O Ministério Público Estadual através da Promotoria Especializada da Educação fará mais uma tentativa de acordo salarial entre o Sindeducação , representante da categoria dos professores e gestores da Prefeitura de São Luís. Ela está marcada amanhã (22) na sede da Fiema e pelo visto é grande a distância entre a reivindicação e a proposta apresentada entre as partes. Os professores pleiteiam 11,36% retroativo a janeiro e a Prefeitura propõe 10,37% parcelados e sem retroativo.
Os professores estão em greve há quase um mês e criticam o Executivo Municipal, que embora negociando com a categoria no Ministério Público, desde a sexta-feira passada encaminhou mensagem a Câmara Municipal estabelecendo o percentual de 10,6% parcelados e que pode ser votado amanhã (22). Lideranças do Sindeducação registram que diante do que já está decidido pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior, a negociação do Ministério Público foi abandonada por eles, o que ratifica o desinteresse pelo entendimento para a imposição arbitrária, registram os professores de maneira indignada.
Hoje conversei com uma professora de uma escola da zona rural e bem informada sobre a realidade do Sistema Municipal de Educação. Ela me disse, se o prefeito anterior foi irresponsável com a educação municipal, o atual foi muito mais, e o que estava sucateado foi praticamente destruído. Para que se tenha uma dimensão da realidade, na maioria das escolas não existe diário de classe. Tem escola em que não existe abastecimento de água, banheiros e carteiras destruídas, professores, alunos e pais de alunos correndo riscos diários de serem vítimas da violência. O mais dolorido e desmotivador para os alunos das escolas municipais é que já estamos chegando ao final do primeiro semestre de 2016, tem alunos que ainda não concluiu o leito de 2015 e até casos de 2014. O problema é muito mais sério do que se comenta e nós como professores sentimos preocupação com as crianças e com os jovens, eles são merecedores de respeito e direitos, mas infelizmente ninguém atenta para essa realidade negra posta a todos e que atinge bem forte o pobre e o excluído, que pelo direito constitucional deveria ter escola de qualidade e digna.
Estamos em luta não só para garantir reposição salarial, mas pelas condições de trabalhos e os direitos dos alunos, que precisam de material didático moderno, bibliotecas, carteiras e condições de salas de aula próprias para aprendizado. A professora defende a greve e a vigília em frente ao legislativo municipal, como compromisso pela educação e lamenta que diante da greve crise que afeta o Sistema Municipal de Educação, não preocupação das instituições com as crianças, os jovens e adolescentes, diante dos graves sociais que a cada dia afetam mais e mais esses segmentos de pessoas, afirmou a minha entrevistada.
