Aeronautas farão greve a partir do dia 29 por reajuste salarial

A categoria reivindica unicamente reajuste salarial que contemple a reposição das perdas inflacionárias nos últimos dois anos

Pilotos e comissários de voo entrarão em greve a partir da 0h do dia 29 próximo (segunda-feira), por tempo indeterminado, em todo o país, conforme decidido em assembleia realizada ontem (24). Em nota, o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) informou que a decisão pela paralisação é em consequência da “intransigência das companhias aéreas nas negociações da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”.

“Em respeito à sociedade e aos usuários do sistema de transporte aéreo, os aeronautas farão a paralisação de 50% dos tripulantes por dia, enquanto os outros 50% permanecerão em serviço. A categoria reivindica unicamente reajuste salarial que contemple a reposição das perdas inflacionárias nos últimos dois anos — INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor] do período de 1º de dezembro de 2019 a 30 de novembro de 2021”, disse nota do SNA.

Também em nota, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) afirmou que a greve foi incentivada pelo SNA que, segundo a entidade representante das empresas, estaria, “desde a primeira reunião de negociação para a convenção coletiva”, desconsiderando “contraproposta ou caminho alternativo para as pautas apresentadas pelas empresas”, além de insistir “na reposição integral da inflação dos últimos 24 meses, ignorando a convenção coletiva vigente e a realidade financeira do setor”.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas argumentou que, conforme informes publicados pelas empresas e matérias veiculadas na mídia, as finanças das companhias aéreas já se encontram em processo “acelerado” de recuperação, a ponto de projetar crescimento para o futuro próximo, “o que não condiz com a intransigência de impor achatamento salarial de toda uma categoria”.

Perdas salariais

Na avaliação da entidade que representa os aeronautas, a proposta apresentada pelas empresas está “muito aquém de recompor as perdas salariais, já rejeitada pela categoria”. Afirmou, ainda, que o sindicato patronal “negou a ultratividade da atual CCT”, não garantindo a manutenção das cláusulas atuais da convenção em caso de um novo acordo não ter sido fechado até a data-base (1º de dezembro).

“Desde o início da pandemia a categoria nunca parou de trabalhar, tendo enfrentado graves riscos de contaminação por covid-19, e deu sua contribuição no combate à doença transportando vacinas, insumos e equipamentos. Além disso, pilotos e comissários deram colaboração importante para a recuperação das empresas aéreas ao aceitar, de maneira correta, reduções salariais e remuneratórias que perduram até hoje”, argumenta o SNA.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, informou que os 50% de tripulantes que permanecerão em serviço não serão suficientes para garantir a prestação de serviços. “Vale destacar ainda que o envio de listas nominais de empregados que estariam ‘indisponíveis’ fere a liberdade individual de escolha de cada empregado, que pode decidir aderir ou não ao movimento”, acrescentou a entidade representante das empresas, ao defender que as categorias profissionais defendam seus interesses “por todos os meios legítimos, inclusive a greve, desde que esgotada a via negocial e observada a legalidade”. 

Fonte: Coluna do Claudio Humberto

 

Professores da rede municipal entram em greve e reivindicam reposição salarial de 32,15%

Professores da rede municipal da capital, decidiram entrar em greve para reivindicação de reposição salarial. A categoria registrou ontem no movimento que fizeram em frente a Prefeitura de São Luís, a defasagem dos seus salários em 32,15%, destacando também melhores condições de trabalho.

A greve iniciada ontem pode ter continuidade no dia de hoje. Eles esperam ter um encontro com o prefeito Eduardo Braide para uma discussão sobre a reivindicação da categoria. Observações importantes que fazem parte dos debates do movimento paredista, estão o forte assédio moral e o retorno presencial seguro das aulas nas unidades escolares.

A Secretaria Municipal de Educação é um dos sérios problemas enfrentados pela administração Eduardo Braide, uma vez que em menos de 11 meses de administração a pasta já está no terceiro titular. Pelo visto, os problemas existentes na Semed devem ser bem acentuados. A verdade é que há uma necessidade urgente para a resolução do problema, para que mais prejuízos não sejam causados a comunidade escolar infantil.

Fonte: AFD

Câmara aumenta pena para calúnia, difamação e injúria na violência doméstica

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira, 23, o projeto de lei 301/21, que aumenta a pena dos crimes de calúnia, difamação e injúria cometidos em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Atualmente, o Código Penal prevê penas de detenção de um mês a dois anos a depender do crime, e o projeto aumenta as penas aplicadas pelo juiz em um terço. A proposta será enviada ao Senado.

