Comissão de Direitos Humanos debate aposentadoria especial para servidores públicos nesta quinta

 

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) promoveu nesta quinta-feira (3), audiência pública sobre a Súmula Vinculante 33, do Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da regulamentação do direito à aposentadoria especial dos servidores públicos. O debate foi requerido pelo senador Paulo Paim (PT-RS).

A Súmula Vinculante 33 foi aprovada pelo STF no dia 9 de abril, com a seguinte redação: “Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de Previdência Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da Constituição Federal, até edição de lei complementar específica”.

Portanto, os requisitos para a aposentadoria especial dos servidores públicos passam a ser os mesmos dos empregados celetistas das empresas privadas. Com a publicação da súmula vinculante todos os servidores que exerçam atividade insalubre ou periculosa poderão, em tese, requerer aposentadoria com menor tempo de contribuição.

Com a súmula vinculante, sugerida pelo ministro Gilmar Mendes, o Poder Judiciário deve seguir o entendimento do Supremo. A proposta foi consequência da grande quantidade de processos sobre o tema recebidos pelo STF nos últimos anos, suscitando, na maior parte dos casos, decisões semelhantes em favor dos servidores.

Efetividade

Apesar da edição da súmula, para a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), a medida ainda não teve a efetividade esperada. Segundo o coordenador da entidade, Roberto Ponciano, que participará da audiência pública, as administrações – incluindo os tribunais – não dão prosseguimento aos pedidos de aposentadoria, e os servidores precisam entrar com ações judiciais que na maioria dos casos não chegam ao STF.

Também devem participar do debate, NarlonGutierre Nogueira, diretor do Regime Próprio do Serviço Público do Ministério da Previdência Social; Antônio José Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Rogério de Moura Montaguini, representante do Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região (São Paulo); Caroline Sena, advogada da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil; Wender da Costa Ribeiro, representante da Federação Sindical dos Oficiais de Justiça do Brasil; e Lídio José Ferreira, diretor da Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas da União (TCU).

A audiência pública está marcada para as 9h, no plenário 6 da Ala Senador Nilo Coelho.

PEC

Paulo Paim é autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/2013, que altera o artigo 6º-A da Emenda Constitucional 41/2003, para estabelecer critérios para o cálculo e a correção dos proventos da aposentadoria especial dos servidores públicos que ingressaram no serviço público até aquela data. A proposta aguarda parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

– É só o Congresso votar e aprovar, para garantir efetivamente que a pessoa no serviço público, a exemplo de quem está no Regime Geral da Previdência, terá direito à aposentadoria especial – disse o senador.

Agência Senado

Fertilidade é prejudicada após suspender anticoncepcional

Segundo pesquisa, mulheres que tomam anticoncepcional mostraram níveis menores de fertilidade

Tomar anticoncepcional poderia prejudicar a fertilidade de uma mulher, pelo menos, temporariamente, segundo novo estudo. Pesquisadores descobriram que os hormônios podem envelhecer o sistema reprodutivo, reduzindo a produção de óvulos, nos meses seguintes à interrupção do contraceptivo, aos níveis observados em mulheres mais velhas. As informações são do Daily Mail.

Os cientistas não acreditam que o prejuízo seja permanente, mas alertam que o relógio biológico, em relação à fertilidade da mulher, deve ser medido três meses após a suspensão da pílula. A pesquisa foi feita com 833 mulheres com díades entre 19 e 46 anos, em uma clinica de fertilidade.

Especialistas mediram a quantidade de hormônios indicadores da fertilidade das pacientes. Os níveis de anti-mülleriano (AMH) e folículos antrais (AFC) foram 19% e 16%, respectivamente menores em usuárias de anticoncepcional. Além disso, entre 19% e 52% menos óvulos foram produzidos pelas mulheres que participaram do estudo.

Mesmo após o ajuste estatístico para idade, IMC e tabagismo, o AMH ainda se mostrou 30% mais baixo e o AFC até 20% menor em mulheres que tomavam pílula. Ainda assim, pesquisadores não acreditarem que a pílula altere os ovários de uma forma permanente.

Portadores do HIV têm mais defesa contra a gripe A

Estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), publicado na última segunda-feira (30) na revista científica PlosOne, mostra que pessoas infectadas pelo vírus HIV são menos suscetíveis ao vírus H1N1, causador da gripe A. É como se o HIV se protegesse para que aquele organismo não fosse infectado por outro vírus, que iria competir com ele pela mesma célula, explicou à Agência Brasil o pesquisador Thiago Moreno.

“Durante a pandemia de 2009, foi surpreendente observar que indivíduos infectados pelo HIV não tiveram uma maior gravidade quando infectados pelo H1N1. É surpreendente porque, pela condição deles de imunocomprometimento devido à infecção pelo HIV, era esperado o contrário, que foi o que ocorreu com outros indivíduos imunocomprometidos, como os portadores de câncer e os transplantados”, disse o pesquisador.

Os estudos sugerem que o efeito da pandemia em indivíduos infectados pela aids não foi  diferente do observado na população em geral. A explicação científica é que o HIV, ao responder à defesa da célula que ele ataca, usa uma proteína (IFITM3) capaz de inibir a replicação do vírus H1N1. Com isso, a capacidade do influenza de infectar as células é prejudicada.

