Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da PF

                                  Andrei Rodrigues teve seu nome citado em conversas de Vorcaro com Moraes. O ministro do STF André Mendonça determinou nesta terça-feira (08) o afastamento imediato de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e do diretor de Inteligência, no curso do escândalo revelado pelo relatório da própria PF sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

                  Contexto da crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da PFA tensão começou em fevereiro de 2026, quando Mendonça assumiu a relatoria da Operação Compliance Zero (Banco Master) no lugar de Dias Toffoli. Em uma das primeiras decisões, o ministro restringiu o compartilhamento de dados sigilosos apenas aos agentes diretamente envolvidos, impedindo que superiores hierárquicos — inclusive o diretor-geral e estruturas como a Diretoria de Inteligência — tivessem acesso sem vínculo formal ao inquérito. A medida foi interpretada internamente como tentativa de limitar a influência de Andrei Rodrigues.
A crise se agravou com as investigações sobre fraudes no INSS, que passaram a alcançar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Mendonça determinou envio de todo o material bruto ao seu gabinete, comunicação prévia de trocas de delegados e restrições de acesso. A PF recorreu à AGU, sem resultado imediato. Em agosto, os 27 superintendentes regionais divulgaram nota de apoio a Andrei Rodrigues e à independência técnica da corporação.

                  Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está no centro das apurações por fraudes financeiras. Relatórios da PF tornados públicos por Mendonça em setembro de 2026 revelaram mensagens extraídas do celular do banqueiro com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Nelas, Vorcaro expressa “gratidão da minha vida” ao ministro, pergunta sobre timing de operação da PF (“Acha que segunda já tenho que estar fora?”) dias antes de sua prisão em novembro de 2025 e discute encontros. Há ainda contratos milionários (somando mais de R$ 200 milhões) entre empresas de Vorcaro e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com metadados indicando edição atribuída ao ministro.
Vorcaro também tentou contato com Andrei Rodrigues e o PGR Paulo Gonet antes da prisão e, em depoimento ao gabinete de Mendonça (sem presença da PF), mencionou possível relação com o diretor-geral. A PF registrou que Mendonça já havia perguntado sobre dados envolvendo Moraes extraídos do celular de Vorcaro.
Moraes, por sua vez, encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido para investigar Mendonça por supostos indícios de crimes na condução dos inquéritos, citando exatamente os relatórios que falam da intenção de afastar o diretor-geral e de medidas contra o PGR. Fachin deu prazo para manifestações. A PF e a direção da corporação rechaçam interferências e defendem atuação técnica.A situação permanece em aberto, com desconfiança recíproca, pedidos de investigação cruzados e impacto político em período eleitoral. As informações disponíveis até o momento não indicam que o afastamento tenha sido determinado ou efetivado.

 Diário do Poder

 

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