Mais de 21 mil candidatos “trocaram” de cor e entidades afro pedem fiscalização rigorosa ao TSE

Entidades do movimento negro, pesquisadores e núcleos afros de partidos políticos defendem mecanismos para fiscalizar a autodeclaração de cor nas eleições municipais de 15 de novembro, após 21 mil candidatos terem “trocado” de cor no registro eleitoral na comparação com o pleito de 2016.

A distribuição proporcional de recursos para candidatos negros foi aprovada para começar em 2022, porém antecipada para a eleição deste ano por decisão liminar do ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal). A maior parte das mudanças, segundo o jornal Folha de S.Paulo, foi da cor branca para parda (36% do total). Outros 30% alteraram de pardo para branco e 22% trocaram de preto para pardo, e vice-versa.

Para o cientista político Carlos Machado, da UnB (Universidade de Brasília), não há uma orientação do TSE (Tribunal superior Eleitoral) ou da legislação acerca da interpretação que é feita sobre esse dado por quem preenche a informação.

“Autodeclaração é como a pessoa se percebe. Quando a gente discute políticas de ação afirmativa, não estamos falando de identidade, mas da presença de fenótipos negros”, afirmou o especialista à Folha.

Cofundador da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior classifica como “reação conservadora e racista” associar a mudança na autodeclaração à política aprovada pela Justiça Eleitoral em favor dos negros.

“O grande problema é que esse tipo de abordagem, dando luz à fraude, de alguma maneira enfraquece o lado positivo e a importância de uma política deliberada, o que a gente não pode aceitar”, opina.

Yahoo Notícias

 

Corrupção leva o PTB a desistir da candidatura de Cristiane Brasil no RJ

O PTB decidiu não lançar candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro. A decisão ocorre após a prisão da ex-deputada Cristiane Brasil, pré-candidata pelo partido, além de estar envolvida em corrupção em vários processos.

Ela é investigada por suposto recebimento de propina em contratos de assistência social no governo estadual e na prefeitura do Rio de Janeiro. O PTB avaliou que se mantiver a candidatura de Cristiane Brasil, ela poderá concorrer de dentro de prisão, se constituindo em mais desgastes para o partido, além de ceder as pressões de integrantes da agremiação, que no entendimento deles, o PTB já perdeu totalmente o rumo da sua história e está com vários filiados atolados em casos de corrupção.

Por outro lado, partidários entendem que o PTB não tenha candidato no Rio de Janeiro e nem faça qualquer tipo de aliança com outros partidos. É bom lembrar que Cristiane Brasil é filha do notório cacique do PTB, Roberto Jeferson.

O Antagonista          

Pedidos engavetados de impeachment de ministros do STF poderá ser aval para a reeleição no Senado

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) é um dos integrantes de turma de choque que quer a reeleição e defendem o aval do STF.

O retorno presencial dos senadores a Brasília nesta última semana escancarou a corrida do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), à reeleição ao cargo. Embora não admita publicamente querer continuar no comando do Senado por mais dois anos, nos bastidores, ele articula uma maneira de tentar a recondução na próxima eleição interna prevista para fevereiro de 2021 — seja por caminho dentro do próprio Legislativo, seja pelo aval do STF (Supremo Tribunal Federal).

Os senadores estiveram no Senado de forma maciça e excepcional pela primeira vez desde março para aprovar indicados a postos do Brasil no exterior — o que só podia ser feito de forma secreta, portanto, presencial. Em plenário na quarta (23) para votar a lista de autoridades, os senadores aproveitaram a oportunidade para transformar a reeleição em um dos principais pontos de embate.

De um lado estão membros do grupo ‘Muda, Senado’, formado por cerca de 15 senadores, que têm como principal discurso o combate à corrupção, com elogios ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro. No entendimento de parte deles, a Constituição Federal prevê mandato dos membros das Mesas Diretoras por dois anos, com proibição de recondução ao mesmo cargo em eleição imediata e subsequente. Assim, Alcolumbre não poderia tentar a reeleição.

