Padre Bráulio: O Povo de Deus precisa sair dos templos e ir para as ruas evangelizar e lutar contra a violência e as drogas

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O Jornal do Maranhão, publicação da Arquidiocese de São Luís, publicou na sua edição do mês de maio, uma reflexão do padre José Bráulio Sousa Aires, pároco da paróquia de São José do Bomfim. Religioso bastante conhecido e respeitado, com importantes serviços prestados ao Povo de Deus, de centenas de comunidades, principalmente da zona rural, se constituiu também como formador de consciências criticas. Sempre aberto ao diálogo, nunca escondeu, muito pelo contrário procurou sempre abertamente conversar com as mais diversas correntes politicas, desde que interesses coletivos estejam no centro do contexto da pauta.

        Diante dos avanços da violência, das drogas, da fome, da miséria e de tantas outras desigualdades sociais que destroem vidas, ele registra: “Hoje temos uma Igreja silenciada, como nunca se viu antes. Refiro-me não exatamente ao clero, mas ao estado de morte, de miséria moral, em que se encontra a comunidade cristã católica. Percebe-se que essas partes das comunidades estão fora da Igreja e também das lutas sociais. Esse silêncio, o encolhimento nos inquieta, diante dos sérios e muitos graves desafios sociais, que deveriam ser as nossas profissões de fé, exatamente no momento em que o Papa Francisco, nos pede que saiamos do nosso próprio quadrado para sermos semeadores de lutas por direitos, dignidade, paz, solidariedade em busca de uma sociedade menos desigual.”

       Devemos como cristão católicos ser protagonistas de mudanças com a organização comunitária e com lutas efetivas e responsáveis para o enfrentamento à realidade cada vez mais perversa, que vem destruindo muitas vidas, principalmente jovens, com as drogas e a violência sem precedentes. Onde o poder público é ausente, a criminalidade se instala e impõe regras, valores e padrões definidos por eles, ocasionando principalmente a destruição da família. Os problemas sociais atuais são sérios e a crise que se manifesta é sem precedentes. A Igreja do Povo de Deus precisa sair do templo e ir para as ruas evangelizar, com uma atenção maior para os mais pobres e oprimidos, para que sejam eles protagonistas das suas próprias histórias. Há muita gente por onde andamos que não está precisando de pão, mas de uma expressão de carinho e às vezes apenas uma palavra para tocar-lhe o coração, pela excessiva carência afetiva. Com o amor e compromisso voltados para a construção do Reino de Deus, podemos fazer importantes mudanças, concluiu o padre Bráulio Ayres.

Condenação de Edinho Lobão reflete negativamente na base politica do governo

ArnaldoO deputado Arnaldo Melo, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, depois de ter colocado em pauta a sua candidatura ao Governo do Estado, que ocasionou a governadora Roseana Sarney a mudar de plano e permanecer no cargo passou a ser considerado inimigo pelo grupo Sarney.  As relações entre o executivo e o legislativo passaram a ficar mais um campo institucional. Diante da iniciativa do presidente do legislativo estadual colocar o seu nome como pré-candidato ao Senado Federal dentro do contexto da situação, começaram a surgir conspirações contra ele com intenção de tirá-lo da corrida. Como um homem experiente e conhecedor do jogo do pessoal do Sarney e dos seus escudeiros, Arnaldo Melo, depois de reunir com os deputados que lhes dão sustentação dentro do parlamento decidiu abdicar da pretensão ao Senado Federal, mas deixou bem claro que vai para as eleições em busca da sua reeleição, sem o compromisso com qualquer outra candidatura. Deixou um recado bem determinado para o pré-candidato a governador Edinho Lobão e ao deputado federal Gastão Vieira, e que pretende estar distante deles e deve ser seguido por alguns deputados que sempre foram discriminados pelo Palácio dos Leões.

                   Outras dissidências deverão surgir dentro da base governista, principalmente que estão ficando cada vez mais claras as trocas de farpas entre Edinho Lobão e Roseana Sarney. Há quem afirme, que o pré-candidato ao governo já estaria na iminência de desistir, principalmente pelas dificuldades criadas pelo governo para avançar com a sua pré-candidatura e a condenação imposta a ele pela justiça federal.

