Por algumas vezes já mostrei aqui, que se houvesse um pouco de sensibilidade e visão dentro da administração municipal, muitos problemas poderiam ser evitados e até mesmo criticas ao prefeito. Bem na praça Deodoro, no sinal que permite o acesso de veículos às ruas Rio Branco, do Passeio e da Paz, uma árvore impede a visibilidade ao semáforo e pode perfeitamente confundir motoristas e proporcionar acidentes. Se houvesse um pouco de atenção e respeito ao trânsito por parte do Impur, o problema acima não teria razão de existir, a não ser que possa haver intenção de prejudicar o trabalho do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Através da foto, pode-se observar perfeitamente que a dificuldade é bastante acentuada. Espera-se que o Impur, mostre a sua cara e execute o que é da sua responsabilidade. A verdade é que esse pequeno problema é apenas um dos inúmeros maiores existentesna cidade, e que o órgão municipal simplesmente desconhece.
Sebastião Uchôa enfrenta Edinho Lobão e não deve cair da Sejap
Sebastião Uchôa faz preces para continuar na Sejap
Quem pensou que a governadora Roseana Sarney poderia simplesmente acatar o pedido do suplente de senador e pré-candidato a governador Edinho Lobão, para exonerar Sebastião Uchôa, da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária, naturalmente não sabia da força que o pior administrador penitenciário do país, tem no campo politico bem afinado com o Palácio dos Leões e os grandes empresários que prestam serviços terceirizados para o Sistema Penitenciário do Maranhão. Estrategicamente, Sebastião Uchôa está bem recatado, mas continua dando as cartas dentro da pasta com bastante dedicação para a liberação dos pagamentos das empresas que prestam serviços a todos os segmentos da secretaria. Há quem afirme que não será desta vez que Roseana Sarney deverá se livrar do seu Secretário de Justiça e Administração Penitenciária, e que Edinho Lobão, não terá outra opção, a não serincorporar à sua campanha, os desgastes das fugas, assassinatos, corrupção, e até mesmo barbáries iminentes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, a exemplo do que vem sendo aceito com muita resignação pela governadora.
As três fugas de presos registradas ontem na Penitenciária de Pedrinhas foram absorvidas normalmente, muito embora tenha sido a nona do ano e 37 pessoas escaparam no presente exercício. Os números estariam dentro das previsões.
Sebastião Uchôa é professor das academias da Policia Militar e da Policia Civil e é especialista em crime organizado e inteligência e pasmem, tem curso de gerenciamento de crise. Apesar da sua extensa titulação, não conseguiu aplicar nada dentro do Sistema Penitenciário, muito pelo contrário, destruiu totalmente a estrutura que existia, enveredando decisivamente pelo caminho da corrupção com serviços terceirizados sem a mínima qualificação com valores superfaturados. Constituiu-se em um detrator da categoria de agentes e inspetores penitenciários, sem nunca ter provado qualquer acusação verberadas com propósitos para justificar os seus interesses claros pela corrupção, com a garantia do Palácio dos Leões. Ele firmou um contrato mensal de 1,5 milhão de reais, com a empresa Gestor Serviços, para garantir empregos para 294 profissionais ligados a políticos e gestores públicos, com salários entre um mil e quinhentos e sete mil reais. A sua aplicabilidade no exercício da corrupção dentro da Sejap, conforme levantamentos feitos pelo Movimento Auditores Unidos Contra a Corrupção, que inclusive registrou e lamentou a demasiada omissão do Ministério Público para todas as praticas lesivas aos cofres públicos.
No Complexo de Pedrinhas, mais precisamente na área da Casa de Detenção, inventaram jogos de futebol à noite, em que rolam drogas e bebidas, e que apesar das advertências da segurança interna de que se constituem em riscos iminentes para barbáries, a diversão está correndo frouxo e há quem afirme que se trata de um trabalho de “ressocialização”, com orientações de dentro da Sejap.