De outro lado, de maneira geral, estão os governistas, integrantes de partidos do centrão e até mesmo da oposição. Junto a Alcolumbre, eles avaliam se há alguma maneira de se resolver a questão internamente por meio do regimento do Senado.

Apoiadores de Alcolumbre se unem por PEC

Se não houver, ao menos 30 senadores já apoiam uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que liberaria uma eventual recondução. Entre eles estão, inclusive, os líderes do governo na Casa e no Congresso, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Eduardo Gomes (MDB-TO), respectivamente.

O Planalto vê Alcolumbre como um aliado no Congresso por não travar embates públicos como faz o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por mediar negociações e controlar a pauta sem matérias muito desconfortáveis ao governo.

A PEC foi apresentada pela senadora Rose de Freitas (ES). Por causa da iniciativa, com a qual não concorda, o Podemos a afastou do partido por 60 dias. A senadora já requisitou sua desfiliação da sigla, segundo informou a assessoria dela.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), integrante do ‘Muda, Senado’, declarou ser preciso “observar e acatar o comando da Constituição Federal que todos nós juramos respeitar” e que a interpretação “não exige esforço, ela é literal”.

Para ele, qualquer mudança só pode ser feita por meio de uma PEC. “Romper a regra do jogo —mais ainda: o jogo constitucional— para atender desejos individuais arrisca a própria democracia”, falou na sessão.

Senadores simpáticos à vontade de Alcolumbre então saíram em defesa do atual presidente do Senado, como Kátia Abreu (PP-TO), Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Weverton Rocha (PDT-MA). Os três apoiam formalmente a PEC da Rose de Freitas.

Kátia Abreu defendeu que não se pretende “engolir, rasgar ou queimar a Constituição” ao contrário do que os tons de algumas falas fazem parecer. Ela disse que quem vai decidir o assunto, caso haja questionamento de inconstitucionalidade, é o STF, “aberto a todos e a tudo”.

O Supremo já analisa o tema após o PTB questionar no Tribunal a possibilidade de reeleição das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados. O caso ainda não foi julgado.

Interpretações divergentes

Até o momento, Alcolumbre recebeu posicionamentos da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da AGU (Advocacia-Geral da União) que o favorecem ao afirmarem que decisão sobre o assunto cabe somente ao Legislativo. A advocacia do Senado defendeu junto ao STF que os presidentes da Casa e da Câmara dos Deputados possam ser reeleitos. No entanto, Alessandro Vieira apresentou nessa quinta (24) uma análise formulada por um consultor legislativo do Senado que segue a interpretação da Constituição com a proibição de reeleição dentro da mesma legislatura. Dessa forma, Alcolumbre não poderia tentar a reeleição, ao seu ver.

Em resposta, a assessoria da Presidência do Senado —ou seja, de Alcolumbre— buscou minimizar o documento. Em nota, afirmou que o texto não configura parecer da Consultoria Legislativa do Senado, mas nota informativa assinada por um consultor após solicitação de Vieira.

“O presidente do Congresso Nacional, na qualidade de chefe do Poder Legislativo Federal, renova seu compromisso de zelar pela independência do Senado Federal, evitando-se que a opinião defendida por um partido ou por um grupo de dez senadores seja imposta aos demais 71 senadores, privando-os de exercer sua missão constitucional nesta ou em outras matérias”, diz trecho da nota divulgada.

Líder do PT também apoia Alcolumbre

O incômodo com o ‘Muda, Senado’ existe também em parte da oposição. Sem citar nomes de colegas, o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), falou que a “política da farsa, do discurso fácil, moralista não constrói o Brasil” e chamou a Operação Lava Jato de farsa.

Em seguida, elogiou o trabalho do Senado em meio à pandemia e disse que, se puder, votará em Alcolumbre “com muito gosto”. “Sabe por quê? Porque eu acredito é na boa política e não na nova política fascista que quer dominar o Brasil”, completou.

Apesar de pressão do “Muda, Senado”, Alcolumbre tem segurado a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo e eventual CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar condutas de membros de tribunais superiores.

