‘Tirar a independência do MP é desproteger a sociedade’, diz Sérgio Moro

Ex-ministro da Justiça fez duras críticas à PEC que muda a composição do Conselho Nacional do Ministério Público. Sérgio Moro: “O Brasil precisa de um Ministério Público forte e independente”

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro criticou, nesta segunda-feira (18), a PEC que altera a composição do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Em vídeo publicado nas redes sociais, Moro argumenta que o promotor precisa de independência para fazer seu trabalho com autonomia, sem medo de sofrer retaliações.

“Tem uma proposta na Câmara dos Deputados que, se for aprovada, vai permitir que políticos interfiram no trabalho do Ministério Público, ou seja, na atividade daquele promotor”, afirmou. “Você acha que o promotor vai ter condições de realizar seu trabalho sem medo de sofrer retaliações ou punições, quando ele, por exemplo, investigar uma pessoa poderosa que tenha influência política?”, questionou o ex-juiz.

Segundo Moro, tirar a independência do Ministério Público é desproteger a sociedade. “É deixar as vítimas daqueles crimes vulneráveis”, sentenciou. Moro pediu aos seus seguidores que pressionem os deputados contra a proposta. “Fale com seu deputado. Peça para ele votar contra essa proposta. O Brasil precisa de um Ministério Público forte e independente”, concluiu.

Portal Correio

 

Governo pode garantir auxílios combinados de R$ 400 até o fim de 2022

Ideia em estudo é, além de turbinar o Bolsa Família, prorrogar o auxílio emergencial até o final do ano que vem

O governo federal pode anunciar em breve o pagamento de R$ 400 por mês até o fim de 2022 em forma de dois auxílios combinados: Bolsa Família e prorrogação do auxílio emergencial da pandemia.

O valor é mais próximo do prometido pelo presidente da República com o Auxílio Brasil, evolução do Bolsa Família, mas menor que o pretendido por alguns ministros da área política do governo.

A discussão envolve a reposição da inflação, que afeta mais a população carente e gira em torno de 10% atualmente, e trata-se de uma tentativa de ganhar popularidade em regiões com voto tradicionalmente na esquerda.

Os grandes entraves, entretanto, estão no âmbito legal da iniciativa, que precisaria passar pelo Congresso para não se submeter ao teto de gastos e no lógico.

Afinal, o Brasil vive redução drástica de casos e mortes há meses graças à vacinação e a reabertura total está cada vez mais próxima, o que inviabilizaria o discurso da prorrogação do gasto emergencial no ano que vem.

Coluna do Claudio Humberto

 

A fome chega ao caminhão do lixo

Circula nas redes sociais um vídeo que mostra várias pessoas em um bairro nobre de Fortaleza, procurando comida em um caminhão de lixo. As imagens viralizaram nas redes sociais, onde foi originalmente postado por um usuário. Elas chegaram a pedir ao motorista do veículo que demorasse um pouco parado e a colaboração dos que fazem a coleta. Foi uma cena chocante e uma demonstração de que a fome é muito séria. Pesquisas revelam que 41% dos brasileiros estão passando fome e no Maranhão ela atinge mais de 60% com a extrema pobreza de fome e miséria

A cena registrada em um bairro nobre de Fortaleza, no Ceará, pode ser vista em circunstâncias diversas em inúmeros outros estados e municípios. Cerca de 8 pessoas procuram no caminhão parado na via, enquanto garis organizam o lixo a ser despejado na caçamba. A realidade de Fortaleza não é diferente de vários estados e municípios brasileiros, em que os governadores estão com cofres abarrotados, muitos dos quais com recursos destinados para a covid-19 e indiferentes às necessidades de subsistência do povo. Aqui em São Luís, além das disputas nos conhecidos lixeiros, nas feiras, mercados e Ceasa se tornou bem visível o número cada vez maior de famílias com filhos pequenos ajuntando e   pedindo alimentos. Muitos chegam a dizer que não estão pedindo dinheiro, apenas comida para matar a fome.