Já para o crime de ameaça, a pena atual de detenção de um a seis meses ou multa passa para detenção de seis meses a dois anos e multa quando ocorrer no contexto de violência contra a mulher.

O código caracteriza esse crime como aquele em que o agente ameaça alguém com palavras ou gestos, por escrito ou qualquer outro meio simbólico de lhe causar mal injusto e grave.

De autoria da deputada Celina Leão e do deputado Julio Cesar Ribeiro, o projeto também estabelece que esses crimes cometidos no contexto de violência contra a mulher não dependerão mais exclusivamente da queixa da ofendida, podendo o Ministério Público oferecer a denúncia.

Segundo o substitutivo aprovado, da deputada Tia Eron, também não será permitida a isenção da pena para os acusados que se retratarem antes da sentença condenatória nessa situação específica do contexto de violência contra a mulher.

Monitoração eletrônica

O projeto muda ainda o Código de Processo Penal para prever que o juiz determine ao agente preso em flagrante o uso de tornozeleira eletrônica, sem prejuízo de outras medidas cautelares, quando da audiência posterior à prisão em flagrante. Isso se o crime envolver a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Essa monitoração passa a ser ainda mais uma opção do juiz na aplicação de medidas cautelares previstas na Lei Maria da Penha, que trata especificamente de crimes dessa natureza.

Para Celina Leão, que é coordenadora da bancada feminina, o projeto aumenta penas para crimes que antecedem o feminicídio a fim de evitar penas alternativas.

“O uso da tornozeleira passa a constar do Código de Processo Penal para dar essa possibilidade ao juiz ao decretar medidas protetivas.”

Atualmente, na audiência, que deve ocorrer em 24 horas após a prisão, o juiz determina a soltura do preso se a prisão em flagrante for ilegal, converte a prisão em preventiva se outras medidas cautelares forem inadequadas ou concede liberdade provisória com ou sem fiança.

Afastamento imediato

Outra mudança na Lei Maria da Penha permitirá que o delegado de polícia providencie o afastamento imediato do agressor do lar da vítima se verificada a existência de risco atual ou iminente à vida dela ou à sua integridade física ou psicológica ou de seus dependentes. Atualmente, isso é possível apenas nas cidades onde não há um juiz. Prioridade na tramitação

Por fim, o substitutivo de Tia Eron concede prioridade de tramitação aos processos sobre crimes contra a mulher no âmbito doméstico e familiar. Essa prioridade existe apenas para os crimes hediondos.

Informações: Agência Câmara de Notícias.

A mentalidade da destruição através do marxismo cultural

A imensa maioria dos brasileiros consome marxismo cultural acreditando que está consumindo cultura. Isso precisa mudar. A mudança começa com o conhecimento da doença. Desse modo, aplica-se o remédio adequado.

Basicamente, marxismo cultural é o esforço comunista para convencer a sociedade de que a criminalidade esquerdista é algo bom. Esse esforço tem tido sucesso. Exemplo clássico desse sucesso é a existência dos amantes de Molusco. O remédio contra o marxismo cultural chama-se conservadorismo. As coisas são assim porque é do conservadorismo que provém a verdadeira cultura.

A verdadeira cultura é aquela que amplia, renova e fortalece o espírito humano, colocando as pessoas cada vez mais em ambientes seguros e produtivos. São relações e ambientes nos quais o bem germina e se desenvolve, e onde o mal é combatido.

É por isso que os esquerdistas lutam ferozmente, desonestamente e criminosamente contra o projeto conservador de libertação e crescimento do Brasil.

As criaturas do pântano precisam do lodo do atraso para se desenvolverem; e a mentalidade do atraso e da destruição é desenvolvida pelo marxismo cultural.

Marco Frenette. Jornalista e escritor.

 

Temendo onda da covid mais de 70 cidades do interior de SP cancelam o Carnaval de 2022

Prefeituras alegam o risco de nova onda da pandemia de Covid-19, respeito às vítimas doença e falta de recursos para bancar festa

Apesar do avanço da vacinação, ao menos 70 cidades do interior de São Paulo já cancelaram o Carnaval de 2022 motivadas pela pandemia de Covid-19. As prefeituras alegam o risco de um aumento nas infecções pelo vírus, por causa do fluxo de pessoas e aglomerações, e ainda o respeito às famílias que perderam entes queridos.