                    Não é novidade de que a governadora Roseana Sarney e seus assessores mais próximos e naturalmente com consultas feitas ao senador José Sarney e a Fernando Sarney, sobre qual o nome que teriam dentro do grupo como alternativa, caso venha a ser concretizada a desistência de Edinho Lobão. Chegam a lembrar de João Alberto, mas a maioria discorda e quando eles olham de um lado para outro, caem na realidade de que não existe ninguém e agora despontam sugestões de que o deputado Gastão Vieira possa ser a próxima opção.  A verdade é que a questão da condenação de Edinho Lobão pela justiça federal causou um certo desanimo em muitos segmentos do grupo e há muitos candidatos a deputados estaduais e federais procurando outros rumos. Com a iminência do senador Sarney não concorrer à reeleição no Amapá e a governadora Roseana Sarney com os seus pensamentos voltados para os Estados Unidos, onde deverá fixar residência antes do término do seu mandato, preocupações tomam conta da maioria dos aliados.

“Os novos direitos que nascem da multidão são assassinados”

Um dos mais influentes intelectuais marxistas deste início de século, o filósofo italiano Antonio Negri, 80, diz que o Brasil errou ao apostar na realização da Copa e da Olimpíada. Ele vê na “política dos grandes eventos” uma negação dos valores locais e da cultura das favelas.

A entrevista é de Bernardo Mello Franco

Em visita ao país às vésperas do Mundial, Negri critica as exigências da Fifa e diz que a entidade age como um instrumento donovo capitalismo globalizado. “A Fifa e o Comitê Olímpico Internacional atuam como grandes ONGs capitalistas. Mas não vão aos países para ajudar ou distribuir esmolas, e sim para buscar lucros”, afirma.

Para Negri, a cultura popular foi negada pela política dos grandes eventos, “a política de Dilma”. “Os revoltados estão certos ao avaliar a política dos grande eventos como um erro político.”

Negri fala em São Paulo nesta quinta (5), às 19h, no evento “Multitude”, no SescPompeia. Ele recebeu a Folha no Rio. Estava acompanhado por Giuseppe Cocco, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com quem publicou “GlobaL: Biopoder e lutas em uma América Latina globalizada” (Record, 2005).

Eis a entrevista.

Quando o sr. escreveu “Império”, em 1999, Bill Clinton presidia os EUA e as torres gêmeas estavam de pé. As transformações do mundo mudaram as teses do livro?

Há um fenômeno irreversível: a globalização dos mercados e a falta de uma ordem global. Os EUA tentaram impor uma nova ordem, no que chamamos de golpe de Estado contra o Império, mas essa tentativa de impor a soberania americana fracassou.

Os ataques em Nova York foram apenas um episódio do fracasso. Mais importante foram as derrotas no Iraque e no Afeganistão, o nascimento dos Brics e de outros poderes na esfera global.

O mundo não é mais unificado sob uma única potência. Tornou-se fragmentado, fundamentalmente por poderes continentais. A crise do poder americano é extremamente forte. O soft power dos EUA ainda resiste, mas com dificuldades cada vez maiores. O último capítulo foi a reaproximação de China e Rússia nacrise da Ucrânia.

A direita nacionalista voltou a ganhar força na Europa. Como avalia este fenômeno?

O nacionalismo europeu sempre existiu como força minoritária. Não ameaça a unidade europeia. Quem a ameaça é a forma rígida de neoliberalismo imposta às populações, que protestam contra a miséria crescente, a destruição do Estado de bem-estar social, a redução dos direitos de educação e saúde.

No entanto, o crescimento da direita nacionalista, fascista, é extremamente perigoso. Não é um problema só para a Europa, mas para todos os povos. É o mesmo problema do extremismoreligioso.

O sr. demonstra interesse crescente pelo Brasil desde a eleição de Lula. Como vê a evolução do país no período?

Lula representou um momento de transformação profunda no país, em que a cidadania se alargou a novos segmentos da população. Não simplesmente do ponto de vista da liberdade, mas da igualdade econômica e social. O Bolsa Família é uma representação forte disso, como é o pleno emprego. Foi um processo profundo e em parte revolucionário, com características revolucionárias.

Em que sentido?

No sentido de um conceito de igualdade muito forte. Veja as cotasraciais, por exemplo. A experiência de Lula se juntou à sua intuição profunda sobre a modificação das relações globais. A ligação sul-sul, o fato de o país ter quebrado as relações de dependência, fundamentalmente ideológicas. Nenhum governo brasileiro, de direita ou de centro, havia feito isso. Deste ponto de vista, Lula é uma referência para toda a esquerda mundial. Para o pouco que resta da esquerda… (risos).

O Brasil acaba de viver uma onda de manifestações contra o governo e o poder em geral. Nasceu algo novo no país?

