. Na próxima terça-feira, eles voltarão se reunir para a apreciação do Regimento Interno da Mesa de Negociação.

          As lideranças do Sindijus relataram na oportunidade, que o julgamento da Ação Rescisória já foi adiada por três vezes e que no próximo dia 21 ele voltará a fazer parte da pauta de julgamento, o que se constitui em indícios de que alguns desembargadores estariam dispostos a ser contraditórios com as suas próprias decisões jurídicas para atender interesses do Governo do Estado. A verdade é que os servidores do Poder Judiciário estão na firme decisão de fazer uma greve bem ampla. Por outro lado, alguns  sindicatos pretendem realizar assembleias para comunicar aos seus associados que se houver um retrocesso, todos os servidores públicos do Maranhão serão prejudicados, daí a necessidade de um importante apoio ao Sindijus.

Ministério Público propõe discussão sobre desordem urbana em postos de combustíveis

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Desordem urbana em postos de combustíveis foi tema de reunião

          Foi realizada na manhã desta terça-feira, 11, na sede das Promotorias de Justiça da Capital, uma reunião, proposta pelas 23ª e 24ª Promotorias de Justiça Especializadas de Controle Externo da Atividade Policial de São Luís, para discutir a desordem urbana em postos de combustíveis da capital. Estiveram presentes, representantes dos donos de postos, Polícia Militar, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes.

De acordo com o promotor de justiça José Cláudio Cabral Marques, a situação vem se agravando no decorrer do tempo. Se antes os problemas eram a grande aglomeração de pessoas e a poluição sonora, os postos de combustíveis hoje se tornaram espaços onde existe, também, prostituição e até tráfico de drogas.

O Ministério Público, em parceria com outros órgãos de fiscalização, tem feito blitzen nos postos, nas quais já foram realizadas apreensões e prisões. Desse trabalho, foi elaborada uma lista com 11 postos que apresentam as situações mais graves e quem têm tido atenção especial das autoridades. De acordo com o promotor, no entanto, não basta punir aqueles que bebem nos locais indevidos. É preciso, também, acionar os gerentes e proprietários de postos que estejam incentivando o consumo de bebidas e a realização de festas nesses espaços.

De acordo com a legislação, as lojas de conveniência podem vender bebidas alcoólicas, mas não podem permitir o consumo no local. Além disso, uma lei municipal determina que essas vendas sejam realizadas até, no máximo, às 2h da manhã. Em vários postos, inclusive, são colocados cadeados nos freezers após esse horário. O mesmo controle, no entanto, não existe em relação a bebidas quentes, como vodca e whisky, que continuam sendo vendidos.

Na reunião, os representantes da Companhia de Policiamento de Trânsito (CPTur) e do 8° Batalhão da Polícia Militar também falaram das dificuldades, especialmente de efetivo, para atender às demandas trazidas pelos próprios postos quando há qualquer tipo de problema causado pela grande concentração de jovens nas madrugadas.

SEGURANÇA DOS POSTOS

Os promotores Cláudio Cabral e Cláudio Guimarães fizeram questão de ressaltar que a segurança da área dos postos é de responsabilidade das empresas, e não do Poder Público, por meio da Polícia Militar. O controle desses espaços, portanto, deve ser feito por segurança privada dos postos.

O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Maranhão (Sindcomb), Orlando Santos, afirmou que a entidade está disposta a dialogar e trabalhar em parceria para a resolução do problema. Ele defendeu que seja aplicada corretamente a lei existente, com a proibição de consumo de bebida no ambiente dos postos.

Ao final da reunião, os representantes do Ministério Público propuseram que as lojas de conveniência sejam fechadas à 0h, com o acesso aos postos ficando restrito às áreas de abastecimento. Além disso, seria criado um canal de comunicação direto entre os postos e a Polícia, garantindo ações rápidas em caso de problemas como a invasão dos espaços. A proposta será levada à discussão pelo Sindcomb, que deverá apresentar o posicionamento da categoria na próxima terça-feira, 18.

Fonte – (CCOM-MPMA)

 

Fábio Câmara registra decisão judicial que suspendeu remoções de estabelecimentos comerciais do Barramar

              O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ) concedeu, na última sexta-feira, 7, liminar suspendendo a remoção dos estabelecimentos que comercializam lanches e bebidas na Avenida dos Holandeses, no Barramar, em São Luís. A decisão é válida até o julgamento do recurso e pode ser revertida. A liminar foi concedida pelo desembargador Vicente de Castro, relator do Agravo de Instrumento interposto por um dos proprietários de estabelecimento do local.

