“Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, revelou Jamieson Greer, chefe do USTR. O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de novas tarifas sobre importações brasileiras. O anúncio foi feito pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, após a conclusão da investigação comercial aberta contra o Brasil. O USTR deixou claro que buscou alternativas de negociação, mas encontrou do lado brasileiro uma combinação de tratamento preferencial a outros países e ausência de vontade política para construir um entendimento que evitasse o confronto tarifário.
“Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, afirmou Greer. Segundo ele, o Brasil concedeu benefícios comerciais ao México e à Índia que não foram estendidos aos Estados Unidos. A decisão americana ocorre em meio à urgência de substituir a tarifa global temporária de 10% (baseada na Seção 122), que expira em 24 de julho.
Apesar da tentativa americana de diálogo para evitar ou reduzir o tarifaço, o governo Lula não enviou negociadores de alto nível nem apresentou propostas concretas para mitigar as políticas brasileiras que incomodam Washington. Essa postura de recusa em dialogar, somada às agressões quase diárias de Lula (PT) contra Donald Trump — repetidas críticas pessoais, ataques públicos e declarações hostis nos últimos meses —, contribuiu de forma substancial para que os EUA endurecessem a posição e avançassem com a medida sem concessões. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, prevê alíquota de até 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Será divulgada uma lista de exceções para itens considerados estratégicos para o consumo americano, como aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais. O governo Trump também indicou que mira ativos estratégicos brasileiros, incluindo o Pix.
A investigação foi aberta após o relatório preliminar de 1º de junho, que já apontava para a taxação de 25%. Agora, com a confirmação final, o Brasil entra em uma nova fase de retaliação comercial com os Estados Unidos, sem que o governo Lula tenha conseguido — ou sequer tentado de forma efetiva — abrir canais de negociação para proteger os exportadores brasileiros. A lista definitiva de produtos atingidos e as exceções deve ser divulgada em breve pelo USTR.
Diário do Poder