Governo manda emplacar ônibus escolares abandonados pela Seduc
As denuncias feitas por parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa, de que 70 ônibus escolares novos, estão parados e sendo depreciados em uma garagem improvisada da Secretaria de Estado da Educação, no bairro do Turu, causou um reboliço ontem no Palácio dos Leões. Uma foto dos deputados no local em que se encontram os ônibus e as criticas de que o Governo do Estado é também um dos grandes responsáveis pela precariedade do transporte escolar no interior do Estado, motivou uma reunião de emergência. O diretor do Detran foi chamado e imediatamente recebeu autorização para o emplacamento de todos os coletivos escolares, o que deverá ocorrer durante o dia de hoje. Neste final de semana, todos os que forem revisados ganharão o caminho dos municípios para os quais serão destinados. Como parte da compra efetuada em 2013, faltam ainda 66, que ainda não se sabe quando serão entregues pelo fornecedor. A governadora Roseana Sarney deverá aproveitar a sexta-feira para anunciar como o dia em que foram entregues ônibus escolares para vários municípios, para que muitas crianças não venham a perder a vida sendo transportadas nos chamados paus de arara, como ocorreu em Bacuri. A verdade é que a pressa do Governo do Estado foi também decorrente da decisão do Ministério Público em fazer investigações sobre recursos destinados para o transporte escolar.
Padre Valdir Silveira compara presídios a senzalas
“No Brasil podemos comparar o presídio às senzalas. Há um perfil bem definido das pessoas que estão lá dentro. E se falarmos de condições dentro da prisão, estamos falando dos palanques que havia nas senzalas. Eu pergunto, então: como melhorar o palanque de tortura? Como melhorar a condição do palanque de tortura? Colocando um palanque de ouro, de ferro? Como vai ser isso? O presídio é um palanque de tortura como eram as senzalas, mas hoje das periferias e dos pobres. Se houvesse outro público lá dentro, podíamos não pensar nisso. Mas não tem como, é algo muito seletivo”. A afirmação é do padre Valdir João Silveira, em entrevista à Carta Capital, na qual o coordenador nacional da Pastoral Carcerária também afirmou ser contrário a qualquer tipo de prisão, uma vez que nos presídios não é possível reintegrar ninguém. “É a instituição [prisão] na qual se garantem as violações de diretos básicos da pessoa. Então, tudo o que vai a favor do direito de alguém é quebrado. A regra está ali para quebrar os direitos básicos da pessoa. A pessoa é presa para lhe ser retirada a liberdade de ir e vir. Todos os demais direitos são garantidos pela lei, porém todos acabam violados por essa instituição”, enfatizou. Padre Valdir também criticou a atuação do poder Judiciário no país. “Por exemplo, nos mutirões carcerários que [o CNJ] realizou nos anos 2010 e 2011 foram libertas mais de 24 mil pessoas que estavam presas irregularmente. E nenhum juiz foi punido por ter mantido esses presos irregulares. Portanto, o CNJ expõe a miséria do Judiciário, mostra que ele está doente, mas não aponta um diagnóstico de solução. Ele mostra ainda como a estrutura é falha e criminosa. Manter alguém no presídio de forma irregular é crime, e alguém deveria ser punido por isso”. O coordenador nacional da PCr defendeu a Justiça Restaurativa. “Temos de mudar a justiça penal no Brasil. Precisamos buscar a justiça restaurativa. Nela, a própria comunidade se apodera das decisões, as coisas não ficam somente nas mãos das instâncias superiores. A justiça penal de hoje olha para o passado e não para o futuro. Na justiça de hoje não se olha a vítima, não se contempla sua dor. A justiça restaurativa coloca a vítima no centro do processo, e a pessoa quem cometeu o ato de violência será trabalhada a partir dessa dor da vítima. Os especialistas trabalham sempre com as pessoas que foram agredidas e suas futuras gerações. O crime nunca é individual, é sempre social. Portanto, a pessoa que foi atingida terá atingida as suas gerações. Por isso, família, vizinhos e lideranças trabalham em conjunto”. Ainda na entrevista, padre Valdir opinou que toda a sociedade deveria se indignar com a situação das pessoas presas que já deveriam estar em liberdade; e criticou a dificuldade que os presos encontram para ter acesso à leitura. “O que os presos mais pedem para ler, mas que é proibido em quase todos os CDPs, é o Código Penal. No fim das contas, então, eles não podem ler uma lei, para conhecer os seus direitos… Certa vez, o funcionário que me proibiu de levar o Código Penal me disse: ‘O senhor já imaginou se eles conhecem a lei, que perigo?
