População pede socorro ao sofrimento com a greve dos coletivos. É falta de autoridade

Se realmente tivéssemos autoridades comprometidas com os interesses coletivos, a greve dos rodoviários em conluio com empresários já teria sido resolvida. O que não se pode aceitar são as constantes reuniões das duas categorias arbitradas pelo Ministério Público e Justiça do Trabalho e simplesmente nada fica resolvido e a população é todos os dias punida. Se com frota total em operação, o serviço é altamente deficiente, avaliemos agora que teria sido reduzida a 60%, mas o sindicato dos usuários registra que ela vem sendo reduzida e hoje está a menos de 50%, denunciando que o instrumento é forçar mais aumento maior nas tarifas e o subsidio da prefeitura de São Luís, criado temporariamente pelo executivo municipal e que os empresários querem permanente, como melzinho na chupeta.

Dentro do contexto da greve, a Prefeitura de São Luís e a Câmara Municipal assistem a tudo com muita indiferença e quanto muito mandam representantes para assistir apenas como observadores sem poderes de manifestação. O Executivo Municipal se ressente de um negociador hábil, experiente e que tenha jogo de cintura para uma discussão plena, o que já ficou provado junto aos vereadores, agora na greve e nos entendimentos com os professores            e pode ser ampliado e causar mais prejuízos à administração municipal.

Entendo que diante da armação entre empresários e rodoviários, que resulta em indignação na população, a Prefeitura de São Luís já poderia ter solicitado à Justiça, o restabelecimento total dos serviços dos transportes coletivos, uma vez que eles podem negociar seus interesses e não usar estratégia para punir vergonhosamente a população. O que estamos assistindo é que a própria Justiça do Trabalho já deveria ter tomado uma posição, diante da postergação. Afinal de contas, a população merece respeito e tem o direito de ir e vir garantidos pela Constituição Federal.

Sinceramente, muitas vezes vemos a Justiça ser rápida e contundente para garantir direitos e interesses, mas no caso agora da greve de rodoviários e empresários, com clamor público sério, não se olha o povo sofrido e praticamente abandonado pelas instituições, principalmente pelos políticos recentemente eleitos e que demonstram claramente não ter compromisso com ninguém, o que não é nenhuma novidade, afinal de contas, palavras são palavras, nada que palavras, como dizia Chico Anísio.

Fonte: AFD  

 

 

Ministério Público pode multar postos por dano moral coletivo, que anteciparam aumento de combustíveis

Diante das provas recolhidas pelo Procon em vários postos de combustíveis que criminosamente anteciparam o aumento dos combustíveis para auferir mais lucros, o Ministério Público de Defesa do Consumidor pode perfeitamente aplicar multas em todos eles por danos morais coletivos, que pode ser bem acentuada, bastando apenas um somatório de esforços entre as instituições para punir os exploradores gananciosos.

Todos os postos identificados, que serão processados e multados, também deveriam ser objeto de uma ampla fiscalização, principalmente do fisco e pela qualidade do produto que vendem aos consumidores. Para quem pratica desonestidade, como a antecipação dos reajustes para combustíveis é capaz de outras ações desonestas e criminosas, daí a necessidade de ampla punição.

Outra atenção que se faz necessária é quanto aos valores que serão praticados nas bombas, uma vez que o cartel criminoso entre os proprietários de postos é que eles colocam preços idênticos, inclusive nos centavos e décimos. Entende-se a necessidade de uma ampla fiscalização com força tarefa, em que devem estar o Ministério Púbico, o Procon, a fiscalização dos produtos e o fisco.

Fonte: AFD

Por temer erros judiciais 61% dos brasileiros são contra pena de morte

Pesquisa Orbis/Diário do Poder sobre questões sociais no Brasil revela que a maior parte da população (61%), é contrária à pena de morte. Apenas dois grupos do levantamento apresentam maioria favorável à pena capital: os adeptos de religiões de matriz africana e a faixa etária de 18 a 25 anos. Em todos os outros recortes da pesquisa, entre 50% e 73% dos entrevistados são contra o Estado executando criminosos.

Justiça, eis a questão

Na avaliação do diretor de Operações e Pesquisa do Orbis, Marcio Pereira, os brasileiros temem erros judiciais nas sentenças à morte.