Após constatarem o efeito do HIV sobre a replicação do vírus influenza, os pesquisadores  querem agora detectar qual é o efeito do influenza sobre o vírus da aids. Testes são feitos no IOC. Thiago Moreno admitiu que a ideia, no futuro, é buscar novos tratamentos para a gripe.

Três mortes dentro do Complexo de Pedrinhas em menos de 48 horas. Irresponsabilidade do governo poderá resultar em barbáries.

morteSinceramente, pensei que existisse dentro da essência do coração da governadora Roseana Sarney, um mínimo sentimento pela vida do seu semelhante, que deveria ser o seu próximo, de acordo com a fé cristã. Embora seja uma das maiores responsáveis pelas desigualdades, fome, miséria e exclusão social em que estão mais de 700 mil maranhenses, ela colocou em sua história política, um capítulo mais negro, que será muito difícil de ser apagado e muito menos esquecido. São centenas de famílias, que choram as perdas de entes queridos, muitos decapitados, crianças passando necessidades e revoltadas, decorrente dos pais terem sido mortos dentro dos cárceres de maneira covarde, com conivência única do Governo do Estado. O mais vergonhoso em tudo isso é que os assassinatos são tratados pelos gestores governamentais com uma banalização bem recheada de sadismo, ironias e semblantes sarcásticos bem visíveis nos veículos de comunicação.

       Há mais de um ano e meio as práticas que deram origem a barbáries, fugas e escavações de túneis, continuam sendo as mesmas e o governo tem sido de uma incompetência para enfrenta-las, muito embora existam recursos disponíveis, infelizmente são desviados das suas destinações para contratos viciados em benefícios de políticos.

      Recordo-me, que o suplente de senador Edison Lobão Filho, quanto teve o seu nome indicado pelo grupo da situação para concorrer ao pleito para governador do estado, manifestou-se publicamente favorável a implosão do Complexo de Pedrinhas e recebeu aval da governadora para indicar um gestor para a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária. Ele convidou Murilo Andrade, Subsecretário de Administração Prisional do Governo de Minas Gerais. Quando ele chegou para assumir, a governadora lhe ofereceu o mesmo cargo que exercia em seu estado e do qual pediu exoneração para atender um convite não honrado. O candidato teme desgastes que Pedrinhas poderá causar à sua candidatura, uma vez que ele é um dos maiores responsáveis pelo fracasso da administração de Roseana Sarney. Exatamente quando Edinho Lobão começa a deslanchar a sua campanha, os assassinatos, as fugas, as escavações túneisganham dimensão bastante acentuada, o que tem causado preocupações para o pessoal  do candidato pelas veiculação na mídia nacional. Em menos de 48 horas foram praticados três assassinatos e diante do elevado número de presos que estão fora de celas dentro de algumas unidades prisionais, não está descartada a iminência de barbáries. Um dos problemas mais sérios dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas é a corrupção iniciada por contratos viciados e superfaturados para a contratação de pessoal terceirizado e as facilidades para o tráfico de drogas e armas nas unidades prisionais. A verdade é que temos tido a responsabilidade de denunciar o total desrespeito aos direitos humanos pelo Governo do Maranhão e o sentimento que fica é da existência de uma conivência geral das instituições públicas dos poderes constituídos e das entidades da sociedade civil com a omissão e o silêncio.

Proposta acaba com remuneração de vereadores em 90% dos municípios do país

tseO fim do pagamento da remuneração de vereador em municípios com até 50 mil habitantes é o objetivo de proposta de emenda à Constituição (PEC) em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). De autoria do senador Cyro Miranda (PSDB-GO), o texto foi subscrito por outros 30 parlamentares. Se aprovada pelo Congresso Nacional, a proposição deverá atingir cerca de 90% das câmaras municipais do país.

Além disso, a PEC limita o total da despesa das câmaras de vereadores dessas cidades a no máximo 3,5% da arrecadação municipal.

“Estamos seguros de que sua adoção causará impactos positivos consideráveis, tendo em vista que 89,41% dos municípios brasileiros possuem até 50 mil habitantes. Dessa forma, pouco mais de 600 municípios brasileiros continuarão a remunerar seus vereadores”, argumenta o senador.

Com essa medida, acredita ele, os vereadores passarão a assumir o cargo eletivo “em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade ou de sua capacidade profissional”. Portanto, para o senador, serão selecionados candidatos comprometidos com a ética, o interesse público e o desenvolvimento local.

O senador avalia que a proposta, se aprovada, trará um impacto positivo para os cofres públicos dos pequenos municípios. Ele lembra que o número de vereadores no país pode superar a marca de 59 mil nas eleições de 2012. Quase sete mil a mais do que o número de eleitos para as câmaras municipais em 2008, o que representa, conforme assinala Cyro Miranda, “um aumento significativo nos gastos públicos municipais”.