Há casos também de prefeituras sem recursos para bancar a festa, por terem investido no controle da doença. Estâncias climáticas – como Caconde, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí – estão na lista dos que não preveem a festa.

Na estância climática de Caconde, conhecida por um carnaval repleto de fantasias luxuosas, a prefeitura anunciou a suspensão da folia em 2022. Em nota, o município informou ter cancelado a festa diante das manifestações contrárias ao evento.

“A saúde da população é prioridade e a vacinação é o caminho. Sinto que, em 2022, ainda não seja o momento de realizarmos o carnaval. Esse momento é de cautela para que, em 2023, tenhamos de volta o saudoso e tradicional carnaval de Caconde”, disse o prefeito João Filipe (PSDB).

A prefeitura de São Bento do Sapucaí, outra estância climática, também optou pela não realização do famoso carnaval “Tem Folia na Montanha” no próximo ano. Conforme a prefeitura, a decisão foi tomada em conjunto com os demais municípios da região, “levando em consideração que esses eventos possuem grande fluxo de munícipes e turistas, o que impossibilita de promover controle de público e dos protocolos sanitários”, disse, em nota. “Além disso, há de se considerar o risco de uma nova onda de contágio”, acrescentou.

Estância climática encravada na Serra da Mantiqueira, Santo Antônio do Pinhal já definiu que não fará o carnaval tradicional em 2022. A prefeitura estuda realizar uma folia fora de época, quando a pandemia estiver bastante arrefecida. “Como outras cidades também propuseram, podemos fazer um carnaval fora de época, talvez no segundo semestre”, disse o prefeito Anderson Mendonça (PSDB).

Em algumas regiões do interior, como na de Jundiaí, as decisões foram conjuntas, envolvendo todas as cidades do polo regional. Isso aconteceu também no Vale do Paraíba, onde 13 cidades decidiram suspender a festa, entre elas a turística Cunha e a litorânea Ubatuba. Na região de Franca, 26 municípios tomaram a decisão de evitar a folia.

Outros municípios alegaram, além da pandemia, a situação financeira. Em Sorocaba, a prefeitura comunicou as escolas de samba de que não disponibilizaria recursos públicos para a festa. A Associação Cultural do Samba, no entanto, foi autorizada a fazer um Carnaval paralelo, com recursos da iniciativa privada.

A prefeitura de Ribeirão Preto informou que não vai patrocinar ações para o Carnaval, mas incentiva os agentes culturais da cidade a realizarem festas relacionadas ao evento. Já a prefeitura de Potirendaba disse que, diante da situação financeira do município, as prioridades são saúde e educação.

Fonte: R7

 

Alcolumbre confirma sabatina de André Mendonça para a próxima semana

O presidente da CCJ do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou nesta quarta-feira, 24, que a sabatina de André Mendonça para o cargo de ministro do STF deve ocorrer na próxima semana, entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro. Bolsonaro indicou o “terrivelmente evangélico” André Mendonça para o cargo de ministro em julho deste ano, após aposentadoria de Marco Aurélio de Melo. Porém, até o momento, a sabatina não tem data definida.

Segundo o colunista de O Globo Lauro Jardim, Rodrigo Pacheco teria dito ontem a interlocutores que deseja que a sabatina ocorra na próxima terça-feira, dia 30.

Demora

A indicação foi publicada no DOU de 13 de julho e protocolada no Senado em 3 de agosto. O documento chegou formalmente na CCJ no dia 19 de agosto. Desde então, há quase 100 dias, está parado na mesa de Alcolumbre.

Diante da demora, senadores acionaram o STF e houve o pedido de esclarecimentos por parte do relator Lewandowski.

Em resposta, o presidente da CCJ afirmou que não há prazo definido, na CF ou no regimento interno do Senado, para a análise das indicações ao STF.

Disse ainda que “a indicação e a aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal envolvem a construção de consensos entre os atores políticos envolvidos para viabilizar os candidatos em potencial e os indicados formalmente”.

Agora vai?

Agora, foi anunciado que a sabatina deve ocorrer na semana que vem, quando a Casa inicia uma semana de votações de autoridades que dependem de aprovação dos senadores por meio de voto presencial e secreto. Alcolumbre deve conversar com os colegas para decidir quem será o relator da indicação.