Maioria do país

Entre evangélicos (65,6%) e espíritas (73,1%) a oposição à pena de morte é recorde, entre as religiões.

Pesquisa nacional

O instituto de pesquisa Orbis realizou 2.154 entrevistas por telefone entre os dias 3 e 4 de março deste ano, em todas as regiões do País.

Coluna do Claudio Humberto

 

 

Governadores irão ao STF contra mudanças no ICMS dos combustíveis aprovado pelo congresso

Líderes estaduais argumentam que o novo cálculo sobre o imposto é inconstitucional e vai afetar a principal fonte de arrecadação

Após o Congresso aprovar o projeto de lei que muda o cálculo do ICMS sobre os  combustíveis, os governadores iniciaram um novo movimento para tentar barrar as alterações. A estratégia debatida no Fórum dos Governadores consiste em acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) com o argumento de que a proposta é inconstitucional, pois fere a autonomia dos estados.

Os líderes locais temem perda de arrecadação e prejuízos para angariar recursos para áreas básicas, já que o ICMS é a principal fonte de verba dos estados por meio de um tributo. “O projeto, do jeito que foi votado, é inconstitucional, e vamos ao STF evitar prejuízo para o nosso povo”, anunciou o coordenador do Fórum dos Governadores e líder do Piauí, Wellington Dias (PT).

A ação junto ao Supremo é preparada às pressas, uma vez que o presidente da República, Jair Bolsonaro, já adiantou ao Blog do Nolasco que vai sancionar o projeto o mais rápido possível. “Esse novo cálculo do ICMS abate em torno de 27 centavos do diesel”, justificou Bolsonaro.

A contrapartida aos governadores, que seria a aprovação da proposta que cria a conta de estabilização para conter a alta dos preços, não foi confirmada pelo chefe do Executivo, o que traz ainda mais desconforto aos governadores. “O diálogo aberto ontem foi de faz de conta”, reclamou Dias em relação às tratativas negociadas com os parlamentares.

Os governadores tinham firmado o compromisso de avaliar a prorrogação do congelamento do ICMS até o fim de março, em razão da instabilidade por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os estados seguram os reajustes desde outubro de 2021 e calculam uma perda de R$ 1,6 bilhão por mês com os congelamentos. Em ocasiões normais, o reajuste do percentual era aplicado a cada 15 dias.

Com as novas regras da proposta aprovada nesta quinta (10) no Congresso, o cálculo do ICMS passará a ser cobrado sobre um valor fixo por litro e não mais sobre o preço final do produto. A grande reclamação dos gestores é que a medida considera a média móvel dos últimos cinco anos para fazer os cálculos, o que representa um valor fictício e muito abaixo da realidade dos preços atuais, dizem os líderes.

De acordo com a proposta, o percentual será definido mediante deliberação dos estados e do Distrito Federal e deve ser uniforme em todo o território nacional, mas poderá ser diferenciado por produto. O imposto também incidirá apenas uma vez no decorrer da cadeia de circulação das mercadorias. A cobrança deve acontecer na origem, ou seja, na refinaria ou na importação do combustível, e não mais em todo o mercado de distribuição.

Na avaliação dos governadores, o ICMS não é o motivo do aumento dos combustíveis, e sim a política de paridade de preço internacional adotada pela Petrobras. Eles defendem a revisão do modelo e a reforma tributária como forma de garantir uma solução permanente para a instabilidade dos preços dos derivados de petróleo. “Ontem mesmo tivemos mais um mega-aumento da gasolina e do óleo diesel e com ICMS igual ao de novembro. Por que o aumento? Não foi o ICMS, e sim a indexação ao preço internacional”, concluiu Dias.

Fonte: R7

 

PF faz operação em endereços de deputados federais do PL do Maranhão e Sergipe

Segundo apurou a TV Globo, Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) estão entre os alvos da operação, autorizada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski.

A Polícia Federal cumpre na manhã desta sexta-feira (11) mandados de busca e apreensão em endereços ligados a deputados federais do Maranhão e de Sergipe.

A TV Globo apurou que entre os alvos estão os parlamentares Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE).  Os três deputados são filiados ao PL, mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, e que é comandando pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto.