Fonte: AFD

 

TCE pode multar 51 câmaras municipais por falta de informação sobre estrutura e funcionamento

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), por meio de sua Secretaria de Fiscalização, já abriu os procedimentos relativos à aplicação de penalidades às 51 câmaras municipais que não responderam ao questionário aplicado pelo órgão sobre a estrutura e funcionamento dos legislativos municipais.

São eles: Água Doce do Maranhão, Amapá do Maranhão, Bacuri, Barão de Grajaú, Belágua, Bequimão, Bernardo do Mearim, Bom Jardim, Buriti, Buritirana, Cachoeira Grande, Cajapió, Cajari, Centro Novo do Maranhão, Formosa da Serra Negra, Governador Edison Lobão, Guimarães, Jatobá, Lagoa Grande do Maranhão, Lajeado Novo, Luís Domingues, Magalhães de Almeida, Marajá do Sena, Matinha, Matões do Norte, Milagres do Maranhão, Mirador, Nova Iorque, Olho d’Água das Cunhãs, Olinda Nova do Maranhão, Passagem Franca, Peritoró, Poção de Pedras, Presidente Médici, Primeira Cruz, Santa Quitéria do Maranhão, São Benedito do Rio Preto, São Bernardo, São Domingos do Maranhão, São João Batista, São João dos Patos, São Raimundo das Mangabeiras, São Roberto, Satubinha, Senador La Rocque, Sítio Novo, Sucupira do Norte, Timon, Turiaçu, Tutóia e Vargem Grande.

A corte de contas encerrou, no final do mês passado, a primeira etapa do levantamento, passando agora à etapa de análise dos dados e consolidação do relatório final. O objetivo é conhecer as comissões existentes nas câmaras, assim como sua atuação no planejamento do município.

Além das que estão inadimplentes com o questionário, 21 câmaras respondentes deixaram de encaminhar as planilhas com os dados cadastrais dos vereadores: Alto Alegre do Maranhão, Bacurituba, Barreirinhas, Benedito Leite, Cândido Mendes, Carutapera, Central do Maranhão, Estreito Godofredo Viana, Imperatriz, Jenipapo dos Vieiras, Lima Campos, Miranda do Norte, Mirinzal, Pastos Bons, Pinheiro, Santa Rita, São Raimundo do Doca Bezerra, Sucupira do Riachão, Urbano Santos e Vitória do Mearim.

Uma vez que é obrigatório o fornecimento das informações ao TCE, os responsáveis pelas câmaras inadimplentes ficam sujeitos à aplicação de sanções administrativas previstas em lei e ao pagamento de multa de R$ 2 mil.

O levantamento ainda está em análise, no entanto, chamou atenção o fato de que, dos 166 respondentes, 128 afirmaram regulamentar os prazos do processo orçamentário em suas leis orgânicas, e apenas 74 informaram possuir comissão mista de orçamento. Quanto à participação popular, 116 câmaras informaram realizar audiências públicas e 95 informaram realizar levantamento das necessidades da população para subsidiar a apreciação e aprovação das peças orçamentárias.

Depois de concluída, a análise do questionário passará por um procedimento de validação. Os resultados obtidos no levantamento subsidiarão as ações do TCE-MA em relação a normativos, orientações e capacitações destinadas às câmaras municipais.

Considerando o cronograma para encerramento da ação, as câmaras inadimplentes poderão regularizar sua situação até a próxima sexta-feira (22/10). Ao término desse prazo, serão autuados os processos de multa, conforme determina a IN TCE/MA nº 69/21.

ASCOM TCE-MA

 

MPF move ação contra mineradora Aurizona e o governo do Maranhão por rompimento de barragem em Godofredo Viana

Foram pedidas a reparação dos danos ambientais e o pagamento de indenização para as famílias atingidas pelo desastre.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública na Justiça Federal, com pedido de liminar, contra a empresa Mineração Aurizona S/A, por danos ambientais, e o Estado do Maranhão, por omissão na fiscalização das estruturas da mineradora. As irregularidades teriam provocado degradação ambiental e prejuízos à população da comunidade de Aurizona, em Godofredo Viana (MA), após o rompimento, no dia 25 de março, da lagoa do Pirocaua, que era utilizada como barragem pelo empreendimento.

