Mais de 100 presos com armas brancas improvisadas fizeram motim na Penitenciária de Bacabal

De há muito venho denunciando fragilidades e desmandos em várias unidades prisionais do Maranhão. Há pouco tempo em Imperatriz, presos amarraram os plantonistas e fugiram por uma porta lateral da penitenciária. O alarme foi dado por moradores das imediações que avisaram um policial numa guarita com fuzil que não viu nada. Posteriormente houve fugas em Timon, inclusive em uma delas dois presos pegaram um caminhão de entrega de mantimentos e com ele romperam o portão da unidade e escaparam, abandonando o veículo a duas quadras da penitenciária, isso sem falarmos nos assassinatos.

               Motim com armas brancas em represálias as explorações que estão sendo vitimas

O que aconteceu neste domingo em Bacabal no presidio localizado na comunidade Piratininga foi apenas o início de outras revoltas que estão por vir. Existem denúncias, inclusive feita até para o Ministério Público do Trabalho, quanto a exploração de mão de obra de presos para a construção de bloquetes para calçamento de ruas, que tem feito a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, como uma das grandes fornecedoras no Maranhão. O Sistema Penitenciário do Maranhão tem outros negócios na produção de móveis, carteiras, artesanatos, que geram muitos recursos, mas nada é transformado em benefício dos presos.

Com mão de obra praticamente de graça, a SEAP vem transformando a maioria dos presídios no interior do Estado em fornecedora de bloquetes para obras estaduais, municipais e particulares a preços de mercado, gerando grandes volumes de recursos, em que quase nada é destinado aos presos operários e o grande volume de dinheiro da arrecadação, segundo dizem é administrado por uma república importada de Minas Gerais pelo secretário Murilo Andrade, que inclusive, é quem manda e desmanda nos presídios do Maranhão.

Para que tenha uma dimensão do motim no presidio de Bacabal e das facilidades para os terem acesso a armas brancas e improvisar a fabricação de outras, o problema poderia ter sérias consequências. A Polícia Penal com agentes penitenciários e auxiliares que usam armas indevidamente dentro das unidades prisionais, não teriam condições de enfrentamento aos amotinados, diante do que ficou constatado a falta revistas em todas as celas do presídio, o que levou os presos acumulares armas brancas.

                      Comandante Geral da PM com força terrestre e aérea controlou o motim

                      Embora não estivesse na área, coronel Emerson Bezerra, Comandante Geral da PM, conseguiu reunir imediatamente forças das unidades militares de Barra do Corda, Caxias e São Luís, além do Batalhão de Operações Especiais e o Centro Tático Aéreo, que foram de fundamental importância para controlar a revolta e evitar uma fuga em massa.

O motim do presidio de Piratininga em Bacabal foi apenas uma demonstração das fragilidades dos presídios em todo o Maranhão, em que a maioria funciona através de acordos com o crime organizado, o que não é diferente da maioria dos presídios no país e o Maranhão não é exceção. A diferença é que em Bacabal, os presos pedem a retirada do diretor, em que pesam acusações de espancamentos, torturas e trabalho próximo da exaustão.

Inúmeras denúncias já foram feitas ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça e ao Conselho Nacional de Justiça, mas a indiferença tem sido a resposta, com a exceção da Defensoria Pública. Não será surpresa se novos movimentos surgirem em outras unidades prisionais, uma vez que as lideranças criminosas estão sempre em sintonia, inclusive no mesmo presidio de Bacabal.

Fonte: AFD

 

 

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