Na sessão, o presidente do Senado foi questionado pelos senadores Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Lasier Martins (Podemos-RS), também do ‘Muda, Senado’, sobre as denúncias contra ministros do Supremo. Alcolumbre disse a Lasier que a Mesa “responderá oportunamente”.

“Só pediria que desse uma ideia do oportunamente, porque há quem diga que oportunamente significa nunca. Então, gostaria de que marcasse um prazo”, pediu o senador gaúcho, ao que ouviu em resposta: “E há quem diga que oportunamente significa oportunamente.”

Congresso em Foco

 

Rede Globo é investigada por monopólio na transmissão de futebol e outras infrações

O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) instaurou inquérito para analisar a denúncia de monopólio nos direitos de transmissão do futebol brasileiro por parte da Rede Globo. O inquérito foi aberto com base em uma nota técnica, por parte de um clube de futebol que não foi identificado, e a investigação vai determinar se a conduta da emissora prejudica outros clubes.

Segundo a denúncia:

”Embora não esteja negociando a aquisição de determinada mídia (por exemplo, TV fechada), minora o preço ofertado ao clube pelas demais plataformas, caso haja contrato com outra emissora relativo àquela mídia não adquirida pela Rede Globo”

Essa conduta pode caracterizar mais de uma infração, como por exemplo, limitar o acesso de concorrentes ao mercado.

Diz a nota técnica:

“A emissora impedia que o clube excluído do contrato oferecesse suas partidas a outra rede de televisão, já que em qualquer partida o clube enfrentaria algum time com contrato vigente com o grupo Globo.”

 Jornal da Cidade Online

 

Em dez anos, nenhum juiz foi punido por racismo em processos abertos no CNJ

Magistrada inocentada afirmou que suspeito não tinha “estereótipo de bandido, por ter pele, olhos e cabelos claros”

Levantamento divulgado pelo CNJ em 25 de agosto deste ano, mostra que há 19.673 mil juízes no Brasil. Em 2019, os magistrados emitiram 32 milhões de sentenças e decisões terminativas. Entre 2010 e agosto de 2020, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu nove denúncias de posturas racistas de juízes em suas decisões. Desse total, seis foram arquivadas, duas suspensas e uma está em tramitação. O Brasil de Fato acessou o dado via Lei de Acesso à Informação (LAI).

A juíza Inês Marchalek Zarpelon afirmou, em sentença de 19 de junho deste ano, que um suspeito de cometer assaltos em Curitiba, praticava os crimes por ser negro.

Sobre sua conduta social nada se sabe. Seguramente integrante do grupo criminoso, em razão da sua raça, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que deve ser valorada negativamente.

O caso, revelado pelo Brasil de Fato em agosto deste ano, foi denunciado três vezes no CNJ. Dois processos foram suspensos e o terceiro, movido pela Corregedoria Nacional de Justiça, ainda tramita no órgão. Na última decisão, dia 19 de agosto, o ministro Humberto Martins ofereceu 60 dias para que a defesa de Zarpelon se manifeste.

Entre os seis processos arquivados, está o caso da juíza Lissandra Reis Ceccon, da 5ª Vara Criminal de Campinas, que condenou, em julho de 2016, um réu a 30 anos de prisão por latrocínio e destacou, na sentença, que o homem não corresponde ao perfil de um criminoso.

“Vale anotar que o réu não possui o estereótipo padrão de bandido, possui pele, olhos e cabelos claros, não estando sujeito a ser facilmente confundido”, afirmou Ceccon. O ministro Humberto Martins, do CNJ, decidiu arquivar a denúncia contra a magistrada em agosto de 2019.

“Não há que se falar em abuso de liberdade e independência funcional, pois não evidenciada qualquer afronta aos deveres elencados na LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) ou no Código de Ética da Magistratura”, afirma Martins em sua decisão. “Os elementos não traduzem que o magistrado possuía o intuito ofensivo, nem preconceituoso que pudessem revelar a quebra de desvio ético ou de conduta”, completa.

