Nas últimas 24 horas, Cuiabá registrou dois casos de pessoas que cometerem suicídio. A primeira aconteceu na Ponte Sérgio Motta, que liga a capital mato-grossense a Várzea Grande, e o segundo no Mirante, em Chapada dos Guimarães (60 km de Cuiabá). Para o psiquiatra, Lawrence Assis, é preciso resiliência (capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças) para enfrentar a depressão. Além disto, também alerta que os casos de assédio moral e sexual tem aumento o número de casos.
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“Quando a pessoa pensa nisso é para aliviar o sofrimento. É preciso saber como ela estava lidando com isto. O problema fez com que ela mudasse de cidade, mas mesmo assim ela não conseguiu se libertar. Na própria mensagem que ela deixou, mostra que acreditava que tirar a vida seria a melhor saída. Estava vivendo uma pressão interna. Quando alguém comete suicídio, faz na tentativa de aliviar a dor. Mas nesse caso é necessário suportar”, disse o psiquiatra ao Olhar Direto.
O psiquiatra ainda comenta que “ela tentou várias vezes resolver o problema. Porém, é necessário resiliência (capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças) para superar isto. Ela tinha uma boa resiliência, mas mesmo assim não foi suficiente. Ela não conseguiu pedir ajuda para enfrentar a depressão”.
Conforme o profissional, a resiliência é a forma como as pessoas se portam com fatores estressantes. “Tenho visto casos de assédio (sexual e moral) constantemente este ano. Ela era uma pessoa vigiada. A crise financeira também acaba contribuindo para isso dentro das próprias empresas. Não parece ser o caso da advogada, mas é algo que também precisamos prestar atenção. Empresas começam a pegar no pé dos empregados, com o objetivo de fazer com que eles se demitam”.
Por fim, também garante que é necessário “desmitificar o suicídio. Antes pensavam que falar sobre o tema faria com que as pessoas se matassem. Mas se não falarmos, não vamos dar oportunidade para as pessoas se abrirem. Isso tem de ser debatido e falado constantemente. Antes era visto como pecado, por isso não tocavam no assunto, a igreja condenava. Precisamos dar oportunidade de quem sofre isso se abrir, buscar conforto e ajuda”.
“É preciso procurar um psicólogo para que ele possa auxiliar. Se apoiar em amigos e familiares também é primordial. Na grande maioria das vezes, o abusador está sempre próximo. O tema tem de ser abordado. Há tratamento e saída para este problema. Mas é preciso resiliência, esta é a palavra chave”, finaliza o psiquiatra, que deixou também o número – (65) 3028-3528 – para quem necessitar de apoio.
CVV GASS
A coordenadora do CVV GASS (Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio), Ana Rosa, disse ao Olhar Direto que: “Temos um trabalho chamado CVV GASS. Existem pesquisas que falam que a cada suicídio, de seis a dez pessoas são impactadas. Geralmente são os familiares, amigos, colegas de trabalho, que tinham contato com a pessoa que tirou a vida. Elas precisam de apoio nos primeiros dias. Alguns acabam se culpando por não ter percebido os sinais. Esse trabalho é feito para dar apoio. Também serve para os que tentaram tirar a vida”.
Ainda conforme a coordenadora, os grupos têm encontros a cada 15 dias: “Existem dois grupos: em uma semana tem o da terça-feira, e na outra semana tem o da sexta-feira. Fizemos desta maneira para que tenhamos dois grupos, em dias e horários diferentes”. Quem tiver interesse nas reuniões pode entrar em contato através do número 141. Ou enviar e-mail para cvvcomunidade141@gmail.com.
Casos
Os Bombeiros e o comando do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) encontraram, na quarta-feira (09), o corpo da advogada Ariadne Wojcik, 25 anos, que havia sumido no Mirante, em Chapada dos Guimarães. A jovem publico, em seu perfil do Facebook, uma mensagem de despedida em que relata ser perseguida e sofrer assédio moral e sexual. Ela já trabalhou junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, onde teria sido vítima.
Equipes do Corpo de Bombeiros realizam buscas ao corpo de um homem que se jogou da ponte Sérgio Motta – que liga as cidades de Cuiabá e Várzea Grande, na noite de terça-feira (08). Populares revelaram as equipes que perceberam a presença de um homem no local e ainda tentaram evitar com que o mesmo pulasse, mas sem sucesso.
No início do mês de setembro de 2016, os bombeiros resgataram um corpo de um homem que pulou da ponte e desapareceu nas águas do rio Cuiabá. A queda foi registrada em vídeo e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou inquérito para apurar os casos. Porém, na ocasião não se tratava de suicídio.
Fonte – CNJ