Na justificativa da PEC, o senador também lembra que a própria Constituição Federal permite aos vereadores ocupantes de cargo público acumular outras funções no caso de compatibilidade de horários. Cyro Miranda ressalta ainda que, na maioria dos municípios, os vereadores reúnem-se duas ou três vezes por mês, o que viabiliza a manutenção de outras atividades profissionais por parte desses parlamentares.

A proposta, que tramita no Senado como PEC 35/12, aguarda a designação de relator na CCJ e, se aprovada pela comissão, segue para análise do Plenário.

Agência Senado

STJ exige afastamento do presidente do Sesc e do Senac

O ministro Mauro Campbell, do STJ, determinou ao TJ/RJ que se abstenha de julgar o recurso interposto por Antonio Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio, antes de dar cumprimento às decisões anteriores da Corte Superior, que determinaram o afastamento de Oliveira Santos do Sesc-Nacional e do Senac-Nacional e, ainda, o desfazimento de todos os atos por ele praticados desde janeiro de 2013, quando foi proposta a ação.

O ministro ressaltou na decisão de hoje que “a sentença determinou não apenas o afastamento de Antônio José Domingues de Oliveira Santos da presidência do Sesc e do Senac – Administração Nacional, bem como tornou sem efeito os atos por ele praticados desde o ajuizamento da ação”.

O Judiciário não pode tolerar desrespeitos às suas decisões admitindo aventuras recursais teratológicas que retardem ou impeçam o cumprimento de um ato judicial.”

Ainda ontem, Oliveira Santos divulgou nota em que declara seu afastamento das instituições, em cumprimento à decisão do ministro Campbell.

Histórico

Após 34 anos na presidência da CNC, do Sesc e do Senac Nacional, o dirigente apresentou uma declaração afirmando que estava deixando os cargos do Sistema S para atender à determinação do STJ. Mas ainda precisam ser desfeitos todos os atos por ele praticados desde janeiro de 2013, como é o caso das intervenções no Sesc e no Senac do Rio de Janeiro.

A 15ª câmara Cível do TJ/RJ pretendia julgar ontem, 1º/7, um recurso de Oliveira Santos que, se provido, poderia resultar no esvaziamento da decisão do STJ antes de cumprir integralmente as determinações anteriores.

Segundo o ministro houve “recalcitrância do Tribunal de origem em dar integral cumprimento às decisões prolatadas”. Assim, ele determinou a suspensão do julgamento da Apelação Cível 0011067.03.2013.8.19.0001 até o integral cumprimento da decisão antecipatória.

A disputa envolve Oliveira Santos, da CNC e Orlando Diniz, da Fecomercio-RJ. Ao saber que Diniz seria candidato a presidência da CNC nas eleições que serão realizadas em setembro deste ano, Oliveira Santos promoveu intervenções no Sesc e no Senac do RJ, entidades presididas por Diniz, com o objetivo de enfraquecer seu provável concorrente nas eleições da CNC. Mas Diniz, ao elaborar suas defesas, descobriu que Oliveira Santos tinha contas rejeitadas pelo TCU em 2004, situação que o impede de gerir entidades do Sistema S.

 Fonte Migalhas

 

 

Relator da minirreforma eleitoral lamenta decisão do TSE de adiar vigência para 2016

tsePor quatro votos a três, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram na terça-feira (24) que a minirreforma eleitoral só entrará em vigor em 2016. Eles argumentaram que, para valer neste ano, as novas regras precisariam ser publicadas em uma resolução da Justiça Eleitoral com um ano de antecedência das eleições. O Congresso Nacional concluiu a aprovação do projeto de lei (PLS 441/2012) no final do ano passado.

Entre as normas está um teto para gastos com a contratação de cabos eleitorais e despesas com alimentação, aluguel de carros e combustíveis. A lei também proíbe o envelopamento de veículos, que é a colocação de adesivos de políticos, e ainda determina a prisão de quem fizer boca de urna.

O relator da minirreforma, senador Romero Jucá (PMDB-RR) lamentou a decisão, mas reiterou que o Congresso Nacional respeitará o veredicto.

– Isso prejudica de certa forma o pleito porque não diminui despesas. Gostaríamos de ter já nesta eleição a legislação já aprovada, portanto, com a diminuição grande de despesas e maior controle e transparência do processo eleitoral. Mas se não é possível, vamos avançar para 2016 – disse Romero Jucá.

Já o senador Alvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, afirmou que o Congresso não deve se lamentar, porque não fez uma reforma política completa e não aprovou as mudanças a tempo.

– Há quantos anos estamos debatendo a reforma política? Daí apresentam uma reforma meia-sola tentando passar por reforma política. Não temos o direito sequer de protestar contra essa decisão do TSE. Ao contrário, temos que acatá-la sem choro e nem vela – afirmou.

Internet

Também só valerá em 2016 o parcelamento em até 60 vezes de multas aplicadas a políticos, como prevê o projeto aprovado pelo Congresso. Mas alguns pontos previstos na minirreforma eleitoral entrarão em vigor agora em outubro, porque foram publicados em resoluções do próprio TSE, como a troca de candidatos até 20 dias antes das eleições e punições para quem ofender políticos na internet.

