Artigo publicado em 27 de maio de 2016
José de Ribamar Viana ou Papete como todos o conhecíamos possuía um espírito empreendedorista desde quando na metade final dos anos 60, começávamos nosso encantamento com a música e compartilhávamos com nossos amigos e vizinhos Ubiratan Sousa, os Irmãos Saldanha e tantos outros, o que de melhor se produzia no País. Vem dessa época as primeiras composições, dentre as quais “O Bonde”, carregava as melhores influencias de um recém- lançado Chico Buarque de Hollanda e registrava a nossa melancolia pela perda desse meio de transporte que fazia parte das nossas idas e vindas.
Já em São Paulo na década seguinte soube aos poucos construir uma trajetória como músico percussionista, cantor e produtor e seu “Bandeira de Aço”, onde juntou a melhor produção dos jovens compositores maranhenses de então, marcou definitivamente sua carreira.
Ganhou o mundo sempre na companhia de alguns dos grandes músicos brasileiros e foi eleito um dos melhores percussionistas do mundo após participar dos Festivais de Jazz de Montreux na Suíça nos anos 80.
Sempre se manteve ligado umbilicalmente à sua terra e sua participação na programação dos festejos juninos era esperada por todos aqueles que admiravam a sua arte.
Perde o Maranhão e perdem os seus amigos um músico de valor que amou a sua terra e que soube projetar com dignidade algumas das melhores características do nosso povo, estampadas nesse rico folclore que ele tão bem cantou e traduziu para o mundo.
Que o seu caminho para a Luz seja abençoado pela percussão do Criador.
Violonista clássico