A operação da PF apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares para os municípios do interior do Estado do Maranhão. Ela foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. Foram feitas buscas nas residências e locais de trabalho dos investigados. O ministro negou pedido para que fossem feitas buscas nos gabinetes dos parlamentares, na Câmara, em Brasília.

Por meio de uma rede social, o deputado Maranhãozinho afirmou que houve busca de documentos na residência dele, mas negou irregularidade. “Na manhã de hoje ocorreu uma nova busca de documentos em minha residência. Seguimos contribuindo e colaborando com todas as averiguações sem medo e sem restrição. Vejo como uma demonstração de que nada foi encontrado das outras vezes e tampouco será”, diz o deputado na publicação. O g1 não conseguiu contato com os deputados Bosco Costa e Pastor Gil.

Deputado já foi investigado

O deputado Maranhãozinho já havia sido alvo de uma operação da PF, que aconteceu em dezembro de 2020, dentro de um inquérito que investigava desvio de emendas parlamentares. À época, os investigadores estimavam um prejuízo de R$ 15 milhões aos cofres públicos. A investigação da PF havia apontado que um deputado destinou emendas parlamentares para os municípios do interior do Estado do Maranhão, onde tem reduto eleitoral e que, os Fundos Municipais de Saúde, ao receberam os recursos, firmaram contratos fictícios com empresas “de fachada” que pertencem ao político, mas estariam em nome de ‘laranjas’, desviando, assim, o dinheiro público.

Depois, ainda segundo a polícia, essas empresas faziam saques e o dinheiro era entregue ao deputado, no seu escritório regional parlamentar em São Luís.

Fonte: G1

 

Consumidor poderá bloquear todas as chamadas de telemarketing de uma só vez

Alvo de queixas dos consumidores, as chamadas feitas pelo celular para a oferta de serviços e produtos, que a partir desta quinta-feira passaram a ser identificadas com o prefixo 0303, poderão ser bloqueadas de uma única vez pelos usuários. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esse procedimento pode ser feito pelos meios já existentes, como o próprio aparelho, ou através da própria operadora de telefonia.

— Será possível bloquear o prefixo — disse o superintendente de outorga e recursos à prestação da Anatel, Vinícius Caram.

A identificação de ligações de telemarketing foi uma forma encontrada pela Anatel para facilitar o bloqueio de chamadas indesejadas. Por enquanto, esse dispositivo só vale para telefones celulares. A partir do mês de junho, a regra passará a vigorar para as linhas fixas.

De acordo com Caram, o processo ainda é gradual e só será concluído em 8 de junho. Até lá, quem não quiser receber ligações de determinada empresa, pode realizar o bloqueio direto no celular, baixar apps que oferecem essa facilidade ou acessar o site “nãomeperturbe.com.br” e registrar a solicitação.

Estão sob essa nova regra empresas que praticam o telemarketing ativo que, pela definição da Anatel, é a prática de oferta de produtos ou serviços por meio de ligações ou mensagens telefônicas, previamente gravadas ou não. Firmas que solicitam doações e que fazem cobrança não são obrigadas a usar o código 0303.

A decisão da Anatel foi anunciada em dezembro do ano passado. A agência ficou um prazo de 90 dias para a implementação da nova regra pelas operadoras de telefonia móvel e 180 dias para as operadoras de telefonia fixa.

Essa nova frente de combate ao uso indiscriminado das redes de telecomunicações para a oferta indesejada de produtos e serviços é fruto de um processo de consulta pública realizada entre agosto e setembro de 2021.

Foram recebidas quase cem contribuições de consumidores, empresas e associações de defesa do consumidor e do setor de telecomunicações.

— Isso é benéfico para o consumidor e para a economia —afirmou Caram.

Ele ressaltou que o prestador de serviço de telemarketing ativo deve contratar o encaminhamento de suas ligações com uma prestadora de serviço de telecomunicações através de um número 0303.

A utilização de um número diferente, ou seja, sem o prefixo 0303, é ilegal e pode submeter esse prestador a sanções por parte da Anatel e, inclusive, ao bloqueio do número indevidamente utilizado.

O superintendente da Anatel acrescentou que a correta utilização do prefixo 0303 será monitorada pela agência por meio de um Grupo de Trabalho de Numeração que contará com a participação das áreas de rede e de marketing de todas as prestadoras de serviço de telecomunicações.