Entre os pedidos da ação, o MPF requer que a empresa seja obrigada a reparar os danos ambientais, realizar obras para evitar novos desastres e a pagar multa e indenizações às famílias atingidas. Além disso, que o Estado do Maranhão realize fiscalizações periódicas para verificar a segurança das estruturas.

 Entenda o caso – Um laudo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) estimou que, por ocasião de intensas chuvas, um volume de 136 mil metros cúbicos de água rompeu um dos lados da lagoa do Pirocaua e extravasou, juntamente com grande quantidade de resíduos sólidos, lama e vegetação. O imenso volume de detritos atingiu outras lagoas conhecidas como “Juiz de Fora” e “Lago do Cachimbo”, que servem para o abastecimento de água potável, recreação e pesca pela comunidade local, degradando uma extensão de 30 mil metros quadrados de vegetação nativa ciliar. O MPF foi comunicado do fato pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos, que apontou, ainda, possíveis riscos iminentes à Reserva Extrativista RESEX Arapiranga, bem como à contaminação do Rio Tromaí.

De acordo com a ação, a estrutura da lagoa do Pirocaua estava sendo utilizada como reservatório de água pela mineradora, que é subsidiária da empresa canadense Equinox Gold, em sua atividade de extração e beneficiamento de ouro. No entanto, a Mineração Aurizona omitiu o registro do equipamento como barragem e não o submeteu às regras da Política Nacional de Segurança de Barragens, o que impossibilitou que fossem adotadas as medidas necessárias para impedir o desastre. Aliado a isso, constatou-se a omissão do poder público estadual, pois a Sema havia concedido ao empreendimento a outorga do Direito de Uso de Águas da lagoa para a finalidade de aproveitamento industrial, mas não caracterizou a verdadeira natureza da estrutura.

Após o rompimento da barragem, um laudo emitido pela Sema constatou que as estruturas para o armazenamento de águas e rejeitos de mineração não foram mantidas em condições de segurança e aplicou multa de R$ 10 milhões de reais pelas irregularidades e danos ambientais. A responsabilidade da Mineração Aurizona também foi apontada por um relatório de fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A empresa alegou que teriam ocorrido chuvas fortes e atípicas na data do extravasamento, mas a Sema afirmou que o volume pluviométrico estava dentro do esperado para o período, o que foi confirmado pelo laboratório do Núcleo de Geociências da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Além disso, o MPF afirma que a intensidade das chuvas é irrelevante para a definição da responsabilidade da empresa, pois o rompimento ocorreu em estrutura utilizada para suas atividades de mineração.

 Pedido de liminar – O MPF requer que, no prazo de 60 dias, a Mineração Aurizona apresente à Sema e à AMN os Planos de Segurança de Barragem (PSA) e de Ação de Emergência (PBA), relativos à Lagoa do Pirocaua e demais componentes do empreendimento, e implemente as medidas neles indicadas. Além disso, que a Sema revise as estruturas já caracterizadas como barragens, busque outras não declaradas como tal e realize fiscalizações semestrais para verificar a implementação das providências de segurança apontadas nos planos, assinalando os prazos necessários, sanções a serem aplicadas e o desmonte daquelas instalações classificadas como “barragens à montante”.

Ao final do processo, o MPF pede que a empresa seja condenada a reparar os danos causados ao meio ambiente, conforme Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), e a realizar as obras e medidas necessárias para impedir a ocorrência de novos desastres, com fiscalização conjunta da Sema e ANM, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 milhão de reais. Por fim, que a Mineração Aurizona pague indenização de R$ 10 milhões de reais pelos danos ao meio ambiente e mais o valor de R$ 20 mil reais para cada família atingida, além de multa diária de R$ 50 mil reais em caso de descumprimento.

