“…. Quero entoar um canto novo de alegria
Ao raiar naquele dia, de chegada em nosso chão.
Como meu povo celebrar a alvorada
Minha gente libertada,
Lutar não foi em vão…”
Josimo Morais Tavares nasceu em Marabá (PA), mas viveu desde a infância no extremo norte de Goiás, hoje estado do Tocantins. Filho de família negra e pobre, Josimo se tornou coordenador da Comissão Pastoral da Terra no Bico do Papagaio, área localizada entre o Pará e o Maranhão, enfrentando o latifúndio e a violência para defender os lavradores pobres e indefesos, ameaçados, expulsos e assassinados em seus territórios, dizendo, entre tantas palavras: “Se eu me calar, quem os defenderá?”
Padre Josimo continua presente na caminhada. Formado em Letras, Filosofia e Teologia, colocou toda sua experiência acadêmica e formação religiosa a serviço do povo esquecido do Bico do Papagaio, por quem lutou e confrontou incomodando o latifúndio.
Seu martírio aos 33 anos, em 10 de maio de 1986, o consagrou como semente de resistência. O sangue da sua camisa, levantada pela sua mãe, Dona Olinda Tavares, fecunda a luta do povo por Igualdade, Terra, Água e Moradia (lema da 21ª Romaria).
Em 2025, a Romaria da Terra e das Águas Pe. Josimo chegou à sua 20ª edição, sendo realizada no dia 10 de maio em Buriti do Tocantins, tendo como tema: “Com Pe. Josimo, peregrinos e peregrinas da Esperança” e como lema: “Ecologia Integral: Cuidar da Vida!”, sintonizada com a Campanha da Fraternidade do ano passado.
Cada romaria é momento de celebrar a memória e a luta de um mártir do povo, símbolo da resistência pela terra, pela defesa dos territórios e pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. A romaria é sempre um intenso momento de fé, caminhada e compromisso com a justiça social, o cuidado com a criação e a luta pela justiça e a paz para os povos do campo.
Fonte: Por Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional),
com informações da CPT Araguaia-Tocantins e do Memorial Padre Josimo