Governos estadual e municipal puniram o violonista clássico João Pedro Borges por ele defender projetos de Escolas de Músicas para todos

         Recebi um e-mail de Maria de Fátima Borges, que expressa uma forte indignação do tratamento que os governantes e naturalmente os políticos que têm aversão a educação, a cultura e muita contundência à música. Em qualquer Estado da Federação e em diversos países do mundo, ter uma escola de música com projeto do violonista clássico internacional João Pedro Borges seria um orgulho. Aqui, o humilde violonista, que se dispõe a construir projetos de Escolas de Músicas com uma profunda ansiedade de proporcionar conhecimentos a crianças, jovens e adultos é desrespeitado e até agredido na própria dignidade, com a exoneração do serviço público pelo fato de lutar por educação e cultura é simplesmente vergonhoso.

Abaixo a indignação de Maria de Fátima Borges

       Há tempos venho pedindo a João Pedro Borges que se esqueça dos projetos que fez para as escolas de música desta cidade. Acho esta luta uma força vencida.

        A Escola Municipal de Música é um projeto do violonista João Pedro Borges que o elaborou em parceria com Víctor Antonio Vieira. O Prefeito Tadeu Palácio, que já tinha a ideía de deixar um legado de valor para a cidade de São Luís, buscou os recursos e criou a escola por decreto tendo como mecenas a Vale. Funcionou muito bem durante sua gestão e chegou a ter quase setecentos alunos. No governo de João Castelo foi abandonada. Havia secretário com opinião de que violino não era instrumento para pobre e sim para a elite. Foi nessa ocasião que, de portas fechadas e sem vigilância, teve seus equipamentos roubados.

         Na atual gestão, João Pedro Borges foi novamente chamado para reativar a escola. Empenhou esforços junto aos secretários anteriores da pasta, mas não obteve bom êxito. Continuava insistindo.

         A exoneração em si é irrelevante. O foco é a escola.

         É provável que o prefeito nem saiba que assinou a exoneração. Costuma-se pôr uma pilha de papéis à frente da autoridade e ela assina. Aconteceu a mesma situação no início do governo Roseana Sarney, quando ela o exonerou da direção da EMEM. João Pedro Borges havia elaborado um projeto para quadruplicar o número de alunos, sem ônus para o Estado, com o mesmo quadro de professores, funcionários e as mesmas instalações.

         Há tempo atrás conversando com dona Roseana Sarney, em um evento público, eu trouxe o assunto à baila e ela mostrou-se surpresa. Não era do seu conhecimento que tivesse destituído do cargo o seu ex professor de violão e amigo. E não era mesmo. Ela não recusaria propiciar à população um maior acesso ao aprendizado da música.

          Para meu dissabor, ele continua lutando. Mesmo fora do cargo destinou um relatório ao atual secretário de cultura, orientando todos os passos que devem ser dados para a escola municipal voltar a funcionar. Ele crê que a cidade não luta pela escola porque não sabe o que perde com a ausência dela em termos de inclusão social. E de uma forma ou de outra, vai continuar tentando. Ele tem mais projetos.

 

“Há uma força vencida neste mundo.

Todo o organismo florestal profundo

É dor viva trancada num disfarce.

 

Vivem só nele os elementos broncos,

As ilusões que se fizeram troncos

Porque nunca puderam realizar-se.”

Augusto dos Anjos

 

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