Agência Senado

Estudante será indenizada por advogada que perdeu prazo

Uma advogada terá que indenizar estudante de Direito em R$ 500 por danos materiais e em R$ 2 mil por danos morais por não ter apresentado recurso administrativo contra a correção de um exame da OAB. A decisão é da 14ª câmara Cível do TJ/MG e reforma em parte sentença da 35ª vara Cível de Belo Horizonte.

O relator do recurso, desembargador Rogério Medeiros, entendeu que a advogada não cumpriu com seu dever de meio, que era ajuizar ação contra a OAB, com o objetivo de questionar pontuação no exame.

Segundo a estudante, ela fez o exame da OAB e, ao superar a primeira etapa, intensificou seus estudos, porém não passou na segunda fase por três décimos.

A estudante resolveu contratar um advogado para ajuizar um recurso administrativo na comissão de exames da OAB com o objetivo de ter sua prova revisada e alcançar a pontuação necessária. Entretanto, alguns dias depois de acertar com a profissional, foi surpreendida com a descoberta de que ela perdera o prazo e não ajuizara o recurso. A causídica justificou sua atitude dizendo que avaliou, posteriormente à conversa entre as duas, que a cliente não obteria êxito com o pedido.

O juiz de 1ª instância, Rui de Almeida Magalhães, determinou que a advogada pagasse indenização por danos materiais de R$ 500, o valor que a aluna pagou à profissional pelo serviço.

Em análise de recurso, os desembargadores Rogério Medeiros, Estevão Lucchesi e Marco Aurélio Ferenzini fixaram a indenização por danos morais em R$ 2 mil. Os magistrados entenderam que a advogada tinha o dever de meio, ou seja, deveria empregar com diligência seus conhecimentos para o sucesso da causa. Porém, os desembargadores negaram o pedido com relação à perda da chance, pois, segundo eles, o fato de propor a ação não era suficiente para a candidata ter a certeza de que iria alcançar o que pretendia.

Fonte Migalhas

“A Igreja reatualizou sua posição sobre a questão agraria, de 1980, para os dias atuais..”

velhoDa IHU On-Line

“Reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje.” Esse é o cerne do documento intitulado Igreja e Questão Agrária no Início do Século XXI, apresentado pela CNBB na 52ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), em maio deste ano, resume Guilherme Delgado, um dos membros da Comissão Episcopal responsável pela redação do texto, na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone. Delgado explica que o documento oficial, recentemente publicado, “deve ser visto como uma continuidade do documento de 1980, num novo contexto histórico”, referindo-se ao texto produzido há mais de 30 anos, quando a Igreja apresentava uma posição favorável à reforma agrária.

De acordo com Delgado, o novo documento da CNBB foi aprovado por 96% dos bispos, mas “um número razoável dos que estavam presentes não votou”.

O economista esclarece que, apesar de o país estar em outro momento político, as questões relacionadas ao uso e à propriedade da terra ainda não foram solucionadas. Diante dessa conjuntura, pontua, “a Igreja se viu na obrigação de se pronunciar em uma perspectiva de mudança da estrutura agrária, no sentido de atender aos clamores dos que estão excluídos das benesses do pacto de poder dominante.


A ideia, portanto, é reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje, dizer por que a estrutura agrária de hoje é iníqua do ponto de vista ético, do ponto de vista da doutrina social da Igreja, que tem, na função social e ambiental da propriedade, o roteiro para que se compreenda uma verdadeira mudança no sentido de atender aos reclamos e aos anseios dos povos da terra”.

Delgado acompanha o processo de elaboração do documento desde 2010, quando a questão agrária foi proposta como tema a ser retomado pela Igreja. Segundo ele, na ocasião não houve consenso entre os bispos, e o assunto só passou a ser visto positivamente após a eleição do Papa Francisco. “De 2010 até agora, quando as assembleias se pronunciaram sobre documentos que elas próprias convocaram para elaborar, há uma mudança positiva, ou seja, melhorou a percepção e a atenção do episcopado sobre esse assunto por várias razões.

Do ponto de vista estritamente eclesial, diria que a grande mudança acontece com o papado do Papa Francisco. O papado dele relança a questão social, o debate sobre a economia, a sociedade, a pobreza”, assinala. E acrescenta: “Pessoalmente, a última exortação que ele publicou sobre a situação da Igreja no mundo contemporâneo ajudou enormemente a desbloquear a compreensão e a ação episcopal do sentido das questões que já eram de longa data presentes, mas que estavam abafadas: a questão agrária, a questão da família (que agora tem um sínodo), as questões da colegialidade na Igreja, as questões relacionadas à própria relação da Igreja com a modernidade, a pós-modernidade.

Todos esses temas voltam com muito mais legitimidade e percepção de que é urgente voltarmos aos temas do Concílio Ecumênico Vaticano II que, por um bom período, ficaram desativados na compreensão do papado”.

O documento Igreja e Questão Agrária no Início do Século XXI foi aprovado na 52ª Assembleia Geral da CNBB, em maio deste ano, e publicado no final de junho. Sobre o processo de divulgação do conteúdo, Delgado é categórico: “Eu me manifestei ao secretário geral da CNBB dizendo que um documento como esse tem um conteúdo pastoral e doutrinário pastoral e, portanto, político.