Thiago Amparo, advogado e professor de políticas de diversidade na Fundação Getúlio Vargas (FGV), discorda da decisão do CNJ. “Está muito evidente a violação ética, dentro das regras da Magistratura, quando a raça de uma pessoa está associada ao cometimento de crime. Ao falar que uma pessoa não tem o perfil de bandido, associando o perfil à raça da pessoa, há um crime, pois não há legislação brasileira que descreva isso, então não é uma interpretação da lei.”

Para Sheila Carvalho, coordenadora do núcleo de Violência Institucional da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, a juíza “emitiu uma sentença racista”. “Ela usa elementos diretos de práticas do racismo. Agora, na decisão que exime ela de responsabilidade, em nenhum momento se usa a palavra ‘racismo’. Eles não usam deliberadamente, uma vez que você coloca o ato do racismo, ele é um crime inafiançável e imprescritível.”

Sobre a decisão do CNJ, Amparo avalia que o “judiciário não pune crime de racismo ou injúria racial, porque ele percebe que não existe o intuito ofensivo. Nesse caso, não tem outra forma de punir, se não usando as palavras que a juíza escolheu para usar na sentença, não há como fazer um exame psicológico na juíza para saber se ela é racista.”

“Judiciário racista”

Um levantamento divulgado pelo CNJ em 25 de agosto deste ano, mostra que há 19.673 mil juízes no Brasil. Em 2019, os magistrados emitiram 32 milhões de sentenças e decisões terminativas. Com dados tão elevados da estrutura do sistema judiciário, o baixo número de denúncias de racismo chama a atenção de Amparo.

“De fato, é um caso de subnotificação, justamente porque se entende que não haverá uma investigação profunda sobre racismo, justamente porque sabemos que os órgãos como o CNJ não vão punir os desembargadores e os juízes. A subnotificação vem dessa sensação de impunidade”, explica o advogado.

Carvalho acredita que haja uma “naturalização” do racismo no sistema jurídico do país, que impede que as denúncias sejam levadas adiante. “Nós temos um judiciário extremamente racista, mas que não se enxerga como racista. Isso é muito grave. Nós temos todo um sistema judiciário racista, que vai desde a polícia, passando pelo Ministério Público, até os juízes. Essa estrutura pratica o racismo em bases cotidianas sem entender que estão fazendo isso. É uma banalização da violência racial e o judiciário não é diferente”, aponta Carvalho.

Outro lado

A juíza Inês Marchalek Zarpelon não foi localizada pela reportagem. Após a publicação da matéria o CNJ enviou uma nota ao Brasil de Fato citando suas iniciativas para coibir o racismo, mas não rebateu diretamente os pontos citados no texto. Leia abaixo a íntegra da nota:

Entre as diversas ações promovidas pelo Conselho Nacional de Justiça na busca pelo combate ao racismo estrutural no Brasil, a mais recente foi a criação do Observatório dos Direitos Humanos do Poder Judiciário. Instituído em 17 de setembro, o grupo debaterá, entre outros temas, os direitos dos negros. Os integrantes vão acompanhar a proteção e a implementação dos princípios de direitos humanos no âmbito do Poder Judiciário. O Observatório foi anunciado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux em seu discurso de posse.

Entre orientações, normas, programas, parcerias e capacitações que contribuíram para avançar no acesso à Justiça dos brasileiros, o CNJ regulamentou, nacionalmente, a adoção das cotas raciais em concursos para magistrados, por meio da Resolução CNJ n. 203 /20152015. A iniciativa cumpre o Estatuto da Igualde Racial (Lei n. 12.288/2010) na busca pela redução da desigualdade de oportunidades profissionais para população negra brasileira.

