Mudanças na lei podem ‘reabilitar’ políticos condenados por corrupção. O Supremo Tribunal Federal começou a julgar mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem reduzir prazos de inelegibilidade e abrir caminho para o retorno às urnas de políticos condenados por corrupção.
E o julgamento ocorre no plenário virtual.
Sem debate presencial. Sem confronto público de argumentos. Sem ministros defendendo suas posições diante do país.
Entre os possíveis beneficiados aparecem nomes como Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mesmo após confissões públicas e escândalos bilionários, políticos condenados seguem encontrando brechas jurídicas, reduzem punições, deixam a prisão e agora podem voltar ao cenário eleitoral.
A Lei da Ficha Limpa nasceu de uma mobilização popular histórica contra corrupção e impunidade. Por isso, uma discussão dessa dimensão deveria ocorrer às claras, diante da sociedade brasileira.
O plenário virtual pode servir para temas técnicos. Não para uma decisão que interfere diretamente na credibilidade das instituições e na moralidade da política brasileira.
*@felipevieirajornalista