Assim sendo, o “timing” dele — considerando as mídias que temos hoje — é imediato, ou seja, o texto saiu da assembleia e deveria ter sido publicado no site da CNBB, que é uma mídia mundial. Mas a compreensão da conferência foi de que o documento só poderia ser divulgado depois de editado em papel e publicado nos documentos CNBB nº 101, como foi publicado recentemente. Mas veja que o tempo editorial é outro, demora por causa de revisão e mais revisão. E, portanto, o documento demorou quase dois meses para ser publicado”.

Guilherme Delgado é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Trabalhou durante 31 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.

Confira a entrevista:

Como o tema da reforma agrária foi abordado na 52ª Assembleia Geral da CNBB? Por que a Igreja retoma esse tema?

Esse tema já vem sendo tratado pela CNBB desde 2009, e um texto sobre a questão agrária — uma versão de estudos — foi objeto de apreciação pela Assembleia da CNBB em 2010. Então, o pronunciamento da Igreja sobre a questão agrária do século XXI, que é o tema do documento, é um reflexo da necessidade de atualização do pensamento da Igreja sobre o assunto, já que o documento com igual significado a respeito da questão agrária brasileira é de 1980, quando essa questão da terra foi objeto de uma Assembleia de bispos também na CNBB.

Como ocorreu o processo de elaboração do novo documento? Quem participou da formulação do texto?

O texto é objeto de uma Comissão Episcopal. Houve um texto elaborado em 2012, o qual foi apresentado na Assembleia de 2013. Esse texto recebeu uma quantidade tão grande de emendas, que foi impossível incorporá-las. Então, a Assembleia de março de 2013 recomendou que uma Comissão Episcopal fosse constituída ou reconstituída para incorporar todas aquelas recomendações, para que na Assembleia de 2014 se fizesse uma apreciação. Então nós tivemos um ano para fazer esse trabalho, que contou com a participação de várias pessoas, entre elas, membros da Comissão Pastoral da Terra – CPT, das universidades, etc. Mas basicamente a comissão era formada pela Comissão Episcopal: meia dúzia de bispos com mais alguns leigos escolhidos, que elaboram e discutem durante certo período um texto já apreciado em fase de reformulação.

No final do ano enviamos o texto para os bispos, que até o mês de dezembro receberam o material, pontuaram suas considerações, as quais foram incorporadas, e na Assembleia de março/abril houve uma rodada de várias versões e contribuições. De forma que, neste segundo momento, na Assembleia de 2014 o texto já chegou mais ou menos discutido e com a maior parte das dificuldades anteriores superadas. Essas dificuldades eram mais ligadas à linguagem, porque a linguagem dos bispos tem uma série de conteúdos teológicos, doutrinários, que precisam ser considerados.

Mas o documento, na versão final, foi aprovado por 96% dos bispos votantes; apenas 4% votaram contra. Tem sempre uma minoria que é contra, que não quer mexer nesse assunto, alguns até se manifestaram publicamente, acham que esse tipo de discussão não deve ser feito pela Igreja.

Quais bispos se manifestaram contrários?

Eu não posso falar os nomes, mas dois bispos foram ostensivamente contra, porém foram vencidos no processo. O argumento deles era muito parecido com o do pessoal da economia do agronegócio: “A economia do agronegócio é a salvação da pátria e todos esses ataques são ideológicos”. Mas esse tipo de discurso não “colou”, porque está na contramão do discurso geral da Igreja, do Papa Francisco, e porque não é real, mas sim altamente ideológico. Uma parte dos bispos, mesmo estando de acordo, ou não estando em contraposição, resolveu não votar. Um número razoável dos que estavam presentes não votou, mas o documento foi largamente aprovado por mais de 286 votos favoráveis, entre os 300 e poucos bispos votantes.

Como o tema da reforma agrária foi tratado na Assembleia deste ano? Há um consenso entre os bispos em torno desse tema e do enfoque que se deve dar à questão da reforma agrária?

Esses documentos, antes de chegarem às assembleias, são objetos de um projeto elaborado por uma comissão episcopal, por leigos que fazem um trabalho durante todo um processo anterior. Participei de todas essas comissões desde 2009 e posso dizer que há variações em relação à recepção do assunto pelos bispos.

De 2010 até agora, quando as assembleias se pronunciaram sobre documentos que elas próprias convocaram para elaborar, há uma mudança positiva, ou seja, melhorou a percepção e a atenção do episcopado sobre esse assunto por várias razões. Do ponto de vista estritamente eclesial, diria que a grande mudança acontece com o papado do Papa Francisco.

O papado dele relança a questão social, o debate sobre a economia, a sociedade, a pobreza, etc. De certa forma, o episcopado fica mais atento ao tema que, se não era desatento anteriormente, passava um pouco ao largo. Na assembleia de 2010, por exemplo, quando se apresentou um trabalho sobre a Igreja e a questão agrária, criou-se uma reação muito forte de parte dos bispos de uma corrente integrista que, mesmo com minoria, fazia um barulho muito grande.