Número do processo para consulta na Justiça Federal: 1044595-25.2021.4.01.3700 – 8ª Vara Federal Ambiental e Agrária da SJMA

Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Maranhão

 

Braide afirma para usuários: “Não haverá reajuste de tarifas para os transportes coletivos”

O prefeito Eduardo Braide, através de vários veículos de comunicação ratificou hoje, o que já havia afirmado através das redes sociais de que não haverá aumento nas passagens dos transportes coletivos de São Luís. A iniciativa do dirigente municipal foi dar uma resposta imediata aos usuários, que se mostravam preocupados com as manifestações de rodoviários e empresários, que anunciam paralisações para a próxima quinta-feira (21).

Para evitar possíveis prejuízos para a população, a prefeitura de São Luís já estaria adotando providências, dentre as quais, em que caso de paralisação, que seja garantido pelo menos 70% da frota em circulação normal, daí a preocupação de solicitação a Justiça do Trabalho e à Secretaria de Segurança Pública para garantir o direito de quem quer trabalhar e evitar principalmente piquetes nas garagens das empresas.

A greve é de iniciativa dos empresários, que como estratégia deixa de honrar compromissos de acordo salarial feito com os rodoviários, sob o argumento de que estão operando no vermelho e para tanto precisam de reajuste de tarifas para atender as determinações dos acordos salariais. Acostumados a muitas facilidades e inúmeros privilégios, os empresários nos últimos anos foram muito bem favorecidos pelo ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Chegaram a tentar aproximação com o prefeito Eduardo Braide, visando coloca-lo a mercê aos seus interesses, mas pelo visto, o que eles esperavam não deu certo e a manifestação pública do prefeito da capital, pelo seu posicionamento, deixou bem claro, que a relação ficará restrita ao aspecto institucional.

A grande expectativa é que os empresários já estariam se articulando com vistas a recorrer a justiça e através de uma decisão liminar consigam implantar reajustes que visam unicamente atingir os usuários de transportes coletivos, que pagam preços bastante elevados para um serviço de péssima qualidade.

A verdade é que os empresários vêm tripudiando de há muito com as autoridades e a população de São Luís. Está na hora da Prefeitura de São Luís e a Câmara Municipal se unirem, e mais o Ministério Público para fazerem uma revisão geral na licitação pública feita na administração passada, que acabou se transformando em uma farsa com privilégios vergonhosos e com um serviço cada vez mais deficiente e altamente irresponsável. Apenas como um exemplo bem visível, basta se ver a realidade dos terminais, em que o da Praia Grande oferece muitos riscos.

Fonte: AFD

 

 

 

 

A importância do jornal impresso

Carlos Nina*

A exposição “Jornais Centenários do Brasil e Portugal – um legado cultural” é um fato emblemático por duas razões: as dificuldades impostas aos jornais impressos e a intensa disseminação de notícias falsas na web.

A mentira não nasceu com a internet. Já tinha deuses, antes, como Loki, na mitologia nórdica, Hemera, na grega, e Dies, seu equivalente romano. O que a internet fez foi viabilizar caminhos para que as chamadas fake news circulassem com maior velocidade, incrementando sua produção. Sofisticando o processo, o que talvez seja pior do que a mentira, “as plataformas digitais e os grupos empresariais tecnológicos têm atuado em prol da informação alternativa, extraindo dados pessoais dos cidadãos, dificultando a compreensão sobre fatos relevantes e inserindo subsídios para convencer usuários acerca de situações inverídicas, despiciendas e prejudiciais”, como afirma, sem rodeios, Paulo Brasil Menezes, magistrado maranhense em seu livro Fake News (Salvador, Editora Jus Podium, 2020).

As dificuldades financeiras impostas à mídia impressa decorrem, em parte, desse fenômeno, pois os anunciantes, que financiam os meios de comunicação, migraram para a web, atraídos pelo discurso – e a prática – da manipulação dos usuários de redes sociais. A pandemia da COVID-19 fez o resto, trazendo o medo de que o contato com o papel seria expor-se a risco de contaminação.

Nesse cenário, a existência de jornais que resistiram a todas essas investidas, por si só já é um grande mérito. A pane recente no WhatsApp, Instagram e Facebook mostrou que a dependência da web tem riscos. Além do que o autoritarismo de algum magistrado pode deliberadamente causar danos a milhões de pessoas com uma canetada para atender um pedido individual.