O cumprimento da ordem de despejo que estava previsto para o último sábado, atendia uma decisão do juiz Douglas de Melo Martins, titular da Vara de Direitos Difusos e Coletivos da Comarca de São Luís, através de ação por meio do promotor de Justiça, Luís Fernando Cabral Barreto Junior, titular da 3ª Promotoria Especializada de Proteção do Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio Cultural de São Luís.

O vereador Fábio Câmara (PMDB), que acompanha o caso há nove meses, comemorou a decisão judicial que suspendeu momentaneamente a remoção dos estabelecimentos comerciais.

O parlamentar peemedebista reiterou que no momento de crise em que atravessa o país, a derrubada dos estabelecimentos seria uma péssima solução para os familiares destes proprietários.

“A decisão judicial vem resguardar a dignidade destas pessoas que comercializam seus produtos neste espaço. Nenhum destes comerciantes descumpriu o Termo de Ajustamento de Condutas (TAC) firmado entre a Prefeitura e o Ministério Público. Ele não só cumpriram como acabaram se adequando realizando, inclusive, investimentos em seus estabelecimentos. Derrubar o espaço onde estes pais tiram o sustento de suas famílias só iria contribuir para agravar o momento de crise que o Brasil atravessa. Se eles saíssem daqui iriam viver de quê?”, questionou Câmara.

SUSPENSÃO – Advogados dos comerciantes que atuam no caso foram ao TJ ontem para pedir a suspensão. Eles questionaram o ajuizamento da ação civil pública mesmo após ter sido firmado um TAC entre a Prefeitura de São Luís, os proprietários de estabelecimentos e o próprio Ministério Público.

“Conseguimos a liminar com a propositura de um agravo de instrumento que impetramos questionando o despejo já que antes do ajuizamento da ação civil pública havia sido firmado um Termo de Ajustamento de Condutas (TAC) entre a Prefeitura de São Luís, os proprietários de estabelecimentos e Ministério Público. No TAC, os comerciantes ficaram autorizados a construir, às suas expensas, pontos comerciais no logradouro público em referência, com licença inicial de funcionamento pelo período de cinco anos”, disse Josiana Maria da Silva, advogada de uma das partes envolvida no processo.

 ‘PRESENTE’ – Os proprietários de estabelecimentos comemoraram a liminar que evitou a derrubada dos espaços comerciais. Na opinião de Wallace Nunes, proprietário da ‘Lanchonete do Tiozinho’, se tivesse ocorrido o despejo seria o segundo ‘presente de grego’ do prefeito Edivaldo Júnior aos comerciantes do local.

“Já faz 16 anos que estamos aqui. Ano passado, por exemplo, fomos presenteados na véspera de Natal com a derrubada dos nossos estabelecimentos. Este ano, graças a uma liminar da justiça, os comerciantes não foram presenteados pelo prefeito Edivaldo Júnior, na véspera do dia dos pais, com este presente de grego”, declarou.

            O QUE DISSE A BLITZ URBANA

           O diretor geral da Blitz Urbana, Arthur Guimarães, já estava pronto para cumprir a cumprir ordem de despejo. Mas ao chegar ao local acompanhado da Guarda Municipal, foi informado da decisão da liminar que suspendeu a desocupação.

“Estamos aqui para cumprir decisão. Viemos para derrubar os estabelecimentos, mas como existe uma liminar da Justiça que suspendeu a ordem de despejo, resolvemos acatar a decisão. Agora vamos apenas fotografar o local para registrar as condições dos imóveis que é uma prerrogativa do trabalho de fiscalização”, informou Guimarães.

      Luciana Mendes cobra, com urgência, asfaltamento de ruas do Ipase de Baixo

          A vereadora Luciana Mendes (PTdoB) apresentou requerimento na Câmara Municipal, solicitando que o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), determine a execução do asfaltamento das ruas da Eletronorte e do Buritizeiro, no Ipase de Baixo.

No requerimento que já foi enviado ao prefeito e ao secretário de Obras e Serviços Públicos, Antônio Araújo, Luciana Mendes pede urgência no asfaltamento das ruas, pois os benefícios estão sendo cobrados do poder público municipal pela comunidade.