Nesse fórum serão discutidos os próximos passos, melhorias no sistema e eficácia das medidas até então adotadas. A Anatel também irá monitorar as reclamações dos consumidores registradas em seus canais de atendimento.

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Agência Brasil

 

 

Presidente do TRF-3 sobre MamãeFalei: “Peça perdão e recolha-se a insignificância dos medíocres

Em plena sessão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a desembargadora Marisa Santos, presidente da corte, resolveu se manifestar sobre o episódio envolvendo o deputado Arthur do Val, mais conhecido como “MamãeFalei”.

Áudios do deputado com comentários machistas e misóginos sobre refugiadas ucranianas foram vazados.

Entre outras ofensas e barbaridades, ele dizia que elas, as mulheres ucranianas, eram “fáceis, porque são pobres”.

O caso ganhou repercussão internacional e diante disso, o parlamentar está na iminência de ser cassado pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Diante disso, a magistrada do TRF-3, resolveu se posicionar:

“Uma pessoa que foi testemunhar os horrores da guerra, consegue produzir estas declarações, mas eu tenho pra ele uma novidade. Todas as mulheres são fáceis. Fáceis de agredir. Fáceis de violar. Fáceis de impedir que tenham suas próprias vidas. (…) Porque com muita facilidade damos a vida pelas pessoas que amamos. (…) Também somos difíceis. Difíceis de desistir. Senhor parlamentar, peça perdão a sua mãe. Peça perdão por desonrar um dos poderes da República. Peça perdão por desonrar a República. E depois, recolha-se a insignificância dos medíocres.”

Jornal da Cidade Online

 

Presidente do STJ ressalta que corrupção amplia desigualdade econômica

Presidente do STJ ressalta que corrupção amplia desigualdade econômica

​O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, participou nesta quinta-feira (10) da abertura da 1ª reunião do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) do Ministério Público.

“A corrupção no Brasil afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos porque diminui os investimentos públicos na saúde, na educação, na infraestrutura, na segurança, na habitação e em outros direitos essenciais à vida”, afirmou Martins ao destacar que a corrupção amplia a exclusão social e a desigualdade econômica.​​​​​​​​​

Em sua fala, o ministro lembrou que a corrupção não é um fenômeno atual, e há referência a essa chaga em diversos documentos históricos, em textos literários e em passagens da Bíblia.

“Apesar da recriminação divina e humana contra os atos de corrupção, esta esteve presente em diversos momentos da história das civilizações, constituindo-se, na atualidade, em um dos maiores problemas nos sistemas de governo, com significativos impactos também no sistema brasileiro”, declarou.

Leis e ações para combater o crime organizado

Ao traçar o panorama legislativo do combate à corrupção no Brasil, o presidente do STJ mencionou a aprovação da Lei da Ficha Limpa, do pacote anticrime de 2019 e a Lei 12.850/2013 sobre as organizações criminosas.

O ministro citou os esforços de cooperação do Judiciário com outros poderes e com o Ministério Público no combate ao crime organizado. Entre as ações, ele citou o Provimento 88/2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), editado quando Martins ocupou a função de corregedor nacional de Justiça.

De acordo com o normativo, todas as movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro realizadas nos cartórios brasileiros passaram a ser comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), facilitando as investigações.

Esforços de longo prazo

O vice-procurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros disse que o GNCOC colhe hoje frutos dos esforços de membros do MP do passado com excelente visão de longo prazo. Ele agradeceu o trabalho de todos no combate ao crime organizado e afirmou que, apesar das dificuldades enfrentadas no dia a dia, é preciso manter a perspectiva de que o lado ilícito sempre é menor do que o lado lícito da sociedade.

“O GNCOC tem atores valorosos enfrentando todos os dias um crime organizado, forte, ousado e focado apenas em resultado. E o nosso trabalho tem que ser feito seguindo as regras institucionais”, afirmou.

Participaram do evento o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, bem como diversas autoridades dos MPs estaduais e do Ministério Público Federal.