Com a resolução, a magistratura se tornou a primeira carreira jurídica a estabelecer esta ação afirmativa nas seleções. Em 2013, com a publicação do Censo do Judiciário pelo CNJ, foi feita a primeira pesquisa sobre o tema. À época, os negros eram apenas cerca de 15% do total de juízes no Brasil, apesar de representarem mais de 50% da população brasileira, de acordo com o IBGE. Novo estudo elaborado pelo Conselho, em 2018, o Perfil Sociodemográfico dos Magistrados Brasileiros, revelou um leve aumento na participação dos negros: 18% dos magistrados entrevistados se declararam pretos ou pardos.

Em sessão realizada na última terça-feira (25/9), o Plenário do CNJ aprovou resolução que determinou a reserva de 30% das vagas a candidatos negros nas seleções para estágio em órgãos do Poder Judiciário. A regra terá vigência até 9 de junho de 2024, término do prazo de vigência da Lei nº 12.990/2014, que trata da reserva de vagas oferecidas para negros nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União.

Também em setembro deste ano, a igualdade e o combate à discriminação racial se tornaram casos de monitoramento pelo Observatório Nacional sobre Questões Ambientais, Econômicas, Sociais de Alta Complexidade e Grande Impacto e Repercussão. O monitoramento dos casos de discriminação racial foi proposto pelo reitor da Universidade Zumbi dos Palmares e integrante do Conselho Consultivo do Departamento de Pesquisa Judiciária (DPJ) do CNJ, José Vicente.

Nos dias 7 e 8 de julho, foi realizado o Seminário Questões Raciais e o Poder Judiciário. No dia 30 de julho, o seminário Democratizando o Acesso à Justiça trouxe o combate à discriminação de raça como um ponto importante de debate. E, em 12 de agosto, a Reunião Pública sobre Igualdade Racial no Judiciário reuniu mais de 30 especialistas que trouxeram propostas de aprimoramento da prestação jurisdicional.

Brasil de Fato

 

TCU deu ao INSS prazo de 05 dias para elaboração de protocolo sobre perícias por telemedicina

Medida cautelar do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, atende pedido do Conselho Nacional de Justiça. Médicos peritos resistem à volta ao trabalho presencial.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), deu prazo de cinco dias para que o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) elabore um protocolo a fim de realizar perícias médicas com o uso de telemedicina.

No último dia 18, o governo determinou que os peritos voltassem ao trabalho presencial. A Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP) se posicionou contra esse retorno e acionou a Justiça. A associação argumentou que as agências do INSS, reabertas depois do fechamento em razão da pandemia do novo coronavírus, ainda não cumprem as especificações de segurança sanitária.

A decisão do ministro foi emitida nesta sexta-feira (25) e atende a um pedido do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Deve ser analisada pelos outros ministros do tribunal na sessão marcada para quarta-feira (30).

O prazo do INSS para apresentar o protocolo começa na segunda-feira (28) e vai até a sexta (2) da próxima semana.

Segundo o ministro, o ideal seria que os serviços periciais fossem realizados com a presença física, mas isso ainda não é totalmente possível, apesar das tentativas do INSS de reabrir as agências.

“Como não é possível o retorno de 100% das perícias presenciais, é necessário que sejam verificadas, por ora, alternativas para minimizar os transtornos dessa paralisação para a população brasileira mais vulnerável”, afirmou o ministro Bruno Dantas na decisão.

Nesta quinta-feira (24), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou decisão da Justiça Federal do Distrito Federal que havia dispensado os peritos médicos de retornarem ao trabalho presencial.

Enquanto o governo e a categoria dos peritos travam uma queda de braço, o país tem cerca de 1,5 milhão de processos na fila do INSS, dos quais quase 800 mil aguardam perícia médica. O INSS tem 3,5 mil peritos, mas nem todas as agências estão liberadas para o retorno desses profissionais – e parte deve seguir em trabalho remoto.

A decisão do TCU

No pedido o CNJ mostra preocupação com o aumento da judicialização por falta de perícia médica.

O ministro Bruno Dantas lembrou que o CNJ publicou em abril uma resolução autorizando a perícia por meio eletrônico, mas segundo o conselho, esse procedimento não foi implementado, principalmente pela oposição do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Subsecretaria de Perícia Médica Federal da Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia.