Essas observações não são um discurso contra a evolução tecnológica. Ao contrário. Que evolua, inclusive com recursos para identificar seu mau uso, seu uso criminoso. Nem é uma contestação à importância da veiculação da informação pela internet. É uma manifestação pessoal pela permanência da mídia impressa, jornais, revistas, livros, pelo valor que têm e o prazer que propiciam. Uma coisa não exclui a outra. As circunstâncias exigem apenas que se aperfeiçoem, adequem-se ao que podem oferecer, de verdade.

É evidente que na internet pode-se encontrar um incalculável volume de informações. Mas acompanhada, sempre, da dúvida sobre a veracidade daquela informação. Da mesma forma, na web toma-se conhecimento de instantâneo de fatos que estão acontecendo. Em acidentes, por exemplo, a primeira preocupação já não é providenciar socorro para os acidentados, mas acionar a câmera do celular para fazer o “furo” da notícia no Instagram ou nos grupos de WhatsApp.

Não é isso a que se presta o jornal impresso, mas informar, correta e responsavelmente, no estrito respeito ao direito de informação consagrado tanto na Constituição brasileira (art. 5º, XIV), como na portuguesa (art. 37º, 1).

Por tudo isso é extremamente relevante a iniciativa da Associação Portuguesa de Imprensa, com a primeira exposição sendo feita na cidade de Aveiro, em Portugal, em 2018, apenas com jornais portugueses. Em 2019, em parceria com a Associação da Imprensa de Pernambuco, em 2019, nela incluiu jornais brasileiros, e, ontem (16 de outubro de 2021), foi aberta no Convento das Mercês, com a presença da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, a médica Berta Nunes, e do Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos.

A exposição em São Luís teve nela inserida o jornal O Imparcial, que atende aos dois requisitos da exposição: é mais que centenário e continua impresso.

O objetivo mais visível, porém, da exposição, é mostrar como a história de Portugal e do Brasil está contida nas páginas desses jornais. Verdadeira viagem, percorrendo, no espaço da Exposição, por centenas de anos da história portuguesa e brasileira.

Poderia ser exposta na internet, debatida em videoconferência, apresentada em lives e tantas outras formas não presenciais, como milhares, senão milhões de eventos estão à disposição dos olhos ávidos nas imagens que os dedos jogam para cima e para baixo nas telas dos celulares.

Ver de perto, porém, caminhando, visualizando, sentindo, pode parecer jurássico, para uns, mas é humano, é perceptível e faz refletir não só sobre os fatos registrados, mas sobre os próprios jornais, que há mais de cem anos, continuam fiéis àqueles que buscam em suas páginas mais que jornais, mas a honestidade e a coragem da notícia verdadeira, a reflexão livre e, por fim, o registro que permite, ao longo do tempo, conhecer a história.

Há de se destacar, ainda, o fato de que se tratam de centenários jornais escritos no idioma português, no qual, pode-se dizer, Camões fez uma das mais belas reportagens, em Os Lusíadas, anunciando que o faria: “Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte”.

O famoso bardo lusitano já ali alertava para a fake news:

            “Ouvi que não vereis com vãs façanhas,

            Fantásticas, fingidas, mentirosas,

            Louvar os vossos, como nas entranhas,

            Musas, de engrandecer-se desejosas”

Parabéns, portanto, às associações de Imprensa portuguesa e pernambucana, ao Instituto Camões, à Vice-Cônsul de Portugal em Belém, Dra. Maria Fernanda Pinheiro, ao Cônsul Honorário de Portugal no Maranhão, Dr. Abraão Freitas Valinhas Júnior, e ao presidente da Sociedade Humanitária 1º de Dezembro, Dr. José Maria Alves da Silva, pela realização de tão importante evento em São Luís.

Que se desenvolva cada vez mais a tecnologia, que os veículos de comunicação invistam na modernidade, mas que continuem os jornais na versão impressa, também, usando essa tecnologia para apresentar cada vez melhor seus matutinos, vespertinos, hebdomadários, para possamos tê-los em mãos e os ler com a tranquilidade para a qual a invenção de Johannes Gutenberg foi fundamental.