Fonte: STJ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pesquisa revela que apenas 16,6% das brasileiras defendem o aborto

Pesquisa sobre questões sociais realizada pelo instituto Orbis em todas as regiões do País indica que os brasileiros são bem mais conservadores do que se imagina, quando o assunto é aborto. Somente 16,6% dos entrevistados defendem a liberdade da mulher sobre o próprio corpo, na decisão de abortar independente do motivo. Os demais entrevistados têm posição oposta. Para a maioria (54,7%), o aborto somente é admitido nos casos de estupro, gravidez de risco e anencefalia do feto.

Tuma do contra

A pesquisa Orbis/Diário do Poder mostra que 28,7% dos brasileiros são contrários ao aborto independente de motivo.

Surpresa geral

Curioso é que os homens são mais “liberais” que as mulheres. Entre eles, 61,4% admitem aborto nos casos estupro etc. Entre elas, só 48,9%.

Religiões

Entrevistados de todas as religiões mostram percentual próximo dos católicos (57,3%), que admitem aborto só nos casos de estupro etc.

Dados técnicos

O instituto de pesquisa Orbis realizou 2.154 entrevistas entre 3 e 4 de março de 2022, em todas as regiões do País.

Coluna do Claudio Humberto

 

Tentativa de homicídio resulta em operação de trabalho escravo em Cidelândia-MA

Uma das vítimas era um idoso que foi levado de ambulância ao hospital e diagnosticado com covid-19, desnutrição e desidratação

Um trabalhador levou um tiro de espingarda calibre 12 na nuca, após cobrar o pagamento de salários atrasados ao empregador. Ele fingiu estar morto para fugir do local. O caso aconteceu na fazenda São Sebastião, em Cidelândia (MA), cidade próxima às divisas do Maranhão, Pará e Tocantins. Essa grave situação chegou ao conhecimento das autoridades e deu causa a uma operação de resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

A força-tarefa foi organizada conjuntamente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Auditoria Fiscal do Trabalho e Polícia Federal. O resultado foi o resgate de quatro trabalhadores em duas fazendas pertencentes ao mesmo proprietário.

Resgate de idoso com Covid

Durante a operação, realizada de 14 a 18 de fevereiro, além do trabalhador alvejado por espingarda, mais três foram resgatados. Um deles, idoso com 62 anos de idade, precisou ser levado de ambulância ao hospital, pois apresentava fortes sintomas gripais. Exames laboratoriais confirmaram que se tratava de Covid-19, agravada por desnutrição e desidratação. Ele atuava como caseiro e vigia há mais de um ano, em troca de alimentação e moradia.

Os outros dois trabalhadores foram resgatados na fazenda Bananal, propriedade do mesmo fazendeiro, situada a 56 quilômetros de distância da fazenda São Sebastião. Um deles era responsável pelo roço e reparo da cerca e do curral, trabalhava como pedreiro e com motosserra, sem nenhum treinamento. O outro desempenhava algumas destas funções, com o acréscimo da aplicação de veneno na plantação. Não havia qualquer contrato formal de trabalho, nem concessão de férias e descanso semanal remunerado.

Alojamentos precários

Na inspeção nas duas fazendas, foi flagrado o abrigamento dos trabalhadores em barracões em condições precárias de higiene e saúde e segurança, com problemas na proteção contra intempéries e animais peçonhentos, ausência de água potável e de energia elétrica, entre outras irregularidades.

“A água fornecida é proveniente de poço cacimbão, sem qualquer filtragem; as instalações elétricas são impróprias, com fiação exposta no teto; animais, como porcos, habitam o barraco, especificamente o ambiente da cozinha, formando uma espécie de chiqueiro ou poça de lama na área de preparo de alimentos”, explica o procurador-chefe do MPT-MA Luciano Aragão, que participou da operação de resgate.

O tiro e a fuga

Em seu depoimento, a vítima da tentativa de homicídio afirmou que havia sido contratada para realizar os serviços de roço de juquira (preparar o pasto para o gado) e roço de aceiro (retirar vegetação próxima à cerca) na fazenda São Sebastião, de setembro a novembro de 2021, tendo recebido neste período apenas 150 reais, apesar da promessa de pagamento de um salário-mínimo mensal pelo empregador.