O uso da telemedicina também foi autorizado emergencialmente por uma lei de abril deste ano. Segundo o ministro, ao não aplicar a telemedicina para perícias, o governo parece estar se dobrando a “lobbies corporativos” em vez de se preocupar com a população mais vulnerável.

Segundo o conselheiro Henrique Avila, do CNJ, a justificativa do INSS sempre foi a de que estava providenciando o retorno e a volta do funcionamento das agências. “Com essa situação sendo dificultada, não há mais qualquer justificativa para não se realizar a teleperícia, que é cada vez mais necessária”, afirmou.

“Tudo indica que o Governo Federal está se curvando aos lobbies corporativos em prejuízo da população brasileira. Seria desejável que o Governo Federal viesse a ficar do lado dos que mais necessitam, ainda mais em momento tão penoso para os mais vulneráveis”, escreveu Bruno Dantas na decisão.

O ministro cita o motivo de o TCU decidir sobre o assunto. “Inicialmente, a atuação do Tribunal neste caso está autorizada em virtude de indícios da falta de atuação proativa e tempestiva da Subsecretaria de Perícia Médica Federal do Ministério da Economia e do Instituto Nacional do Seguro Social em não adotar e determinar as medidas necessárias para a promoção de perícias médicas eletrônicas para os beneficiários de tais direitos, o que vai contra o princípio da eficiência, da legalidade e da moralidade administrativa”, afirmou.

Agência Brasil

 

‘Terremoto no Vaticano’: Corrupção levou à ‘renúncia’ um dos cardeais mais poderosos da Igreja Católica

Cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior escalão dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé. Mas por quê? Um novo escândalo abala o coração da Igreja Católica.

O cardeal Giovanni Angelo Becciu, uma das figuras de maior importância dentro do Vaticano, renunciou inesperadamente ao seu cargo e título, anunciou a Santa Sé na quinta-feira (24/09). “O Santo Padre aceitou a renúncia do cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e dos Direitos do Cardeal, apresentada por Sua Eminência o Cardeal Giovanni Angelo Becciu”, afirmou o lacônico comunicado.

Mas em um movimento inesperado, o cardeal revelou à imprensa italiana que sua renúncia não havia sido voluntária, mas ocorreu a pedido do Papa Francisco, pelas denúncias de corrupção que pesam contra ele. Becciu disse que foi pressionado pela Santa Sé, sob a suspeita de que “ele havia dado dinheiro da Igreja a seus irmãos”, algo que negou categoricamente .

“Não roubei nenhum euro. Não estou sendo investigado, mas se me mandarem a julgamento, vou me defender”, disse ele. Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (25/09), Becciu disse que seu impeachment veio “como um raio vindo do nada” e que o papa “estava sofrendo” quando deu a notícia. “Tudo é surreal. Até ontem me sentia um amigo do Papa, o fiel executor do Papa”, disse ele.

“Então o Papa me disse que não tinha mais fé em mim porque recebeu um relatório dos magistrados de que cometi um ato de apropriação indébita”, acrescentou. Renúncias deste nível do Vaticano são extremamente raras e a Santa Sé fez poucos esclarecimentos em sua declaração divulgada na noite de quinta-feira.

Quem é o cardeal Becciu?

O cardeal Becciu era um colaborador próximo de Francisco e anteriormente havia ocupado um cargo importante na Secretaria de Estado do Vaticano. No entanto, seu processo de “fritura” começou depois que foi revelado que ele esteve envolvido na compra de um prédio de luxo em Londres com fundos da Igreja. Desde então, essa transação tem sido objeto de uma investigação financeira.

“Eu disse ao Papa: por que você está fazendo isso comigo na frente de todo o mundo?” As palavras angustiadas são de um dos cardeais mais importantes da Igreja Católica, agora demitido e destituído de seu direito de eleger o próximo papa.

Giovanni Angelo Becciu serviu como subsecretário de Estado, uma função com acesso ilimitado ao Papa Francisco, e mais tarde foi chefe do departamento que escolhe futuros santos. Mas na noite de quinta-feira, ele foi chamado para uma reunião supostamente tensa com seu chefe.