Para Luciana Mendes, o asfaltamento dessas ruas – que estão bastante danificadas – é importante para a mobilidade urbana na área da Avenida Daniel de La Touche, pois as vias que ligam o Ipase de Baixo ao Shopping da Ilha.

 Marlon Garcia solicita ao prefeito para tapar buracos em ruas da Vila Palmeira

             O vereador Marlon Garcia (PT do B) protocolou requerimento na  Câmara Municipal, pedindo que o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), determine serviços de tapa-buracos na Rua Santo Expedito e na Travessa Ivar Saldanha, na Vila Palmeira.

No requerimento que já foi encaminhado ao prefeito e ao secretário da Semosp, Antônio Araújo, o vereador Marlon Garcia pede urgência na recuperação das duas ruas da Via Palmeira, um benefício cobrado pela comunidade do poder público municipal.

Para Marlon Garcia, é necessário que o prefeito mande executar os serviços de recuperação da Rua Santo Expedito e da Travessa Ivar Saldanha, por meio do Programa “Mais Asfalto”, que está beneficiando dezenas de comunidades de São Luís.

 Fonte  –  Diret / Comunicação / CMSL

 

 

Ivaldo Rodrigues faz discurso emocionado na entrega de título a família de Jerry Abrantes

O vereador de São Luís, Ivaldo Rodrigues (PDT), entregou nesta segunda feira, 10, o Título de Cidadão “In Memória” para a família de Jerry Abrantes, falecido dia 11 de Abril deste ano, vítima de uma hepatite viral.
O título já havia sido aprovado pela Câmara antes de Jerry falecer e seria entregue justamente três dias depois que o pedetista morreu. Com a perda de Jerry Abrantes, a Câmara de vereadores decidindo entregar o Título In Memória aos familiares.
Durante a sessão solene, Ivaldo Rodrigues, autor do requerimento, fez um discurso emocionado ao falar do amigo de longas datas.
“Para mim não é um momento que eu gostaria de fazer, porque é um momento muito difícil. Eu gostaria de falar que os homens grandes são eternos, porque o Jerry era um homem do bem e abriu caminhos intransponíveis para que outras pessoas pudessem trilhar. Essa é um dia para mim de profunda tristeza, por ter que prestar uma homenagem “In Memória” para alguém que eu quero tanto bem”, destacou o autor do requerimento que originou o título de cidadão de São Luís ao saudoso Jerry Gonçalves Abrantes.
Durante seu discurso, o vereador ainda falou das homenagens que Jerry irá receber na capital maranhense como o terminal de Integração da Cohama que passará ser chamado de Jerry Abrantes. Outra homenagem ao pedetista acontecerá onde a Rua Projetada no Parque Atlântico, se chamará Jerry Abrantes, além do mês de Julho que passará a ser chamado de Julho Amarelo, onde será feita uma campanha em combate a hepatite viral, em homenagem ao Jerry, já que ele foi vítima desse vírus.
A sessão solene foi presidida pelo vereador Francisco Carvalho (PSL) e teve como primeiro secretário José Joaquim (PSDB) e segundo secretário, Ivaldo Rodrigues (PDT), autor do requerimento. Estiveram presentes na sessão solene, a mãe de Jerry, a senhora Ilma Abrantes Gonçalves da Silva, o filho do homenageado, Jerry Gonçalves de Abrantes Filho, representando o pai, Larissa Abdalla Brito, viúva do homenageado, além de autoridades estaduais e municipais, amigos e familiares de Jerry Abrantes. O “coral de São João” fez homenagem ao pedetista, mesmo que paraibano, adotou São Luís do Maranhão como terra.
Fonte – Diret / Comunicação / CMSL

Setor elétrico: o achatamento da segurança e a submissão a uma sequência de erros desastrosos. Entrevista especial com Diogo Mac Cord de Faria

“Precisamos voltar a construir usinas com reservatório se quisermos garantir um crescimento sustentável de nossa economia”, adverte o engenheiro.