Desta vez não; houve pouquíssimas exceções de um ou outro bispo que ficou mais desolado. Houve uma compreensão mais forte no sentido de entender que é hora de retomar a questão agrária brasileira, se não nos mesmos termos de 1980 — porque a história muda —, ao menos com o mesmo sentido. Ou seja, temos de pensar como vemos os clamores dos povos, da terra, da água, das florestas, dos campesinos, dos familiares de uma perspectiva ética e profética da Igreja. Então, esse foi o sentido novo que se alcançou na última assembleia.

Quais são as linhas centrais do documento?

O cerne do documento foi o seguinte: a estrutura agrária, o direito de propriedade, posse e uso da terra, que foi objeto de tratamento em 1980, quando o Estado brasileiro era governado pela segurança nacional e havia uma forte aliança com grandes proprietários, mudou nos anos 2000 no sentido de que hoje o Estado é democrático, é de direito, mas também tem uma aliança com grandes proprietários, com o grande capital, com o chamado “arranjo da economia do agronegócio”.

Então, nesses dois momentos, principalmente neste último, o que complica a situação do ponto de vista da Igreja é que os trabalhadores e os pequenos agricultores, os campesinos, os povos indígenas, os quilombolas são espezinhados nesse processo de estruturação de um pacto de poder com novas políticas.

Diante dessa conjuntura, a Igreja se viu na obrigação de se pronunciar em uma perspectiva de mudança da estrutura agrária, no sentido de atender os clamores dos que estão excluídos das benesses do pacto de poder dominante. A ideia, portanto, é reatualizar a questão agrária dos anos 1980 para hoje, dizer por que a estrutura agrária atual é iníqua do ponto de vista ético, do ponto de vista da doutrina social da Igreja, que tem, na função social e ambiental da propriedade, o roteiro para que se compreenda uma verdadeira mudança no sentido de atender aos reclamos e aos anseios dos povos da terra.

A ideia da função social e ambiental é uma ideia oriunda da doutrina social da Igreja e também é uma ideia da Ordem Constitucional Brasileira instituída em 1988. É preciso que esse norte seja retomado como critério para se pensar a mudança na estrutura agrária, porque a estrutura agrária vem sendo conduzida de forma ilegal e até ilegítima por uma estratégia tipicamente capitalista de acumulação de capital e de dinheiro no campo.

O documento oficial elaborado nos anos 1980 apresentava uma divisão entre terra de trabalho e terra de negócio. O texto atual também apresenta alguma divisão? Como o documento está dividido e que aspectos do documento anterior foram considerados?

Essa dicotomia “terra de trabalho, terra de negócio”, que nos anos 1980 já era apontada como uma contradição grave da reforma agrária brasileira, e que foi juridicamente resolvida na Constituição de 88, de fato retorna à atual situação brasileira, porque há um pacto de poder entre o Estado e os grandes capitais, chamado de “pacto do agronegócio”.

Essa dicotomia confere um sentido de máxima divisão, ou seja, a terra de negócio vira praticamente o cerne da política agrária brasileira, mas isso está em contradição com a ordem jurídica e com a doutrina social. Portanto, alguma coisa está errada nesse processo: está errada do ponto de vista do critério ético e está errada do ponto de vista do critério constitucional, que não é respeitado, porque essa centralidade da terra como bem estritamente de negócio, de especulação, de acumulação de capital, contraria o princípio da função social e ambiental da propriedade.

Portanto, é nesse campo que o documento se coloca e, nesse sentido, recupera o documento de 1980. Na verdade, o atual documento deve ser visto como uma continuidade do documento de 80, num novo contexto histórico.

Considerando o documento oficial dos anos 1980 em relação ao elaborado neste ano, quais avanços e retrocessos aponta no que se refere à abordagem da questão agrária?

No documento atual, foram incluídos novos atores reconhecidos como merecedores de atenção e de direitos. Entre eles, estão os povos indígenas, que já estavam no documento anterior; os quilombolas, que não estavam no documento anterior; os assentados de reforma agrária, que não estavam no documento anterior porque também não tínhamos esse processo; as categorias de agricultores, pescadores, coletores florestais, pequenos proprietários, todos são explicitamente mencionados como públicos destinatários de uma mudança necessária na ordem agrária brasileira e que, atualmente, são vítimas de um processo de exclusão da terra, dos direitos de propriedade, de posse e uso da terra, ou, quando detêm esses direitos, são marginalizados do ponto de vista da política agrícola, da política agrária vigente.

Nesse sentido, o documento tem um foco, uma discriminação e um campo de denúncia. Nas denúncias se inclui tanto os grandes interesses agropecuários que estão no cerne da economia do agronegócio como também o Estado brasileiro, que há vários governos é árbitro e ao mesmo tempo protagonista desse pacto do poder. Nesse sentido, a questão agrária é vista não como a questão de setor agrícola em particular, mas como uma questão nacional.

Como a atuação pastoral da Igreja se relaciona com a questão social e política da reforma agrária?