Companheira de mulher que deu à luz a trigêmeos tem direito a licença-maternidade
Com a decisão as duas mães poderão ficar em casa pelos 120 dias previstos em lei.
A juíza de Direito Ana Beatriz Cid Ornelas, da 13ª vara do Trabalho de Brasília, concedeu licença-maternidade à companheira de uma mulher que gerou trigêmeos. Com a decisão as duas mães poderão ficar em casa pelos 120 dias previstos em lei, prorrogáveis por mais 60 dias, para cuidar das crianças.
Nos autos ficou provado que as mulheres constituíram uma entidade familiar baseada na afetividade, na comunhão de vida e na assistência mútua, emocional e prática. E dessa união, formalmente reconhecida, nasceram três bebês, registrados em nome do casal. Assim, apesar de formarem uma família com estrutura diferenciada, merecem a proteção do Estado.
Para a juíza Ana Beatriz, é preciso reconhecer a existência de um núcleo familiar com duas mães, “pois não se pode crer que a filiação materna seja única e precise advir exclusivamente do parto“. Segundo ela, se existem novos modelos familiares, estes devem ser dignos de tutela do Estado.
Ainda de acordo com a magistrada, o período de licença maternidade é único e insubstituível. “Trata-se de um benefício conquistado por diversas nações ao longo dos tempos e é essencial para a formação e fortalecimento do vínculo materno, para garantia da amamentação regular e para assegurar o desenvolvimento e o equilíbrio psico emocional da criança“.
Dessa forma, considerando que a família é a base da sociedade e é de absoluta prioridade preservar e garantir os direitos dos menores foi confirmada a antecipação de tutela, antes deferida, e reconhecida a dupla maternidade.
Fonte: TRT da 10ª região
Santa Sé autoriza início de processo de beatificação de dom Luciano Mendes
A arquidiocese de Mariana (MG) divulgou comunicado da Congregação para a Causa dos Santos sobre o processo de beatificação de dom Luciano Mendes de Almeida. “Por parte da Santa Sé, não há nada que impeça, para que se inicie a Causa de Beatificação e Canonização de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida”, informa a Congregação. A solicitação de abertura do processo foi feita pelo arcebispo local, dom Geraldo Lyrio Rocha, que poderá instituir o Tribunal que levará adiante o processo.
Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida foi arcebispo de Mariana de 1988 a 2006, quando faleceu aos 75 anos. O arcebispo, da Companhia de Jesus, foi secretário geral (de 1979 a 1986) e presidente (de 1987 a 1994) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por dois mandatos consecutivos.
Em nota publicada em 2006 sobre dom Luciano, a Presidência da CNBB destacou entre as marcas que deixou na instituição o dinamismo, a inteligência privilegiada, a dedicação incansável e o testemunho de amor à Igreja.
De origem fluminense, dom Luciano nasceu em 5 de outubro de 1930. Doutor em Filosofia foi membro do Conselho Permanente da CNBB de 1987 até o ano de sua morte. Também atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, foi vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e presidente da Comissão Episcopal do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome.
Durante quase duas décadas à frente da arquidiocese de Mariana (MG), o bispo deu forte impulso pastoral àquela Igreja particular, onde a organizou em cinco Regiões Pastorais. Deu atenção à formação permanente do clero, à realização de assembleias pastorais e à reestruturação de conselhos arquidiocesanos. Também organizou pastorais, religiosos, processos formativos do Seminário Arquidiocesano e obras sociais, além do investimento na capacitação e participação dos leigos e na preservação das Igrejas históricas.
Informação do Boletim da CNBB
Mais de 200 comunidades quilombolas prometem interditar a BR-135. Elas se dizem enganadas pelo INCRA
Lúcia Vieira, Secretária Agrária da Fetaema, esteve com os quilombolas.