Agora não se fala mais de Lula, e sim da sucessão dele. É evidente que Lula foi mais longe do que podíamos esperar, como fazem os que estão em contato próximo com as multidões. Hoje me parece haver uma grande incompreensão da elite dirigente, em geral. Não somente do PT, mas também, e sobretudo, da opinião pública representada pela imprensa, que sempre fez oposição a Lula.

A elite do governo e a elite da imprensa não viram que a aliança construída em torno de um grande projeto de desenvolvimento, que devia ser coroado com o sucesso e a exposição internacional do país, esquecia as novas gerações que querem se expressar, querem ser protagonistas com sua cultura. A cultura formidável que vem das favelas foi negada pela política dos grandes eventos, a política de Dilma. Essa política não reconheceu a prioridade das transformações revolucionárias iniciadas por Lula.

Mas foi Lula quem lutou pelos grandes eventos, aceitando as condições da Fifa e do COI.

Então isso significa que Lula errou no último período. Dilma era ministra da Casa Civil. Mas isso não é tão importante. Quando falamos de Lula, na realidade estamos falando de uma consciência generalizada, um movimento que não é mais de um chefe, de um líder.

O Brasil viveu transformações fundamentais no povo, nas pessoas. Havia uma energia reprimida que explodiu, vinda de sindicatos e das favelas. Isso tinha que ser respeitado. Os revoltados [manifestantes] estão certos ao avaliar a política de grande eventos como um erro político. Quando os jovens das cidades dizem “Não!”, não são “foras da lei”. São pessoas que nasceram e foram produzidas pela nova lei.

A atuação da Fifa e do COI e suas exigências ao Brasil têm relação com o novo capitalismo que o sr. estuda?

Sem dúvidas, com as novas formas do capitalismo. Com certeza, muitos capitais brasileiros já foram empenhados, porque as novas formas de capitalismo não são externas aos países.

Quando se fala de Fifa ou do COI, fala-se de plataformas de agenciamento de capitais financeiros em nível mundial, que atravessam as bolsas dos países com um alvo, que neste caso é o Brasil.

O Brasil aceitou participar com suas próprias forças, negociando diretamente a entrada de capitais. Fifa e COI são como grandes ONGscapitalistas. Mas não vão aos países para ajudar ou dar esmola, e sim para fazer lucros.

As manifestações no Brasil e em outros países não são mais comandadas por sindicatos, entidades tradicionais. Qual a consequência disso?

As formas de luta agora são multitudinárias. Correspondem à nova composição do proletariado, que reúne os pobres e parte da classe média empobrecida. Os antigos sindicatos tinham uma relação fixa e contínua com camadas de populaçãooperária, industrial. Hoje o trabalho é fundamentalmente imaterial, móvel, precário.

Isso determina novas formas em que as lutas populares se expressam e recompõem novos valores. Não só salariais, mas ligados aos modos de vida, à defesa da cidade em que se vive.

Nessas novas formas de luta, o trabalhador ganha ou perde força para buscar direitos?

É uma pergunta importante, mas ainda estamos no início do processo. Até agora, os poderes não reconheceram essas lutas. Estou convencido de que os trabalhadores têm capacidade de ampliar sua força na luta por melhores salários, transporte, cultura, por tudo que está ligado à sua vida. Mas esta nova subjetividade ainda não é reconhecida, é reprimida. A polícia atira contra essas lutas. Essa repressão é um ataque aos direitos humanos. Não estão reprimindo a desordem, mas assassinando os novos direitos que nascem da multidão.

O que é ser marxista hoje?

É o que sempre foi. Os marxistas sempre estudaram as lutas das populações e usaram esses elementos para transformar a sociedade. Hoje, isso significa pôr os resultados a serviço da multidão. O dilema hoje é que o Estado cresce junto com a multidão ou se destroi contra ela.

O sr. já escreveu que deve haver um modo de reconhecer a derrota sem ser derrotado. Encontrou esta forma?

Ninguém esperava que a vitória do capitalismo sobre os movimentos dos anos 60 e 70 e sobre a União Soviética fosse uma vitória de Pirro. Hoje o mundo é mais difícil para o capitalismo do que naquelas épocas. A derrocada do comunismo abriu espaço para novos movimentos que vão para além do socialismo.

É estranho falar dessas coisas, porque parece que falamos de utopias ou de desejos vazios. O que sinto é que a luta hoje não é mais produto apenas da necessidade e da miséria, mas também do desejo, do afeto, da alegria de conquistar coisas novas. Isso é ir além da derrota.

