Câmara aprova Projeto de Lei de exigência de exame toxicológico para tirar CNH

Projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados exige teste antidrogas. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei, que torna obrigatório o exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A (motocicletas) e B (automóveis). A medida visa reforçar a segurança no trânsito, assegurando que novos condutores não estejam sob influência de substâncias psicoativas ao iniciar sua trajetória como motoristas. Até então, o exame toxicológico era exigido apenas para motoristas das categorias C, D e E, que conduzem veículos de carga e transporte coletivo. Com a nova legislação, a exigência se estende aos candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, mesmo que não atuem profissionalmente no transporte de passageiros ou cargas.

Os exames serão realizados pelo Detran. Caso a própria clínica queira oferecer o exame toxicológico, ele deverá ser feito “em ambiente físico próprio e segregado”. O custo do exame toxicológico varia entre R$110 e R$250, dependendo da região e do laboratório escolhido. Para candidatos de baixa renda, a nova legislação prevê que recursos provenientes de multas de trânsito sejam destinados ao financiamento da emissão da CNH, facilitando o acesso à habilitação.

Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto segue para sanção presidencial. Se sancionado, a exigência do exame toxicológico para a primeira habilitação nas categorias A e B entrará em vigor, representando uma mudança significativa no processo de obtenção da CNH no Brasil.

Diário do Poder

Com o avanço dos EUA e recesso no Congresso, o STF age rápido e marca julgamento do Marco Civil da Internet

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) criticou a retomada do julgamento do Marco Civil da Internet pelo Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para o dia 4 de junho. A análise da matéria havia sido suspensa em dezembro do ano passado, após pedido de vista do ministro André Mendonça.

Segundo o senador, a decisão ocorre justamente no período em que o Congresso estará com as atividades suspensas para a realização do 11º Fórum Parlamentar do Brics. Ele afirmou que a regulação das redes sociais seja uma atribuição exclusiva do Congresso Nacional. “Espero que o Congresso Nacional, tanto aqui o Senado quanto os deputados federais, se levantem, se posicionem e não deixem o STF legislar. Na semana que vem, o Congresso Nacional não vai funcionar por causa dos Brics. Essa boca que a gente tem aqui para defender a liberdade de expressão de vocês, estará fechada”, disse.

Cleitinho alegou que setores do Judiciário e do governo temem as redes sociais por ampliarem o acesso da população ao debate público. Ele ressaltou a importância dessas plataformas para a democracia e o exercício da cidadania. Segundo o senador, elas também funcionam como ferramentas de fiscalização e são um contraponto à manipulação da informação. “As redes sociais vieram para ficar mesmo. E vou ser contra essa questão da regulamentação das redes sociais, porque estou defendendo aqui a minha liberdade e a sua liberdade”, declarou.

O avanço da possibilidade de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes também deve ter influenciado o STF a agir justamente agora.

Jornal da Cidade Online

 

O País do Medo: A acusação contra Ives Gandra, o maior jurista vivo do Brasil

A esquerda transformou o Brasil no ‘País do Medo’. Essa constatação é feita com coragem e lucidez pelo articulista da Revista Veja, Fernando Schüler, filósofo, professor do Insper e cientista político, que há algum tempo vem falando dos desrespeitos a liberdade e a direitos fundamentais na República brasileira.

Eis o artigo:

 “O PAÍS DO MEDO

‘É um golpista’, diz, em síntese, a acusação contra o jurista Ives Gandra Martins. Na bizarrice em que se transformou o país, até isto é possível. Seu crime: uma interpretação da Constituição. Há coisa de trinta anos, Gandra, hoje com 90, acha que a Constituição dá às Forças Armadas um papel moderador em momentos de crise.

Discordo dessa visão, o que é irrelevante aqui.

Qualquer um pode interpretar as leis ou o texto bíblico do jeito que quiser. O que se deve é cumprir as leis. Concordar é outra história. Diria que boa parte do edifício republicano se encontra nesta distinção. Você assina o contrato político, defende sua visão, ganha ou perde e respeita a lei. O que não envolve nenhuma operação no seu cérebro, ajustando as suas ideias.

