Prefeitura de São Luís já repassou R$ 30 milhões para empresas de coletivos e o serviço é cada vez pior

Segundo a maioria dos vereadores, as respostas secretário Diego Rodrigues, titular da SMTT, aos questionamentos para esclarecimentos sobre os serviços de transportes coletivos de São Luís comprovaram sua falta de conhecimento técnico para gerenciar uma pasta responsável pelos direitos e ir e vir de mais de 400 mil pessoas todos os dias.

O secretário Diego Rodrigues, titular da pasta Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) esteve, na manhã de quarta-feira (03), na Câmara Municipal de São Luís, atendendo convocação do legislativo municipal para prestar esclarecimentos sobre a crise séria no setor, que impacta em sérios prejuízos à população usuária de transporte coletivo da capital

A convocação foi proposta pelo vereador Álvaro Pires (PMN), aprovada por unanimidade pelo plenário. O presidente do poder legislativo, vereador Paulo Victor (PCdoB), ao abrir a sessão, explicou ao convocado, que era uma prerrogativa da Casa convocar secretários para prestar esclarecimentos sobre as pastas que são administradas por eles por indicação do executivo municipal.

“Antes de iniciar essa didática legislativa, eu gostaria de deixar registrado nos anais desta Casa, que os 405 anos de Poder Legislativo Municipal e de participação popular, nunca será jogado fora. Esteja eu aqui nesta quadra ou em outro momento, os 405 anos de fundação desta Casa sempre prevalecerá pelo bem da população,” afirmou o presidente Paulo Vitor.

“R$ 30 milhões para nada”

Para buscar uma saída para resolver a crise, um montante de quase R$ 30 milhões foi repassado pela prefeitura às empresas concessionárias visando suprir a defasagem do sistema. No entanto, alguns parlamentares, os vultuosos recursos, que teriam sido repassados ao empresariado, sem maiores esclarecimentos, não conseguiram a melhoria na prestação do serviço, muito pelo contrário, fica a cada dia pior, a caminho de um colapso.

Foi a partir de tanto dinheiro para nada, que resultou no pedido de convocação do vereador Álvaro Pires abriu a audiência questionando a auditoria no sistema tarifário do transporte público. Segundo o parlamentar, a apresentação do relatório que balizou o reajuste na tarifa paga pelos usuários e os valores de compensação financeira que serve para equilibrar o déficit do sistema seria de fundamental importância e questão de transparência para se ter uma realidade sobre o sistema de transporte coletivo.

Sem o menor discernimento, o secretário Diego Rodrigues disse que ainda não tem condições técnicas para repassar essas informações a Câmara Municipal, no que o vereador Álvaro Pires se posicionou, questionando se o relatório serviu como parâmetro aumento das passagens, como não está pronto para ser tornado público, o que deixou o dirigente da SMTT, totalmente perdido com demonstrações plenas de que ainda está no estágio de aprendiz técnico.

Diligência na SMTT

Em seu pronunciamento, o vereador sugeriu a realização de uma diligência da Casa até a SMTT para que o órgão possa fornecer o documento. “O contrato de licitação prevê a realização de auditoria para conhecer a realidade do sistema. A auditoria foi feita, mas o órgão sonega essa informação que contribuiu para balizar o reajuste da passagem e serve de parâmetro para os repasses de subsídios”, afirmou.

Em sua participação, o co-vereador Jonathan Soares, do Coletivo Nós (PT), lembrou que não adianta o prefeito ou seus aliados tentarem culpar os empresários pelo caos e afirmou que a crise no setor é culpa da própria gestão municipal e afirmou: “A Constituição e a Lei Orgânica falam que a responsabilidade pelo transporte público é do Poder Executivo municipal. Ou seja, não são os empresários que são responsáveis pela gestão do transporte, mas o próprio prefeito”, declarou o parlamentar.

Perguntas, sem repostas

No encontro, o vereador Octávio Soeiro (Podemos) lembrou que foram muitos questionamentos técnicos relacionados a números, planilhas, valores sobre acordos firmados entre prefeitura e empresários, mas muitas destas informações ficaram inconclusas. “Eu, confesso, que estou preocupado com as informações inconclusas do secretário nesta Casa. É uma situação que deixa o cenário ainda mais nebuloso. A gente segue batendo na mesma tecla em achar que o problema do transporte público não sem tem definição e nem solução”, frisou.

Sem competência técnica

Na opinião do vereador Nato Júnior, o secretário Diego Rodrigues comprovou que não tem a devida competência para ocupar a pasta e lembrou que o próprio titular da SMTT deixou isso claro durante sua tentativa de esclarecer a crise no transporte. “O desempenho da participação do secretário nesta Casa aconteceu da mesma forma que nós imaginávamos: ele não tem competência para exercer a pasta e deixou isso muito bem claro, pois afirmou que ainda está em um período de aprendizado”, afirmou.

Nato também questionou se a SMTT teria algum adjunto para auxiliar o titular nas funções, mas acabou recebendo uma resposta negativa em relação ao questionamento. “Eu acho um absurdo uma pasta da importância de a SMTT não contar com um adjunto para auxiliar o secretário em seu ‘estágio’, é algo muito danoso para a nossa cidade”, completou. Ao concluir sua participação, o vereador pedetista afirmou que realizou uma vistoria nos ônibus que atendem linhas no polo Coroadinho e constatou uma série de irregularidades como coletivos com idade acima dos 10 anos e veículos circulando sem ar-condicionado.

“Vamos protocolar esse relatório na SMTT com pedidos de providências. A conclusão que chegamos é que o prefeito é responsável pelo caos. Ele prometeu endurecer o jogo com os empresários, mas sete dias depois resolve pactuar novo acordo com repasses de subsídios, mesmo com a persistência da precariedade do serviço”, concluiu.

Fonte: Comunicação CMSL

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