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Desembargador é punido por diálogo inadequado com candidata de concurso

senhoraA atitude é incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções.

O plenário do CNJ, por maioria de votos, colocou o desembargador Jaime Ferreira de Araújo, do TJ/MA, em disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, por diálogos “inadequados, impróprios e de cunho pessoal”, com candidata de concurso para ingresso na magistratura do Estado.

De acordo com a conselheira Maria Cristina Peduzzi, relatora do PAD, os fatos ocorreram quando o desembargador integrava a comissão do concurso. A apuração constatou que, durante a realização de prova oral, o desembargador dirigiu-se à candidata e perguntou por que ela não atendera a ligação telefônica feita por ele. Esse diálogo foi gravado, segundo relatou a conselheira. Para ela, o desembargador deveria se declarar impedido de atuar em qualquer ato relacionado à candidata.

“Após a realização da prova oral, o desembargador não poderia mais atuar em qualquer ato administrativo que envolvesse essa candidata, pois estabelecera diálogos inadequados, impróprios para o contexto do certame. Dessa forma, já estaria configurada sua suspeição.”

A relatora afirmou que “o desembargador agiu de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções”. Entretanto, “por tratar-se de um acontecimento isolado”, ela aplicou-lhe a pena de disponibilidade compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

 Migalhas

O Papa e a prisão perpétua de menores nos Estados Unidos

?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Quinhentos jovens detidos em prisões dos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua quando ainda eram menores de idade e sem possibilidades de liberdade condicional, escreveram cartas ao papa Francisco, que se declarou “profundamente” comovido pelos relatos. Bergoglio pediu para que rezem por ele, assim como rezará por eles. A situação dos menores condenados à prisão perpétua, nesse país, foi motivo de numerosas reivindicações de organismos internacionais de direitos humanos.

Os quinhentos jovens, em sua maioria de origem hispana, escreveram cartas em que relatam suas vidas, segundo publicou o periódico dos jesuítas American, em uma nota que foi citada pela agência ANSA. As cartas foram reunidas pelo capelão penitenciário e diretor executivo do Jesuit Restorative Justice Initiative, Michael Kennedy.

“Li as cartas que você me fez chegar, gentilmente, de cada lugar dos Estados Unidos, por parte de centenas de garotos condenados à prisão perpétua, em tão jovem idade, sem a condicional”, respondeu o Papa, em sua resposta ao capelão. E acrescentou que “suas histórias e o pedido destes de que esta forma de sentença seja revisada à luz da justiça e da possibilidade de uma reforma e reabilitação, comoveram-me profundamente”.

A condenação à prisão perpétua para menores de idade por crimes diferentes do homicídio é denunciada por diferentes organizações de direitos humanos, que destacam que os Estados Unidos são o único país do mundo que aplica semelhante pena nesses casos. Devido às reiteradas denúncias sobre esta situação, nos últimos anos alguns estados, como a Califórnia, eliminaram as condenações à prisão perpétua para menores.

“Comovi-me muito ao ler as cartas dos jovens, por favor, diga-lhes que rezo por eles ao Senhor Jesus, que ama cada um deles com todo o seu coração”, escreveu o Papa, no último dia 12 de abril, ao capelão de uma prisão juvenil de Los Angeles, onde os reclusos cumprem pena, segundo publicou o jornal espanhol ABC.

Vários dos jovens condenados à prisão perpétua, em sua maioria hispanos, escreveram cartas ao Papa ao saberem que, no dia 28 de março, iria celebrar os ofícios da Quinta-Feira Santa e lavar os pés de doze reclusos e reclusas da prisão juvenil de Roma.

Os jovens presos norte-americanos, na prisão Barry J. Nidorf, em Sylmar, ao norte de Los Angeles, receberam nessa mesma Quinta-Feira Santa a visita de doze noviços jesuítas que lavaram os pés de doze detidos.

Um dos jovens, segundo o jornal, escreveu: “Querido papa Francisco, acredito que seja um homem humilde. Quando ler esta carta já terá lavado os pés de outros garotos como eu. Escrevo-lhe esta carta porque me dá esperança”.

Em sua carta ao padre Kennedy, o Papa pede aos jovens que lhe escreveram para que rezem por ele e conclui enviando-lhes sua bênção “com gratuidade e carinho”.

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Alerta da ONU: 70% da população mundial não tem segurança social

Mais de 70% da população mundial não estão cobertos por uma proteção social adequada: a afirmação é de um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A reportagem é do sítio Rai News

De acordo com os dados do “Relatório sobre a Proteção Social 2014/15”, apenas 27% da população mundial têm acesso a uma segurança social completa.