Fonte: Migalhas

Revogação da PEC da Bengala é aprovada na CCJ da Câmara

PEC aprovada busca reduzir idade de aposentadoria de ministros de 75 para 70 anos, o que obrigaria Weber e Lewandowski a se afastarem do STF

A CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (23), por 35 votos a 24, a Proposta de Emenda à Constituição 159/19, que revoga a chamada PEC da Bengala. O texto aprovado busca reduzir a idade da aposentadoria obrigatória dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), dos tribunais superiores e do TCU (Tribunal de Contas de União), de 75 para 70 anos.

Com a aprovação na CCJ, o texto segue para uma comissão especial da Casa e, em seguida, vai ao plenário. Na prática, a PEC aprovada obriga a aposentadoria de Rosa Weber e Ricardo Lewandowski, ministros do STF que têm 73 anos. Esse impacto da proposta no Supremo causou polêmicas na Câmara, pois, com esse afastamento, o presidente da República, Jair Bolsonaro, poderia indicar dois novos ministros ao STF.

Em 2015, o Congresso Nacional publicou, no Diário Oficial da União, a Emenda Constitucional nº 88, resultado da chamada PEC da Bengala, texto que aumentou a idade-limite para aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos. Também houve grande discussão política, já que a então presidente Dilma Rousseff perdeu a possibilidade de indicar cinco ministros ao Supremo nos anos de mandato.

A autora da proposta aprovada hoje na CCJ, a presidente da comissão e deputada Bia Kicis (PSL-DF), alega interesse da sociedade e dos magistrados com a nova mudança proposta. Segundo ela, o aumento para 75 anos causou uma “falta de oxigenação nas carreiras jurídicas, nas carreiras do Ministério Público”.

A deputada Chris Tonietto (PSL-RJ) já havia apresentado, na última terça-feira (16), parecer pela admissibilidade do texto. Naquela sessão, no entanto, os deputados pediram vista e adiaram a votação. Hoje, também houve uma tentativa da oposição de retirar a pauta das discussões da CCJ, mas o requerimento foi rejeitado por 34 votos a 11.

Fonte: R7 

 

Ministro do Turismo dá “lição” e esculacha Flávio Dino

Flávio Dino inaugurou o aeroporto de Barreirinhas com pomposa festa e deu a entender que a obra foi realizada com recursos do tesouro estadual.

Pego na mentira, o governador do Maranhão foi esculachado pelo nordestino Gilson Machado, ministro do Turismo de Bolsonaro por omitir a participação do governo federal na liberação de recursos para a construção da obra.

Para muitos críticos, surpresa seria uma atitude séria e de respeito do governador do Maranhão, principalmente que ele vive uma neurose acentuada em ser parceiro de chapa de Lula, caso este seja candidato à presidência da república, embora já tenha sido descartado pelo PT, quando a uma mínima possibilidade.

O seu grande mote é agredir o presidente, ultrapassando todos os limites das críticas e aposta em sua troca de partido, abdicando do comunismo do PCdoB pelo PSB, para continuar perseguindo um sonho, já sepultado pelo PT.

Jornal da Cidade Online

Para a OMS o Carnaval no Brasil preocupa e põe em risco o controle da pandemia no país

O mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do novo coronavírus. A avaliação é da diretora-geral-adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS (Organização Mundial da Saúde), a brasileira Mariângela Simão. Ela abordou a situação da pandemia em conferência na abertura do Congresso Brasileiro de Epidemiologia. “Estamos vendo a ressurgência de casos de Covid-19 na Europa. Tivemos nas últimas 24 horas mais de 440 mil novos casos confirmados. E isso porque há subnotificação em vários continentes. O mundo está entrando em uma quarta onda, mas as regiões têm tido um comportamento diferente em relação à pandemia”, declarou Mariângela Simão.

Segundo ela, o vírus continua evoluindo com variantes mais transmissíveis. Mas em razão da vacinação houve uma dissociação entre casos e mortes, pelo fato de a vacinação ter reduzido os óbitos decorrentes da Covid-19. Ela lembrou que a imunização reduz as hospitalizações, mas não interrompe a transmissão. Ainda de acordo com Mariângela, os novos picos na Europa se devem à abertura e flexibilização das medidas de distanciamento no verão e ao uso inconsistente de medidas de prevenção em países e regiões.

