
O registro foi feito, quando o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de Arquidiocese de São Paulo veio ao Maranhão participar da 1ª Semana dos Encarcerados, iniciativa da Pastoral Carcerária com o apoio da Arquidiocese de São Luís.
Tive o privilégio de conhecer Dom Paulo Evaristo Arns, quando integrante da Pastoral Carcerária e da comissão que criou e organizou a Primeira Semana dos Encarcerados do Maranhão, iniciativa do Frei Carlito, da Ordem dos Capuchinhos Menores e Irmã Josefina, da Ordem da Redenção e um pequeno grupo de agentes pastorais com a determinação de trabalho e luta, que logo recebeu a participação das Irmãs Alverne e Gabriela, da Ordem do Coração de Jesus, que residiam no Pirapora.
O apoio do arcebispo Dom Paulo Ponte e da Arquidiocese de São Luís, iniciamos o trabalho de organização do evento com as importantes contribuições da direção do Sistema Penitenciário e de duas assistentes sociais. À época contamos com as importantes colaborações da juíza de direito Sonia Amaral e do hoje desembargador José de Ribamar Castro e do promotor de justiça Gladston Araújo.
O advogado Carlos Sebastiao Silva Nina, com uma larga experiência como promotor de justiça e juiz de direito veio somar conosco na organização do evento. Constantemente tínhamos reuniões com Dom Paulo Ponte para deixa-lo informado de todo o processo que estava em pleno desenvolvimento.
Quando faltava um mês para a realização da 1ª Semana dos Encarcerados, as irmãs Alverne e Gabriela, convocam o grupo para uma reunião na residência delas no Pirapora para anunciar que haviam convidado Dom Paulo Evaristo Arns para o evento e aceitou de imediato e pedindo uma comunicação imediata a Dom Paulo Ponte.
A informação se constituiu em uma explosão de alegria e motivação maior para o trabalho. Recordo-me, que Frei Carlito foi o grande responsável pela maioria das providências e determinação da responsabilidade de cada agente pastoral para que não houvesse falha. Coube a mim e minha esposa Lindalva Dantas, acompanhar Dom Paulo Ponte e Dom Geraldo Dantas de Andrade para receber Dom Paulo Evaristo Arns no aeroporto de São Luís.
Em São Luís pediu para ir primeiramente visitar as Irmãs Alverne e Gabriela, da Ordem do Coração de Jesus, da qual ele era um dos fundadores, quando fez questão de percorrer algumas ruas do Pirapora. Foi hospede de Dom Paulo Ponte. Depois da realização da abertura da Semana dos Encarcerados, quando esteve no presidio e participou de vários encontros, foi a um município de Baixada Maranhense, que em que duas irmãs da Ordem Religiosa em missão profética prestavam importantes serviços.
Dom Paulo Evaristo Arns deu sugestão a Roseana Sarney
Dom Paulo Ponte ofereceu em sua casa um almoço para Dom Paulo Evaristo Arns e integrantes da Pastoral Carcerária e convidou a governadora Roseana Sarney. Ela esteve presente e durante a longa conversa que teve com o Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, ouviu dele a sugestão de construísse presídios regionais com capacidade máxima de cem presos e através deles tornar as unidades sustentáveis. Destacou que pelo trabalho digno tanto o homem como a mulher se recuperam e se reintegram na sociedade.
Dom Paulo Evaristo Arns, como Cardeal Arcebispo Emérito marcou a sua missão profética pela luta em defesa dos direitos e da dignidade humana. No período negro da ditadura ele não se curvou. Defendeu muita gente, transformou a residência paroquial da Arquidiocese de São Paulo em abrigo aos perseguidos e acusou generais de , violência e mortes e as suas declarações a imprensa internacional tiveram repercussão mundial. A sua palavra de fé proporcionou a que outros tivessem também a coragem da denúncia e do anúncio.
Infelizmente, diante da grave crise institucional no país, a violência assumindo proporções insuportáveis, a fome e miséria em grande avanço e a iminência de uma convulsão social, a Igreja Católica se posiciona simplesmente em silêncio obsequioso.