*Advogado e jornalista

 

Repercute comentário do acadêmico Lino Moreira sobre eleição para a AML

“O governador Flávio tenta romper uma tradição de mais de um século, ao se candidatar a uma cadeira da Academia Maranhense de Letras. Nesse longo período nenhum governador em exercício foi eleito para a Academia Maranhense de Letras. Ele usa, como era de esperar, a força política do poder público para satisfazer a própria vaidade. Em 7 anos de governo, nunca pronunciou publicamente o nome Academia Maranhense de Letras. É com as piores perspectivas de futuro que a Casa a de Antônio Lobo cede a pressões políticas abertas e ilegítimas do governador.

Sei que ao dizer isto passo a ser alvo de suas perseguições, mas repudio a ideia de ficar calado”.

 Fonte: AFD

 

Magistrada e filho fazem delação e entregam desembargadores, advogados, empresários e políticos

O acordo de delação premiada aberto pela desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, e o filho, Vasco Rusciolelli, é algo escandaloso e devastador.

A dupla narrou em 39 anexos uma série de pagamentos ilícitos vinculados a decisões de magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia. Homologada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes, em junho deste ano, a delação revela venda de sentenças, formação de quadrilha, grilagens de terra, dentre outros crimes.

Em mais de 600 páginas entregues ao Ministério Público Federal, a magistrada e seu filho apontaram uma série de “atos de corrupção” que, segundo eles, “permeiam as entranhas do Tribunal de Justiça da Bahia”.

O acordo de colaboração foi feito para recuperar R$ 4 milhões obtidos ilegalmente no esquema. A partir da delação, o acordo prevê 20 anos de prisão para Sandra Inês e 22 para Vasco Rusciolelli.

Segundo delatores, a ação teve início na gestão da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago como presidente do Tribunal de Justiça baiano. O esquema seria liderado inicialmente por ela, em uma suposta rede de operadores formada pelo genro, uma filha, além de servidores, juízes e desembargadores.

Os delatores ainda afirmam que o desembargador Gesivaldo Britto, que assumiu a presidência do TJ em fevereiro de 2018, passou a chefiar o esquema incluindo novos membros, entre eles servidores, advogados, juízes e desembargadores.

Ao todo, a delação cita 12 desembargadores do TJ baiano, 12 juízes, 15 advogados, 15 parentes dos envolvidos, e 16 pessoas entre servidores públicos e políticos.

Fonte: A Tarde

 

A “Operação Vaza Jato” adentra ao Supremo Tribunal Federal

O Jornal mais parcial do Brasil, a Folha de São Paulo, está indignado. Seus colunistas descobriram que uma mulher, Tatiana Garcia Bressan, que estagiou no gabinete do Ministro Lewandowski, com uma bolsa paga pelo STF aos estagiários de direito no valor de R$ 1.207 por mês, entre 19 de julho de 2017 e 20 de janeiro de 2019, época em que requereu o seu desligamento, deu início, sozinha, a uma nova “Operação Vaza Jato do Supremo”.

Irados, os colunistas do jornal e do “consórcio de imprensa” chamam a estagiária de “espiã infiltrada em gabinete de Lewandowski”; “informante do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos”; “pessoa sem ética”.

A Mata-Hari brasileira, sem medo de ser feliz, mandou ver e foi vazando mensagens que está deixando descabelados “Os Supremos” – Em um post do dia 3 de setembro, ela compartilhou vídeo de Moraes e escreveu que o magistrado tem “personalidade sádica”.

– No dia 15 de agosto, a estagiária postou vídeo que dizia que Moraes “fez lobby no STF para livrar desembargador” e escreveu a seguinte legenda: “PutaquepaRIUUUU mil vezes. Minha nossa!”.

Nas redes sociais ela compartilhou uma foto de cartaz que tinha a frase

– “Saindo daqui nós vamos para um bar falar mal do Alexandre de Moraes”. “Também vou kkkkk”.

– “Em outro post, usou a hashtag “#7setPelaLiberdade”.

