Depois de 21 anos médicos são condenados em MG por retirar órgãos de criança ainda viva

Os médicos José Luís Gomes da Silva e José Luís Bonfitto foram condenados a 25 anos de prisão e encaminhados ao sistema prisional do Estado. Eles podem recorrer da sentença, em regime fechado. Um terceiro profissional da saúde, Marcos Alexandre Pacheco, foi inocentado das acusações.

Os três foram acusados de retirar, ilegalmente, os órgãos da criança, em um caso ocorrido 21 anos atrás, em hospital de Poços de Caldas – MG. O Tribunal do Júri sentenciou Silva e Bonfitto, na madrugada deste sábado (30).

Paulo Veronesi Pavesi tinha 10 anos de idade e estava brincando com amigos na piscina do prédio onde vivia, em Poços de Caldas; quando caiu de uma altura de quase 10 metros. O menino deu entrada no hospital da cidade com traumatismo craniano e ferimentos na face e passou por uma cirurgia. Mas, para surpresa dos familiares, dois dias depois, foi transferido para a Santa Casa de Misericórdia, onde foi constatado o óbito da criança.

A perícia apontou que a morte cerebral foi forjada e que Paulinho ainda estava vivo, quando os órgãos foram retirados. O MP denunciou quatro médicos por homicídio qualificado e remoção de órgãos ou partes do corpo de uma pessoa em desacordo com a lei, com agravante devido a vítima ser menor de 14 anos. O médico Álvaro Ianhez é o único que teve o processo desmembrado e ainda será julgado.

Dentre as acusações, estão: admissão em hospital inadequado, demora no atendimento neurocirúrgico, realização de uma cirurgia por profissional sem habilitação legal, inexistência de um tratamento efetivo e eficaz e fraude no exame que determinou a morte encefálica do menino.

Fonte: R7

 

Médico que há 10 anos denuncia caos na saúde de Manaus revela “protocolo de mortes”

O programa Contraponto da TV JCO, recebeu na sexta-feira (29) o médico Mario Vianna, presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas. Ele fez denúncias graves que ajudam a entender porque a saúde está em crise na região. Vianna contou que denuncia os problemas há dez anos.

“A saúde na região Norte, e mais precisamente no Amazonas sempre foi esquecida. E nos últimos anos, pelo menos nos dez últimos anos que estou à frente do sindicato, a gente vem denunciando isso sistematicamente. Em 2019 a gente vivia uma situação bem complicada, 100% do serviço de emergência e urgência de Manaus são de empresas de saúde terceirizadas”.

Naquela ocasião, tínhamos de 5 a 8 meses de atraso salarial dessas empresas, uma situação de falta de insumos, equipamentos danificados. Pedimos uma audiência ao Mandetta – segundo o ex-ministro, o governador do Amazonas chegou a pedir que ele não nos recebesse, mas Mandetta nos recebeu. Apresentei a situação do Amazonas, ele ficou muito impressionado e pedimos que fosse feita uma intervenção federal, tal a situação calamitosa já naquela época.

O então ministro Mandetta disse que a intervenção era muito complicada, do ponto de vista político, e prometeu que iria mandar uma comitiva. Essa comitiva nunca chegou, chegou no início desse ano, com a pandemia já em andamento”, explicou o médico.

Protocolo da morte?

Pelas denúncias que tem feito, o médico está sendo processado e revelou que está com medo.

Vi uma reportagem no Fantástico, na qual uma médica do SAMU era entrevistada contando o drama que era entregar pacientes nos prontos atendimentos. O jornalista perguntou o que ela fazia quando não conseguia entregar os pacientes.

“Ela me disse que eles estavam orientados a iniciar um protocolo, com morfina, para analgesia do paciente, reduziam o oxigênio e esperavam o falecimento do paciente. Eu particularmente fiquei horrorizado com isso e resolvi gravar um vídeo, eu entendi isso como eutanásia. Tive um encontro com uma liderança dos condutores de ambulância e ele disse que dezenas de mortes têm ocorrido dentro das ambulâncias.”

“Pedi que o Conselho de Medicina apurasse os fatos, por conta disso, estou sendo processado pela Procuradoria Geral do Estado, e ameaçado de todas as formas”, ressaltou.

Fonte: Jornal da Cidade Online