É uma realidade que pode ser vista diariamente na Ceasa. Toneladas de alimentos em condições de consumo, mas que estão fora das qualidades exigidas pelos revendedores e consumidores acabam no lixo. Podemos ver cotidianamente dezenas de pessoas que recolhem frutas, verduras, hortaliças e outros produtos bons para o consumo e também vendem e até distribuem entre vizinhos. Há poucos dias registrei um caminhão baú, com centenas de caixas de laranjas jogando em um improvisado lixeiro dentro da própria Ceasa. Procurei me informar sobre a grande quantidade de laranjas descartadas e recebi a informação que estavam secas e fora dos padrões de comercialização.
Lamentável sob todos os aspectos é que a realidade tem mostrado a existência de muita gente passando fome e que temos muitas unidades filantrópicas, que poderiam utilizar os produtos para saciar a fome daqueles que não têm nada e dos que poderiam incrementar o cardápio das unidades solidárias. Diante de uma realidade que pode perfeitamente ser mudada, bastando apenas a intervenção de segmentos do poder público ou da sociedade civil organizada para intermediar o recolhimento dos produtos. Também há necessidade de que caso haja interesse, não se pode deixar de lado, as pessoas que recolhem todos os dias do local em que são jogados os produtos, o pão de cada dia. Recentemente, uma senhora me disse que os seus filhos hoje já adultos, foram criados com alimentos retirados daquele local, agradecendo a Deus e pedindo muita vida para os distribuidores da Ceasa, que sem querer fizeram-na não saber o que é passar fome. O mais dolorido é que se sabe da existência de milhares de pessoas passando fome, enquanto muitos alimentos vão para o lixo.
