Assustar alguém e conquistar seu voto são coisas diferentes. O problema atual da campanha do medo promovida pelo PT é que o eleitor passa a desconfiar mais de quem conta a história do que da assombração que ela apresenta. A campanha do medo de Lula pode funcionar? Sim. A ameaça de perder renda, emprego, garantias sociais ou benefícios tem força, até mesmo entre famílias das classes C e D que vivem sem margem para um imprevisto.Parte inferior do formulário Quem depende do dinheiro de amanhã não trata como abstração a hipótese de ficar sem ele. A campanha do medo é perversa e ainda funciona.
Mas assustar alguém e conquistar seu voto são coisas diferentes.
O PT conhece bem esse caminho. Em 2014, Marina Silva viu sua proposta de autonomia do Banco Central virar uma propaganda em que a comida desaparecia do prato de uma família. A discussão econômica sadia foi transformada maldosamente em ameaça à sobrevivência das pessoas mais pobres.
Contra Aécio Neves, a propaganda petista também insinuava que o Bolsa Família iria acabar. O ambiente de comunicação em 2026, porém, mudou.
A Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, realizada em novembro de 2014, registrou que 95% dos entrevistados assistiam à televisão e 48% usavam internet. A TV ocupava uma posição central na conversa nacional. Em 2025, segundo o IBGE, a internet já alcançava 90,5% das pessoas com dez anos ou mais. Os levantamentos têm públicos e métodos distintos, mas ajudam a dimensionar o quanto o jogo definitivamente virou.
O Antagonista