A líder sindical Lúcia Vieira, Secretária de Politicas Agrárias da Fetaema, esteve reunida com lideranças de mais de 30 comunidades quilombolas da região do município de Itapecuru-Mirim, no sentido de tomar conhecimento da realidade, que os levaram a interditar a BR-135 à altura do povoado de Santa Rosa, por quatro horas. Bastante indignadas, as lideranças disseram que foram vítimas do engodo do ex-superintendente do INCRA, que havia firmado um acordo com eles para fazer a titulação das terras de dezenas delas e paralelamente investimentos com politicas sociais. Segundo os quilombolas, o ex-superintendente afirmou que já havia conseguido a liberação dos recursos e que antes de deixar o órgão para se candidatar a deputado estadual, todos os problemas seriam resolvidos. Com mentira deslavada e a constatação de que toda a problemática está sem solução, as lideranças no dia do protesto exigiram a presença da nova superintendente do INCRA, a assistente social Maria de Fátima Santana. A secretária agrária da Fetaema, Lúcia Vieira foi indicada pelas lideranças para intermediar a solicitação de encontro, uma vez que caso não haja uma resolução imediata para as sérias questões, eles irão reunir lideranças de mais de 200 comunidades quilombolas para interditar a BR-135, por tempo indeterminado, afirmando que não temem consequências, uma vez que chega de serem explorados pelo poder público, principalmente no campo politico, dizendo que por muitas vezes já foram vítimas de estelionato eleitoral e por pouco quase que seriam novamente pelo ex-superintendente do INCRA, José Inácio Rodrigues, do PT e integrante da base aliada da governadora Roseana Sarney. Se os entendimentos não prosperarem com a nova superintendente Fátima Santana, os quilombolas prometem endurecer as reivindicações e não medirão esforços em ir para a luta.
Hoje, a diretoria da Fetaema, esteve reunida para analisar o grave problema, temendo por consequências graves que possam vir a ser registradas, uma vez que os quilombolas estão realmente em pé de guerra, devendo uma equipe técnica se destinar para o local para acompanhar as negociações.
Secretário Marcos Afonso e o comandante da PM definem ações conjuntas de combate à violência
O secretário Marcos Afonso Júnior, da Segurança Pública, assumiu o cargo estendendo as mãos aos colegas e pedindo apoio de todos os servidores do Sistema de Segurança Pública. Todos os projetos e planos de ações que estiverem devidamente corretos e que visem o bem comum terão continuidade. Vamos unir forças com a Policia Militar e o Detran, para que juntos possamos trabalhar em consonância e de maneira bem objetiva e produtiva. Precisamos do importante apoio da sociedade como um todo, principalmente das comunidades mais perseguidas pela violência e que necessitam da presença do poder público em suas áreas. O disque denúncia com garantia do mais absoluto sigilo, pode ser um dos caminhos.
No interior do Estado, a problemática é bem maior, mas vamos encarar todos os desafios com muita determinação e tenho comigo a convicção plena de que o bem vence o mal, com a união de forças, compromissos e lealdade para que todos juntos sejamos protagonistas de que outra sociedade é possível, bastando apenas que queiramos, registra o titular da pasta. A iniciativa do secretário Marcos Afonso em destinar um helicóptero para a região tocantina foi muito bem recebida pela população. Todos os municípios do Maranhão deverão ter delegados de carreira, com viatura e policiais treinados para o enfrentamento a bandidagem, muito embora saibamos que os problemas são muitos sérios e graves e vêm de longas datas, mas mesmo não deixaremos de enfrentar todos os desafios, diz o novo titular da pasta da segurança, que amanhã deve ter novo encontro com o coronel Zanoni Porto, comandante da Policia Militar do Maranhão, que tem propósitos bem definidos de luta contra a violência, disse o secretário Marcos Afonso Jr.
ANS precisa mostrar mais a cara em São Luís
A suspensão de comercialização do plano saúde Conmed – Convênios Médicos Suplementar Ltda – São Luís, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar chegou um tanto tarde, muito embora tenha recebido muitas denúncias sérias de práticas ilícitas contra conveniados. A ANS em São Luís tomou poucas atitudes, por exemplo contra a Unimed – São Luís devido a ingerência do Ministério Público, mas foi bastante benevolente com a Multiclínicas e a Atemde, que fecharam as suas portas em razão de não conseguirem mais dar calotes nos associados e em inúmeros estabelecimentos prestadores de serviços médicos. Pelo que se tem conhecimento os dois planos nunca foram alvos de fiscalizações rigorosas da instituição.