“Se não fosse a crise [econômica], que no 1º semestre de 2015 fez com que o consumo de energia elétrica retraísse 1,1% (sendo que a indústria reduziu seu consumo em 4,2%), já estaríamos sem energia”, afirma Diogo Mac Cord de Faria à IHU On-Line.aldir

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o engenheiro menciona que o “descompasso entre oferta e demanda” é um dos principais dilemas do setor elétrico brasileiro há duas décadas. Ele lembra que entre 1995 e 2001 o PIB cresceu 16,91% e o consumo de energia elétrica subiu 43,85%. De lá para cá, o descompasso ainda não foi solucionado. “Entre 2011 e 2014 o PIB cresceu 6,42% e o consumo de energia aumentou apenas 13,96%. Veja que temos situações bastante diferentes, e mesmo assim não conseguimos equalizar oferta e demanda”.“Se não fosse a crise [econômica], que no 1º semestre de 2015 fez com que o consumo de energia elétrica retraísse 1,1% (sendo que a indústria reduziu seu consumo em 4,2%), já estaríamos sem energia”, afirma Diogo Mac Cord de Faria à IHU On-Line.

De acordo com Faria, a crise do setorestá relacionada à falta de planejamento. “Quando você diz que as hidrelétricas devem ser a base do sistema, e que as térmicas operam como apoio emergencial por poucas semanas no ano, você acaba contratando térmicas com baixo valor de investimento, mas com um custo variável muito elevado. A partir do momento em que as previsões não se concretizam, e as térmicas são chamadas a despachar na base, temos uma conta que não fecha. E não adianta dizer que esta é uma situação passageira: desde a MP 579 a conta já chega a R$150 bilhões. Isso daria para construir cinco Belo Montes”, frisa.

Na avaliação dele, a promulgação da Medida Provisória – MP 579, que tratou da prorrogação das concessões de geração de energia elétrica e do regime de cotas, piorou a situação, porque o Ministério de Minas e Energia cancelou, em 2012, “o leilão A-1 (de contratação de energia existente) para as distribuidoras de energia”, imaginando que “todos os concessionários aceitariam os termos da renovação de seus contratos”. Porém, explica, “a decisão pelo cancelamento ocorreu antes da confirmação das renovações, ou seja, contou-se prematuramente com algo que não se realizou. Apenas 7,8 gigawatts médios (GWmed) foram renovados nas condições estipuladas pelo governo”. Segundo ele, para agravar ainda mais a situação, os prejuízos decorrentes da MP 579 somam “R$ 60,9 bilhões entre 2013 e 2014”, porque “o governo quis bancar sozinho a redução de 20% na tarifa, o que fez a demanda crescer 6,6% nos primeiros três meses de redução tarifária”. Mas o déficit do governo no setor de energia “ultrapassará facilmente os R$ 100 bilhões”, contabilizando os custos que ainda não foram calculados.

Diogo Mac Cord de Faria é graduado em Engenharia de produção mecânica pela Pontifícia Universidade Católica – PUC-PR, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia com ênfase em sistemas energéticos pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e doutor em Sistemas de Potência pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é coordenador adjunto do MBA do Setor Elétrico da Fundação Getulio Vargas nas cidades de São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Criciúma.

Confira a entrevista.

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Diogo Mac Cord de Faria –
É complicado identificar o momento onde a crise de fato começou, pois o Brasil possui problemas graves com relação à sua infraestrutura, abandonada há décadas. Mas podemos destacar dois momentos bastante distintos: o primeiro, quando tudo começou a melhorar, no marco regulatório de 1995, que atraiu o investimento privado e incentivou a concorrência; e o segundo no governo Dilma, quando tudo começou a piorar, com decisões arbitrárias, instabilidade regulatória e descontrole do planejamento e coordenação do sistema.IHU On-Line – É possível pontuar em que momento iniciou-se a crise do setor de energia no Brasil, especialmente em relação ao setor elétrico? Pode reconstruir esse momento?

IHU On-Line – Quais são os dados que evidenciam que o Brasil está no limite de sua geração de energia, como o senhor afirma?

Diogo Mac Cord de Faria – Segundo o último Balanço Energético da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, entre 2013 e 2014 o consumo de energia elétrica cresceu 34% mais do que a oferta. Entre 2012 e 2013, esta conta também foi desfavorável em 15%. Isso significa que estamos “achatando” a margem de segurança que tínhamos até então. E isso à custa de muito despacho térmico, que foi desenhado para ser um instrumento de apoio emergencial — e não operar na base por quase três anos seguidos. Desde o início do governo Dilma, em 2011, o setor elétrico foi submetido a uma sequência de erros desastrosos.

IHU On-Line – Como compreender a crise energética considerando que o país tem 1.159 usinas, segundo o Banco de Informações de Geração da Aneel?