Alguém pode votar, porque o voto é obrigatório, mas argumentar que aquilo é um absurdo. Que deveria ser opcional. E pode viver bem em uma república defendendo que deveríamos voltar à monarquia. E por aí vai.

É duro ter que escrever coisas perfeitamente óbvias em qualquer democracia. Mas é o Brasil de hoje. O caso de Gandra Martins é apenas uma pequena ponta do iceberg. Os casos mais complicados são ‘sistêmicos’. Dizem respeito a garantias e princípios tradicionais de nossa democracia. Cito dois deles, devidamente dinamitados nestes tempos tristes.

Um deles é a imunidade parlamentar. Um deputado, Nikolas Ferreira, foi multado em 200 mil reais por usar peruca amarela na tribuna da Câmara. Outro, Marcel van Hattem, foi acionado por fazer uma denúncia contra um agente público, por abuso de autoridade. É evidente que os dois desagradaram a muita gente. E aqui vai a grande novidade: é exatamente para isso que existe a imunidade. Para que um parlamentar possa desagradar, errar nas palavras, no tom ou na sátira. E depois ser julgado pelos eleitores.

Outro princípio que estamos jogando pela janela diz algo muito simples: não cabe ao Poder Executivo funcionar como censor. Não importam as intenções. O roteiro é conhecido: começa com a urgência de proteger crianças e mulheres. Mas logo surge o rabicho: salvar a democracia, tirar do ar um documentário, punir o jornalista ou deputado que chamou o presidente disso ou daquilo. O Executivo é um poder político, expressa a visão de uma parte da sociedade. Perfeitamente legítimo para governar. Nunca para arbitrar sobre liberdades e direitos individuais.

Foi por isso que o Congresso pôs no Marco Civil da Internet a exigência de decisão judicial para responsabilizar redes sociais por este ou aquele conteúdo.

Nesta última semana, vimos a AGU ir ao STF demandar exatamente o fim deste princípio. Isso às vésperas de um ano eleitoral.

Seria inaceitável a um simpatizante de Lula que um governo de ‘direita’ fizesse isso; assim como é inaceitável a um simpatizante da direita que um governo Lula faça a mesma coisa.

A sociedade é diversa, e isto é bom. Mas é preciso um pouco de inteligência para manter este edifício complicado de pé.

Minha tese sobre tudo isso: de um país esperançoso com a liberdade, que dez anos atrás definia o fim da censura em biografias, nos tornamos um país ranzinza. País de um autoritarismo difuso, não apenas no plano do Estado, do STF, da elite política. Mas na base da sociedade.

Em um dia, vemos um grupo de advogados governistas querendo processar a deputada Bia Kicis por um discurso crítico ao STF; em outro, um grupo de estudantes de ‘direita’ expulsos a socos e pontapés do campus de sua própria universidade, a UFF.

A universidade é de todos, paga por contribuintes de todas as cores políticas. Mas o espaço institucional é capturado. Obedece à monocultura ideológica. Ela é a tradução tão brasileira do ‘você sabe com quem está falando?’, descrita pelo mestre Roberto DaMatta.

O topo do ranking da esquisitice nacional veio do Sul. A condenação da jornalista Rosane de Oliveira a multa de 600 mil reais por divulgar os valores recebidos por um grupo de juízes no Rio Grande do Sul.

Rosane é uma jornalista com mais de quarenta anos de profissão, divulgou dados corretos e que constavam nas páginas oficiais do Judiciário. A acusação é de que ela teria falado a verdade, mas de um jeito ‘sarcástico’.

Então estamos combinados: o Estado irá agora regular o tom usado pelo jornalismo. Imagino mesmo uma nova carreira: ‘analistas de tom’.

O jornalista faz a reportagem e manda para a central de regulação. Quem sabe uma máquina de IA cheque se está o.k., se não tem sarcasmo, se não tem politicamente incorreto, se ninguém importante é ofendido. Ou se a coisa toda não está ‘descontextualizada’. Parece brincadeira. Não é. É o Brasil de hoje. Tudo com nossa proverbial seletividade.

Na campanha eleitoral, matérias com informações reais foram censuradas pelo Estado, pois geravam ‘desordem informacional’.