A verdade é que falta uma fiscalização responsável por parte da Agência Nacional de Saúde Complementar aos planos de saúde, principalmente no que concerne a prestação de serviços e observações importantes sobre o cumprimento dos princípios emanados da lei. Em São Luís, tem plano de saúde que faz mídia para impressionar, e que faz atendimento através de agendamento telefônico, que é precário, deficiente e concorre para que os associados nunca sejam atendidos, e até desistam de um direito que lhes é assegurado ou então recorrer à justiça. Eles tripudiam pela omissão ou até mesmo com a conivência da ANS. A verdade é que a ANS precisa mostrar mais a sua cara perante a opinião pública, promover audiências públicas e se disponibilizar para debates e esclarecimentos para a população. Entendo que a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa podem perfeitamente solicitar audiências públicas com a ANS.
Espírito de diálogo e diálogo no Espírito
“Uma coisa era pensar a Igreja em um ambiente restrito, como o europeu daquela época, no qual a tradição cristã estava inserida como fator cultural predominante; outra coisa era inserir-se em culturas alheias, nas quais o cristianismo era algo totalmente estranho e que já possuíam sistemas religiosos milenares sem relação nenhuma com Cristo ou com o judaísmo do Antigo Testamento. Se a solução doutrinária da época foi a formulação de conceitos como fé implícita, batismo de desejo, cristianismo anônimo (ou seja, afirmar que aqueles povos eram cristãos e não sabiam), o Vaticano II traz, em seu ensinamento, novidades que acabam, sim, por romper com o entendimento oriundo de Florença.” escreve Renato Machado, doutor em teologia, ao comentar o artigo “Diálogo Inter-Religioso: 50 anos após o Vaticano II”, de autoria do teólogo vietnamita Peter Phan.
Eis o artigo.
O cinquentenário do Concílio Vaticano II vem produzindo análises diversificadas, que buscam compreender a herança deste concílio e suas reais perspectivas para a Igreja. No artigo “Diálogo Inter-Religioso: 50 anos após o Vaticano II”, publicado no Cadernos de Teologia Pública nº 86, pelo Instituto HumanitasUnisinos, Peter Phan debruça-se sobre o discurso conciliar a respeito da relação da Igreja com as religiões não cristãs. Seu texto tem como objetivo fazer um levantamento da teologia e prática do diálogo inter-religioso na Igreja Católica Romana desde o término do Vaticano II, projetando suas direções futuras. O autor realiza esta reflexão perguntando-se pelas perspectivas atuais desta questão em um olhar retrospectivo e analítico da mesma: segundo Peter Phan, é preciso que perguntemos de onde viemos, onde estamos e para onde vamos, quando nos referimos ao diálogo inter-religioso. Assim, ele busca revisar o olhar católico e o discurso a respeito desta questão no contexto da década de 60, observar os acontecimentos mais importantes ocorridos na Igreja em relação ao diálogo com religiões não cristãs nos últimos 50 anos e, por último, olha perspectivamente para as direções e trajetórias que parecem surgir no início do terceiro milênio cristão, quanto à busca por uma vida comum harmoniosa entre os adeptos de diferentes religiões.
Seu ponto de partida é o documento NostraAetate, produzido no contexto do Vaticano II e que trazia, de forma oficial, a Declaração sobre a Relação da Igrejacom as Religiões Não Cristãs. Phan afirma que, por mais que se assuma uma hermenêutica conciliar de reforma, que não romperia com a identidade eclesial pré-conciliar, o fato de termos, até então, as orientações do Concílio de Florença, ocorrido entre 1438 e 1445, como ensinamento eclesial oficial sobre a relação com outras religiões, impossibilita não haver um rompimento sobre esta questão. Os séculos transcorridos entre Florença e o Vaticano II e os fatos históricos ocorridos neste longo tempo, revelaram facetas da realidade que não cabiam mais na compreensão universalizante da Igreja Católica da época florentina. Se, em Florença, cunha-se a expressão extra ecclesiamnullasalus (fora da Igreja não há salvação), ao afirmar que a Lei Mosaica e as prescrições veterotestamentárias cessavam em Cristo, sendo substituídas pelos sacramentos neotestamentários, a chegada de europeus aos continentes americano, asiático e africano colocava sérios questionamentos a estas afirmações. Uma coisa era pensar a Igreja em um ambiente restrito, como o europeu daquela época, no qual a tradição cristã estava inserida como fator cultural predominante; outra coisa era inserir-se em culturas alheias, nas quais o cristianismo era algo totalmente estranho e que já possuíam sistemas religiosos milenares sem relação nenhuma com Cristo ou com o judaísmo do Antigo Testamento. Se a solução doutrinária da época foi a formulação de conceitos como fé implícita, batismo de desejo, cristianismo anônimo (ou seja, afirmar que aqueles povos eram cristãos e não sabiam), o Vaticano II traz, em seu ensinamento, novidades que acabam, sim, por romper com o entendimento oriundo de Florença.
