De todas as aberrações que o Poder Judiciário já fez, sem dúvida nenhuma, incluir o fotógrafo Sebastião Salgado e o ator Wagner Moura, nas buscas por uma dupla que desapareceu na Amazônia, foi a mais escabrosa delas. Ambos não profissionais de outras áreas e não capacitados para avaliar uma operação altamente técnica, em que estão envolvidas outras instituições do Sistema de Segurança Nacional.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que também é presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), anunciou, na terça-feira (14), que estava criando um grupo de trabalho para “acompanhar” as buscas pelo jornalista inglês Dom Philips e o indigenista Bruno Araújo, que resolveram entrar na “fechada” Floresta Amazônica, no dia 5, e sair pedindo aos moradores e ribeirinhos informações sobre todos os casos de irregularidades em terras indígenas de que tivessem conhecimento.
Não deu outra: embrenhados no meio do nada, sem armas e sem defesa da polícia, foram localizados justamente por aqueles que eles temiam. A Polícia Federal, órgão competente e de investigação no Brasil, como sempre, agiu rápido e já prendeu dois suspeitos, apreendeu barco, armas, encontrou material biológico e até os pertences das vítimas, em meio à imensa Floresta Amazônica, e, agora, realiza testes de DNA.
Embora, as autoridades tenham agido com extrema presteza nesses 10 dias de investigação, Fux parece que está incomodado com a atuação dos policiais e formou um grupo com um ator (Wagner Moura), um fotógrafo (Sebastião Salgado), uma antropóloga (Manuela Carneiro) e uma juíza (Lívia Cristina Peres) para “acompanhar” o trabalho dos agentes.
– (O caso) envolve questão premente de direitos humanos, na medida em que tangencia o resguardo da vida e da incolumidade física dos desaparecidos, reconhecidos por sua atuação em prol da proteção dos direitos dos povos indígenas – alegou Fux, acrescentando que “demanda atuação conjunta e articulada entre os órgãos do Poder Público, para que, respeitados os limites de suas competências institucionais, possamos lograr êxito na sua resolução”.
É tipo aquele ditado: o poste urinando no cachorro. O que um fotógrafo e um ator, ambos de esquerda, têm de tão ou mais competente para avaliar o trabalho da polícia federal e dos demais órgãos públicos envolvidos em operação estratégica de segurança, que recebe o treinamento especializado para isso? Talvez, o nosso “iluministro” possa nos dizer a população brasileira.
Jornal da Cidade Online