Um filme foi censurado por uma ministra, que um dia disse ‘cala boca já morreu’, sem nem mesmo conhecer seu conteúdo. E ainda agora o governo mandou censurar um documentário sobre Maria da Penha por ‘distorcer’ fatos, segundo a visão do próprio governo.

Então sejamos claros: não se trata de um fato isolado. Nós nos tornamos um país algo doentio. É constrangedor, aos 37 anos da Constituição de 1988.

Há quem diga que tudo isso não passa de um amontoado de mesquinharias. Ou, como escutei de uma figura do poder em Brasília, tudo não passa de acidentes de percurso em uma democracia.

Discordo. Há uma lógica elementar. Se aqueles estudantes de ‘direita’ não podem se manifestar em uma universidade pública, porque levarão pancadas, então o recado está dado: quem pensar diferente que fique bem calado; se um jurista não pode dar a sua visão sobre a Constituição, pois pode levar um processo, o recado está dado: você, que não tem 90 anos e nem é consagrado, não se meta a besta de pensar com a própria cabeça; se um parlamentar não pode fazer uma crítica ou denúncia que acha que deva fazer no Congresso, está dado o recado: ‘deputados, tomem cuidado, escolham as palavras’, pois a imunidade não é para ‘quaisquer palavras’, como está dito na Constituição. E, finalmente, se uma jornalista foi multada por divulgar uma informação pública, e inconveniente para o poder, e é multada em 600 mil reais, o recado está mais do que dado: o melhor é andar na linha, sob pena de acabar sem conta bancária, com passaporte retido ou coisa pior, como tantos por aí.

O resultado disso tudo é claro: nós nos tornamos o país do medo. Não sei se esse era o plano de muita gente. Mas funcionou. Uma boa democracia depende em muitos sentidos do que os gregos chamavam de parrésia: a disposição de falar com franqueza, de peito aberto, mesmo que isso desagrade.

Isso no jornalismo, nas universidades, no Parlamento e na arena digital.

Alguma chance de mudarmos de rumo? Não sei. A tolerância é um tipo de cultura que se constrói ao longo de muito tempo, mas que pode se perder muito rapidamente.

É esse, no fundo, o dilema brasileiro. Não penso que aqueles que detêm o poder, que sentiram o seu gosto, terão alguma disposição para a renúncia. De modo que estamos com um problema, diria, bastante difícil de resolver.”

Jornal da Cidade Online

Alexandre de Moraes “não tem isenção nem capacidade” para ser ministro do STF, afirma desembargador

O desembargador aposentado Sebastião Coelho voltou a criticar duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que o magistrado “não tem isenção nem capacidade” para exercer a função na mais alta Corte do país.

Conhecido por suas posições firmes contra o STF, especialmente contra Moraes, Coelho anunciou que pretende disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. Seu objetivo declarado é atuar pelo impeachment de ministros que, segundo ele, “ferem o ordenamento jurídico”.

“Se o Senado abrir amanhã um processo de impeachment e retirar Alexandre de Moraes e mais alguns, minha missão estará cumprida. Vou ficar curtindo minha aposentadoria”, disse.

Coelho também criticou parlamentares que, segundo ele, se elegeram com bandeiras conservadoras, mas não têm mantido coerência com seus discursos de campanha.

“Infelizmente, temos visto pessoas que se elegeram com a bandeira de ‘Deus, pátria, família e liberdade’ e não cumprem. Isso é estelionato eleitoral”, afirmou.

Durante a entrevista, o desembargador aposentado demonstrou desapego a cargos públicos. Disse que poderia ter permanecido por mais nove anos na corregedoria do Tribunal Eleitoral, mas optou por se aposentar.

“Não estou atrás de cargo. Cargo por cargo, eu era desembargador”, declarou.

A filiação de Coelho ao partido Novo está marcada para o dia 10 de junho. Ele concorrerá ao Senado pelo Distrito Federal.

Jornal da Cidade Online

Paz …

                                                                                                                                                                                            *Carlos Nina 

 “La pace sia con tutti voi!” Com essas palavras o Papa Leão XIV saudou o público que lotava a Praça de São Pedro, no Vaticano, após sua eleição, dia 8 de maio de 2025. E enfatizou: “[…] gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra.”

