Da lixeira da Ceasa para matar a fome de muitas famílias

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Diariamente toneladas de frutas e verduras, são jogadas por comerciantes em um lixeiro improvisado dentro da própria Ceasa. A maioria não está totalmente estragada, mas deixam de ser comercializadas por estarem fora do padrão de interesse de revendedores e consumidores. Diante da necessidade constante de renovação de estoque, o produto que deixou de ser atração logo ganha o caminho da lixeira.

     Dezenas de pessoas, com a exceção do domingo, dia em que a central de vendas de frutas e verduras não abre, estão recolhendo da lixeira muitos produtos em perfeitas condições para o consumo. Estive conversando com pelo menos umas cinco pessoas entre homens e mulheres já bem conhecidos no local e até de relação de amizade com alguns comerciantes. Todos lutam em busca de uma alimentação diária e dizem que se não fosse a lixeira não poderiam comer uma fruta.  Alguns vendem uma parte para pagar o transporte, dividem o restante entre familiares e doam uma parte para pessoas tão necessitadas como eles, mas que por doença ou velhice adiantada não podem se deslocar para catar frutas e verduras. Uma senhora jovem e mãe de quatro filhos relatou, que o marido trabalha como carregador em porta de estabelecimentos comerciais, os filhos ficam em casa sob a responsabilidade da filha mais velha de 11 anos e uma vizinha da palafita do bairro da Liberdade, também dá uma olhada e sempre é recompensada com um pouco do que consegue levar.  A vida é muito difícil, mas nos sentimos feliz, por termos como nos alimentar e manter os nossos filhos na escola e também por ajudarmos os nossos irmãos que precisam tanto como nós. Todos os dias nós agradecemos a Deus, pelo que ganhamos e pela preocupação e responsabilidade que temos em servir aos nossos irmãos, afirmou a jovem mãe de quatro filhos.

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