Na Lumen Gentium, por exemplo, encontra-se declarações que afirmam a proximidade de Deus de todos aqueles que o buscam, mesmo desconhecendo-o, reconhecendo-se como valor Evangélico tudo que há de bom e verdadeiro nestas culturas. Além disso, o mesmo texto reconhece o desígnio salvífico no Povo de Israel e nos Muçulmanos, uma vez que cultivam sua fé a partir de Abraão. Já o decreto Ad Gentes afirma que “o que de bom há no coração e no espírito dos homens ou nos ritos e culturas próprias dos povos, não só não se perde, mas é purificado, elevado e consumado para a glória de Deus”. Finalmente, no próprio NostraAetate, declara-se que a Igreja Católica em nada rejeita o que há de verdadeiro e santo nas religiões primais, como hinduísmo e budismo, guardando sincero respeito pelos preceitos e doutrinas destas tradições, sem, com isso, deixar de anunciar Jesus Cristo. Há, por isso, uma clara mudança de paradigma entre Florença e o Vaticano II e, para Peter Phan, a jornada entre um concílio e outro se deu em 500 anos de caminhada em ziguezague, com muitos desvios e estradas secundárias. Por isso, o Vaticano II assume seu lugar na história como um evento, no qual acontece uma profunda conversão e uma inesperada transformação intelectual para a Igreja. Pode-se reconhecer nele um acontecimento pneumatológico, que sopra vida nova na arrogante visão eclesiástica que impedia de reconhecer o outro como portador da verdade.
Esta transformação, porém, não se deu de forma tranquila. Peter Phan relata, em seu artigo, que a declaração NostraAetate quase não foi aprovada. Houve uma primeira versão, elaborada pelo Secretariado para os Judeus que não foi sequer recebida pela Comissão Teológica, por ter sido considerada puramente pastoral. Uma segunda versão foi retirada da pauta por pressão dos Estados Árabes. Uma terceira versão, aprovada para análise, sofreu objeção por parte de três grupos: um grupo conservador, que o rejeitava por não mais afirmar que a antiga aliança com o povo de Israel havia sido substituída pela Nova Aliança, em Cristo; um grupo de patriarcas e bispos das Igrejas Católicas Orientais do Oriente Médio, que acusavam o texto de favorecer o Estado de Israel; e um grupo de bispos asiáticos e africanos, que não se satisfizeram como texto por este se referir apenas ao judaísmo, não mencionando outras Tradições Religiosas.
O que resultou de todos estes debates foi o texto publicado como Declaração sobre a relação da Igreja com as religiões não cristãs que, sendo o documento mais breve do Vaticano II, tornou-se um dos mais influentes do Concílio, extrapolando os limites da própria Igreja. São 41 frases distribuídas em cinco parágrafos: o primeiro trata da origem e destino comum da humanidade em Deus, elaborando a fundamentação teológica para o diálogo inter-religioso; o segundo discorre sobre as tradições hinduísta e budista; o terceiro discursa sobre o Islã; o quarto, mais extenso, trata do judaísmo; e o último reprova quaisquer formas de discriminação contra qualquer indivíduo ou grupo. E é a partir de NostraAetate que precisamos realizar a leitura histórica do diálogo inter-religioso dos últimos cinquenta anos.
