Empresas Rumble e Trump pedem condenação de Alexandre de Moraes na Justiça dos EUA

Após ministro ignorar prazo legal na Flórida, plataformas acionam tribunal americano por omissão de defesa.

As empresas de tecnologia Rumble e Trump Media & Technology Group formalizaram um pedido junto a um tribunal federal da Flórida, nos Estados Unidos, para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, seja julgado à revelia. A petição foi protocolada após o esgotamento do prazo legal de 21 dias para que o magistrado brasileiro apresentasse sua manifestação ou defesa nos autos do processo que tramita na corte norte-americana. De acordo com a defesa das plataformas, conduzida pelo advogado Martin de Luca, a notificação oficial foi encaminhada com autorização prévia da Justiça Federal da Flórida por meio do endereço eletrônico institucional do gabinete do ministro. Os registros apontam que o prazo para a resposta formal terminou na última segunda-feira, dia 15 de junho, sem que houvesse qualquer comparecimento, justificativa ou pedido de prorrogação por parte de Moraes. O processo em solo americano contesta as ordens de bloqueio de perfis, restrição de conteúdos e aplicação de sanções emitidas pelo ministro do STF contra usuários e plataformas digitais.

A petição sustenta que tais determinações configuram atos de censura transfronteiriça, atingindo cidadãos e empresas americanas em seu próprio território e violando diretamente as garantias constitucionais de liberdade de expressão asseguradas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Entre os casos citados na ação está a ordem de suspensão da conta do jornalista Allan dos Santos. A Trump Media, controladora da rede social Truth Social (amplamente utilizada pelo presidente americano Donald Trump), atua em conjunto na ação   devido à dependência da infraestrutura tecnológica fornecida pela Rumble para a manutenção de suas operações. As empresas defendem que oficiais estrangeiros não podem contornar o devido processo legal dos EUA e utilizar ordens secretas com caráter coercitivo para regular a expressão e buscar dados privados de usuários americanos fora de suas jurisdições de origem.

Diante do cenário, a Advocacia-Geral da União (AGU) tentou intervir no caso perante o tribunal da Flórida, solicitando a extinção do processo sob a alegação de que as decisões do STF têm de imunidade de jurisdição e que sua submissão ao crivo estrangeiro representaria uma ofensa à soberania nacional do Estado brasileiro. Contudo, os advogados das plataformas reforçaram na petição que a manifestação do governo brasileiro não representa pessoalmente o réu Alexandre de Moraes, reiterando que a inação do magistrado é injustificada pelas regras processuais federais americanas. Com o pedido de decretação de revelia, as plataformas buscam o prosseguimento regular da ação penal e cível sem a participação da defesa do ministro, permitindo que o tribunal avance para as etapas seguintes de julgamento e para a análise de eventuais sanções e declarações de nulidade das ordens restritivas nos Estados Unidos.

Diário do Poder

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