– “No mesmo dia, publicou notícia do portal Epoch Times Português que dizia que promotores aposentados haviam pedido a prisão de nove ministros do STF – a notícia era acompanhada de foto de Moraes”.

“No perfil, Tatiana também defendia pautas alinhadas ao bolsonarismo, como o voto impresso, além de ser contra as medidas de restrição impostas pelos governos para conter a disseminação do coronavirus”.

Disse Lewandowski:

– “É lamentável que a Suprema Corte tenha sido infiltrada por uma pessoa sem compromisso com ética pública e a democracia”.

Em 20 de dezembro de 2020, a revista CartaCapital trazia a seguinte manchete:

– “Lewandowski manda Justiça compartilhar mensagens da Vaza Jato com Lula”.

“O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Juízo da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal compartilhe com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva as mensagens arrecadadas na Operação Spoofing – investigação que mirou grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades, incluindo procuradores da força-tarefa da Lava Jato, o ex-ministro Sergio Moro e o presidente Jair Bolsonaro”.

Pronto! Tatiana Garcia Bressan, a estagiária sem-medo, que vazou conversas do Supremo é “uma pessoa sem compromisso com ética pública e a democracia”.

Já Lewandowski é um “herói”! Autorizou mensagens criminosas, vazadas por hackers, para defesa de Lula.

Tatiana que vazou o que viu e ouviu dentro do Supremo é “uma pessoa descompromissada, sem ética pública e antidemocrática”.

Lewandowski, o “Supremo”, é uma pessoa do bem, “tem compromisso com ética pública e a democracia”, pois mandou compartilhar mensagens ilegais com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Imediatamente, Alexandre de Moraes, o “supremo paladino da justiça”, determinou que a Polícia Federal ouça Tatiana. Afinal o chefe Fux já disse:

– “Mexeu com um, mexeu com todos”!

Mas vamos a mais uma rodada de mensagens da “Operação Vaza Jato do Supremo”, protagonizada pela heroína Tatiana, agora musa da direita:

– “Ela afirma, por exemplo, que o magistrado Lewandowiski, “atende prontamente” quando recebe um telefonema do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército que teria trânsito, segundo Tatiana, “com quase todos os ministros”.

– Dá um palpite: “quem soltará o Lula [então preso] será o Lewandowski”;

– “Faz piada com o fato de Dias Toffoli definir o golpe de estado de 1964 como “movimento” e revela que tinha um perfil fake nas redes sociais para falar mal do próprio STF”.

– “Não estou atuando no meu perfil do twitter pq meu chefe disse que não posso falar de política a não ser estando fora do STF, então estou nesse perfil aqui – @visittabb lá no twitter pq não aguento! Kkkkk”, diz.

– No dia 17 de novembro de 2019, quando não era mais estagiária de Lewandowski, Tatiana divulgou foto de protesto em favor de Jair Bolsonaro e escreveu, em maiúsculas: “FORAAAAAAA GILMAR”.

– Em uma postagem referente aos protestos do 07 de Setembro deste ano, o perfil republicou uma foto de um homem segurando um cartaz em inglês com os dizeres: “Os verdadeiros ditadores estão no Supremo Tribunal Federal”.

– Alguns dias antes, outra postagem critica o STF e o descreve como “O único tribunal do mundo que entende de: medicina, economia, vacina, eleições, etc… Só não entende de justiça”.

Diz Tatiana:

– “O que vi de mais espantoso é que realmente eles decidem o que querem e como querem. Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga pro ministro”.

“O material obtido por meio de quebra de sigilo telefônico consta de relatório da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, ao qual a Folha teve acesso”.

Parece que o acesso exclusivo dado à Folha e a outros órgãos de comunicação, foi para que fizessem reportagens defendendo Lewandoswki e o Supremo e atacando e condenando a estagiária. Imaginem se todos os estagiários do Supremo se unissem e fossem acometidos de um surto de honestidade e resolvessem relatar o que viram e ouviram dentro do Supremo?

Seria um carnaval antecipado. Uma verdadeira festa brasileira!

Carlos Sampaio

Professor. Pós-graduação em “Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual”. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)