Zé Dirceu, o mais perigoso corrupto petista, conhecido pelo Mensalão do PT foi derrotado

Há diversos ângulos sob os quais podemos analisar essas eleições, surpreendentes em muitos aspectos. Vou escolher um que, para mim, é simbólico: a não eleição de José Dirceu como deputado federal por São Paulo. Dirceu conseguiu convencer 78.450 eleitores a sufragarem seu nome. Não fosse o quociente eleitoral, estaria eleito. A eleita com menor votação foi Sônia Guajajara, do PSOL, com pouco mais de 54 mil votos. No entanto, outros candidatos do PT tiveram votação maior do que a de Dirceu, e o partido completou o seu número de vagas antes de chegar no nome do ex-todo-poderoso da República.

A não eleição de Dirceu não tem nada a ver com pudores anticorrupção. Seu companheiro de mensalão, João Paulo Cunha, se elegeu, com quase 110 mil votos. Nem tampouco tem a ver com um sentimento anti-PT ou anti-esquerda. Lula venceu Flávio na cidade de São Paulo, e o PSOL teve 3 dos 10 deputados mais votados no Estado, incluindo a recordista Érika Hilton, com quase 1,6 milhão de votos.

Minha tese: fadiga de material. Um cansaço com pessoas que representam outros tempos, o que, em minha opinião, foi um dos fatores que fez com que Lula ficasse atrás de Flávio na votação nacional. Na eleição presidencial de 1989, Lula tomou a frente de Brizola e conquistou o direito de disputar o 2º turno com Collor. Brizola já era governador antes da ditadura, Lula era o ex-sindicalista que havia surgido há pouco mais de 10 anos para a política. Brizola representava o passado, Lula, o futuro. O eleitor deu seu voto ao futuro, enterrando o passado.

José Dirceu, assim como Lula, representam um passado que o PT tem imensa dificuldade de superar. Tanto que os deputados mais votados da esquerda, pelo menos em São Paulo, não foram do PT. O PT envelheceu junto com o seu líder máximo. Já disse aqui e repito: essa era a eleição da renovação, Lula deveria ter preparado seu sucessor desde o início, como fez com Dilma. Não o fez, e agora paga o preço. Não que uma renovação tivesse evitado a derrocada. A força da direita está aí, e não seria diferente com outro candidato do PT. Mas, ao menos, o partido estaria apontando para o futuro. Agora, com Lula se preparando para uma derrota humilhante e um ocaso sem glória, o PT vê-se como um partido sem quadros nacionais à altura.

O futuro da esquerda é… Erika Hilton.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper

 

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