Para a Doutrina Social da Igreja, extraída de suas encíclicas, a paz verdadeira só é possível onde há respeito integral à dignidade humana. Em Rerum Novarum (1891), Leão XIII denunciou a exploração dos trabalhadores e o empobrecimento das massas como causas de instabilidade e conflito. Para ele, a justiça social e o bem comum devem ser metas dos governantes.

João XXIII, em Pacem in Terris (1963), foi explícito: sem respeito aos direitos fundamentais — vida, trabalho, educação, participação política — não pode haver paz entre os povos. A paz decorre da justiça e exige instituições públicas que a promovam e não que a inviabilizem.

Paulo VI, em Populorum Progressio (1967), associou a paz ao desenvolvimento dos povos. “O desenvolvimento é o novo nome da paz”, escreveu, alertando que a miséria crônica alimenta conflitos, enquanto a solidariedade internacional constrói uma ordem mais justa. João Paulo II, em Sollicitudo Rei Socialis (1987), criticou as estruturas econômicas globais que geram exclusão. Para ele, a solidariedade entre indivíduos e nações é a resposta cristã à desigualdade.

Francisco, em Evangelii Gaudium (2013) e Laudato Si’ (2015), trata dos danos causados pelo sistema que coloca o lucro acima da pessoa.

São discursos que convergem num ponto: a paz e a dignidade humana são inconciliáveis com a ambição egoísta de líderes que, em vez de promoverem o bem comum, exploram os recursos públicos em benefício próprio.

Entretanto, desde quando os seres humanos começaram a dominar seus semelhantes, escravizando-os, explicitamente ou através de meios criativos, como os imaginados por Maquiavel e Montesquieu, a única paz duradoura tem sido a dos cemitérios, especialmente, se considerado o conceito básico da doutrina da Igreja: o respeito à dignidade humana. Existe, é verdade, em comunidades perdidas no tempo e resistentes em alguns espaços. Mas aí já não se trata de “todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra”, como quer Leão XIV.

Harari, no prólogo de seu novo livro, Nexus: Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial (2024), considera que “Nos últimos 100 mil anos, […] acumulamos um poder enorme. […]. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial.”

Dadas essas circunstâncias e as de um mundo pleno de guerras, dominado por psicopatas, penso que um dos desafios de Leão XIV será conciliar sua conduta não só com seu próprio discurso, mas com o de Leão XIII, que combate ideologias farsantes e trata de temas por elas usados para estimular conflitos.

*Carlos Nina é advogado e jornalista

 

Surge o nome de Weverton Rocha, como o primeiro senador envolvido no esquema da roubalheira do INSS

Parlamentares recebiam propina de entidades envolvidas no “roubo” aos aposentados do INSS, informação que está sendo investigada pela Polícia Federal. Cerca de 15 nomes estariam na lista, o que pode levar a investigações mais acentuadas, no caso de o fruto da roubalheira pode ter sido destinado para a campanha política de 2026.

A ‘propina’ também tinha como objetivo facilitar o acesso aos dados dos aposentados por meio de indicações de servidores no INSS e também para aliciar o comando do órgão.

A Polícia Federal acaba de intimar para oitiva o senador Weverton Rocha (PDT do Maranhão), que é aliado de primeira hora do ex-ministro Carlos Lupi. Pode ser ele o 1º parlamentar metido na vergonhosa falcatrua. A intimação do senador para oitiva causou um grande. O desespero é geral!

Jornal da Cidade Online

 

Lula recebe ofício direto da Casa Branca relacionado ação de Alexandre de Moraes contra a Rumble

O Ministério da Justiça confirmou nesta sexta-feira (30) o recebimento de um ofício do governo dos Estados Unidos relacionado à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, segundo a pasta, tem caráter exclusivamente informativo e não gerará desdobramentos oficiais por parte do governo brasileiro neste momento.

Conforme noticiado pelo The New York Times, o Departamento de Justiça americano criticou formalmente uma das ordens de Moraes — mais precisamente, aquela que determinava à plataforma Rumble o bloqueio de um usuário localizado nos Estados Unidos. O jornal também revelou que o Departamento de Estado está analisando medidas que poderiam restringir a concessão de vistos a autoridades estrangeiras acusadas de violar a liberdade de expressão.

