Licitação de R$142 milhões e contratos com empresas ligadas a deputado federal estão no centro das apurações. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) estão conduzindo uma investigação sobre indícios de corrupção envolvendo uma licitação de R$142 milhões para obras relacionadas à COP30 em Belém (PA). A apreensão de R$5 milhões em espécie com um policial militar identificado como Francisco Galhardo, flagrado em frente a uma investigação que revelou mensagens no celular dele sugerindo fraude e pagamentos ilícitos a empreiteiras ligadas ao deputado federal Antônio Doido (MDB-PA).
As construtoras J.A. Contrucons e JAC Engenharia, vinculadas respectivamente à mulher do deputado e a um funcionário ligado a ele, venceram licitações que somam quase R$300 milhões para contratos da COP30, incluindo a de R$123 milhões, embora os indícios de corrupção apontados referem-se especialmente à licitação de R$142 milhões. De acordo com as investigações, o PM sacou R$48,8 milhões em nome das empresas, conforme dados do Coaf, e parte desse montante teria sido entregue diretamente a Geremias Hungria, funcionários das empresas e ligado à família do parlamentar.
Paralelamente a essa investigação criminal, o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu alertas sobre um contrato de R$478,3 milhões firmado entre o governo federal e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), sem processo licitatório, para a coordenação organizacional da COP 30. O TCU questiona a justificativa do valor contratado, a ausência de licitação e pagamentos antecipados no valor de R$20,7 milhões à OEI antes da formalização do contrato.
Diário do Poder