O lugar onde estamos
Para Peter Phan, se viemos do Concílio de Florença, perfazendo 500 anos de caminhos tortuosos, o documento sobre diálogo inter-religoso do Vaticano II é o lugar onde chegamos. O olhar sobre os desdobramentos práticos deste documento aponta os caminhos para onde iremos. Por isso, Phan realiza esta leitura de contexto através dos pontificados onde este documento passou a vigorar, a saber, em Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Paulo VI, por exemplo, foi o primeiro Papa a visitar a Índia e a citar uma oração do Upanixade, além de estabelecer o Secretariado para os Não-Cristãos, renomeado oportunamente de Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. João Paulo II é visto por Phan como o Papa que mais fez pelo diálogo inter-religioso, utilizando-se habilmente de gestos simbólicos que aproximaram diferentes tradições.
Peter Phan destaca, neste sentido, a visita realizada por João Paulo II à sinagoga de Roma, a convocação do Dia Mundial de Oração pela Paz, em Assis, seus muitos encontros com budistas e muçulmanos, sua visita à Terra Santa e a colocação de uma oração numa fenda do Muro Ocidental, suplicando a Deus que perdoasse os cristãos por seus pecados contra os judeus.
Já Bento XVI, lembrado por Phan como mais reservado, em relação aos anteriores, realizou gestos bastante significativos em relação aos judeus e muçulmanos, como as visitas ao Muro Ocidental e a Auschwitz, bem como à Mesquita Azul, na Turquia, ao Domo da Rocha e à Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. Da mesma forma, o número de documentos do magistério sobre o diálogo inter-religioso, sob estes pontificados, foi o mais prolífico de toda a história da Igreja, sendo que o diálogo judaico-católico tem sido o mais amplo e bem-sucedido, sendo considerado um verdadeiro legado de João XXIII. Nesta linha, surgem também várias produções teológicas que tentam responder ao contexto pluralista de nosso tempo, buscando um diálogo frutífero entre as religiões.
Peter Phan destaca a produção de Paul Knitter, teólogo católico que amplia a categorização de diálogo entre as religiões em quatro modelos: o modelo de substituição, no qual o cristianismo seria a única religião verdadeira, que substituiria as demais com o tempo; o modelo da consumação, que reafirma o cristianismo como única religião verdadeira, mas reconhece elementos de verdade e graça nas demais religiões, defendendo uma complementaridade entre estas e o cristianismo através do diálogo; o da mutualidade, que sustenta o valor próprio de cada religião, sem que haja alguma que seja superior, sendo todas conclamadas ao diálogo e colaboração em projetos de libertação, que realizem sua verdadeira natureza; e o modelo de aceitação, que acentua a diversidade entre as religiões, sem buscar um terreno comum entre elas. Obviamente que, junto à essa fecundidade eclesial na busca do diálogo inter-religioso, houve muitos recuos e adversidades, principalmente em tempos bem recentes, nos quais se aventava uma “reforma das reformas” iniciadas no Vaticano II.
Incentivadas, principalmente, pelo fantasma da ditadura do relativismo, estas atitudes tem jogado uma verdadeira ducha de água fria sobre os esforços para avançar no diálogo entre as religiões e no próprio ecumenismo. Peter Phan cita, neste rol, a atuação da Congregação para a Doutrina da Fé no disciplinamento de teólogos que tem buscando ampliar as fronteiras relacionais entre as religiões. Além disso, no ano 2000, a Declaração Dominus Iesus, que no melhor espírito florentino retoma a afirmação de que os não cristãos se encontram em situação pecaminosa, provocou vários protestos entre as comunidades que militam pelo diálogo inter-religioso. Algumas atitudes pontuais de Bento XVI também contribuíram com este retrocesso, como a citação de Manuel II Paleologus, ofensiva à figura de Maomé, em palestra proferida da Universidade de Regensburg, em 2006; a revogação da excomunhão do bispo Richard Williamsom, em 2009, sendo que este bispo negava a ocorrência do Holocausto; a reformulação da oração pelos judeus na Missa Tridentina da Sexta- feiraSanta, na qual se pede que os judeus reconheçam Jesus como seu salvador.