Fontes do governo brasileiro indicam que o ofício americano não seguiu o trâmite usual via embaixada em Brasília. Em vez disso, foi enviado diretamente da Casa Branca ao Ministério da Justiça — um gesto considerado incomum no protocolo diplomático tradicional. Nos bastidores, o episódio é classificado como um exemplo do que estaria se consolidando como um “novo normal” nas relações diplomáticas durante o governo Donald Trump, marcado por comunicações diretas e menos convencionais.

Jornal da Cidade Online

Quanto vale um Deputado?


                                                                                      * José Sarney

Como reagir ao saber da notícia de que, em Mato Grosso, a Polícia Federal chegou ao fim de uma investigação para saber quem tinha assassinado o advogado Roberto Zampieri, que estava permanentemente lutando contra a corrupção na Justiça naquele Estado, e, quando concluiu o trabalho, o que a Polícia encontrou, para o estarrecimento de todos e vergonha para o País? Uma empresa estruturada com uma tabela de preços para a prática de crimes hediondos, chegando ao maior deles:  o homicídio.

Na tabela, os criminosos precificaram um deputado: vale cem mil reais. A revelação desses fatos nos levou à indignação, sentimento que chegou também a toda a sociedade. É, sem dúvida nenhuma, a perspectiva ou certeza de impunidade. Só esta hipótese pode explicar tanta ousadia. Não uso “coragem” porque esta é uma palavra que não pode ser aplicada para bandidos, para o mundo do crime.

Como os tempos mudaram! Nessa linha penso no Maranhão do século 19, quando o A Pacotilha, combativo jornal de S. Luís, publicava anúncios de um poeta oferecendo-se para fazer versos a preços módicos, colocando uma tabela de preços que eram proporcionais ao sentimento que o freguês tinha: versos de amor: 50 réis. Se fosse soneto, dobrava o preço para 100 réis. Quando o pedido era do marido enganado, que estava doente pelo amor perdido e desejava matar de inveja seu concorrente sedutor, o preço era maior que todos os outros, 200 réis. O poeta dizia que o aumento do preço era pela dificuldade que tinha de sentir essa desgraça. Naquele tempo dos réis, o dinheiro tinha um valor que não se pode comparar com o de hoje em dia.

Agora a política no Brasil está sendo levada pelo ódio e pelo ressentimento. Não acho que seja por programas de direita ou de esquerda. É mais um sentimento partidário e coletivo de dirigentes em busca de poder. E para isso o gosto de ganhar leva os ânimos a ficarem fora de controle.

Quando a política era colocada em torno de questões ideológicas, como no final do século 19, a discussão entre Rosa Luxemburgo, apelidada de “Rosa la Roja”, e Eduard Bernstein, sobre Reforma e Revolução, foi central para o movimento socialista. Muito depois Lenin impôs sua concepção leninista, invocando Clausewitz, o autor do livro Da Guerra (Vom Kriege), um clássico até hoje dissecado por estudiosos, afirmando que “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Lênin estendeu essa ideia de Clausewitz, dizendo que se deveria aplicar à política as “leis da guerra”.

Assim na política não se teria adversários, mas inimigos, pois ela seria uma luta de classes que se estabelecia nos partidos burgueses, formados de inimigos do povo, e assim adversários eram inimigos que deviam ser eliminados. Paradoxalmente, hoje Benjamin Netanyahu, alegando motivos religiosos, pratica o extermínio dos palestinos, o que provoca a revolta mundial porque não se entende como se pode fazer da fome arma de guerra, como ocorre em Gaza.

Lembro do nosso poeta Bandeira Tribuzzi: “Que tempos de viver-se! Quando a fome / é crime, crime o canto e a liberdade / falso lema de gritos e histerismos, / vai perdendo a beleza que criara / entre as patas e o cântico das balas / assassinas de peitos sem defesa / como lírios entregues ao delírio / das razões em razões da força estúpida.”

