Tenho acompanhado as tentativas desesperadas do Governo do Estado, através de discursos, articulações e engodos para registrar que em poucos meses a mudança da realidade da fome e da miséria foram radicais no meio rural maranhense. A Secretaria da Agricultura Familiar, criada há menos de nove meses, vem promovendo feiras para mostrar produção de alimentos, como se fosse ações do atual governo, quando a realidade é que os produtos são adquiridos de médios produtos e muitos são importados.
A Secretaria da Agricultura Familiar sem estrutura, orçamento e total desconhecimento dos problemas fundiários graves com constantes conflitos pela posse da terra em várias regiões do Estado, ainda não se situou de quais serão as suas ações no meio rural. A realidade é muito cruel e é proporcionada por políticos e empresários do agronegócio, responsáveis pela expulsão de milhares de famílias de trabalhadores e trabalhadoras familiares, tomando suas posses de terras centenárias mediante fraudes em cartórios ou os escorraçando do campo com a força policial.
Ao celebrar um contrato milionário de 15,5 milhões de reais com o Instituto de Agronegócios do Maranhão – INAGRO, para prestar consultoria executiva, serviços técnicos e de assessoria especializada para a agricultura familiar é um tanto contraditório.
Dentro da estrutura da Secretaria da Agricultura Familiar existe a AGERP – Agência de Assistência Técnica e Extensão Rural, com pessoal altamente capacitado, experiente e identificado com a pequena agricultura e com famílias de trabalhadores e trabalhadoras que precisam efetivamente de crédito e assistência técnica para produzir. Se os 15,5 milhões de reais do contrato feito com o INAGRO, fossem aplicados na AGERP, os resultados com certeza viriam mais rápido e se estaria iniciando um processo de revitalização da assistência técnica no Maranhão, sucateada pelo então governador Epitácio Cafeteira e totalmente destruída por Roseana Sarney. Querer efetuar mudança entre pequenos agricultores com tecnologias, metodologias e praticas do agronegócio é inteiramente impossível e fadado ao insucesso. Pelo que se pode observar com a contratação do INAGRO, a Secretaria da Agricultura Familiar inicia um processo de sepultamento do que ainda existe da AGERP, a não ser que ela seja apenas uma coadjuvante para efetivamente executar a assistência técnica.
Quanto aos discursos sobre produção e feiras com ostentação, elas não se sustentam, uma vez que há necessidade urgente de criação de uma politica de reforma agrária, com desapropriações e regularizações fundiárias e crédito através do PRONAF. O Governo do Estado tem a obrigação de arrecadar terras devolutas que estão incorporadas ao patrimônio de grandes empresários do agronegócio. Na região do Baixo Parnaíba, o negócio é escandaloso e o ITERMA tem informações importantes.