Para a OIT, os motivos para reforçar a proteção social são ainda mais óbvios neste período de incerteza econômica, de baixo crescimento e de crescente desigualdade.

No entanto, a partir de 2010, muitos governos optaram pela consolidação fiscal. As medidas de saneamento orçamental não se limitaram à Europa. “Na verdade, nada menos do que 122 governos reduziram os gastos públicos em 2014, incluindo 82 países em desenvolvimento”, destacou Isabel Ortiz, diretora do Departamento de Bem-Estar da OIT.

Essas medidas dizem respeito, dentre outras coisas, à reforma das pensões, dos sistemas de saúde e de segurança social, que muitas vezes envolveram uma redução da cobertura ou do financiamento desses sistemas.

“De fato – acrescentou Ortiz – o custo da consolidação fiscal e da adequação estrutural é transferido para as populações, em um momento em que o trabalho é raro, e o sustento, mais necessário do que nunca.”

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Abusos sexuais: ”Reformas na Igreja estão surtindo efeito”

Ao longo dos últimos dez anos, o Vaticano reduziu ao estado laical 848 sacerdotes réus de abuso sexual. Segundo o padre jesuíta Hans Zollner, membro da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, esses números são depositários de uma dura realidade, mas também de esperança e de uma férrea vontade de remover a podridão que, nos últimos anos, manchou a Igreja.

A reportagem é de Alessandro Notarnicola,

“Esses números demonstram que as reformas do sistema judiciário dentro da Igreja estão surtindo os seus efeitos”, afirmou o padre Zollner ao site RomeReports.

“É preciso acrescentar que agora podemos ver o resultado positivo da vontade do Papa Bento XVI. Podemos ver que a justiça existe”, acrescentou o sacerdote alemão, enfatizando o aspecto penal e os procedimentos tomados contra os culpados.

Mas, como já foi dito muitas vezes, a Pontifícia Comissão tem um quantitativo relativamente consistente de trabalho para fazer: em primeiro lugar, é preciso tentar medir o porte dos abusos cometidos por eclesiásticos de todo o mundo.

“Abusos sexuais foram registrados em toda a parte: em todos os países, talvez não em todas as dioceses e congregações religiosas, mas temos os dados provenientes de todos os países do mundo”, continua o padre Zollner, motivando o projeto de contar com especialistas da Ásia e África dentro da comissão.

Além disso, o jesuíta destaca a essencialidade de definir, de um ponto de vista canônico, a responsabilidade de um bispo e de um provincial considerados negligentes na gestão de um sacerdote acusado de abusos.

A Igreja está implementando medidas drásticas em escala global (onde por essa expressão deve-se entender o conjunto de todos os lugares em que foram denunciados abusos cometidos por expoentes do clero), especialmente desde o dia 25 de março de 2005, quando, por ocasião da Via Sacra no Coliseu, o mundo foi literalmente abalado pelo poder das meditações escritas pelo cardeal Joseph Ratzinger.

Particularmente duro, de fato, foi considerado o comentário composto para a Nona Estação, na qual o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé falou de “sujeira na Igreja” e de uma Igreja que “nos parece um barco prestes a afundar, um barco que mete água por todos os lados”.

Muitos comentaristas consideram que, com essas palavras, o então cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé se referia quase abertamente ao escândalo dos padres pedófilos que explodiu não muito tempo antes nos EUA e na Irlanda.

Dentre outras coisas, é bom lembrar o episódio inédito do maio posterior, quando Bento XVI, como um pai intransigente que trabalha pelo bem de toda a família, revogou todas as faculdades sacerdotais de Gino Burresi, fundador dos Servos do Coração Imaculado de Maria, por abusos sexuais contra alguns jovens seguidores.

As acusações de “encobrimentos” contra o Vaticano, amplificadas notavelmente pelos órgãos de imprensa depois da eleição de Joseph Ratzinger, que começou a luta contra o “pecado e o crime da pedofilia e dos abusos”, começaram dessa forma a diminuir.

Essa linha de “tolerância zero”, iniciada por Bento XVI, é hoje perseguida com tenacidade e com um forte espírito de humanitas cristã pelo Papa Francisco, que instituiu a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, que foi anunciada no dia 5 de dezembro de 2013. Foram chamados a fazer parte dela: a Drª. Catherine Bonnet (França); a Srª. Marie Collins (Irlanda); a Profª. Sheila Hollins (Reino Unido); o cardeal Seán Patrick O’Malley, OFM Cap (Estados Unidos); o Prof. Claudio Papale (Itália); a Profª. Hanna Suchocka (Polônia); o Pe. Humberto Miguel Yáñez, SJ (Argentina); e o Pe. Hans Zollner, SJ (Alemanha).

