A data de ontem, 06 de dezembro, registrou o Dia Nacional da Extensão Rural. A reflexão dolorosa e bem marcante é importante, sob o ponto de vista, é que foi a ex-governadora Roseana Sarney, para cumprir interesses políticos com empresários do agronegócio e sem noção ou qualquer avaliação, extinguiu a EMATER-MA e penalizou a pequena agricultura para mais desigualdades sociais, miséria, fome e conflitos agrários no meio rural. Os governos sempre privilegiaram políticos, grileiros, latifundiários e empresários do agronegócio e continuam atendendo os insaciáveis com posicionamentos e até defesa em conflitos contra posseiros seculares.
O Maranhão foi condenado à destruição da pequena agricultura e não produzir alimentos diversificados, apenas comodities pelos grandes empresários, que também recebem investimentos e em troca contribuem com dinheiro para campanhas políticas. Os pequenos agricultores e posseiros são vítimas da Policia Militar, jagunços, pistoleiros e políticos corruptos que procuram expulsá-los das suas terras de ocupações centenárias. Daí é que o Maranhão à época ficou com mais um milhão e cem mil pessoas em plena miséria com renda mensal inferior a 70 reais, e segundo pesquisas do IPEA, que registra a concentração no meio rural. A Emater do Maranhão tinha aproximadamente 100 escritórios locais e 13 regionais, iguais ao da foto, se fazendo presente em todos os rincões do Estado. Todos foram construídos com recursos do Banco. Mundial.
Acabaram com a Assistência Técnica e Extensão Rural
Quando eu vejo a propaganda política, identifico muitas figuras que foram de fundamental importância para o avanço da miséria e da fome no Maranhão. O processo teve início com o senador José Sarney à época Presidente da República, que atendeu exigências e interesses de empresários do agronegócio com a extinção da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural – Embrater. Os governadores de quase todos os estados brasileiros reagiram com a exceção do Maranhão, que se manteve silencioso e compactuou a determinação do Palácio do Planalto, o que não seria diferente com o Executivo Estadual entregue à governadora Roseana Sarney. Estados como o Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal dentre outros decidiram manter as suas Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural. Elas avançaram, desenvolveram tecnologias e chegaram mais perto dos pequenos agricultores familiares e promoveram uma verdadeira revolução no campo, proporcionando a que a agricultura familiar responda por mais de 70% dos alimentos que estão nas mesas dos brasileiros todos os dias. Conseguiram fazer com que milhões de famílias mudassem de vida ganhando dinheiro e ampliando os seus negócios. Os filhos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais tiveram oportunidades de cursar faculdades e inúmeros depois de formados retornaram para o campo e ampliaram os negócios da família.
A extinção da Emater-MA foi a porteira para a extrema pobreza
Seguindo o compromisso assumido pelo então presidente José Sarney com o agronegócio, a governadora Roseana Sarney, sem ter a mínima noção do potencial, que era a extensão rural no Maranhão, extinguiu a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Maranhão –Emater-Ma. O patrimônio da empresa era acentuado, bastando citar a sede estadual era no local que hoje é ocupado pela Secretaria de Segurança Pública. Contava também com 13 escritórios regionais e mais de 125 escritórios locais, quase todos com sedes próprias construídas através de convênios da Embrater com o Banco Mundial. A extinção proporcionou a que o governo através dos seus gestores lançarem mãos de todo o patrimônio, com desvios de veículos, móveis, parque gráfico e tudo de valor material que havia dentro dos escritórios do interior e da capital. O processo utilizado para a extinção do Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural do Maranhão, foi bastante doloroso para os seus servidores, muitos ficarem doentes, outros indignados e revoltados e a maioria do corpo técnico altamente capacitado, decidiu seguir outros rumos, inclusive indo embora do Maranhão e outra parte permanece no Sistema de Agricultura. Houve até tentativas do governo em copiar o modelo e as metodologias da Emater-MA, mas por falta do processo de investimentos e capacitação, nada prosperou. Infelizmente, o que prosperou desde a extinção do Serviço de Extensão Rural foi o amplo avanço das desigualdades sociais, o êxodo rural e a extrema pobreza com a fome e miséria tomaram conta do Maranhão
Foi exatamente a partir da extinção da Emater-Ma, que a governadora Roseana Sarney decidiu punir a população do meio rural maranhense. Além de tirar deles a assistência técnica e orientação técnica para a produção de alimentos, escancarou uma grande porteira para os conflitos agrários. Os políticos e empresários do agronegócio da soja, do gado, do milho e da cana de açúcar decidiram com o integral apoio do Governo do Estado, expulsar milhares de famílias das suas posses centenárias. As práticas delituosas, que ainda permanecem são executadas mediante as forças de jagunços e até da Policia Militar, com mandados judiciais mediante ações em que não constam cadeias dominiais de terras, fraudes em cartórios e muitos casos em que a pistolagem mostra a violência, na convicção plena da impunidade.
