Em menos de dois meses do presente exercício, os conflitos agrários já ultrapassam mais de 40, segundo revelações da Comissão Pastoral da Terra e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Maranhão. A maior responsabilidade pelos conflitos, segundo lideranças de comunidades rurais é o INCRA, principalmente as três últimas administrações no Maranhão, que postergaram a tramitação de processos de desapropriações, de regularizações fundiários e titulação. Muitas áreas questionadas, algumas das quais com suspeitas de fraudes em cartórios, sempre merecem o acolhimento da justiça e daí para a expulsão de famílias de descendências seculares sempre ocorrem de maneira violenta, sem falarmos no período que antecedem a determinação judicial com a grileiros e latifundiários utilizando jagunços para destruir roças e muitas vezes atear fogo em casas de trabalhadores e trabalhadoras rurais.
Para que se tenha uma dimensão dos desvios de ações do INCRA, ele postergou o máximo que pôde para não assentar as 160 familias que tiveram que deixar as terras Awá Guajá, de acordo com determinação da Justiça Federal. Apesar do Ministério de Desenvolvimento Agrário através do INCRA Nacional ter liberado recursos para o INCRA do Maranhão fazer o assentamento das famílias, o ex-superintendente José Inácio Rodrigues Sodré, mesmo garantindo a Justiça e o Ministério Público Federal, que as famílias seriam dignamente colocadas em áreas que poderiam viver e com o suor de cada dia retirar da terra o pão de cada dia, nada foi honrado e os recursos teriam sido desviado para convênios com prefeituras em um ano eleitoral.
As comunidades quilombolas do Maranhão têm sido ao longo dos últimos anos, período em que o INCRA foi controlado por interesses de politicos, latifundiários e empresários do agronegócio, as mais prejudicadas e que estão sempre no contexto da violência dos conflitos. Há necessidade de ações emergenciais envolvendo o Governo do Estado, o INCRA Nacional, o Ministério Público Estadual e Federal, as Justiças Estadual e Federal e entidades como a CPT, Feteama, Territórios Livres do Baixo Parnaíba, Fórum Carajás, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e todas as que foram criadas pelos quilombolas e povos indigenas em busca de uma solução e um basta na violência no campo, que tem proporcionado um acentuado êxodo, desigualdades, fome, miséria e derramento de sangue. A omissão dos governos estaduais que antecederam ao atual foram muito perversas com a garantia da força policial contra trabalhadores e trabalhadoras e contribuiu para que milhares de familias fossem empurradas para sedes municipais e para a capital, colocando-as como presas fáceis para as drogas e a violência, decorrente de não terem qualificação profissional.
Felizmente, se hoje os problemas não estão em maiores proporções é devido a presença permanente no meio rural da FETAEMA e da CPT e em muitas dioceses como a de Coroatá e Balsas, a presença dos bispos Dom Sebastião Bandeira e Dom Enemézio Lazaris evitam problemas mais sérios, mas mesmo assim muitos padres estão ameaçados de morte, com destaque para o município de Codó.