O cardeal Becciu havia dado o sinal verde para uma controversa compra de um imóvel em Londres por $ 232 milhões com fundos da Igreja, incluindo dinheiro de esmolas. Outros relatos alegam que ele sustentava um hospital romano em ruínas que empregava sua sobrinha. “O Santo Padre explicou que dei favores a meus irmãos e seus negócios com dinheiro da Igreja … mas tenho certeza de que não pratiquei nenhum crime”, disse ele ao jornal italiano Domani. Mas suas palavras não foram suficientes. O que aconteceu foi chamado de “um terremoto no Vaticano”. Sua demissão pode parecer dissimulada, mas é um lembrete de que o escândalo e a corrupção que assolam governos em todo o mundo também atingem os mais altos escalões da Santa Sé.

BBC NEWS

 

Datafolha: 20% dos moradores de São Paulo admitem não votar por medo da Covid-19

Segundo o Datafolha, 1 em cada 5 moradores da cidade de São Paulo diz que pode deixar de votar nas eleições municipais por medo de contrair a Covid-19.

Os maiores índices estão entre as pessoas de 25 a 34 anos: 27% afirmaram que podem não ir à votação.

Entre aqueles com mais de 60 anos — portanto dentro do grupo de risco –, 17% disseram que podem deixar de votar por causa da pandemia.

Ainda de acordo com a pesquisa, 34% dos eleitores afirmam que não se sentem nada seguros para votar. Já 24% dizem se sentir muito seguros e os outros 42% dizem ter pouca segurança.

Congresso em Foco

Finalmente o Governo do Brasil resolveu enfrentar os furtos das nossas riquezas na Amazônia

Cerca de 150 agentes federais participaram da Operação Crassa, deflagrada nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (24), para cumprir 53 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Rondônia. Os alvos dos mandados judiciais são garimpeiros, lideranças indígenas, comerciantes e intermediadores.

Os crimes: Usurpação de bens da União, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os diamantes extraídos ilegalmente da reserva indígena estão sendo  vendidos tanto no mercado nacional, quanto no exterior.

Por outro lado, sob o comando do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, avança a Operação Verde Brasil 02, com resultados extremamente expressivos. Mais de 08 mil toneladas em minerais (ouro, manganês, pedras preciosas, etc) apreendidos, 98.982 hectares embargados e 3.071 multas aplicadas.

Agora parece fácil compreender porque um partido político de esquerda entrou com ação junto ao Supremo Tribunal Federal questionando a presença das Forças Armadas na Amazônia, mas com o propósito de retirar os aparelhos militares e civis da área da Amazônia, infestada por interesses internacionais, representadas por milhares de ongs, que alimentam interesses de multinacionais com retirada de minérios e flora e outros materiais para pesquisas.

Jornal da Cidade Online

 

Patrimônio de Ciro Gomes é penhorado para atender demandas judiciais por danos morais

Um completo irresponsável, incapaz de medir suas palavras. É assim que sempre se comportou Ciro Gomes. Ofende sem pestanejar quem se coloca em seu caminho. Não tem nenhum preparo para o bom e qualificado debate.

Há poucos dias teve o próprio carro penhorado – uma picape Hilux, da marca Toyota – numa ação movida pelo vereador paulistano Fernando Holiday, a quem ofendeu, chamando-o de “capitãozinho do mato”. Desta feita, um imóvel foi penhorado numa ação movida pelo ex-presidente Fernando Collor.

No longínquo ano de 1999, quando Collor poderia ser fortemente criticado por diversas ações e até mesmo, o envolvimento em corrupção, Ciro preferiu partir para a agressão pessoal, chamando o ex-presidente de “playboy safado” e “cheirador de cocaína”.

Collor processou e ganhou. Agora Ciro terá que indenizá-lo por danos morais. O valor da indenização é de R$ 400 mil. Caso não pague, o imóvel penhorado deverá ir a leilão.

Jornal da Cidade Online