Mas no Brasil não existe nenhuma dessas hipóteses de guerra: há um anarcopopulismo que torna a atividade política uma bagunça, sem partidos e sem ideologias, o que faz com que os programas e as doutrinas desapareçam e haja somente os dirigentes voltados a pensar na vitória — e para ela vale-tudo. Mas tudo isso não é causa: é efeito de uma estrutura de sistema eleitoral impossível de continuar, baseado nas pessoas e com sistema de votação arcaico, que não existe em lugar nenhum do mundo, servido por um presidencialismo de composição. O sindicato do crime assim é uma manifestação de violência que não pode ser aceita. Esses matadores de agora não devem ser considerados senão como criminosos que são, e seus crimes devem ser investigados até o fim e punidos com rigor.

 Vai-se o tempo, e a minha terra com seu mercado de poesia cobrando preços irrisórios, com o poeta com sua empresa limitada e individual e seus sonetos de amor.  Ao contrário dessa firma ignominiosa de Mato Grosso, que é uma sociedade anônima com muitos sócios. Quero lembrar novamente versos do grande poeta maranhense Bandeira Tribuzzi, que diziam: “Que sonho raro / será mais puro e belo e mais profundo/do que esta viva máquina do mundo?”

É hora de acabarmos com o ódio e marchamos para uma convivência civilizada em que os nossos juízes, deputados e senadores, tão atacados, se entendam nas divergências e se unam no interesse público e melhorem o apoio do povo a seu trabalho. Cadeia para os bandidos e, aí sim, maldição a esses que mancham o Brasil.

*José Sarney – ex-presidente do Brasil

 

Maranhão recebeu mais de R$ 59 milhões para complemento do piso salarial da enfermagem em maio

Os valores complementares para o pagamento do piso da enfermagem referentes ao mês de maio já estão disponíveis para consulta. As quantias específicas podem ser verificadas na Portaria GM/MS Nº 7.000, de 27 de maio de 2025, publicada pelo Ministério da Saúde. O total a ser transferido chega a R$ 731.681.092,9, entre valores destinados a execução municipal e estadual. Os recursos são repassados todos os meses aos entes federados e devem ser utilizados para pagamento do piso de profissionais da categoria. O advogado especialista em direito médico, Josenir Teixeira, alerta que a aplicação desses valores deve ser fiscalizada para garantir que os recursos cheguem aos colaboradores.

“Os profissionais da enfermagem devem ficar atentos a acompanhar o repasse que os entes irão receber, para que os municípios efetivamente repassem os valores às suas empregadoras, para que, finalmente, as suas empregadoras paguem os valores dentro da folha de pagamento. Vamos ver se realmente esses valores repassados pela União serão suficientes para cumprir o que disse a lei”, avalia. 

Municípios como Londrina (PR) e Ananindeua (PA) receberão mais de R$ 2 milhões, cada. Para Campina Grande (PB) e São Luís (MA), a previsão é que sejam destinados mais de R$ 4 milhões. 

Região UF Valor Transferido para Estado Valor Transferido para Município Valor Transferido em maio – Total
Centro-Oeste DF 367.043,76 367.043,76
Centro-Oeste GO 5.181.796,50 11.284.871,99 16.466.668,49
Centro-Oeste MS 10.098.721,02 10.098.721,02
Centro-Oeste MT 2.034.980,88 9.429.105,49 11.464.086,37
Nordeste AL 768.484,96 15.471.693,73 16.240.178,69
Nordeste BA 24.363.087,66 53.372.470,64 77.735.558,30
Nordeste CE 39.191.342,74 39.191.342,74
Nordeste MA 14.805.404,32 44.376.675,81 59.182.080,13
Nordeste PB 27.250.838,82 27.250.838,82
Nordeste PE 28.328.752,31 31.976.875,98 60.305.628,29
Nordeste PI 16.423.508,05 16.423.508,05
Nordeste RN 3.961.497,88 17.330.710,34 21.292.208,22
Nordeste SE 5.923.793,86 5.923.793,86
Norte AC 2.448.339,61 1.126.248,94 3.574.588,55
Norte AM 9.449.163,44 12.246.075,40 21.695.238,84
Norte AP 4.295.015,15 4.295.015,15
Norte PA 7.198.997,72 35.816.748,47 43.015.746,19
Norte RO 5.811.141,40 5.811.141,40
Norte RR 990.043,08 990.043,08
Norte TO 4.862.084,32 6.580.428,91 11.442.513,23
Sudeste ES 9.194.184,23 7.467.436,16 16.661.620,39
Sudeste MG 103.819.669,36 103.819.669,36
Sudeste RJ 41.685.122,87 41.685.122,87
Sudeste SP 11.412.200,37 33.307.181,63 44.719.382,00
Sul PR 16.755.834,02 13.562.101,05 30.317.935,07
Sul RS 10.983.911,36 16.315.259,68 27.299.171,04
Sul SC 8.462.444,25 5.949.804,74 14.412.248,99