“O aumento da cobertura vacinal não influencia na higiene pessoal, mas tem associação com a diminuição do uso de máscara e o distanciamento social. Além disso, há desinformação, mensagens contraditórias que são responsáveis por matar pessoas”, afirmou a diretora-geral-adjunta da OMS.

Um problema grave, acrescentou, é a desigualdade no acesso às vacinas no mundo. “Foram aplicados mais de 7,5 bilhões de doses. Em países de baixa renda, há menos de 5% de pessoas com pelo menos uma dose. Um dos fatores foi o fato de os produtores terem feito acordos bilaterais com países de alta renda e não estarem privilegiando vacinas para países de baixa renda”, analisou.

Outro obstáculo é o número pequeno de países que dominam tecnologias utilizadas para a produção de vacinas, como o emprego do RNA mensageiro, caso do imunizante da Pfizer-BioNTech.

Mariângela Simão diz que o futuro da pandemia depende de uma série de fatores. O primeiro é a imunidade populacional, resultante da vacinação e da imunização natural. O segundo é o acesso a medicamentos. O terceiro é saber como vão se comportar as variantes e quão transmissíveis elas serão. O quarto é a adoção de medidas sociais de saúde pública e a aderência da população a essas políticas. “Onde medidas de saúde pública são usadas de forma inconsistente, os surtos continuarão a ocorrer em populações suscetíveis”, afirmou.

A diretora da OMS defendeu a tese de que, além das medidas de prevenção, é preciso assegurar a equidade no acesso a vacinas, terapias e testagens. “É vacinas, mas não somente vacinas”, resumiu.

Américas e Brasil

Ao avaliar a situação das Américas e do Brasil, Mariângela Simão afirmou que as Américas vêm tendo um comportamento de transmissão comunitária continuada, com ondas repetidas. Quanto ao Brasil, ela afirma que o programa de vacinação está andando bem. Mas, com base na situação na Europa, se mostrou receosa com o futuro da pandemia no país em razão das discussões em curso sobre o Carnaval.

“Me preocupa quando vejo no Brasil a discussão sobre o Carnaval. É uma condição extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022”, alertou.

Fonte: R7

 

Carta dos Akroá-Gamella denuncia covardia, violência e prisões arbitrárias pela PM do Maranhão

Em Carta, os indígenas denunciam as prisões arbitrárias de 16 indígenas e defendem o direito constitucional de defesa ao seu Território Ancestral. 

Na manhã da última quinta-feira (18/11), dezesseis indígenas do Povo Akroá-Gamella foram presos arbitrariamente pela Polícia Militar do Maranhão, após impedir o seguimento de obra irregular dentro da TI Taquaritiua, em Viana-MA. A obra realizada pela companhia energética Equatorial Energia, pretendia instalar linhas de transmissão dentro do território indígena, na área da aldeia Cajueiro. A liberação da obra foi concedida de maneira irregular pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA.

Na ocasião das prisões, o grupo de 13 homens e 3 mulheres permaneceram detidos nas delegacias de Viana e Vitória do Mearim durante toda a quinta-feira. Oito deles foram liberados na madrugada do dia seguinte, os demais passaram por audiência de custódia na sexta-feira, conseguiram liberação da juíza responsável, mas receberam os Alvarás de Soltura somente no dia seguinte, sábado (20/11) às 15 horas.

Os indígenas Akroá-Gamella reforçam na Carta o direito à defesa de seu território ancestral “Seguiremos lutando para que o Estado Brasileiro cumpra o dever constitucional de demarcar e proteger as Terras Indígenas, bem como garanta a realização de Consulta Livre, Prévia e Informada. Até lá seguiremos semeando ternura onde botas e armas tentam implantar dor e luto e assim o fizemos: depois do abraço aos indígenas que retornaram, vários de nós, solidariamente, decidimos também raspar as cabeças para denunciar a infâmia racista que pretendeu nos estigmatizar.”

Confira o documento completo: 

CARTA DO POVO AKROÁ GAMELLA

Inicialmente agradecemos a todas as manifestações de solidariedade expressadas ao nosso Povo nesses dias de gravíssimas violações ao nosso Direito de Existir em nosso território.