Mesmo cobrando o fazendeiro para quitar os valores devidos, não obteve sucesso. Viveu por uma semana nas ruas na cidade, até que o fazendeiro o procurou e garantiu que pagaria a dívida no dia seguinte. O trabalhador voltou à fazenda São Sebastião e por volta das 19h foi carregar a caminhonete do patrão com pacotes de sal mineral. “Quando fui carregar o último pacote, ao virar de costas, levei o tiro de espingarda que pegou de raspão na minha cabeça”, afirmou a vítima. Segundo o trabalhador, o tiro teria sido dado pelo caseiro, a mando do fazendeiro.

Ensanguentado, caiu no chão e fingiu ter morrido. Ainda teria ouvido do caseiro: “Tá morto o peão”. Quando os supostos executor e mandante se afastaram, aproveitou para fugir do local, buscando refúgio no mato. Em vez de prestar socorro ou comunicar as autoridades sobre o fato, o fazendeiro teria colocado um cachorro da raça pitbull para perseguir, sem sucesso, a vítima.

 Caminhada na mata e chegada ao hospital

O sobrevivente disse que caminhou por duas horas mata adentro e que dormiu ao relento durante a fuga. Por volta de 4 horas da madrugada, chegou a uma estrada e conseguiu atendimento no hospital de Rondon do Pará (PA). Com medo de ser morto pelo fazendeiro, optou por registrar boletim de ocorrência em outra cidade. Ele passou por Abel Figueiredo (PA) e Bom Jesus das Selvas (MA) até chegar em Marabá (PA), onde buscou apoio na Polícia Federal.

Ação cautelar

O caso está sendo acompanhado pelo MPT no Maranhão, que ajuizou uma ação cautelar com pedido de tutela de urgência, que tramita na Vara do Trabalho de Açailândia (MA). A expectativa é que seja ajuizada uma ação civil pública em face do fazendeiro por exploração dos trabalhadores em condições degradantes, cerceamento de liberdade, entre outras ilicitudes. A tentativa de homicídio está sendo apurada pela polícia.

Além disso, o empregador responderá a multas impostas em autos de infração dos Auditores-Fiscais do Trabalho, que também garantirão o recebimento do seguro-desemprego pelas vítimas.

Na cautelar, o MPT-MA pediu o arresto de bens dos réus no valor mínimo de R$ 1 milhão, a fim de garantir o pagamento das verbas rescisórias e indenizações por danos materiais e morais, coletivos e individuais.

Fazenda arrendada pela Suzano Celulose

O MPT-MA também requereu que a Justiça do Trabalho determine que a Suzano Celulose, empresa que arrendou quase 90% da fazenda São Sebastião, se abstenha de efetuar qualquer pagamento aos réus em decorrência do contrato de arrendamento, devendo os valores ser depositados em conta judicial.

“O trabalhador resgatado, que necessitou ser removido por ambulância, e a tentativa de homicídio em um contexto da relação de trabalho exigem que o réu seja responsabilizado a arcar com os danos morais individuais devidos às vítimas e danos morais coletivos, em razão da lesão da sociedade brasileira, que tem sua honra afetada pela prática de atos tão graves e violadores dos mais básicos direitos da pessoa humana”, observa o procurador-chefe do MPT-MA, Luciano Aragão.

 Caso semelhante ao Zé Pereira

O caso do maranhense que foi vítima de trabalho escravo, levou um tiro na nuca e fingiu estar morto é semelhante ao caso José Pereira, que ocorreu em 1989 na cidade de Sapucaia (PA) e foi um dos que motivaram o surgimento, em 1995, do grupo móvel nacional de combate ao trabalho escravo. Na época, 60 trabalhadores foram submetidos à condição de escravos na fazenda Espírito Santo.

Uma das vítimas, José Pereira Ferreira, na época com 17 anos de idade, tentou fugir junto com outro trabalhador, o “Paraná”. Eles foram alvo de uma emboscada e levaram tiros de fuzil. “Paraná” morreu e José Pereira fingiu-se de morto para conseguir escapar. Ele perdeu um olho e a mão direita.

O caso chegou ao conhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA), perante a qual o Brasil foi denunciado. Em 2003, o Estado brasileiro assinou um acordo em que reconheceu a responsabilidade pela violação dos direitos humanos. As vítimas receberam indenização do governo federal.

Fonte: Ministério Público do Trabalho