A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, desde o ano 2019, vem mostrando o avanço com maior intensidade de uma realidade bem excludente no Maranhão, com observações sobre a extrema pobreza da miséria a da fome. Os levantamentos do IBGE também vêm revelando que ultrapassou os 60% da população que vive com meio salário mínimo ou menos. Um cenário que praticamente cresceu bastante nos últimos 07 anos. Além disso, o Maranhão aparece com a menor média de renda entre todos os estados brasileiros e é sem dúvidas a maior referência de exclusão, fome e miséria no país.
Outro fato sério e grave identificado pelo IBGE na extrema pobreza é que ela atinge em cheio as famílias de pessoas negras e a fome é bastante dolorosa entre as crianças, mas infelizmente falta sensibilidade aos gestores públicos em pelo menos fazer algum paliativo, para a amenizar uma das piores violências contra os seres humanos, que é a fome.
No auge da pandemia do covid-19 em 2020, o Governo do Maranhão alardeou a distribuição de 229 mil cestas básicas em que uma, para uma família de 04 pessoas muito mal dava para alimentar durante uma semana. O Estado tem mais de 7 milhões de habitantes e como a metade está na extrema pobreza, significa que foi bastante irrisória a participação do Governo do Maranhão no enfrentamento a covid-19, em que atingiu em cheio as milhares de famílias que vivem da mendicância e catam alimentos em feiras e mercados. Se não tivesse o auxílio emergencial do Governo do Federal e a solidariedade de milhares de pessoas, que socorreram os que enfrentam a fome, com certeza a problemática em nosso Estado teria sido mais elevada e poderia ter resultados bem mais alarmantes na questão da pior das violências – a da fome. Mesmo nos períodos de avanços das contaminações, muita gente dos mais diversos segmentos sociais, mostrou sensibilidade e amor ao próximo fazendo refeições com os próprios recursos para saciar a fome de muitas pessoas nas ruas e foram importantes para amenizar uma situação grave e bastante dolorosa com a partilha do pão. A solidariedade que chegou aos corações de muitos maranhenses, não conseguiu sensibilizar os governantes maranhenses, que muito pouco fez para se aproximar e amenizar a fome dos excluídos pelo poder público, com a falta de políticas públicas.
Cadê as cestas básicas do Maranhão Solidário
A propaganda política semanal do Governo do Estado, que fala em trabalho todo o dia e num tal Maranhão Solidário, até pouco tempo destacava a distribuição de cestas básicas, aquelas que proporciona menos de uma semana de alimentação e pelo visto deve ter abandonado as famílias da extrema pobreza. Uma das últimas propagandas que tive oportunidade de assistir, destacava a distribuição de 12.000 cestas para 10 municípios, cabendo a cada um 1.200. Por menor que seja o município, os números de cestas distribuídas sempre foram insignificantes, além de proporcionar total dependência, simplesmente por falta de política social e como o clientelismo gera dependência, o aspecto político eleitoral é mais importante para o governo.
Fonte: AFD