Risada de procurador em julgamento do STF expõe a face nefasta de um julgamento com cartas marcadas

Em pleno julgamento no STF, durante a sustentação oral do advogado Jeffrey Chiquini, o procurador da PGR simplesmente riu. Sim: riu. Sorriu enquanto a defesa falava sobre um ponto crucial do processo.

A reação imediata do advogado:

 “Não sei o que é engraçado”, disse tudo.

Esse gesto, exibido diante do país, não foi um detalhe. Foi um retrato cristalino do desrespeito, do desdém e da sensação de impunidade que domina certos atores do sistema judicial.

Não foi apenas falta de postura. Foi confissão.

Quando um procurador ri no meio de um julgamento que envolve a liberdade e a vida de um réu, ele deixa claro que:

  • Não leva a defesa a sério;
  • Não respeita o contraditório;
  • Não teme consequências;
  • E, principalmente, já sabe o resultado.

O sorriso virou símbolo daquilo que não se diz abertamente, mas que se vê nas entrelinhas:

O jogo está marcado.

Um gesto que destrói a confiança

Não há julgamento justo quando a acusação debocha.

Não há paridade quando a defesa é ironizada.

Não há imparcialidade quando o procurador age como quem já recebeu o veredito de antemão.

A risada expôs, de forma cruel e direta, aquilo que muitos brasileiros denunciam há anos:

há processos no país cuja sentença parece escrita antes mesmo de começar.

O procurador não deveria ter rido.

Mas riu — e, ao fazer isso, entregou a verdadeira face do julgamento.

Foi um gesto rápido.

Mas abriu uma ferida profunda: a certeza de que, naquele plenário, a defesa não era ouvida — apenas tolerada.

Emílio Kerber Filho

Jornalista e escritor

 

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