Se o governador Flavio Dino, tem o compromisso efetivo de tornar o Maranhão um grande produtor de alimentos a partir da agricultura familiar, terá que enfrentar latifundiários, grileiros, empresários do agronegócio e inúmeros aliados políticos, que se constituem em suportes da violência e dos conflitos agrários, muitos dos quais já bem identificados com a sua administração. Terá que determinar ao ITERMA, a regularização fundiária em inúmeras áreas estaduais e arrecadar terras devolutas que estão incorporadas ao patrimônio de terceiros, empresários de grande porte e do conhecimento da instituição. Ele terá que definir com o Governo Federal, a resolução dos problemas crônicos que estão dentro da Superintendência do INCRA do Maranhão, que nos últimos anos se tornou um antro de corrupção e negociatas politicas sob o comando do Partido dos Trabalhadores. Todos os ex-superintendentes indicados pelo então vice-governador Washington Macaxeira e outros interessados estão indiciados em processos na Justiça Federal.
O interessante é que o PT coloca no INCRA, pessoas para se opor a reforma agrária, favorecer políticos e excluir totalmente trabalhadores e trabalhadoras rurais. A maioria dos conflitos agrários em nosso Estado são decorrentes do protecionismo do INCRA, que não desapropria áreas de interesses sociais em poder de aliados políticos partidários e quando esporadicamente consegue alguma, não faz a regularização fundiária. Todos esses fatos são de conhecimento público. Para que se tenha uma dimensão da realidade, basta citar o município de Codó. Se lá não mataram mais posseiros, foi devido a intervenção da Igreja Católica, que embora tenha alguns padres ameaçados de morte, o bispo Dom Sebastião Bandeira, tem pessoalmente defendido os pobres e oprimidos, que têm as suas roças constantemente destruídas. A grande perversidade que tem se praticado no Maranhão é a expulsão de posseiros centenários, que são escorraçados por jagunços e sempre há participação da Policia Militar. As terras facilmente são incorporadas por grileiros, latifundiários e empresários do agronegócio, isso quando a fraude já não foi feita em cartórios. Está no êxodo rural, o grande cerne do aumento da miséria, da fome e da violência no Maranhão.
Todos esses fatos são do conhecimento do governador Flavio Dino, lhes repassados quando da sua campanha rumo ao Palácio dos Leões. Volto a repetir, se realmente o dirigente estadual tem o propósito e não apenas o discurso para a agricultura familiar e a produção de alimentos, já deveria ter buscado entendimentos para uma decisão politica. Infelizmente sem o enfrentamento aos conflitos e a violência no campo, muitas vezes até com a participação das policias civil e militar por determinações superiores, dificilmente se mudará a realidade no campo.