A principal tarefa dessas pessoas é preparar os estatutos da comissão, que definirão as suas competências e as suas funções. A mesma comissão, no entanto, será posteriormente integrada por outros membros, escolhidos nas várias regiões geográficas do mundo.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, SJ, comentou que, com a instituição dessa comissão, “o Papa Francisco deixa claro que a Igreja deve colocar a proteção dos menores entre as suas prioridades mais altas (…). Na certeza de que a Igreja deve desempenhar um papel crucial nesse campo e olhando para o futuro sem esquecer o passado, a comissão adotará uma abordagem múltipla para promover a proteção dos menores, que incluirá a educação para prevenir a exploração das crianças, os processos penais contra as ofensas aos menores, os deveres e responsabilidades civis e canônicas, o desenvolvimento das ‘melhores práticas’ que foram identificadas e desenvolvidas na sociedade como um todo”.

“Conscientizar as pessoas” é sinônimo de prevenção dos abusos sexuais, para que não se repitam no futuro. O Pe. Zollner, além desse princípio, lembrou que, geralmente, leva anos para que uma vítima chegue a denunciar os abusos. Por isso, acrescentou que, graças a medidas recentes, as denúncias diminuíram significativamente. “Essa é uma boa razão – concluiu – para seguir o caminho traçado por esta nova Pontifícia Comissão instituída pelo Papa Francisco no dia 22 de marco de 2014.”

Os membros da comissão se reuniram na presença do Santo Padre no dia 1º de maio passado para a sua primeira reunião. Na declaração emitida na conclusão do encontro, os membros da comissão escreveram: “Desejamos expressar a nossa profunda solidariedade a todas as vítimas que sofreram abusos sexuais quando crianças ou como adultos vulneráveis, e desejamos tornar público que, desde o início do nosso trabalho, adotamos o princípio de que o bem de uma criança ou de um adulto vulnerável é prioritário no momento em que seja tomada qualquer decisão (…) Respondendo às solicitações do Santo Padre, essas discussões foram dedicadas à natureza e aos objetivos da comissão e à ampliação do número dos membros, de modo a incluir pessoas de outras áreas geográficas e de outras áreas de competência”.

Nos estatutos, em conclusão, serão apresentadas propostas específicas “para enfatizar as formas para sensibilizar as pessoas sobre as trágicas consequências dos abusos sexuais e sobre as consequências devastadoras da falta de escuta, da falta de relatórios de suspeita de abusos e da falta de apoio às vítimas de abusos sexuais e às suas famílias“.

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“Há lobos dentro e fora da Cúria”, afirmavaticanista

Os defensores do papa Francisco dentro da Igreja ainda não apareceram. E mais: na Cúria Romana, ou seja, a partir dos prelados que trabalham no Vaticano, está ocorrendo uma difícil batalha entre o projeto reformista do pontífice argentino e seus opositores que, com uma resistência passiva e com a inércia, fazem com que as coisas não mudem. Esta é a tese que sustenta em seu último livro, “Francesco tra i lupi” (Francisco entre os lobos, Editora Laterza), um dos mais importantes vaticanistas da Itália, Marco Politi. Politi começou a trabalhar como jornalista vaticano em 1971, em dois grandes jornais da capital italiana: Il Messaggero e La Repubblica. Atualmente é colunista do jornal Il Fatto Quotidiano. “Francisco entre os lobos” é seu oitavo livro, todos relacionados com sua experiência vaticana.

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Na entrevista, Politi mencionou vários dos ásperos assuntos com os quais Francisco precisa lidar cotidianamente e a respeito dos problemas de segurança que pode enfrentar. No livro, cita declarações do juiz antimáfia da Calábria, Nicola Gratteri, que disse: “A máfia financeira foi perturbada em seus tráficos por um pontífice que rema contra o luxo, é coerente, é credível (…). Se os mafiosos pudessem lhe dar uma rasteira, acredito que não hesitariam (…). Não sei se a criminalidade organizada está em condições de fazer algo, mas certamente está refletindo sobre o assunto. Pode ser muito perigoso”.

A entrevista é de Elena Llorente

Eis a entrevista.

Quem são os “lobos” de seu livro?

