A noite de cão registrada ontem (15) na cidade de Colinas, distante 495 km da capital, foi mais uma referência de que a bandidagem está cada vez mais organizada, contando com armamento pesado de última geração, bem informada e ataca com a absoluta certeza de êxito diante da fragilidade do aparelho de segurança nos municípios maranhenses. Todo o Sistema de Segurança do Maranhão sabe que os anos de eleições são marcados pelo elevado número de assaltos a bancos, explosões de caixas eletrônicos e a grandes estabelecimentos comerciais que movimentam elevadas somas diariamente..
O crime está cada vez mais organizado e a realidade é que existem consórcios de quadrilhas com respaldos em várias unidades da federação. O que tem faltado para os estados na qualificação de policiais, de armamento moderno e de ponta, de estratégias de ação, tem sobrado para os diversos grupos de criminosos que estão instalados no Maranhão. Os assaltantes se organizam de tal forma, que na fuga levam reféns logo liberados e espalham cédulas na rota de fuga para atrair curiosos e atrapalhar as ações policiais.
Hoje conversei com algumas pessoas de Colinas e a informação é que a cidade está apavorada e a comoção é muito grande com a morte da jovem Shislene Araújo, empregada de uma clinica da deputada estadual Nina Melo, que foi morta atingida por um tiro desferido de uma arma de grosso calibre. As pessoas na cidade têm consciência de que embora tenham sido uma média de 15 homens com três veículos e armamento pesado e chegando de surpresa, a diferença entre os criminosos e a policia, é bem favorável aos bandidos, que inclusive poderiam ter explodido outros prédios da cidade como intimidação.
Plano emergencial de segurança para todo o Estado
Hoje a população maranhense vive uma realidade totalmente diferente da semeada pelo governo através da mídia, com a hipocrisia de que está havendo a redução da violência, quando a realidade ela é bem crescente. O ano passado, quando em menos de um mês bandidos assaltaram duas agências bancárias e uma dos Correios, no município de Monção, cheguei a admitir, que o governo tomaria consciência de que a realidade era muito mais grave do que pensavam. O caso de Colinas é bem diferente, uma vez que a cidade conta com um batalhão de pelo menos 50 homens e por falta de logísticas de armamento, transporte e pessoal bem treinado e atualizado, não tem condições para um enfrentamento e se for vai sofrer baixas.
Este ano já foram 17 explosões e assaltos e bancos no Estado e como estamos em ano eleitoral, a tendência é que hoje um crescimento bem acentuado em relação ao exercício passado. Aqui não quero de maneira nenhuma criticar o Secretário de Segurança Pública e o Comandante Geral da Policia Militar, uma vez que o problema é de responsabilidade do governo, que tem o dever de garantir a segurança, a ordem e o direito constitucional do cidadão de ir e vir e a proteção do seu patrimônio, uma vez que sempre é sufocado pelas cobranças de impostos.
A população de Colinas deveria se organizar através dos seus segmentos da sociedade civil e fazer movimentos para cobrar do Governo do Estado, que pelo menos dê condições de trabalho dignas para os policiais militares e civis, veículos e armamento para que possam desenvolver planejamento que os possibilitem a ações preventivas.
O sério problema social com as ausências de bancos
As explosões de caixas eletrônicos em diversos municípios maranhenses e a destruição das agências bancárias tèm criado problemas sociais bem sérios, e que o poder público está indiferente a eles. As pessoas que recebem benefícios da assistência continuada, bolsa família, aposentadoria, pensões, servidores públicos estaduais, municipais e comerciantes passam a enfrentar sérios problemas. Para realizarem operações financeiras que não possam ser feitas pelos Correios ou outro estabelecimento de crédito, no caso em que haja outro, terão que se deslocar para outras cidades custeando despesas, que refletem nas suas rendas. Alguns bancos resistem em reconstruir agências, devido não haver a garantia da segurança pública, muito embora todas as agências sejam garantidas por seguros.
Infelizmente, com a exceção do Sindicato dos Bancários do Maranhão, que tem demonstrado muita preocupação com os bancários, que são sem dúvidas vítimas da violência exacerbada. Muitos sofrem traumas, que não conseguem retornar ao trabalho, outros deixam o emprego e grande vive com assistência médica continua.
Diante dos fatos: A quem cabe a responsabilidade maior de enfrentar a violência?