No dia 18 de novembro, como em outras ocasiões, exercemos o direito constitucional de defender o nosso Território Ancestral das ameaças e ataques de invasores, pois sem Território protegido não é possível efetivação do Direito Sagrado à Existência. Apesar de a Justiça Federal ter suspendido as obras de construção da linha de transmissão de energia justamente para que houvesse o cumprimento das formalidades devidas para empreendimento em terra indígena – como o licenciamento por órgão competente devidamente precedido de consulta ao nosso povo, o que até o momento não foi cumprido – a empresa Equatorial continua invadindo nosso Território.

Naquele dia 18, no final da manhã, dois homens armados de pistolas que não se identificaram entraram no território para nos intimidar e assegurar o desmatamento de nossos espaços sagrados para a implantação de torres da empresa de energia Equatorial. Diante dessa gravíssima ameaça e para proteger a integridade física do nosso povo, os indígenas que ali se encontraram exigiram que as armas e munições fossem colocadas no chão.

Retiramos as armas do local para evitar atos de violência por parte dos que invadiram nosso território. Em nenhum momento, fizemos uso daquelas armas contra os que queriam nos ameaçar. Em nenhum momento quisemos ficar com aqueles instrumentos de morte, queríamos entregar as armas de fogo para a Polícia Federal, autoridade policial competente para tanto. Porém, dadas as tensões e novas violações que sofremos e seguiram durante a tarde da quinta-feira, fizemos chegar as armas de fogo em segurança às mãos do Delegado de Polícia Civil de Viana.

Após a retirada das armas de fogo do local, o funcionário da Equatorial Energia que chegou ao local em que fomos ameaçados informou aos indígenas que os homens armados seriam prestadores de serviço na área de segurança à empresa. Contudo, nenhum deles estava devidamente uniformizado e identificado, conforme determinam as exigências legais para seguranças privados armados, demonstrando que sua presença ali foi, a todo tempo, ilícita. Com o encerramento da conversa com o funcionário, os indígenas lá presentes retornaram às suas aldeias.

No início da tarde do dia 18/11, um grande contingente da Polícia Militar invadiu a aldeia Cajueiro e passou a efetuar prisões de indígenas em suas casas e na estrada. Além disso, nossas casas foram invadidas e bens apreendidos arbitrariamente.

Apesar de termos sido vítimas de uma violência sucessiva, foram detidos e colocados em camburões 16 indígenas, sendo 13 homens – um deles menor de idade – e 3 mulheres Akroá-Gamella. Em nenhum momento houve resistência às prisões, tornando

injustificável o uso da força, a presença de armas letais, as ameaças que sofremos, o uso de bombas de gás, spray de pimenta, que atingiram crianças, mulheres e idosos.

Os indígenas do nosso povo que foram detidos ainda tiveram que suportar a humilhação e o constrangimento de serem expostos em posto de combustível à margem da rodovia MA 014, numa estranha parada de mais de uma hora das viaturas da PM no trajeto entre a aldeia e a Delegacia de Polícia Civil de Viana.

Posteriormente, nossas parentas e nossos parentes foram conduzidos da Delegacia de Polícia da cidade de Viana até a de Vitória do Mearim algemados em camburões superlotados, tiveram suas cabeças raspadas e suportaram todo tipo de racismo pela PM, nas delegacias e na unidade prisional. Essas ações somadas às palavras deixam feridas nos nossos corpos e alma e marcarão para sempre nossa trajetória de vida.

Durante a madrugada do dia 19/11, foram libertados oito indígenas, permanecendo os demais detidos. Na noite seguinte, ao final da audiência de custódia, nossos oitos irmãos ainda custodiados foram libertados pela Justiça. Porém, os alvarás de solturas expedido às 21h do dia 19.11, somente foram cumpridos às 15h30 do dia seguinte, depois de uma demora sofrida.

Seguiremos lutando para que o Estado Brasileiro cumpra o dever constitucional de demarcar e proteger as Terras Indígenas, bem como garanta a realização de Consulta Livre, Prévia e Informada. Até lá seguiremos semeando ternura onde botas e armas tentam implantar dor e luto, e assim o fizemos: depois do abraço aos indígenas que retornaram, vários de nós, solidariamente, decidimos também raspar as cabeças para denunciar a infâmia racista que pretendeu nos estigmatizar. Outros irão além do corte, doarão o cabelo ao Hospital Aldenora Belo num gesto de solidariedade aos que também lutam pela vida.

Povo Akroá Gamella – Território Taquaritiua, às margens do Rio Grande – Morada de Encantados Novembro de 2021

CPT Nacional