As famílias de pequenos trabalhadores e trabalhadoras rurais passaram a viver à própria sorte, e se não fosse a atuação determinada da Comissão Pastoral da Terra e mais precisamente da Igreja Católica, os problemas teriam sido maiores, mas a pistolagem matou muita gente inocente, que queria apenas ter o direito a sua posse de terra para dela retirar o pão de cada dia. Hoje a resistência é quase nenhuma, uma vez que Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura – Fetaema, que lidera o Movimento Sindical Rural, perdeu muito do seu protagonismo com alianças políticas, que lamentavelmente a coloca como instrumento sem força para enfrentar políticos, grileiros, latifundiários em defesa dos direitos, da honra e da dignidade de homens e mulheres do meio rural.
A última referência nacional que o Maranhão mereceu na produção de alimentos, foi no governo Luís Rocha, quando conseguimos ser o segundo maior produtor de arroz do Brasil, com a maior parte da produção vinda da pequena agricultura assistida pela Emater- Ma. Hoje o Maranhão não produz nada e a governadora Roseana Sarney tenta vender a imagem que o agronegócio promove o desenvolvimento, quando se sabe que ele não gera emprego e muito menos desenvolvimento, mas é muito útil para as campanhas políticas dos atrelados ao poder.
De acordo com levantamentos feitos pelo Fetaema, dois anos antes do final do Governo Roseana Sarney, no Estado já havia mais de 700 mil pessoas em plena miséria sem qualquer renda. A maioria é de homens e mulheres expulsas do campo pela violência exacerbada sempre acobertada por políticos e o próprio governo. Para exemplificar, o Grupo Suzano Papel Celulose tão exaltado pela governadora Roseana Sarney, já conseguiu expulsar tanta gente em pelos nove municípios região do Baixo Parnaíba, que não se tem ideia real numérica. O que causa maior indignação é que o Grupo Suzano tem incorporado aos seus patrimônios em nove municípios da região do Baixo Parnaíba, terras devolutas e que são do conhecimento do ITERMA.
Outras sérias causas da violência no meio rural dimensionada pelo governo de Roseana Sarney, e que precisa ser avaliada com a devida responsabilidade, reside na inserção de milhares de famílias expulsas das suas áreas de posses, que foram perambular e engrossar bolsões de miséria nas sedes de municípios e na capital. Os jovens se tornaram presas para a inserção na criminalidade, pela falta de qualificação profissional e as necessidades urgentes de subsistência. As mulheres não tiveram outra oportunidade a não ser ingressar na prostituição e os homens foram facilmente cooptados pelo submundo do vício e da perdição. Os reflexos do aumento de viciados e contraventores nos municípios e na capital estão diretamente ligados à perversa exclusão social a partir expulsão de milhares de famílias para atender interesses de grileiros, principalmente os políticos e empresários do agronegócio, acobertados pelas mais diversas instituições estaduais e federais, principalmente o INCRA.
Flavio Dino fez a agricultura do discurso e assim vão levando
Do Governo Flavio Dino ate os dias atuais, a agricultura familiar é tratada com discurso e tem muita gente falando sem ter o mínimo conhecimento de assistência técnica e de como ela funciona suas metodologias e ações nas transferências de tecnologias. Tem alguns que chegam ao extremo absurdo de dizer que o Maranhão tem produção a partir da agricultura familiar, mas não tem estradas para o escoamento. A realidade é atualmente a assistência técnica no Estado não existe, principalmente por falta de técnicos com capacitação atualizada, veículos e incentivos de crédito, equipamentos e máquinas, sementes etc. A Feira da Agricultura Familiar com um volume acentuado de recursos e propaganda, não passa de um evento enganoso, nada diferente das conhecidas feirinhas em São Luís, em que muita gente compra produtos em promoção nas redes de supermercados e vendem como se fosse produção da cidade de São Luís.
Fonte: AFD