Trânsito no Brasil mostra que 47 mil pessoas perdem suas vidas anualmente

Em um período de sete anos, entre 2010 e 2017, cerca de 329 mil vidas foram perdidas no trânsito brasileiro. É o que revelam os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Em 2010, foram 42.844 vítimas fatais. O maior número foi registrado em 2012, com 44.812 óbitos. Em 2017, perderam a vida 35,3 mil pessoas.

Ainda não há dados oficiais de 2018 nem do primeiro semestre de 2019. No ano passado, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou atenção para um número alarmante: os acidentes matam 1,35 milhão de cidadãos por ano, no mundo.

Os números no país são preocupantes, reconhece o Ministério. Segundo o SIM, a maior parte das vítimas fatais dos acidentes de trânsito no Brasil é do sexo masculino e jovens em idade produtiva, entre 20 a 39 anos (36,75%). As mortes prematuras, diz a pasta, têm forte impacto social, econômico e para as famílias.

Segunda maior causa de mortes externas no país, os acidentes de trânsito geram uma grande sobrecarga nos serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) com números crescentes de internações. Em 2017, foram 182.838, gerando gastos de aproximadamente R$ 260,7 milhões. Deste total de internação, 78,2% ocorreram no sexo masculino.

As principais vítimas fatais foram: os motociclistas (12.199), seguidos de ocupantes de automóveis e caminhonetes (8.511); pedestres (6.469); e ciclistas (1.306).

Em mulheres, os óbitos por acidente de trânsito totalizaram 6.336 – 18% dos casos em 2017. A maior parte das vítimas também eram jovens, em idade entre 20 e 39 anos (35,7%).

O Ministério da Saúde informa o número óbitos relativos a acidentes de transporte terrestre:

Número de óbitos por acidente de transporte terrestre (ATT)

Faixa Etaria 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
< 01a 121 126 107 112 104 109 90 92
01-04a 436 392 399 349 361 319 305 281
05-09a 559 527 532 497 501 373 352 324
10-14a 779 748 824 736 688 588 545 493
15-19a 3.411 3.575 3.719 3.425 3.675 3.121 2.964 2.580
20-29a 11.277 11.049 11.256 10.207 10.478 9.235 8.716 8.046
30-39a 8.303 8.456 8.918 8.357 8.777 7.654 7.430 7.124
40-49a 6.454 6.744 6.984 6.764 6.711 6.050 5.857 5.717
50-59a 4.855 5.024 5.170 5.040 5.411 4.879 4.748 4.573
60-69a 3.191 3.191 3.417 3.377 3.573 3.203 3.160 3.116
70-79a 2.143 2.042 2.182 2.101 2.136 1.941 1.969 1.896
80 e+ 1.007 1.015 999 1.013 1.072 956 1.005 880
Ignorado 308 367 305 288 293 223 204 252
Total 42.844 43.256 44.812 42.266 43.780 38.651 37.345 35.374

Um dos fatores principais que impactam profundamente na ocorrência e na gravidade dos acidentes de trânsito está o comportamento dos motoristas. De acordo com o SIM, entre os fatores de risco relacionados aos usuários de veículos estão a associação de álcool e direção e velocidade excessiva.

“O que mata no trânsito é a velocidade e em São Paulo, por exemplo, vimos isso na prática com as mudanças nos limites nas marginais (Pinheiros e Tietê). E aí somam embriaguez e falta do uso de cinto de segurança, e os riscos vão aumentando. Temos comprovação disso”, lembra o sociólogo Eduardo Biavati, consultor em educação e segurança no trânsito.

Entre os fatores que contribuem para gravidade dos acidentes destacam-se o não uso de equipamentos de proteção (capacete, cinto de segurança e cadeirinha para crianças no banco traseiro).

O uso rotineiro do capacete para motociclistas é comprovadamente capaz de reduzir em até 40% a mortalidade e em até 70% os acidentes graves. Nos ciclistas, o uso do capacete também pode reduzir traumatismos cranianos em cerca de 60% dos casos.

Em se tratando da velocidade, o excesso entre 10 km/h ou 15 km/h acima do limite fixado contribui para ocorrência dos acidentes, principalmente quando envolve grupos vulneráveis como ciclistas e pedestres.

Por sua vez, em 2010, a Assembleia-Geral das Nações Unidas editou uma resolução estipulando o período de 2011 a 2020 como a “Década de ações para a segurança no trânsito”. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito. Antes, estão Índia, China, EUA e Rússia. Depois do Brasil, vêm Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito.

O especialista avalia ainda que antes de pensar na quantidade da pontuação da CNH para ser suspensa, é preciso refletir o que de fato isso significa. “A CNH não é um direito como uma carteira de identidade. Habilitação é uma concessão. O Código não dá 20 pontos para gastar, mas se trata de um limite para uma CNH ser suspensa. Ao dobrar para 40 pontos, significa que a tolerância baixou. Admitiremos que o condutor erre mais”, diz.

Folhapress

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