No geral, o maior valor foi destinado aos municípios de Minas Gerais, que partilham mais de R$ 103 milhões. Na sequência aparece a Bahia, com cerca de R$ 77 milhões, entre valores de execução estadual e municipal.  

Críticas ao pagamento do piso da enfermagem 

Durante audiência pública em maio, na Câmara dos Deputados, para debater acerca de descontos irregulares sobre o pagamento do piso da enfermagem, representantes da categoria afirmaram que empregadores têm utilizado várias formas para burlar a lei. A informação foi divulgada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). De acordo com a entidade, os profissionais também reclamaram da falta de reajuste salarial desde 2022 e pediram a regulamentação da jornada de trabalho.

O presidente do Cofen, Manoel Neri, afirmou que os empregadores pagam uma remuneração proporcional às horas trabalhadas, levando em conta uma decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou o pagamento do salário de R$ 4.750 somente para o enfermeiro que cumpre jornada de 44 horas semanais.

“Então o piso deixou de ser um piso mínimo de R$ 4.750 para enfermeiros, com aquelas proporcionalidades para auxiliares e técnicos, e passou a ser um piso máximo de R$ 4.325 no serviço público. Para aqueles que trabalham em jornadas de 30 horas ou de 20 horas, como no DF, o piso passou a ser um valor ainda menor”, criticou. Ainda segundo o Cofen, a legislação que institui o piso da enfermagem não especifica a jornada de trabalho dos profissionais.

Fonte: BRASIL 61

O consagrado jornalista Fernando Sousa foi chamado ao Reino da Gloria

Aos 92 anos, o jornalista Fernando Sousa nos deixou hoje, atendendo chamado ao Reino da Glória. Apesar do considerável período em que deixou o rádio e a televisão, o passamento dele causou um forte impacto não apenas nas categorias da comunicação, mas nos mais diversos segmentos sociais e de maneira bem contundente no esportivo, em que se consagrou pela seriedade, transparência e como poucos primava pela verdade e foi referência para os torcedores de todos os clubes do Maranhão.

Fernando Sousa era um profissional polivalente e soube ser apresentador, comentarista, redator, produtor e criador de comerciais na Rádio e TV Difusora, emissora na qual foi diretor por muitos anos. Na imprensa escrita ficou marcado pelos seus comentários em alguns jornais. Muito embora tenha sido bastante reconhecido, em inúmeras ocasiões esteve envolvido em conflitos, que fazem parte das categorias profissionais, mas nada que tivesse a ver com a verdade e a lisura do seu exercício profissional.

Quando eu morava no conjunto Radional, inúmeras estive com ele na casa do seu compadre e amigo, o jornalista José Gomes, referência de Fernando Sousa .de visitas, quase todos os domingos pela solidez da amizade de ambos com recíprocas verdadeiras.

Me tornei amigo de Fernando Sousa, nos 10 anos em que trabalhei como jornalista na Rádio e TV Difusora, pela convivência diária e muitas orientações que vinham dele, sempre com objetivo de contribuir para o melhor, o que gerou em minha pessoa, uma eterna gratidão, sentimento estendido a Mauro Bezerra, Mário Azzolini, José Branco, Florisvaldo Sousa, Antonio Roberto (Robertinho) e aos meus compadres Edy Garcia e José Gomes, sem no entretanto deixar de reconhecer outros grandes colegas.

O passamento do jornalista e comentarista esportivo Fernando Sousa, causou um profundo pesar em muita gente e bem forte naquelas que tiveram o privilégio de privar da sua amizade. Aqui expresso a minha solidariedade dolorosa aos amigos e de maneira bem acentuada aos filhos, netos e todos os demais parentes deste grande ser humano Fernando Sousa, hoje recebido no Reino da Glória. Paz e Bem!

Fonte: AFD