Diogo Mac Cord de Faria – Vários são os motivos que nos levaram a esta situação. No mais óbvio, o sistema não foi devidamente planejado. Quando você diz que as hidrelétricas devem ser a base do sistema, e que as térmicas operam como apoio emergencial por poucas semanas no ano, você acaba contratando térmicas com baixo valor de investimento, mas com um custo variável muito elevado. A partir do momento em que as previsões não se concretizam, e as térmicas são chamadas a despachar na base, temos uma conta que não fecha. E não adianta dizer que esta é uma situação passageira: desde a MP 579 a conta já chega a R$ 150 bilhões. Isso daria para construir cinco Belo Montes.

“A ‘crise hídrica’ só é crise por causa da falta de planejamento”

IHU On-Line – Quais os impactos da MP 579 na crise energética que o país enfrenta hoje?

Diogo Mac Cord de Faria – Prevendo que todos os concessionários aceitariam os termos da renovação de seus contratos, o Ministério de Minas e Energia – MME cancelou, em 2012, o leilão A-1 (de contratação de energia existente) para as distribuidoras de energia. Na conta do Ministério, havia 11,8 GWmed que seriam disponibilizados no mercado por conta destas renovações. Como havia apenas 8,6 GWmed de contratos no Ambiente de Contratação Regulada – ACR que estavam vencendo em 31/12/2012, os geradores cotistas seriam suficientes para atender à demanda das distribuidoras, o que eliminaria a necessidade do leilão. Ocorre que a decisão pelo cancelamento ocorreu antes da confirmação das renovações, ou seja, contou-se prematuramente com algo que não se realizou. Apenas 7,8 GWmed foram renovados nas condições estipuladas pelo governo.

Para piorar, a real necessidade de contratação das distribuidoras era superior aos contratos que venciam no final do ano — pela lógica de ampliação orgânica do mercado. Dos 9,8 GWmed que eram realmente necessários, portanto, 2 GWmed ficaram descontratados, no que se chamou de “exposição involuntária” das distribuidoras, já que foi o Governo quem optou por cancelar o leilão A-1, e não as empresas que erraram no dimensionamento de seus mercados. Para agravar ainda mais o déficit, o governo quis bancar sozinho a redução de 20% na tarifa, o que fez a demanda crescer 6,6% nos primeiros três meses de redução tarifária. Os prejuízos resultantes desta medida, apurados pelo Tribunal de Contas da União – TCU, somaram R$ 60,9 bilhões entre 2013 e 2014. Não foram considerados no cálculo, ainda, as indenizações da parcela da Rede Básica das transmissoras – RBSE, ainda não pagas e estimadas em R$ 20 bilhões pelo mercado; os juros da conta ACR, de R$ 8,8 bilhões; os ativos de geração “incrementais”, ainda não indenizados; e os ativos de geração das concessionárias que optaram pela não renovação, que precisarão ser indenizados entre 2015 e 2017.

Assim, a conta ultrapassará facilmente os R$ 100 bilhões, não esquecendo que este deverá ser o valor líquido pago às concessionárias. Considerando que todo o montante é faturado pelas distribuidoras ao consumidor final, e que o Imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços – ICMS, Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS da tarifa de energia representam em média 37% do montante total, para arrecadar R$ 100 bilhões líquidos é necessário cobrar do consumidor 100 / (1 – 37%), o que resulta em uma conta de R$ 158 bilhões — equivalente ao faturamento anual das distribuidoras de energia, ou quase duas vezes o orçamento anual da educação.

IHU On-Line – Que tipo de usina é melhor para o Brasil, com reservatório ou a fio d’água? Pode nos explicar as vantagens e desvantagens de cada modelo?

Diogo Mac Cord de Faria – A energia elétrica precisa ser consumida no exato momento em que é produzida. Isso significa que nossas fontes precisam ser “seguras”: quando o consumidor liga sua televisão, alguma usina, em algum lugar, deverá estar à disposição para aumentar um pouco sua produção de energia para atender àquela nova carga. Quando não podemos contar com determinada usina, dizemos que ela é “intermitente”. É o que acontece, por exemplo, com a eólica: se venta, ela produz; se não venta, fica parada. Quando temos uma hidrelétrica com reservatório, a água funciona como uma bateria: a hora que o consumidor ligar a televisão, poderemos contar com aquela energia.

Já as hidrelétricas a fio d’água não possuem reservatórios. Se por um lado seu impacto ambiental é menor, por outro não nos dá segurança. Temos que pensar o seguinte: já que vamos construir uma usina, que o façamos da melhor forma possível. Mesmo que isso implique em custos adicionais de condicionantes socioambientais, vale a pena por conta da segurança.

