A reforma agrária não avança no Maranhão, decorrente dos interesses políticos em defesa de latifundiários e empresários rurais. A Superintendência do INCRA no Maranhão há anos vem sendo manipulada e muitos foram os dirigentes que se deram bem e que até hoje respondem processo na justiça e nenhum deles foi para a cadeia, muito pelo contrário continuam integrados no contexto politico e até com mandatos.
As constantes ocupações da sede da Superintendência do INCRA em São Luís e Imperatriz são mecanismos de luta por direitos. São inúmeros os processos de desapropriações que não avançam decorrente de que latifundiários sem documentos e sem qualquer informação de cadeia dominial se intitulam ser donos de terras, de posse secular de trabalhadores e trabalhadoras rurais e maioria quilombola, com a certeza da proteção politica.
Os problemas das desapropriações e regularizações fundiárias precisam de uma decisão politica por quem realmente queira acabar com os conflitos pela posse da terra. Os avanços indiscriminados de culturas extensivas do agronegócio tem se tornado tão nocivos, quando trabalhadores e trabalhadoras rurais são expulsos das suas posses de terras na porrada e na bala ou simplesmente através de mandados judiciais sem maiores explicações, com a participação da Policia Militar. No Maranhão há registro de casos em que um juiz expede reintegração de posse para uma área e ele é cumprido em outro, de acordo com o interesse do grileiro ou do latifundiário protegidos por políticos.
As ocupações feitas pelos quilombolas é justa sob o princípio de que as desapropriações só podem avançar através das suas pressões, uma vez que esperar pelo trâmite legal é roça. Particularmente entendo que a luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais por direitos a terra e enfrentamento a violência no campo precisa ser tornada pública e ser constantemente debatida para não cair no esquecimento. Esperar simplesmente pela vontade das instituições para a resolução dos sérios problemas é acreditar em Papai Noel.
