Brasil lidera ranking mundial em volume de arrecadação para governo com repatriação

       O senador Renan Calheiros pretende propor lei para reabrir o programa de repatriação de ativos, que se encerrou na última segunda-feira, 31. O RERCT garantiu a entrada de R$ 50,9 bi nos cofres públicos, com a regularização de recursos que totalizam R$ 169,9 bi.

       A proposta do presidente do Senado deve ser apresentada na próxima terça-feira (08), e embora o projeto inicialmente apenas reabra o prazo do programa, não se descartam outras alterações. A expectativa é que o governo arrecade outros R$ 50 bi com a nova etapa.

         Apesar das críticas à norma e a expectativa em relação a uma nova fase, não há como negar, em comparação com outros países, que o programa foi exitoso no Brasil. Vale destacar, em vários países o prazo para adesão ao programa foi aumentado ou reaberto em busca de nova arrecadação para solucionar a crise econômica.

País Status do Programa Arrecadação
África do Sul Em andamento. Término em junho/2017
Argentina Terminou dia 30 a 1ª etapa

Faltam 2 fases: 31/12/16 e 30/3/17

US$ 4,6 bi
Brasil Terminou em 31/10/16 R$ 50,9 bi
Canadá Até 2018
Chile US$ 1,5 bi
Colômbia Até 2018
Espanha €1,193 bi
EUA Desde 2009 US$ 8 bi
França Até 2017 Menos de R$ 2 bi
Índia Até 2017
Itália Scudo Fiscale (2009) Voluntary Disclosure (2014/15)

Reabre em 2017

2009 – R$ 23 bi

2015 – R$ 16 bi

México Terminou em 30/6/16 $ 92 mi de pesos
Portugal € 200 mi
UK Até 2018

        O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, declarou que o programa atingiu seus objetivos. “Se compararmos com os programas de outros países, veremos como foi bem-sucedido: os Estados Unidos, por exemplo, arrecadaram US$ 8 bi.”

        O sucesso só foi possível porque, apesar de problemas e dúvidas pontuais em relação à lei, seu cerne era, de fato, bem feito – obra do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy e do professor da Faculdade de Direito da USP Heleno Torres.

       Dado importante em relação à repatriação que se encerrou dia 31 é a fonte dos recursos que foram declarados. São elas:

País %
EUA 52
Ilhas Cayman 23
Reino Unido 5,7
Bahamas 3,9
Suíça 3,4

Na Suíça, esse percentual equivale a US$ 1,5 bi (cerca de R$ 4,7 bi). Ressalta-se que os recursos neste país são, em sua maioria, de origem ilícita, eis que as regras são bem menos rígidas, o que comprova que o programa brasileiro conseguiu cumprir o objetivo de garantir a repatriação dos recursos lícitos.

Em uma possível nova fase como quer Renan Calheiros, permitindo-se a adesão ao programa de cidadãos até então proibidos – como parentes de agentes públicos -, não é de espantar uma eventual alteração no quadro da origem dos recursos, com aumento significativo da participação da Suíça.

Fonte – Migalhas

 

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