Precisamos voltar a construir usinas com reservatório se quisermos garantir um crescimento sustentável de nossa economia. Belo Monte, por exemplo, abriu mão de seu reservatório (de 1.225 km2) que poderia garantir energia durante todo o ano para operar com um reservatório de apenas 516 km2 que, no período de seca, reduzirá a produção em 90%.

IHU On-Line – A crise econômica atual e o baixo crescimento anunciado para o próximo ano podem impactar o mercado elétrico? De que maneira?

Diogo Mac Cord de Faria – Se não fosse a crise, que no 1º semestre de 2015 fez com que o consumo de energia elétrica retraísse 1,1% (sendo que a indústria reduziu seu consumo em 4,2%), já estaríamos sem energia. Novamente, evidencia-se o total descompasso entre oferta e demanda. Entre 1995 (eleição FHC) e 2001 (ano do racionamento), o PIB cresceu 16,91% e o consumo de energia elétrica subiu 43,85%. Já entre 2011 (ano da eleição de Dilma) e 2014 o PIB cresceu 6,42% e o consumo de energia aumentou apenas 13,96%. Veja que temos situações bastante diferentes, e mesmo assim não conseguimos equalizar oferta e demanda. É preciso reconhecer que o modelo não está funcionando, por dois motivos: primeiro, a energia de “placa” das usinas não está certa: o somatório das garantias físicas das hidrelétricas não é aderente à energia que elas realmente podem gerar. Segundo, porque o governo tem criado um cenário onde a iniciativa privada não recebe a sinalização correta para investir em projetos de longo prazo.

“O Brasil possui problemas graves com relação à sua infraestrutura, abandonada há décadas”

IHU On-Line – A crise hídrica pode afetar o setor elétrico? Já se sentem os efeitos da crise hídrica no setor de energia?

Diogo Mac Cord de Faria – A “crise hídrica” só é crise por causa da falta de planejamento. Precisamos com urgência voltar a discutir, com responsabilidade, mas sem preconceito, a geração nuclear (próxima dos centros de carga e com menores custos de transmissão), reestruturar o mercado de gás natural, acabando com o monopólio que a Petrobras tem, de fato, neste segmento, aumentando a geração térmica a gás natural (hoje inviabilizada pelo alto custo deste insumo), e voltar a construir usinas com reservatório.

É importante lembrar que, apesar de importantes para complementarem o sistema, as fontes eólica e solar são intermitentes (ou seja, não podemos contar com elas, já que a energia deve ser gerada no exato momento do consumo), e estas têm sido apontadas como as grandes “salvadoras” do sistema nacional. Não são. A conta é simples: se uma térmica de 500 megawatts (MW) é segura, ou seja, o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS pode contar com ela quando precisar de 500 MW, o custo de instalação é só daquela planta. Agora, se quando o ONS precisar de 500 MW e encontrar no Sistema Interligado Nacional – SIN uma fazenda eólica de 500 MW sem vento, o que ele vai fazer? Procurar outra, e outra, até encontrar. Quantas fazendas eólicas de 500 MW precisamos ter para garantir que, quando esta potência for necessária, ela estará disponível?

Veja: não estou dizendo que não é importante investir em eólicas ou em solares. Acho que a complementaridade da matriz é fundamental. Mas temos que olhar o problema de uma forma bastante ampla e consciente.

IHU On-Line – O que se vislumbra para o setor energético em relação à política energética e ao planejamento energético nos próximos anos?

Diogo Mac Cord de Faria – Isso vai depender muito da próxima gestão. No momento, temos que nos preocupar com o que mais a gestão atual vai fazer: só neste ano temos a questão do GSF [o GSF é um indicador de déficit de geração das hidrelétricas, que ocorre quando as usinas são obrigadas a gerar menos para poupar água nos reservatórios], da renovação das concessões de distribuição e a licitação das usinas “velhas” não renovadas pela Companhia Paranaense de Energia – Copel, Companhia Energética de São Paulo – Cesp e Cia Energética de Minas Gerais – Cemig. O interessante é que a maior atingida por estes três fatores é a Eletrobras — ou seja, ou o governo quebra de vez a maior empresa do setor elétrico, ou deverá pensar seriamente em um programa de privatização, que pode ser por subsidiária ou total.

Por Patricia Fachin

Fonte – IHUSINOS