Caminhos que se abrem
Ao abordar a terceira categoria a que se propõe em seu artigo – “para onde vamos” – Peter Phan lança um olhar sobre algumas questões teológicas essenciais, na opinião do autor, para romper o atual impasse no diálogo inter-religioso. Primeiramente, seria preciso aprofundar uma teologia do Espírito (pneumatológica) como chave para o diálogo inter-religioso. Phan insiste que um diálogo entre tradições religiosas não poderia ter como ponto de partida, por parte do Igreja, a figura de Jesus Cristo, mas o Espírito Santo: no Espírito estaria uma realidade universal concretamente reconhecível na diversidade histórica, ao contrário da figura de Cristo, inscrita em determinado tempo e espaço, que não são universais.
No Espírito se reconhece mais claramente o Absoluto, o Transcendente que se inscrevem na elaboração histórica de diversos povos. Em segundo lugar vem a própria questão cristológica. O autor enfatiza que há uma profunda diferença entre reconhecer Jesus como salvador e redentor universal e reivindicar Jesus como salvador. No primeiro caso se encontra o problema instaurado pela Dominus Iesus: colocar Jesus como único salvador possível para a humanidade, embasado no fato de que, sendo Filho de Deus, ele teria revelado Deus de maneira plena. Citando Jacques Dupuis, Phan lembra que, sendo humana, a relação de Jesus com Deus também era limitada e inacabada e que, por isso, pode-se reconhecer em outras relações, de outras tradições religiosas, a mesma legitimidade.
Além disso, Jesus era judeu e este fator deveria servir como fomento para o aprofundamento do diálogo entre cristãos e judeus. Reivindicar Jesus como salvador, portanto, ao invés de exigir que ele seja o único salvador, pode servir para alimentar uma cristologia que dialogue com a pluralidade religiosa. Em terceiro lugar, Phan toca na questão eclesiológica missionária no contexto do diálogo inter-religioso: em contraponto à ideia de missio ad gentes, que guarda um caráter de conversão através do anúncio kergmático, o autor levanta a possibilidade de uma missiointer gentes e cum gentibus, partindo-se do pressuposto de que o Espírito já se encontra atuante e presente na história, independente da evangelização promovida pela Igreja. Assim, o caráter missionário se daria no trabalho conjunto com as diversas tradições religiosas na luta pelo Reino.
No epílogo de seu artigo, Peter Phan arrisca algumas previsões sobre o futuro do diálogo inter-religioso na Igreja a partir de Francisco. O autor lembra que o atual Bispo de Roma ainda não deixou uma longa lista de textos e que não parece ter a pretensão de ser reconhecido como filósofo ou teólogo, mas que vem revelando um carisma diferente da erudição teológica, que parece vir ao encontro daquilo que a situação atual da Igreja exige. Francisco tem transparecido, em gestos e atitudes, a pressuposição para o diálogo na pluralidade, de acordo com o atual contexto sócio cultural: desde sua oração silenciosa, em sua primeira entrevista coletiva, em respeito aos que não compartilhavam a fé católica ou não tinham fé alguma, passando pela crítica que fez, quando ainda era cardeal, ao discurso de Bento XVI em Regensburg, até a própria escolha do nome Francisco para seu pontificado.
É referindo-se a Francisco de Assis, aliás, que Peter Phan conclui seu artigo, lembrando a história do encontro entre opoverello de Assis e o sultãoMalekal-Kamil, durante a quinta cruzada. Francisco, acompanhado do Irmão Illuminato, cruzou a linha de batalha. Ambos foram presos e levados até o sultão. Ao se encontrarem, Francisco e o sultão tentaram converter um ao outro, até se darem conta que ambos conheciam e amavam a Deus. Durante 20 dias, então, Francisco eIlluminato ficaram hospedados com o sultão, discutindo sobre oração e vida mística. Ao partirem, Francisco e Illuminato ganharam do sultão uma corneta de marfim, que se encontra até hoje na cripta da Basílica de São Francisco, em Assis. Por isso, Peter Phan conclui seu artigo dizendo: “Esse encontro entre Francisco e Malekal-Kamil é um paradigma para o diálogo inter-religioso em nossa época. Apesar de diferenças na religião, as pessoas podem encontrar terreno comum em suas experiências de Deus. O diálogo exige que verdadeiramente escutemos a outra pessoa: mas, para ter condições de fazer isso, precisamos primeiramente ver a outra pessoa como um ser humano, que é amado por Deus e deve ser respeitado por nós. Não há outro caminho para a paz, tanto no século XII quanto no século XXI”.
IHUSINOS