A atuação pastoral da Igreja, que é outro foco do documento, a partir da perspectiva do “ver, julgar e agir”, precisaria se pautar por essa nova visão doutrinária e pastoral. O documento, que tem um caráter doutrinário e pastoral, não é mais um documento de estudos, como foi aquele de 2010. O documento oficial é doutrinário e pastoral para pautar a ação das igrejas locais do ponto de vista da solidariedade, das intervenções, das orientações no sentido do desenvolvimento rural em uma perspectiva alternativa; essa é a questão central. Agora, como isso vai se dar no concreto, bom, aí você sabe que documento é texto, é papel, são linguagens verbais, então nós temos de ver, fazer uma leitura de realidade.

Nos anos 1980, tínhamos um episcopado extremamente atento e protagonista em fator dos povos da terra e um Estado da segurança nacional extremamente repressivo. Hoje, temos outra situação: um Estado democrático com eleições, com liberdade de comunicação, mas ao mesmo tempo um campo ideológico muito forte no sentido de justificar e apresentar os interesses agrários dominantes como sendo a salvação da pátria. Portanto, a ação pastoral de antes e de hoje são diferentes.

Então, como vamos enfrentar isso? Talvez tenhamos de nos atualizar sobre qual estágio da história nos encontramos para que não tentemos imitar os processos anteriores, para que tenhamos um quadro de realidade novo. Mas sobre esse desafio, não sei se o episcopado está completamente consciente, porque não é simples. Veja bem, enquanto nos anos 80 nós tínhamos a oposição ao regime militar, os partidos em formação, boa parte da mídia e todo um contexto um pouco alinhados ao movimento agrário, hoje não há.

A mídia, os partidos políticos, o Estado, são todos inimigos. O próprio movimento agrário também foi muito cooptado nesse processo (parte dele), e como o episcopado também faz parte dessa realidade, parte dele também fica meio confusa. Então, precisamos discutir esse assunto; não é um assunto que está certo e acabado. A tradução de um texto doutrinário e pastoral à ação concreta pastoral e política é outro momento que teremos de enfrentar.

A Igreja sinalizou alguma ação concreta a partir da formulação do documento deste ano?

No documento tem uma série de pistas de ações pastorais, desde ações recomendadas aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, até ações de solidariedade aos povos indígenas, aos quilombolas. No Congresso é evidente que há uma bancada ruralista, cujo papel principal é desconstruir a ordem constitucional para impedir que o regime fundiário da função social, da terra indígena, da terra quilombola, da terra de parte das reservas naturais tenha essa destinação e, ao contrário, vire mercadoria.

Portanto, o trabalho de ação política de defesa do que foi conquistado e de avanço de estrutura agrária é um trabalho que tem muito mais adversidades hoje do que teve no passado. Não obstante, no passado parecia ser muito mais grave a situação, porque havia o exército, a marinha e a aeronáutica contra o povo. Hoje, estão contra: grileiros, empreiteiros, mídia, etc. É um cenário muito mais complexo para se enfrentar do ponto de vista da ação política.

Por que a Igreja demorou tantos anos para produzir um novo documento sobre a reforma agrária? Tem a ver com o novo pontificado?

Eu acho que sim. Eu diria — sem tirar o mérito dos bispos que amadureceram e refletiram durante esse tempo todo — que o pontificado do Papa Francisco inicia uma nova etapa, como ele próprio diz: “vamos sair das nossas próprias questões e ir em missão para o mundo, para ver os problemas”.

Pessoalmente, a última exortação que ele publicou sobre a situação da Igreja no mundo contemporâneo ajudou enormemente a desbloquear a compreensão e a ação episcopal do sentido das questões que já eram de longa data presentes, mas que estavam abafadas: a questão agrária, a questão da família (que agora tem um sínodo), as questões da colegialidade na Igreja, as questões relacionadas à própria relação da Igreja com a modernidade, a pós-modernidade.

Todos esses temas voltam com muito mais legitimidade e percepção de que é urgente voltarmos aos temas do Conselho Ecumênico Vaticano II que, por um bom período, ficaram desativados na compreensão do papado.

Por que o documento oficial da CNBB em relação à reforma agrária, depois de ser aprovado, demorou para ser divulgado?

Eu me manifestei ao secretário geral dizendo que um documento como esse tem um conteúdo pastoral e doutrinário pastoral e, portanto, político. Assim sendo, o “timing” dele — considerando as mídias que temos hoje — é imediato, ou seja, o texto saiu da assembleia e deveria ter sido publicado no site da CNBB, que é uma mídia mundial. Mas a compreensão da conferência foi de que o documento só poderia ser divulgado depois de editado em papel e publicado nos documentos CNBB nº 101, como foi publicado recentemente. Mas veja que o tempo editorial é outro, demora por causa de revisão e mais revisão. E, portanto, o documento demorou quase dois meses para ser publicado.

