A dor de Jaciane Borges, pela perda irreparável da filha Alanna Ludimilla, nas circunstâncias em que foi praticado e as tensões que precederam a localização do corpo e da identificação do autor foram inimagináveis. Com a descoberta do corpo no quintal da própria casa, pessoas de índoles perversas atribuíram a Jaciane Borges, participação no crime e criou-se uma hostilização pública contra uma mulher com o coração e todo o seu ser praticamente destruído pela irreparável perda, ser acusada de participação no crime e ser impedida de velar a filha, diante do risco de vir a ser linchada foi uma carga muito forte para um ser humano suportar.
Quando da prisão do perverso assassino e o caso esclarecido, a senhora Jaciane Borges, teve uma reação com um sentimento digno, límpido e pueril ao se manifestar publicamente pelo perdão a todos os que a acusaram-na e a impediram-na de ter algumas horas ao lado do corpo da filha. As suas palavras comoveram muita gente e muita mais a grandeza do perdão, num momento de profunda dor. A revolta dela que poderia ser natural, veio com expressão de perdão e paz, surpreendeu aos que esperavam pelos revides das pedras que lhes foram atiradas.
O ódio expressado contra ela com os gritos de revolta mereceram a resposta de um coração, embora sangrando pelo sofrimento, mas racional e perseverante com a dádiva do amor que Deus semeou dentro dela. O sentimento de dor dentro de Jaciane Borges, ninguém pode avaliar, só ela é quem sente e mesmo assim é muito difícil para e expressar toda a dimensão aos outros.
Jaciane Borges precisa da solidariedade de todos nós, com manifestações solidarias e fraternas, uma vez que só Deus irá amenizar o seu sofrimento e com certeza orientará o seu caminho a seguir na construção do Reino do Pai.
O bárbaro assassinato de Allanna Ludmilla proporcionou o surgimento de oportunistas políticos, que sem nenhum discernimento do respeito a dor alheia vêm fazendo uso dos velhos chavões promocionais para proferir gritos contra a violência e outras articulações em busca do favorecimento popular.
Quero lembrar aos oportunistas, que o Senado Federal vem realizando audiências públicas sobre a parte geral do projeto do novo Código Penal, que tem propostas de aumento para a pena mínima para o crime de homicídio, torna a corrupção crime hediondo, mas também prevê possibilidades de substituição da pena de prisão para delitos de menor potencial ofensivo, que é o caminho para a impunidade.
Hoje temos uma Lei de Execução Penal que facilita a impunidade com privilégios e mais privilégios para presos, que inclusive hoje existem detentos que já querem saídas temporárias para passar o carnaval fora das celas para participarem de retiros espirituais.
Várias entidades de direitos humanos em favor de presidiários e a Pastoral Carcerária Nacional estão liderando movimento para que neste natal seja concedido o indulto natalino para os presos que tenham sido vitimas de agressão física por parte de outros presos dentro do cárcere ou de agentes públicos. Não duvidem se vier a ser aceito, uma vez que as politicas defendidas hoje dentro das instituições judiciárias são pela redução da população carcerária.