Os lobos são os adversários do papa Francisco na Cúria e fora da Cúria, mas também no mundo econômico, sobretudo quando aponta seu dedo em nível global contra as injustiças da gestão da economia. Ele não é contra a economia de mercado, mas ataca a gestão dessa economia, sobretudo financeira. Todos aplaudem, mas ninguém dá um passo. Há uma forte resistência passiva ao Papa, no campo econômico, em razão das mudanças que está fazendo na estrutura econômica da Santa Sé, entre outros no IOR, o banco vaticano. Na Itália, há uma série de entrelaçamentos entre monsenhores e gente de negócios, inclusive ex-membros dos serviços secretos. Um caso foi o de monsenhor Scarano(hoje preso), que tentou carregar 20 milhões de euros ilegalmente da Suíça, em um avião. Quem pilotava o avião era um ex-membro dos serviços secretos.

No livro, você menciona as palavras do juiz Gratteri. Pensa que seria possível um atentado contra Francisco?

Francisco está tocando grandes interesses e o alerta de Gratteri é muito sério. O Papa não quer medidas de segurança especiais. Decidiu encomendar-se completamente à Providência. A gendarmaria vaticana está aterrorizada pelo fato de que beba, como se não fosse nada, de um recipiente que alguém do público lhe oferece durante suas audiências gerais.

Quem são os “lobos” em nível religioso?

Está em curso uma batalha muito séria entre o projeto reformista de Francisco e as oposições. Os opositores são diversos e na hierarquia eclesiástica, tanto em Roma como fora de Roma, não se manifestam abertamente. Esta oposição silenciosa se manifesta por meio de portais na Internet que são muito agressivos. Há muitos, de pequenos grupos católicos, que antes não eram importantes, mas que agora são nutridos pelos opositores. Há portais deste tipo na Itália, na Alemanha, na América Latina. Acusam o Papa de demagogia, de populismo, de diminuir o primado papal, de levar a uma “protestantização” da Igreja e de falar muito de pobreza.

Todos os opositores coincidem nas críticas?

Não. Por isso falo de oposições, no plural. Porque pode haver prelados que estão em favor de um ponto e contra outro. Por exemplo, pode haver prelados que dizem: “sim, vamos dar comunhão aos divorciados em segunda união”, mas que não aceitam que as mulheres cheguem a cargos de poder na Igreja. Ou pode haver outros que pensam que não se deve ser tão duro com os homossexuais, mas que se opõem claramente ao matrimônio homossexual. Entre os que votaram neste Papa, há alguns que dizem, sempre privadamente, que fala muito. Os que fazem estas críticas são, em sua maioria, prelados não europeus. As oposições também se manifestam por meio de uma resistência passiva e da inércia. Dizem “sim, sim”, mas depois não fazem nada. Estão somente observando. Alguns porque estão desorientados ou porque esperam as resoluções do comitê de cardeais assessores, conhecido como G8, para reagir, outros porque esperam que outros reajam antes. Há quem quer esperar as resoluções do Sínodo dos Bispos de outubro sobre a família.

Alguns também criticam o seu estilo, sua simplicidade…

Francisco é afetuoso, quer que o Papa seja ao mesmo tempo bispo e sacerdote. Também João Paulo II era afetuoso, mas ele era um imperador que ia até o povo, enquanto que Francisco se coloca no mesmo nível do povo. Quer humanizar a figura do Papa, quer que deixe de ter essa áurea de imperador romano. E nem todos veem isto com bons olhos. Na Cúria, às vezes, justificam, dizendo que é seu estilo latino-americano. Porém, apresentando-lhe deste modo, na realidade, querem diminuir suas novidades. Ou seja, querem dizer que se trata de uma coisa pessoal, não de uma mudança da Igreja.

Que importância teve, em todas estas mudanças, a experiência argentina de Francisco?

Acredito que o Papa foi marcado profundamente por sua experiência em Buenos Aires. Francisco é o único Papa da época moderna, em absoluto, que vem de uma metrópole. Ele não vem “do fim do mundo”. Ele vem de uma metrópole com mais de 15 milhões de habitantes, onde há de tudo: super-ricos que vivem como europeus, situações de pobreza ou de quase escravidão. Nenhum pontífice teve esta experiência. João Paulo II vinha de uma pequena cidade polaca; Ratzinger de uma pequena cidade da Baviera; João XXIII de um povoado do norte da Itália. Todos estes papas vinham do mundo católico. Francisco vem de uma realidade onde convivem culturas, religiões e etnias diferentes. E isso lhe dá uma abertura que outros papas não tiveram. É a primeira vez, por exemplo, que um pontífice leva consigo um muçulmano ao Muro das Lamentações em Israel…

Com um ano e meio de pontificado, os “lobos” podem acurralá-lo?