Do ponto de vista midiático, há muito tempo se cria uma cortina de silêncio em relação a esse tema. Essa cortina de silêncio é parte de uma reação da mídia conservadora que, por não concordar com o documento, resolveu ignorá-lo completamente. Pode ver que o carro-chefe dessa mídia, o jornal O Estado de S. Paulo, publicou uma linha na nona ou décima página no sábado seguinte ao dia nove, em que ocorreu a assembleia. As outras mídias não publicaram quase nada. Então, esse retumbante e estrondoso silêncio sobre o assunto não é coincidência. É que uma parte da mídia, a grande mídia, é contra o cerne do documento, ou seja, contra a mudança da estrutura agrária.

Mas a CNBB tem um site e poderia ter divulgado o documento, mas também não publicou, não é?

No momento em que se soma esse retumbante silêncio das grandes mídias com a forma de divulgação um pouco burocrática da CNBB, isso pega mal do ponto de vista do conhecimento público e da percepção. Eu já tinha dito lá que pega mal, porque o “timing” político pastoral não é igual ao “timing” editorial. O “timing” editorial tem seus tempos, tem suas dificuldades. Mas como agora o documento já está publicado, nós temos um texto que tem a pretensão de ser uma fala no sentido de configurar uma situação nova.

Agora, se ele vai configurar uma situação nova, depende de como isso vai repercutir e de como será recebido pela sociedade, pelos destinatários, pelos grupos sociais, tanto os marginalizados como os grupos sociais que são denunciados.

Deseja acrescentar algo?

A única coisa que eu gostaria de acrescentar é que, incrivelmente, hoje os grandes aliados do passado da reforma agrária, como foram o PT, os movimentos agrários, e em parte a mídia, estão alinhados em outro campo, no sentido de compor o pacto do poder com a economia do agronegócio, e elegem a estrutura agrária como um assunto interditado.

Então, essa é a nossa dificuldade, porque ao interditar o debate da estrutura agrária, é como se não existisse uma questão agrária, como se esse fosse um assunto inventado por meia dúzia de pessoas, e aí não conseguimos sintonia para o debate público. Nesse sentido, o maior problema da questão agrária, hoje, é vencer essa barreira ideológica, que nos coloca à margem do debate público.

Mais dois assassinatos e dois túneis escavados no Complexo de Pedrinhas. A omissão das autoridades é vergonhosa

CADEIA

Tenho constantemente chamado a atenção das autoridades para a iminência do registro de mais barbáries no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Para a governadora Roseana Sarney, o que vier a ocorrer sejam mortes ou fugas, a indiferença e a omissão continuarão inalteradas. Para os demais segmentos dos poderes constituídos, quer sejam públicos ou da sociedade civil organizada não difere em nada do executivo estadual. A banalização da vida também já foi incorporada até mesmo pela Pastoral Carcerária do Maranhão, se ainda existe, e é independente, e tem a profissão de fé de defender os direitos humanos e a dignidade da pessoa, dentro dos cárceres,deve estar totalmente submissa e comprometida

Até há pouco tempo, mesmo com a indiferença do Governo do Estado, de promotores públicos e juízes das varas das execuções criminais e do invisível Comitê de Gestão Integrada, a Seccional do Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil e a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos conseguiam ecoar as suas palavras de justiça, mas parece que calaram e nem sussurros se vê mais.

Por pouco não teríamos hoje em São Luís, mais uma vez a imprensa nacional e internacional, diante do sério risco de fuga de mais de 180 detentos do presidio São Luís 2. Eles chegaram cavar um túnel na cela 17 e pelo local eles fugiriam e dispostos a tudo, caso viessem a ser surpreendidos fora do presidio. Há suspeitas de que inúmeros deles teriam suporte armado do lado de fora.

Com a destruição constante de pavilhões pelos próprios presos em algumas unidades do Complexo de Pedrinhas, e sem as devidas e as necessárias providências por parteda direção da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária, além dos consideráveis prejuízos para os cofres públicos, os presos impõem regras para se movimentarem sem quaisquer restrições por parte da segurança interna.

 

Mais dois assassinatos e túnel escavado no Cadeião do Diabo

 

 

Os assassinatos e as escavações de túneis voltaram a ser intensificados dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em razão da fragilidade da segurança interna, as precariedades doserviço de inteligência e do videomonitoramento e principalmente pela inexistência  de gestão com capacidade técnica para o exercício profissional no sistema penitenciário. Um preso que foi autuado em flagrante no plantão do Cohatrac e depois conduzido para o Centro de Triagemde Pedrinhas, amanheceu ontem morto, com características de enforcamento. Hoje no Cadeião do Diabo, como é conhecido o Centro de Detenção Provisória, outro foi morto violentamente. O grupo do GEOP que detectou ontem um túnel do Presidio São Luís 2, também encontrou hoje outro, já completamente concluído e pronto para fuga no Cadeião do Diabo. Com a morte de hoje no CDP, eleva para 12 o número de presos mortos dentro do Sistema Penitenciário de São Luís.

Se existe um responsável maior por todos os fatos registrados dentro das prisões e de maneira cruel os assassinatos, não tenhamos dúvidas que é o Governo do Estado, que já banalizou a vida e conta com a parceria do Governo Federal que criou o Comitê de Gestão Integrada para garantir a violência dentro das unidades prisionais do Complexo Penitenciário de Pedrinhas