No Vaticano, há um núcleo duro, rígido, ao qual pertencem vários cardeais. Porém, o objetivo de Francisco é desenvolver uma estratégia inclusiva. Ele não quer criar o partido dos “bergoglianos”. No G8, por exemplo, estão todas as tendências, conservadores como o cardeal australiano George Pell, centristas como o alemão Reinhard Marx e reformistas como o hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga e o estadunidense Sean Patrick O’Malley. Francisco persegue uma estratégia inclusiva: é seu método como Papa.

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Presos da Casa de Detenção de Pedrinhas destruíram hoje dois pavilhões

   BARBAREDe há muito venho chamando a atenção das autoridades e dos mais diversos segmentos da sociedade civil organizada sobre os riscos iminentes de novas barbáries no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Hoje, os presos da Casa de Detenção destruíram dois pavilhões, sendo um deles reformado recentemente, depois de ter sido o local da barbárie de 10 mortes, muitas das quais com decapitação. O local, segundo intenção da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária, seria transformado em um centro de ressocialização.

                A Policia Militar, o GEOP e a Força Nacional observaram por sucessivas vezes o diretor da unidade,os riscos iminentes de problemas dentro da Casa de Detenção, principalmente pelos constantes jogos de bola à noite dentro de uma área da unidade prisional, onde havia a desconfiança de rolar drogas e bebidas alcóolicas e que se estendia muitas vezes até a madrugada. Como o diretor da Cadet é uma pessoa bem próxima do secretário, de pouco ou nada adiantaram as observações feitas e os jogos ganharam até mais intensidade, o que gerava forte tensão para o pessoal da vigilância, uma vez que se houver qualquer conflito, será um tanto difícil os plantonistas sufocarem, havendo a necessidade da presença do GEOP e da Policia Militar, por inúmeras vezes foi dito. A destruição dos pavilhões D e E, além dos prejuízos materiais vai criar outro problema para o recolhimento dos presos, o que dará origens a mais conflitos entre as facções.

               Por ocasião da gravação do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, o local do jogo de bola foi mostrado com a realização de cultos evangélicos, inclusive um pastor apareceu fazendo exorcismo, como tentativa de ratificação, que o local era de paz, tranquilidade e harmonia e quelá estava implantado um trabalho de ressocialização. O clima atualmente é muito tenso dentro da Cadet, uma vez que hoje foram usadas muitas bombas de efeito moral e disparos de armas de fogo.

Licitação Nacional para o Transporte Coletivo de São Luís

As greves dos transportes coletivos em nossa capital são decorrentes de articulações entre empresários e o sindicato da categoria, principalmente quanto o cerne do problema são os aumentos de tarifas. Os empresários têm a convicção plena de que um aumento no preço da passagem criará um problema sério para o prefeito, então forçam a barra para que o executivo municipal subsidie com muitos milhões de reais, além de diminuição de tributos e outros interesses. A prefeitura já cedeu em outras oportunidades e devido a atual resistência, empresários e o sindicato de motoristas e trocadores atropelam até mesmo a Justiça do Trabalho e impõem regras com a retirada total da frota de circulação e mostram-se indiferentes quanto as possibilidades de virem a sofrer sanções penais.

O prefeito Edivaldo Holanda, tem neste momento um meio eficaz para dar resposta aos empresários, abrindo o processo de licitação nacional para o transporte coletivo de nossa capital e consequentemente acabar com toda essa exploração e precariedade com que os proprietários de empresas tratam a população de São Luís. Em uma licitação, acredito que nenhuma dessas empresas instaladas em nossa capital terá condições de pelo menos se habilitar à disputa. Atualmente, elas vergonhosamente dividem a cidade por setores para atender os usuários, contando naturalmente com muitos interesses políticos, daí é que a população fica a mercê da boa vontade dos empresários, os quais impõem regras pela inexistência de competição. Diariamente vemos coletivos apresentando panes em ruas e avenidas da cidade e que acabam por ampliar os problemas no trânsito. Neste tempo de inverno em alguns ônibus, se o passageiro não tiver guarda-chuva correrásérios riscos de se molhar e nos chamados pregos dos coletivos sofrem até o surgimento de outro ônibus da mesma empresa para resgatá-los. São desrespeitos diários a cidadãos e cidadãs, que precisam de um transporte coletivo de qualidade, dentro de uma politica responsável de mobilidade urbana.